Economia

Ciência não é prioridade no Brasil. Reflexo disso é a baixa formação de cientistas, principalmente de ponta. Formamos poucos em Matemática, Engenharia, Física e Química. Temos 2,8 engenheiros formados por ano para cada dez mil brasileiros, menos que no México, que tem oito profissionais para o mesmo número de habitantes. Só 6% dos formados no Brasil são engenheiros.

Especialistas alertam que isso inibe a inovação quando o mundo desenvolvido investe em inteligência artificial, e a indústria vive a revolução 4.0. Segundo Marcia Cristina Barbosa, professora do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, o maior gargalo é na pesquisa fina, como em microeletrônica:

— O doutorado na UFRGS formou 44 pessoas desde 2011.

O Brasil investiu 1,28% do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento em 2015, cerca de R$ 76 bilhões. A comunidade científica almeja 2% do PIB, percentual de países desenvolvidos. Nos EUA, são destinados 2,5%; na China, também. Israel investe 4% do PIB. Economistas alegam que a baixa formação reflete a pouca demanda por profissionais especializados. Como o Brasil é um dos mais fechados do mundo — entre mais de 160 países, estamos na penúltima posição em abertura comercial, melhor apenas que o Sudão, expõe-se pouco as empresas à competição.

— Se a empresa tem mercado cativo e não precisa inovar, para que fazer? Inovação custa caro e é arriscada, afirma o economista Maurício Canêdo, da Fundação Getulio Vargas.

Falta de incentivo, cultura dominante de que pesquisa é papel do Estado e burocracia para firmar parcerias entre universidades e setor privado impedem a especialização de ganhar espaço, dizem especialistas. Formamos, por exemplo, apenas 180 doutores em Matemática por ano:

— Formamos pouco para as necessidades do Brasil. Os EUA formam dez vezes mais; a França, três vezes mais; e o Brasil não é um país tão menor. Temos um volume pequeno de investimento, comparado ao potencial do país. A pesquisa fundamental é missão do Estado e sempre será. Mas, na fase mais avançada, quando a ideia começa a ser implementada como procedimento, um algoritmo, é interesse das empresas investir para poderem dirigir esses processos. O setor produtivo está habituado com a ideia de que o Estado vai prover tudo, o que é um erro, afirma Marcelo Viana, diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).

SELEÇÃO INCLUI ESTRANGEIROS

Ele também vê pouco investimento empresarial em formação. Clara Macedo Lage é doutoranda de Matemática, vinculada ao Impa. Estuda na Sorbonne, em Paris, com bolsa de uma empresa de energia, que pode deduzir dos impostos os recursos aplicados na formação. Uma espécie de Lei Rouanet da ciência:

— Essa empresa trabalha com dados que mudam em função de aspectos climáticos, como vento e chuva. Há algum padrão, mas varia muito, o que causa certa instabilidade nos cálculos. Tento entender como funciona o padrão para melhorar a estabilidade dos cálculos — explica Clara, que acha importante esse intercâmbio internacional para aumentar o contato com equipes de pesquisa de fora do Brasil. — Tenho visto colegas vindo para o exterior, após os cortes nos orçamentos de pesquisa.

Em Engenharia, outro gargalo. São formados 50 mil profissionais por ano.

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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está com consulta pública aberta até o dia 19 de março para ouvir a opinião de consumidores sobre o sistema de pré-pagamento de energia elétrica. Para o órgão, o modelo seria capaz de ajudar os clientes a controlar os gastos com a conta de luz.

Com o sistema de pré-pagamento de energia, os serviços seriam contratados e pagos antecipadamente, como acontece com os planos de telefonia pré-pago e com cartões de transporte público, como o Bilhete Único. No caso da energia elétrica, o consumidor poderia definir a quantidade de energia que seria comprada e a periodicidade de recarga do medidor.

Já existe uma regulamentação que permite que as distribuidoras recorram a esta modalidade de pagamento pelo consumo. Até hoje, não houve interesse das empresas. O sistema já foi testado, porém, em comunidades no Amazonas. A ideia de voltar a discutir o tema é descobrir o que precisa ser feito para motivar o interesse de empresas e consumidores. Para a Aneel, uma das grandes vantagens do pré-pagamento para o consumidor é o controle do consumo, possibilitando redução do desperdício, utilização da energia de forma mais racional, e como consequência, a redução do pagamento de juros e multas por inadimplência. 

Por outro lado, uma desvantagem apontada pelo próprio órgão é a interrupção do fornecimento. No modelo convencional, a suspensão só pode ocorrer 15 dias depois de o consumidor ser notificado de que está inadimplente. No pré-pagamento, embora o consumidor possa acompanhar o seu saldo e controlar seus gastos de forma a caber no orçamento, a interrupção do fornecimento ocorre logo após o esgotamento dos créditos. 

