Economia

Empresários estão tentando convencer o Congresso a incluir uma emenda na Medida Provisória (MP) 936 para que sua validade seja retroativa a março. A MP permite a redução ou a suspensão dos salários por até três meses, com parte dos rendimentos sendo paga pelo governo. 

Segundo o empresariado, a MP resolve o pagamento dos salários de abril, maio e junho. Mas o problema é que as empresas, sobretudo as de menor porte, estão completamente sem caixa para honrar as folhas de salário de março, que vencerão na próxima segunda-feira. 

O faturamento das empresas em março despencou, devido ao fechamento da maior parte do comércio e da indústria para tentar conter a disseminação do novo coronavírus. Para grande parcela dos empresários, a medida tomada pelo Ministério da Saúde foi acertada. Mas é preciso que o governo e o Congresso estendam as mãos ao setor produtivo. 

Apelo 

O apelo do empresariado foi atendido pelo deputado Efraim Filho (DEM-PB). “Entendemos que esta pequena alteração representaria uma importante contribuição do Parlamento para a preservação dos empregos e para a continuidade das operações das empresas brasileiras”, escreveu ele, em suas justificativas. 

O parlamentar ressaltou ainda que, “como a maior parte dos setores começou a sofrer os perversos efeitos econômicos da quarentena já algumas semanas antes da edição da MP, é imprescindível que a legislação em análise alcance também esse período”. 

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, “a MP 936 é excelente, potente e flexível e vai resolver os problemas dos próximos três meses”. O problema, segundo ele, é que as empresas estão sem caixa para pagar os salários de março, pois foram atropeladas pela Covid-19. 

Ele está convencido de que o Parlamento terá a sensibilidade para entender o período de emergência e aprovará a emenda que retroage o prazo de validade da MP 936.

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade maleu lapa-el – Onde surgiu a “Administração por objetivos” e quem foram seus principais teóricos?

Papa – A “Abordagem neoclássica” deu a senha ao defender “maior envolvimento com os objetivos e compromisso com as metas”, o pragmatismo aplicado ao extremo nos Estados Unidos deu o rumo e as contribuições do austríaco Peter Ferdinand Drucker deram forma para “Administração por resultados – APO”, outro grande expoente desta teoria administrativa é o britânico John William Humble. Por suas contribuições também merecem ser citados os americanos Herbert Alexander Simon, Philip Selznick e Talcott Edgar Frederick Parsons.

O APO é um sistema sustentado pela integração entre as necessidades das organizações em superar metas e as necessidades dos seus executivos e colaboradores em desenvolver-se. A junção destas necessidades cria um universo onde o processo participativo substitui o processo hierárquico.

A importância da obra de Peter Drucker para administração alcançou tão alto nível que poucos discordam do título de “pai da Administração Moderna” a ele merecidamente atribuído. Após conquistar o título de PhD em Direito Internacional, em 1932 na Alemanha, Drucker foi perseguido pelos nazistas, mudou-se para Londres e em 1937 chegou os Estados Unidos onde sua obrar ganhou musculatura e amplitude.

Em função de restrição, quanto ao tamanho do texto em nossa proposta, daremos ênfase à minúscula parte da vasta obra do maior guru da administração no século passado. Entendia Drucker que a administração é uma ciência que trata de pessoas nas organizações e que a base do objetivo do gestor é a inovação em processo dinâmico que gera novas ideias a partir da combinação destas com ideias antigas, trazendo ideias de outros campos com as adaptações cabíveis.

Segundo Drucker para atingir alto nível de eficiência a organização necessita seguir três regras básicas: Ser organizada por desempenho; ter o mínimo possível de níveis gerenciais e capacitar os gestores do futuro.

Quanto ao comportamento o grande mentor da APO, entre outra diversas mensagens nos ensina: “Escute primeiro e fale depois”; “Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo” e “A simplicidade tende ao desenvolvimento, a complexidade à desintegração”.

Mesmo reconhecendo meus limites, arisco-me afirmar que a obra de Peter Drucker é a perfeita sistematização flexível de saberes diversos, da área administrativa e fora dela, na busca de resultados.

As vendas de carros e comerciais leves em março despencaram por causa do isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus. Com 155.771 emplacamentos, a queda foi de 19,1% em relação a fevereiro (192.639). Trata-se do pior março em vendas dos últimos 14 anos no Brasil. Perdendo apenas para o mesmo mês de 2006, com 148 mil. Os dados são da Fenabrave, federação que reúne as associações de concessionárias de veículos do país.

Na comparação com março de 2019, quando foram vendidas 199.549 unidades, a queda é ainda pior, de 21,9%. No início do mês passado, as vendas apresentaram um resultado avassalador. Na primeira quinzena, o aumento foi de 10% em relação ao mesmo período de fevereiro. Mas a queda de 90% nos emplacamentos na última semana de março resultou no péssimo número do fechamento do mês .

A média diária de vendas de automóveis e comerciais leves no país caiu para apenas 427 unidades entre os dias 21 e 27 de março. Na semana anterior, a média foi de 4.424 emplacamentos por dia. O que dá a dimensão da queda, de exatos 90,3%. O levantamento feito pelo Jornal do Carro considera os 20 modelos mais vendidos no mercado nacional.

Algumas marcas intensificaram seus processos de vendas virtuais. A Caoa-Chery, por exemplo, criou um serviço que leva o vendedor até o cliente. Ele tira dúvidas e fecha o negócio, simulando até financiamentos. Mas isso não foi o suficiente para reverter números de quedas tão expressivos. Toda a estrutura de comercialização das marcas é presencial. Não havia um Plano B.

Tendo em vista as restrições de locomoção impostas pelo enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou que os produtores rurais beneficiários do Proagro façam a comunicação de perdas de forma remota. A decisão foi tomada na noite desta quarta-feira (1º), em reunião extraordinária.

De acordo com nota publicada hoje (02), pelo Banco Central, a comunicação pelos produtores deverá conter todas as informações necessárias para obter o benefício do seguro e poderá ser feita por e-mail, aplicativo disponibilizado pelo agente do Proagro ou mesmo por meio telefônico.

O CMN também autorizou que a comprovação das perdas seja realizada utilizando ferramentas de sensoriamento remoto, desde que elas sejam capazes de aferir com segurança os dados necessários para medir corretamente as perdas decorrentes de evento adverso.

“Essa sistemática substitui, temporariamente, enquanto prevalecer às restrições impostas pelo combate à covid-19, a prática usual que prevê a comprovação realizada presencialmente pelos técnicos”, completou o BC.

Pátio vazio no Rio: segundo especialistas, demora do governo federal a agir fez com que estados se mexessem. Foto: rodrigo Ferraz / Zimmel Press

Para aliviar os efeitos do coronavírus, estados e municípios estão distribuindo benesses para famílias pobres, autônomos e donos de negócios parados com a epidemia. A lista inclui suspensão de impostos, transferência de renda por vouchers, cestas básicas, abertura de abrigos a moradores de rua e até empréstimos a juros baixos.

Somados, os esforços custarão ao menos R$ 2,8 bilhões aos cofres públicos, uma quantia pequena em relação aos volumes prometidos pela União. Mas, na visão de especialistas, é o possível de ser feito por entes federados já em situação fiscal combalida após anos de estagnação da economia brasileira.

Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) prometeu R$ 725 milhões em juro subsidiado a negócios do comércio e do turismo, paralisados com o avanço da epidemia. Além disso, deve enviar vouchers de R$ 51 a alunos da rede estadual vindos de famílias pobres e que estão sem aulas e nem merendas durante a quarentena. Um programa semelhante de renda mínima deve beneficiar 26 mil microempreendedores, que deverão receber R$ 600 como compensação pela redução do movimento com a quarentena.

Luiz Claudio Rodrigues de Carvalho, secretário estadual de Fazenda do Rio, diz que foram destinados cerca de R$ 320 milhões para a Agência Especial de Fomento, AgeRio, para linhas de crédito para micro e pequenas empresas. Para os mais carentes, citou a distribuição de um milhão de cestas básicas, num primeiro momento, que deve ser repetida nos próximos dois, três meses, enquanto perdurar o isolamento.