Sob a ótica da distribuidora, de acordo com a Aneel, as vantagens estariam na redução dos custos comerciais com a leitura, entrega de fatura, cortes e religações, possibilidade de redução da inadimplência e antecipação de receita. 

A empresa precisaria, em contrapartida, comprar e instalar o medidor que possibilite o pré-pagamento, desenvolver o sistema para transição dos créditos e custos administrativos. As empresas também apontam, em pesquisa feita pela agência, dificuldades para identificar irregularidades de consumidores que fazem uso do pré-pagamento, o que pode levar a um aumento dos casos de furto e fraude de energia. Para Roberto d’Araújo, do Instituto Ilumina, o sistema só será vantajoso para o consumidor se oferecer redução nas tarifas: “Cobrar antecipadamente e não dar desconto seria uma coisa inacreditável.”

O sistema é criticado por entidades de defesa do consumidor. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), por exemplo, destaca que o consumidor pode ficar sem luz a qualquer momento, sempre que não for possível colocar novos créditos. Os interessados podem contribuir para a consulta respondendo a um questionário elaborado pela Aneel, disponível no site da agência, ou enviar contribuições por e-mail ou carta.

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A partir de hoje (25), as ligações locais e interurbanas de telefones fixos para móveis ficarão mais baratas. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a redução das chamadas locais vai variar entre 10,58% e 12,75% e a das tarifas interurbanas, entre 3,98% e 7,41%.

A queda vai ocorrer devido à redução das tarifas de interconexão, que é o valor cobrado de uma empresa pelo uso da rede de outra operadora para a realização de serviços. O cálculo das tarifas é feito pela Anatel. De acordo com a agência, as tarifas de interconexão foram usadas inicialmente para subsidiar a instalação de redes das operadoras móveis.

A redução das tarifas vale para as ligações originadas nas redes das concessionárias de telefonia fixa – Oi, Telefônica, CTBC, Embratel e Sercomtel – destinadas às operadoras móveis. O preço médio das ligações locais de telefone fixo para móvel vai passar de R$ 0,18 para R$ 0,12, sem imposto.

Para as ligações interurbanas feitas de fixo para móvel com DDD iniciando com o mesmo dígito, por exemplo, DDDs 61 (Brasília) para 62 (Goiânia), o preço médio cairá de R$ 0,55 para R$ 0,39. Enquanto o preço médio das demais ligações interurbanas de fixo para celular, vai ser reduzido de R$ 0,62 para R$ 0,45.

Desde 2014, a tarifa de interconexão vem caindo e novas reduções devem acontecer até 2019. A lista com a redução de cada concessionária está disponível no site da Anatel.

EOLICA2

De acordo com o coordenador do projeto Eólicas de Casa Nova (BA), o pesquisador da Embrapa Semiárido Rebert Coelho Correia, as ações têm uma dinâmica participativa e original. “Nós construímos a proposta promovendo consultas a órgãos públicos acerca do potencial agropecuário, problemas produtivos e ambientais, e das carências técnicas no entorno da região. Nossa intenção é aproximar os processos de inovação e de participação, pois grande parte do projeto vai ser desenvolvido em pequenas áreas de demonstração ou de experimentação técnica, em propriedades de agricultores ou entidades com perfil agregador e multiplicador”, destaca.

As atividades do projeto tiveram início em janeiro desse ano, com a realização de entrevistas com 72 produtores da área do parque. A partir das entrevistas, estão sendo selecionadas propriedades para a instalação dos Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs). Eles funcionarão como salas de aula a céu aberto, servindo como locais de exposição e, ao mesmo tempo, de irradiação das inovações, por meio da realização de eventos de transferência de tecnologias, treinamentos e capacitações de agricultores e profissionais vinculados a órgãos públicos e privados de assistência técnica e extensão rural.

Essas entrevistas também serão utilizadas, posteriormente, para comparar a realidade dos agricultores antes e depois do projeto. “Nós temos duas expectativas: primeiro de recuperar o ambiente que foi mexido, uma vez que, para a construção ou recuperação de estradas dos parques eólicos foi retirada a vegetação e solo de algumas áreas denominadas jazidas e, segundo, de deixar os agricultores que estão naquela área com uma vida melhor do que têm hoje”, conta o pesquisador da Embrapa Semiárido José Nilton Moreira.

Com o início das chuvas na região, outras ações começaram a ser realizadas nesse mês de fevereiro, a exemplo da distribuição de sementes de culturas alimentares, como feijão, abóbora e milho, e também de material forrageiro, como mudas de gliricídia, raquetes de palmas e sementes de sorgo. Além disso, o gestor técnico do projeto por parte da Chesf, Nevio Cichelero Spadoa, esteve na região e visitou, juntamente com uma equipe de pesquisadores da Embrapa, a área de atuação do projeto, onde se localizam seis jazidas que foram utilizadas para construção das estradas que viabilizaram o transporte das torres eólicas dos parques.