Benefícios fiscais

Em Santa Catarina, a estratégia é dar R$ 230 milhões em crédito a juros baixos a pequenas e médias empresas. Nas contas de Paulo Eli, secretário da Fazenda catarinense, a arrecadação do ICMS, imposto estadual sobre a circulação de bens, deve cair 12% em 2020, o equivalente a R$ 2 bilhões.

— Será um impacto nas contas públicas tão forte como a greve dos caminhoneiros em 2018, diz. Continue reading

A pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, o Senado vai votar, na sexta-feira (03), projeto que estabelece novas regras nas relações de direito privado durante a pandemia do coronavírus. Entre as normas, está a possibilidade de suspensão total ou parcial do pagamento de aluguel por locatários atingidos financeiramente pela crise.

O projeto foi apresentado pelo senador Antonio Anastasia (PSD-MG), que assumiu as ideias de Toffoli, e será relatado pela senadora Simone Tebet (MDB-MS). O texto diz que “locatários residenciais que sofrerem alteração econômico-financeira, decorrente de demissão, redução de carga horária ou diminuição de remuneração, poderão suspender, total ou parcialmente, o pagamento dos alugueis vencíveis a partir de 20 de março de 2020 até 30 de outubro de 2020”. Ou seja, não se aplica para parcelas atrasadas anteriormente ao estado de calamidade pública.

Para isso, esses locatários terão de comunicar a suspensão aos proprietários dos imóveis. Os aluguéis vencidos deverão ser pagos parceladamente, a partir de 30 de outubro de 2020. A cada data de vencimento, serão acrescidos 20% dos aluguéis vencidos. Nas regras, está previsto também que não serão concedidas liminares para desocupação de imóvel urbano em ações de despejo até 31 de dezembro de 2020. 
O texto ainda impede e suspende prazos prescricionais de processos que estão tramitando na Justiça, a partir da vigência da lei até 30 de outubro de 2020.

No texto, Anastasia ainda prevê outros diferentes tipos de regra. Na mesma linha de decisão do Superior Tribunal de Justiça, ele prevê que prisões por dívida alimentícia devem ser cumpridas exclusivamente sob a modalidade domiciliar. Continue reading

Movimento na Rua 25 de Março as vésperas do Natal

Algumas das principais empresas do país iniciaram um movimento em que se comprometem a não demitir ninguém até o dia 31 de maio, segundo projeções, data em que a Covid-19 atingirá o ápice de estragos no Brasil.

São empresas como Microsoft, Bradesco, Itaú, BR Distribuidora, Alpargatas, Pactual, Grupo Pão de Açúcar, entre outras.

O “Não Demita” pôs no ar um site com uma mensagem para convencer o maior número possível de empresários a fazer o mesmo. O texto compara a crise provocada pelo coronavírus a um trem fantasma:

— Ela é mais parecida com uma montanha-russa: é assustadora, mas sabemos que vai fazer uma curva para a direita, outra para esquerda, vai subir, descer e finalmente parar. Sabemos que esta crise é dura, mas ela vai acabar em breve.

No parágrafo seguinte, a convocação:

— Mais que isso: dá para segurar a onda até o fim de maio. Você sabe disso. Não demita – e assim evitamos um colapso econômico e social.

A iniciativa partiu de Daniel Castanho, da Ânima Educação.

A Petrobras anunciou a terceira redução no preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) nos últimos 10 dias, de 10% nas refinarias a partir da terça-feira (31). Com mais essa queda, o preço do produto, que afeta as famílias de baixa renda, acumula corte de 21% nos preços neste ano.

Antes dessas reduções, o preço praticado pela estatal estava 45% acima da paridade com a cotação internacional.

O preço nas refinarias passa a ser de R$ 21,85 para o botijão de 13 quilos (gás de cozinha).

A redução atinge tanto o GLP residencial como industrial.

Segundo a Petrobras, a empresa está reforçando o abastecimento de GLP no mercado através de compras adicionais já efetuadas dentro do seu programa de importação, depois que a crise provocada pelo coronavírus fez muitas famílias estocarem o combustível, levando à escassez pontual em alguns centros urbanos, segundo informou mais cedo o Ministério de Minas e Energia (MME).

Ao todo, a Petrobras fez a importação de três carregamentos, que chegam no porto de Santos nos dias 30 de março, 6 e 10 de abril.

Cada navio tem capacidade adicional de 20 milhões de quilos de GLP, equivalente a 1,6 milhão de botijões de 13 kg.

A companhia disse ainda que não há necessidade de estocar o produto, e pediu para que as distribuidoras repassem a queda de preços para o consumidor. “Não há qualquer necessidade de estocar GLP neste momento, pois não haverá falta de produto para abastecer a população”, afirmou a estatal.

Segundo a pasta, o valor equivale a 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB)

O Tesouro Nacional informou nesta segunda-feira que o déficit nas contas públicas pode superar os R$ 350 bilhões neste ano, por causa das despesas extras para combater o coronavírus.

Segundo a pasta, o valor equivale a 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O rombo é quase o triplo do resultado esperado antes da crise, que era de R$ 124,1 bilhões.

“Ao que tudo indica, pelo conjunto de medidas já anunciadas e de perda de arrecadação que poderá ser ainda maior do que aquela já projetada no primeiro relatório bimestral, o déficit primário do Governo Central, em 2020, poderá alcançar ou superar a cifra de R$ 350 bilhões, o que equivale a 4,5% do PIB”, disse o Tesouro.

A informação consta no documento no qual a pasta analisa os dados fiscais de fevereiro. Naquele mês, o país registrou déficit de R$ 25,9 bilhões, sem contar o pagamento de juros da dívida. O balanço não reflete as mudanças de expectativas causadas pela pandemia de Covid-19.

Estados: déficit de R$ 30 bi

De acordo com o Tesouro, o déficit em 2020 pode ser ainda maior, considerando os resultados nos estados e municípios. O órgão projeta que os entes federados fechem o ano com déficit de R$ 30 bilhões.

Com isso, o número do setor público consolidado poderia chegar próximo a R$ 400 bilhões. No ano passado, o rombo foi de R$ 61 bilhões. Continue reading

As contas de luz terão bandeira verde em abril, sem taxa extra nas tarifas de energia, anunciou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em março, também vigorou a bandeira verde.

De acordo com a Aneel, ao longo do mês, as chuvas contribuíram para recuperar os níveis dos principais reservatórios de hidrelétricas do Sistema Interligado Nacional (SIN). A previsão, segundo a agência, é que as condições hidrológicas se mantenham favoráveis em abril, ainda que seja um mês em que se inicia a transição entre o período úmido e o seco.

A Aneel informou ainda que a definição da bandeira considerou as medidas de combate ao avanço da pandemia do novo coronavírus em todo o País. “Além disso, foram consideradas novas previsões de consumo de energia, em face das medidas de combate à propagação da pandemia da Covid-19 no País, com indicativo de redução da carga de energia em abril e maio”, diz a nota. Continue reading

A Petrobras informou que vai reduzir o preço médio da gasolina nas refinarias em 5%, e o do diesel, em 3%. Os ajustes valem a partir deste sábado (28).

Essa é a segunda redução anunciada pela Petrobras nesta semana. Na quarta-feira (25), a petroleira havia reduzido o valor médio da gasolina em 15%.

O preço do petróleo está sofrendo tombo acentuado devido aos impactos gerados pela pandemia do coronavírus e pela guerra de preços entre grandes produtores globais da commodity.

O consumidor final não sentirá esse repasse de maneira imediata. Isso depende de diversos fatores, como consumo de estoques, impostos, margens de distribuição e de revenda, e mistura de biocombustíveis.