Segundo Francisco Pinheiro Araújo, pesquisador da Embrapa Semiárido, durante a visita foi possível observar mudanças no cenário das jazidas, em comparação com o relatório elaborado em 2015, quando os parques ainda estavam terminando de ser instalados, como a ocorrência de plantas nativas nos locais onde já existia um pouco de matéria orgânica. “Ao longo do projeto, pretendemos construir poços artesianos, construir e/ou ampliar barreiros para fazer irrigação complementar, além de fazer um manejo de solo nessas jazidas, tentando dar uma condição mínima para o plantio de espécies nativas”, conta.

As atividades do projeto têm foco na sustentabilidade da agropecuária na região, envolvendo sistemas de produção de importância econômica, social e ecológica, como a fruticultura de sequeiro, a criação de abelhas e de caprinos, ovinos e bovinos para leite e corte e para a elaboração de produtos alimentares derivados, a exemplo do queijo.

As estratégias adotadas objetivam, ainda, mitigar o uso excessivo dos recursos naturais e de insumos agrícolas, sem prejuízo da produtividade agrícola e da segurança alimentar das famílias. Também será realizada uma avaliação do potencial agrícola dos solos do município, além de um estudo dos impactos das ações executadas ao longo dos três anos de duração projeto.

Responsabilidade Social 

O projeto “Ações de desenvolvimento para produtores agropecuários do entorno dos parques eólicos de Casa Nova (BA)” (Eólicas de Casa Nova) é fruto de uma união de esforços institucionais no desenvolvimento de ações de Responsabilidade Social. Por um lado, a Embrapa Semiárido busca materializar métodos, meios e instrumentos de incorporação dos resultados da pesquisa aos sistemas de produção agropecuários, visando o incremento da produtividade, a redução dos custos de produção e a melhoria da qualidade de vida dos produtores familiares, sempre alinhados aos aspectos ambientais. Por outro lado, a Chesf se esforça em minimizar as dificuldades enfrentadas pela população impactada pela implantação dos parques eólicos no município e atender às condicionantes ambientais do licenciamento ambiental dos seus empreendimentos.

Assim, cabe à Embrapa Semiárido a coordenação do projeto, envolvendo parte significativa de sua equipe técnica e garantindo a interdisciplinaridade que o enfoque sistêmico e participativo, além do suporte administrativo e infraestrutura. A Chesf financia as ações do projeto. E a Prefeitura de Casa Nova também integra a parceria, disponibilizando profissional para condução dos trabalhos de campo e mediação das ações entre os pesquisadores e agricultores, além de ceder espaço para instalação do escritório do projeto no município.

A ação é continuidade de uma parceria iniciada em 2010, por meio do Projeto Lago de Sobradinho, que se estende até o ano de 2018. Esta ação, realizada nos municípios baianos de Casa Nova, Pilão Arcado, Remanso, Sento Sé e Sobradinho, contou com a participação de mais de 13 mil produtores em cursos, palestras e dias de campo. Também instalou e monitorou cerca de 640 Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs) e distribuiu mais de 130 toneladas de material genético, como manivas de mandioca, sementes de feijão, milho, milheto, sorgo, mudas de espécies forrageiras (palma, leucena e gliricídia), além de umbu gigante, maracujá-do-mato e outras frutíferas de espécies nativas. O projeto gerou, ainda, diversos resultados de pesquisa, com a publicação de mais de 80 artigos técnico-científicos.

Uvas

Da Folhape

Fruta de grande destaque no Vale do São Francisco, a uva gerou um montante de US$ 93,6 milhões no ano passado a partir de uma exportação de 43.370 toneladas. Dentro desses números, estão as novas variedades de uva que foram desenvolvidas na região. Após alguns tipos da fruta perderem resistência diante de pragas e da chuva, os produtores investiram em variedades que pudessem se adaptar ao mercado e movimentar a economia.

Com as novas produções, foram retomadas duas safras de uva na região do São Francisco, de acordo com o gerente executivo do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR), Flávio Diniz. “Há 15 e 20 anos atrás se plantavam uvas sem caroço, mas ao longo dos anos elas foram perdendo a resistência e ficando vulneráveis, com rachaduras. Então foi preciso desenvolver novas variedades, mais resistentes e com formatos exóticos”, explicou Diniz, acrescentando que são 11 novos tipos que estão sendo utilizadas em escalas comerciais, entre eles uvas brancas e negras.

A safra com maior concentração de volume está entre os meses de setembro e novembro, período forte para comercialização no mercado interno. No ano passado, os três meses renderam 36,4 mil toneladas, gerando um montante de US$ 77,3 milhões. A outra safra, de menor volume de exportação acontece entre o final de abril e a primeira quinzena de junho.