Esse é o décimo ajuste que a Petrobras fez em 2020. Veja:

14 de janeiro de 2020: -3%
24 de janeiro de 2020: -1,5%
31 de janeiro de 2020: -3%
06 de fevereiro de 2020: -4,3%
20 de fevereiro de 2020: +3%
29 de fevereiro de 2020: -4%
13 de março de 2020: -9,5%
19 de março de 2020: -12%
25 de março de 2020: -15%
28 de março de 2020:-5%

Quatro estados admitem descumprir limite com folha de pessoal Foto: Arquivo

O Globo

A decisão do governo de distribuir R$ 600 para cada trabalhador informal como forma de proteção aos efeitos causados pela pandemia de coronavírus embute o desafio de encontrar o melhor caminho para o dinheiro chegar aos que realmente precisam da ajuda. O Cadastro Único (CadÚnico), do Ministério da Cidadania, principal fonte de informações sociais do país e usado pelo Bolsa Família, contempla mais de 28,8 milhões de famílias, mas apenas parte dos 46,8 milhões de informais do país estão nessa base de dados.

Especialistas afirmam que o grande desafio é identificar o “novo pobre”, aquele que não está presente no CadÚnico, mas se tornou vulnerável agora. Muitos possuíam ocupação anterior à pandemia, e hoje estão em situação de renda suprimida. No entanto, economistas são categóricos em afirmar que é necessário trabalhar novas estratégias em paralelo à injeção de recursos para todos os brasileiros cadastrados no sistema social. 

Em nota técnica divulgada na sexta-feira (27), pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sugerem que o CadÚnico seja utilizado para distribuição de um benefício extraordinário de pelo menos R$ 450 por família, por um período de seis meses, prorrogáveis, para todas as famílias inscritas no sistema com renda de até meio salário mínimo por pessoa, incluídos beneficiários do Bolsa Família.

Segundo Luiz Henrique Paiva, um dos autores do estudo, cerca de  30% da população, concentrados entre os mais pobres, teriam algum nível de proteção contra a crise associada à Covid-19, de modo quase imediato. Trata-se, segundo ele, do caminho mais rápido para distribuir os recursos, uma vez que os mecanismos são os mesmos de distribuição do Programa Bolsa Família, só que em maior escala, utilizando-se da estrutura da Caixa e do Ministério da Cidadania. Continue reading

Empresários do setor de bares e restaurantes cobram urgência do Supremo Tribunal Federal (STF) na análise da Medida Provisória (MP) dos Salários, que prevê a suspensão dos contratos de trabalho por dois meses, além da redução dos rendimentos dos trabalhadores, com parte compensada pelo governo. 

Segundo empresários do setor, essa MP é fundamental para atender as microempresas, que ficaram de fora das medidas anunciadas hoje pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O pacote liberado pelo BC prevê a liberação de R$ 40 bilhões para o pagamento de folha de salários de pequenas e médias empresas por dois anos. 

Na avaliação de Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, associação que reúne bares e restaurantes, as medidas anunciadas por Campos Neto são muito bem-vindas, mas beneficiam empresas mais elitizadas, que têm históricos de crédito que a microempresas não têm. Mais: por conta na demora na regulamentação, os benefícios às empresas só chegarão na segunda quinzena de abril, na melhor das hipóteses. 

Pelos cálculos da Abrasel, a cada hora de atraso na aprovação da MP encaminhada ao STF pela Advocacia-Geral da Unia (AGU), pelo menos 1 mil empregos são perdidos. “Bares e restaurantes estão sendo dizimados no país”, ressalta. A MP, que custará R$ 36 bilhões aos cofres públicos, está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes. 

Caso o STF liberasse ainda nesta sexta-feira (27), a MP proposta pelo governo, já na semana que vem bares e restaurantes que enfrentam dificuldades terão recursos para honrar seus compromissos, sobretudo os salários de seus funcionários. 

O Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado ontem pelo Banco Central não trouxe novidades para especialistas do mercado, porque os números apresentados pela autoridade monetária já estão desatualizados diante da turbulência causada pela pandemia de Covid-19, provocada pelo novo coronavírus no mundo. A expectativa agora é com o próximo relatório, em maio, que deverá vir confirmando a recessão que está se formando e, dessa forma, novos de cortes nos juros devem entrar no radar, dependendo do grau da crise. 