Juntamente com a uva, a manga também é destaque de produção no Vale do São Francisco. As duas frutas movimentaram, no ano passado, cerca de US$ 300 milhões em exportações. Apenas a manga no Vale do São Francisco exportou 150.519 toneladas, gerando um montante de US$ 169,1 milhões. A produção total da fruta na região no ano passado foi de 401.104 toneladas.

O sistema de bandeiras tarifárias é uma forma diferente de cobrança na conta de luz / Foto: André Nery/ Acervo JC Imagem

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou nesta sexta-feira (23) que as contas de luz terão bandeira verde no mês de março. Com isso, os consumidores não terão que pagar taxa adicional no próximo mês. A bandeira verde está em vigor desde janeiro.

A bandeira verde sinaliza condições de geração de energia favoráveis, com chuvas chegando aos reservatórios das hidrelétricas. "Apesar da bandeira verde, é importante que os consumidores mantenham as ações relacionadas ao uso consciente e combate ao desperdício de energia elétrica", informou a Aneel.

O sistema de bandeiras tarifárias leva em consideração o nível dos reservatórios das hidrelétricas e o preço da energia no mercado à vista (PLD). No novo sistema, a bandeira verde continua sem taxa extra. Na bandeira amarela, a taxa extra é de R$ 1,00 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. No primeiro patamar da bandeira vermelha, o adicional é de R$ 3,00 a cada 100 kWh. E no segundo patamar da bandeira vermelha, a cobrança é de R$ 5,00 a cada 100 kWh.

O sistema de bandeiras tarifárias é uma forma diferente de cobrança na conta de luz. O modelo reflete os custos variáveis da geração de energia. Antes, esse custo era repassado às tarifas uma vez por ano, no reajuste anual de cada empresa, e tinha a incidência da taxa básica de juros, a Selic. Agora, esse custo é cobrado mensalmente e permite ao consumidor adaptar seu consumo e evitar sustos na conta de luz.

Foto: Acervo JC Imagem

Uma ação da Compesa ajuizada em 2013 questiona na Justiça os indexadores aplicados nas tarifas cobradas pela Celpe. Segundo o processo – que tramita na 17ª Vara Cível da Comarca do Recife -, a concessionária de energia inflou uma dívida confessada pela Compesa, que pediu a revisão do débito. 

O processo se encontra para realização de perícia dos cálculos do débito e indexadores utilizados. Graças à autorização da Justiça, o Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco (Sindurb-PE) também se juntou ao processo porque, segundo a entidade, a ação atinge também os trabalhadores da Compesa.

Segundo o advogado Antônio Campos (Podemos), a ação reforça a tese dele de que Celpe vem reajustando suas tarifas acima da inflação e tendo ganhos arbitrários, em cima dos consumidores, desde a sua privatização em 2000.

O advogado entrou com uma ação popular contra a Celpe pelo aumento de energia.

“Nos últimos 17 anos, a Celpe reajustou em 195,46% a tarifas de energia, para uma inflação de 115,21%, sendo o percentual em 80,25% superior a inflação desde a privatização. Nos últimos 10 anos, tivemos um reajuste de 78,85% para uma inflação de cerca de 61,05% no mesmo período, com um aumento de cerca de 18% acima da inflação, nos últimos 10 anos. Ou seja, após a privatização a Celpe as tarifas de energia elétrica subiram além da inflação, em patamar superior a 15%”, escreveu o Campos.

A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) respondeu por meio de nota. A empresa afirmou que os preços foram reajustados em 42%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 82,1% e o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), 89,4%. Na ação, Campos usou como argumento o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

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G1

Consumidores que têm poucos eletrodomésticos e por isso usam menos energia podem passar a pagar uma conta de luz mais barata. É o que prevê uma proposta em discussão na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A ideia é que passe a vigorar para consumidores de todas as classes a chamada tarifa binômia. Já disponível para grandes indústrias, ela estabelece faixas de cobrança pelo serviço de distribuição – que é a construção e manutenção da rede que leva a energia até as casas e as empresas.

O custo do serviço de distribuição, a chamada "tarifa fio", representa cerca de 30% do total pago nas contas de luz. Esses recursos servem para remunerar as distribuidoras pelo uso da rede.

Hoje, casas ou lojas que consomem muita energia pagam, pelo serviço de distribuição, o mesmo valor que outras que usam pouca. Com a tarifa binômia, a lógica é que os grandes consumidores passem a pagar mais pelo serviço porque exigem um maior investimento das distribuidoras para atender à sua demanda. E, quem usa menos energia, pagaria menos.

"Se você tem dois consumidores, você tem uma demanda declarada de X e o seu vizinho de metade de X, hoje vocês pagam a mesma tarifa, mas certamente a rede da distribuidora levou em consideração a carga de vocês dois. Você demandou mais de força da rede do que o seu vizinho, então você pagará mais a tarifa de fio do que o seu vizinho", explicou o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino.  

Quando começa?

A proposta ainda não tem data para ser votada na Aneel, mas os estudos já estão sendo feitos. A agenda regulatória da agência prevê a abertura de audiência pública sobre a tarifa binômia, que é essa cobrança diferenciada, já no segundo semestre de 2018. A votação da proposta está prevista para 2019.

Depois de ser aprovada, a Aneel deve fixar um calendário de implantação. A adesão à tarifa binômia será obrigatória para todos os consumidores.

Quando isso acontecer, cada casa e comércio terá que declarar, à distribuidora que o atende, a sua demanda de energia, que vai levar em conta, por exemplo, a quantidade de eletrodomésticos e equipamentos ligados no imóvel.

Por exemplo: uma casa que tem aparelhos de ar-condicionado demanda mais energia – e mais estrutura de rede da distribuidora – do que outra que não possui esse tipo de equipamento.

Com dessa declaração, será possível definir quem vai pagar uma tarifa de distribuição mais cara e quem vai pagar uma mais barata.

Essa declaração pode ser simplificada pela análise do disjuntor usado na residência, por exemplo. Esse disjuntor, que fica no relógio de energia, é instalado levando em consideração o número de eletrodomésticos e o consumo da residência.  

Penalidade contra fraude

Segundo Rufino, para evitar que alguém informe à distribuidora uma necessidade mais baixa de energia que a real, para pagar uma tarifa de distribuição mais barata, haverá penalidade, uma espécie de multa, que será cobrada sempre que um consumidor usar mais eletricidade do que a prevista na faixa em que ele se declarou.

"O que o consumidor poderia imaginar: eu vou subcontratar para pagar uma tarifa baixinha, mas aí tem uma regra que, se ele ultrapassar o que contratou, é muito mais caro. Então, é uma penalidade pela ultrapassagem", disse o diretor-geral da Aneel

"Ele [consumidor] tem que contratar a demanda correta para as distribuidoras dimensionarem a rede. Ela não pode superdimensionar, porque ela [distribuidora] estaria investindo sem necessidade, mas não pode subdimensionar, porque aí teria problema de tensão e começa a dar problema", completou ele.

Indústria vê vantagens

O presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) e ex-diretor da Aneel, Edvaldo Santana, diz que a medida é positiva e que funciona bem para os consumidores de alta tensão.

"Se você perguntar hoje para os consumidores de alta tensão se querem voltar para o modelo antigo, ninguém quer", afirmou.

Segundo ele, no início os consumidores residenciais podem ter algum problema para fazer o dimensionamento correto da sua demanda por energia, mas a adaptação é rápida.

"A demanda depende muito da quantidade de equipamentos. O contrato de demanda levaria em consideração a energia necessária para ligar todos os equipamentos elétricos da casa ao mesmo tempo", disse.  

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu uma consulta pública para ouvir a opinião de consumidores sobre o pré-pagamento de energia elétrica. A agência reguladora afirma que considera que esse sistema seria capaz de ajudar os clientes a controlar os gastos com a conta de luz.

Dessa forma, os serviços seriam contratados e pagos previamente, como acontece com os planos de telefonia pré-pagos e com cartões de transporte público, como o Bilhete Único, no Estado do Rio.

No caso da energia elétrica, o consumidor poderia definir a quantidade de energia que será comprada e a periodicidade de recarga do medidor. Segundo a Aneel, as principais vantagens do sistema para o cliente são: melhor controle do consumo de energia; transparência e informações em tempo real sobre gastos diários e fim da cobrança de multas, juros de mora e taxas de religação.

Ainda de acordo com a agência, Também há benefícios para as distribuidoras de energia elétrica, como: redução dos custos operacionais; diminuição da inadimplência e melhor relacionamento com os consumidores, já que o sistema evitaria faturamentos por estimativa e cortes indevidos.

Apesar de ter sido regulamentado, o sistema de energia elétrica pré-pago é criticado por entidades de defesa do consumidor. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), por exemplo, sempre destaca que o consumidor pode ficar sem luz a qualquer momento, sempre que não for possível colocar novos créditos.

Para o Idec, esse tipo de serviço desrespeita os princípios do CDC (Código de Defesa do Consumidor), por permitir a interrupção automática dos serviços sem prévio aviso e deixar os consumidores em situação de vulnerabilidade. O artigo 22 do CDC proíbe a interrupção na prestação de serviços essenciais ao consumidor, como é o caso da energia elétrica.

Outro problema apontado pelo Idec é que não fica claro como seria feita a devolução de valores eventualmente pagos e não utilizados pelos clientes.

COMO PARTICIPAR DA CONSULTA PÚBLICA

Quem quiser dar a opinião sobre a Consulta Pública nº 16/2017 tem prazo até o dia 19 de março. Os materiais podem ser enviados para o endereço ANEEL – SGAN Quadra 603 – Módulo I Térreo/Protocolo Geral, CEP 70.830-110, Brasília–DF.