No principal documento elaborado pelo BC, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 passou de 2,2%, no último relatório de dezembro, para zero. A nova estimativa veio em linha com a nova previsão do Ministério da Economia, mas está acima das estimativas mais recentes do mercado que não descartam retração do PIB neste ano. A previsão do BC para a inflação acumulada em 2020 passou de 3,6% para 3%. Analistas acreditam que, com a recessão a caminho, os preços devem cair mais e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e as estimativas já estão começando a ficar perto de 2%, bem longe do centro da meta, de 4%, cujo piso de 2,5%. 

Para os analistas, em maio, o BC precisará corrigir os dados no próximo RTI e apresentar previsões de queda no PIB. Além disso, preveem um corte de 0,50 na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), também em maio, levando a taxa básica de juros (Selic) para 3,25% anuais. 

“O relatório do BC teve um gostinho de notícia antiga, porque a análise está muito defasada em um mundo que está mudando muito rápido. A realidade é de o PIB vai cada vez mais para baixo”, avaliou Fernando Gonçalves, superintendente de Pesquisa Econômica do Itaú Unibanco.  Continue reading

BOBBY FABISAK/JC IMAGEM

Trabalhadores informais podem receber um vale de R$ 600 durante a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Para mães que são chefe de família (família monoparental), a cota emergencial será paga em dobro, R$ 1.200. A medida foi aprovada na Câmara dos Deputados, na noite desta quinta-feira (26), e precisa ser apreciado pelo Senado para começar a valer. O benefício deve durar três meses, podendo ter período prorrogado pelo Executivo.

Forma de pagamento do auxílio

Segundo o projeto, o auxílio emergencial será pago por bancos públicos federais por meio de uma conta do tipo poupança social digital.

Essa conta será aberta automaticamente em nome dos beneficiários, com dispensa da apresentação de documentos e isenção de tarifas de manutenção. A pessoa usuária poderá fazer ao menos uma transferência eletrônica de dinheiro por mês, sem custos, para conta bancária mantida em qualquer instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central.

A conta pode ser a mesma já usada para pagar recursos de programas sociais governamentais, como PIS/Pasep e FGTS, mas não pode permitir a emissão de cartão físico, cheques ou ordens de pagamento para sua movimentação.

Se a pessoa deixar de cumprir as condições estipuladas, o auxílio deixará de ser pago. Para fazer as verificações necessárias, os órgãos federais trocarão as informações constantes em suas bases de dados.

A matéria foi aprovada simbolicamente, sem a contagem dos votos, mas de forma unânime pela indicação dos partidos durante sessão virtual da Câmara. Nenhum destaque foi aprovado.

Quem terá direito ao auxílio?

  • Para ter acesso ao auxílio, a pessoa deve cumprir, ao mesmo tempo, os seguintes requisitos:
  • Ser maior de 18 anos de idade;
  • Não ter emprego formal;
  • Não receber benefício previdenciário ou assistencial, seguro-desemprego ou de outro programa de transferência de renda federal que não seja o Bolsa Família;
  • Renda familiar mensal per capita (por pessoa) de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total (tudo o que a família recebe) de até três salários mínimos (R$ 3.135,00); e
  • Não ter recebido rendimentos tributáveis, no ano de 2018, acima de R$ 28.559,70.

A pessoa candidata deverá ainda cumprir uma dessas condições:

  • Exercer atividade na condição de microempreendedor individual (MEI);
  • Ser contribuinte individual ou facultativo do Regime Geral de Previdência Social (RGPS);
  • Ser trabalhador informal inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); ou
  • Ter cumprido o requisito de renda média até 20 de março de 2020.

Será permitido a duas pessoas de uma mesma família acumularem benefícios. Se o Bolsa Família já estiver contando como benefício, a pessoa poderá fazer a opção por um dos dois.

Já a renda média será verificada por meio do CadÚnico para os inscritos e, para os não inscritos, com autodeclaração em plataforma digital.

Na renda familiar serão considerados todos os rendimentos obtidos por todos os membros que moram na mesma residência, exceto o dinheiro do Bolsa Família.

 
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