Catadores de latinha tiram renda extra no Carnaval

A espera ansiosa pelos dias de Momo não é algo apenas de quem quer se fantasiar e brincar o dia inteiro. Existe um Carnaval que não é feito de confete e serpentina e tem um lado bem menos colorido. O catador de materiais recicláveis José Roberto Alexandre trabalha recolhendo latinhas apenas durante os dias de folia, dedicando o restante do ano ao papelão. “O trabalho foi muito bom no Galo da Madrugada. Acredito que vai ser bom por aqui também”, comentou bem apressado, olhando sempre para o chão atrás das latinhas, neste domingo (11), no Bairro do Recife. “Tenho que trabalhar durante os quatros dias para ter o que comer em casa, não tem hora para sair”, completou.

Foi às pressas também que a catadora Andreia Albuquerque afirmou que é nessa época que ela consegue juntar um valor que considera bom em relação às outras festividades do ano. “Se você trabalhar os quatros dias inteiros consegue juntar entre R$ 200 a R$ 400. No Galo consegui tirar R$ 80”, afirmou. Ainda de acordo com a catadora, “Cada quilo de latinhas, nós recebemos R$ 0,65”, disse.

Andreia não soube precisar quantas latinhas são necessárias para alcançar um quilo (kg) do material, mas cálculos rápidos mostram que um catador que trabalhe "os quatro dias inteiros" e tire o maior proveito disso, chegando a apurar R$ 400, terá que juntar pouco mais de 615 kg. Cada latinha pesa, em média 14 gramas.

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A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (08), que reduzirá os preços da gasolina em 3% nas refinarias a partir desta sexta-feira (09), o maior corte desde 17 de novembro, de acordo com comunicado em seu site. O anúncio ocorre no auge das críticas aos aumentos semanais no preço do combustível. A gasolina aumentou por 13 semanas consecutivas.

No mesmo dia, o diesel nas refinarias recuará em 2,6%, maior redução desde 2 de dezembro. O reajuste faz parte da nova sistemática de formação de preços da companhia, em vigor desde julho do ano passado e que procura seguir as oscilações no mercado internacional, entre outros parâmetros.

Na quarta-feira (07), os preços do petróleo recuaram, afirma a Petrobras, em razão de estoques e produção elevados nos Estados Unidos, onde o combustível custa ao consumidor metade do custo para o consumidor brasileiro. A redução acentuada dos preços ocorre em meio a declarações de autoridades de que distribuidoras e revendedores não estão repassando cortes recentes feitos pela Petrobras nas refinarias.

Son pressão

A construtora Odebrecht tem dois meses para garantir que haverá dinheiro suficiente em caixa para pagar seus credores internacionais. Em abril, a Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) terá de honrar o pagamento de cerca de R$ 500 milhões referentes a títulos emitidos no exterior em 2013. A intenção da empresa é cumprir o compromisso, mas a conta está apertada, segundo relataram ao ‘Estado’ duas fontes a par dos números. 

O comando da companhia fia-se no recebimento de faturas de clientes importantes, esperadas para os próximos meses, para quitar a fatura. E segue tentando convencer o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a liberar dinheiro de obras executadas em Angola. Mas executivos do alto escalão do grupo admitem sob reserva que há preocupação e outras soluções estão sendo pensadas para garantir o pagamento caso o dinheiro dos clientes não entre no caixa até lá.

O temor é compartilhado pelas agências de risco. As três principais – Fitch, Standard & Poor’s e Moody’s – rebaixaram as notas da Odebrecht Engenharia e Construção em 2017, deixando-as mais próximas da classificação de calote. A Fitch vê riscos para a empresa nos próximos vencimentos. “O desafio para o pagamento é grande e preocupa”, diz o analista da agência Alexandre Garcia.

Segundo ele, a empresa precisa adequar a dívida à sua nova realidade – e tamanho. “A construtora não tem conseguido repor o backlog e a qualidade da carteira é ruim. Parte dos projetos não está sendo executada e não gera caixa.” Hoje, a Odebrecht tem em carteira contratos que valem cerca R$ 45 bilhões (US$ 14 bilhões pelo câmbio atual). A dívida total – incluindo os títulos emitidos no exterior – é de R$ 11 bilhões (US$ 3,3 bilhões). Em tese, a conta fecha. O problema, conforme o analista da Fitch, é o casamento entre a execução dessas obras e os vencimentos das dívidas.

Além dos R$ 500 milhões em bonds, há mais cerca de R$ 650 milhões em juros e dívidas corporativas que terão de ser quitados ao longo de 2018. Em setembro de 2017, a empresa tinha R$ 2,2 bilhões em caixa (US$ 700 milhões), valor considerado apertado pela companhia frente às dívidas a pagar e o dinheiro para tocar a operação.

Nos últimos anos a carteira de obras só encolheu e a empresa ainda teve de ajudar a controladora. O estoque de projetos caiu quase R$ 9 bilhões (US$ 2,7 bilhões) em 2018. No mesmo período, foram remetidos para a holding Odebrecht, que passa por apuros, quase R$ 1,5 bilhão (US$ 450 milhões) – dinheiro que as agências não acreditam que retornará.

Os dois movimentos são reflexo da crise enfrentada pelo grupo baiano desde que a Lava Jato descobriu sua participação em crimes, como pagamento de propina. A companhia se viu forçada a confessar que havia montado um dos maiores esquemas de corrupção empresarial já vistos. Como consequência, clientes cancelaram obras. Novos contratos rarearam.

O Globo

Principal indicador de solvência de um país observado pelo mercado internacional, a dívida bruta poderá atingir 100% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2020 e 2021, subindo para 102,5% em 2024 e batendo em 116,4% em 2030, caso o governo não consiga aprovar a reforma da Previdência. Isso é o que mostra o novo relatório de acompanhamento das contas públicas preparado pela Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado Federal. O documento classifica esse cenário como “alarmante” e “de insolvência”, pois a trajetória não indica um limite para o aumento da dívida bruta, mesmo a longo prazo. Esse indicador terminou 2017 em 74,5% do PIB.

Segundo o diretor-executivo da IFI, o economista Felipe Salto, a instituição também tem uma projeção mais otimista para o endividamento bruto, que leva em consideração a aprovação até 2019 de, pelo menos, uma idade mínima para aposentadoria com regra de transição. Neste caso, a dívida não atingiria o patamar de 100% do PIB. O estoque subiria a 86,6% em 2024, baixando para 76,7% do PIB em 2030.

— O governo precisa aprovar medidas efetivas de redução de gastos e também de aumento de receitas que assegurem o equilíbrio fiscal. Isso passa pela reforma da Previdência. Se você não aprova isso, a dívida poderá facilmente superar 100% do PIB, afirmou Salto.

Tanto no cenário otimista quanto no pessimista, a IFI trabalha com a devolução de R$ 130 bilhões do BNDES ao Tesouro Nacional. Essa operação ajuda a melhorar o indicador, porque reduz não só o estoque, mas a conta de juros, pois eles incidem sobre um saldo menor. Salto lembrou que o banco de fomento, que devolveu R$ 50 bilhões ao Tesouro no ano passado, também ajudou a melhorar o cenário da dívida bruta para 2017.

MENOS R$ 400 MILHÕES

Nas negociações para a aprovação da reforma da Previdência no Congresso, a decisão do governo de conceder pensão integral às famílias de policiais mortos em serviço na proposta de reforma da Previdência terá impacto de R$ 400 milhões em dez anos. Com a concessão, a economia estimada para o regime dos servidores públicos cairá de R$ 88,1 bilhões para R$ 87,7 bilhões no período, segundo a Secretaria de Previdência, ligada ao Ministério da Fazenda. O cálculo considera apenas a União, ou seja, não inclui os estados.

A medida beneficia servidores das polícias Federal, Rodoviária Federal e Civil. Não abrange policiais militares e bombeiros, porque eles são regidos por lei estaduais e, por isso, ficaram de fora da proposta.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) voltou a defender, ontem, mudanças em dois pontos da proposta: acabar com o limite de dois salários mínimos para acumular aposentadoria e pensão e a inclusão de uma regra de transição para os servidores que entraram até 2003.

— Essa equação (acumulação) não existe em nenhum lugar do mundo. Certamente, a equipe econômica pensa em quem ganha muito, mas você tem que pensar num casal que ganha cada um dois salários mínimos. Se, da noite para o dia, um falecer, e o teto for dois salários mínimos, a pessoa só vai receber dois salários mínimos de aposentadoria e vai perder 100% da pensão, destacou Maia.

Vitória (ES) - Supermercados lotados com filas nos caixas e na entrada funcionam com horário reduzido (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Agência Brasil

O custo da cesta básica – composta por alimentos essenciais – aumentou em 20 capitais brasileiras em janeiro, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Foram registradas altas mais expressivas em João Pessoa (11,91%), Brasília (9,67%), Natal (8,85%), Vitória (8,45%) e Recife (7,32%). Goiânia (0,42%) e Manaus (2,59%) anotaram as menores taxas.

A cesta mais cara foi a de Porto Alegre (R$ 446,69), seguida do Rio de Janeiro (R$ 443,81) e São Paulo (R$ 439,20). Os menores valores médios foram encontrados em Salvador (R$ 333,98) e Aracaju (R$ 349,97).

No acumulado de janeiro de 2017 a janeiro de 2018, 14 cidades apresentaram queda, com destaque para Manaus (-9,93%), Belém (-9,70%) e Salvador (-7,16%). As altas mais expressivas ocorreram em Natal (3,11%) e Recife (2,90%).

O preço do tomate aumentou em todas as cidades, por conta da redução da área plantada e das chuvas. As taxas variaram de 6,94% em Goiânia a 94,03% em João Pessoa. Em 12 meses, todas as cidades tiveram alta, que variou entre 8,63% em Belém, e 104,28% em Curitiba.

Preço da banana sobe em 19 capitais

A banana, cujo preço foi estimado por média ponderada entre os tipos prata e nanica, acusou elevação em 19 capitais e queda em Aracaju (-6,63%). Os maiores aumentos de preço foram anotados em João Pessoa (25,57%) e Rio de Janeiro (15,50%). Em 12 meses, o valor médio da banana caiu em 19 cidades, com destaque para Belo Horizonte (-32,12%) e Brasília (-30,08%).

O feijão carioquinha, pesquisado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além das cidades de Belo Horizonte e São Paulo, sofreu queda, exceto em João Pessoa (0,21%).

Nas demais cidades, as taxas variaram entre -11,63% em Belém e -2,67% em Aracaju. O feijão preto diminuiu em Florianópolis (-12,55%), Vitória (-5,75%), Porto Alegre (-5,27%), Rio de Janeiro (-2,87%) e Curitiba (-0,27%).

Salário mínimo

Com base na cesta mais cara, a de Porto Alegre, o salário mínimo ideal para uma família de quatro pessoas deveria ser R$ 3.752,65, equivalente a 3,93 vezes o mínimo atual de R$ 954, segundo os pesquisadores. Há um ano, a estimativa era de R$ 3.585,05.

Itaú2

Ajudado pelo crescimento das receitas, em especial no setor de cartões, o Itaú Unibanco registrou lucro líquido de R$ 6,28 bilhões no quarto trimestre de 2017, expansão de 7,95% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com o resultado de outubro a dezembro, os ganhos da instituição somaram R$ 24,87 bilhões no acumulado do ano passado, uma alta de 12,3% em relação a 2016.

Ajudado pelo crescimento das receitas, em especial no setor de cartões, o Itaú Unibanco registrou lucro líquido de R$ 6,28 bilhões no quarto trimestre de 2017, expansão de 7,95% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com o resultado de outubro a dezembro, os ganhos da instituição somaram R$ 24,87 bilhões no acumulado do ano passado, uma alta de 12,3% em relação a 2016.

“Em 2017, apresentamos resultados sólidos. No Brasil, a conjunção de fatores favoráveis, como juros baixos e inflação sob controle, prenunciam um cenário positivo para 2018, com boas perspectivas de crescimento econômico e maior demanda por crédito”, destacou o presidente do Itaú, Candido Bracher, no balanço.

Crédito

Nos comentários sobre o balanço, o Itaú destacou que percebeu, em 2017, uma retomada gradual da concessão de crédito – a carteira voltada ao financiamento de veículos, por exemplo, registrou no quarto trimestre o primeiro avanço em mais de cinco anos. O banco destaca ainda avanços em crédito imobiliário e no voltado a micro e pequenas empresas.

“A retomada da atividade econômica e dos índices de confiança do consumidor impulsionaram aumento na demanda por crédito”, avalia Bracher. Em dezembro, a carteira de crédito do Itaú atingiu R$ 593,7 bilhões, alta de 3,2% ante setembro, mas baixa de 0,8% sobre o fim de 2016. Com as operações herdadas do Citi, cuja aquisição foi feita em 2016, mas concluída em 2017, a carteira soma R$ 600,1 bilhões – o que põe o resultado em terreno positivo no ano, com avanço de 0,3%.

O resultado, no entanto, ficou abaixo das projeções que a instituição havia feito para o ano passado. A queda de 0,8%, excluído o efeito positivo da incorporação do Citi, ficou bem abaixo das estimativas, que previam de uma estabilidade, na pior das hipóteses, até uma expansão de 4%.

Os ativos totais do Itaú somaram R$ 1,5 trilhão no quarto trimestre, aumento de 5,4% ante os três meses anteriores, de R$ 1,466 trilhão. Na comparação com o fim de 2016, quando estavam em cerca de R$ 1,427 trilhão, houve aumento de 5,39%. O patrimônio líquido foi a R$ 126,9 bilhões de setembro a dezembro, elevação de 9,8% em 12 meses e de 2,7% na comparação com os três meses anteriores.

Estrutura

O Itaú encerrou 2017 com 4,91 mil agências e postos de atendimentos. O banco fechou nove unidades no quarto trimestre e 193 em um ano. O número de colaboradores foi a 96,4 mil em dezembro, com a adição de 109 pessoas no quarto trimestre e de 1,65 mil ante 2016.

 “O crescimento do número de colaboradores no ano ocorreu pela contratação para a estrutura do banco de varejo, relacionado à rede de agências. Adicionalmente, iniciamos um processo de contratação com o objetivo de reforçar a força de vendas da Rede”, destacou o Itaú, em relatório sobre suas demonstrações financeiras.