Educação

Mais de 7 mil candidatos estavam inscritos para fazer as provas do 2º dia no Centro Universitário Brasileiro (Unibra), na Boa Vista — Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press

Em Pernambuco, 90.659 estudantes faltaram ao segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), neste domingo (11). Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), isso representa 29,5% do total de 307.320 inscritos no estado.

Com isso, 216.661 candidatos compareceram aos locais de prova neste segundo dia do Enem 2018. No primeiro dia, em 4 de novembro, foram mais de 77 mil faltosos, o equivalente a 25,1% do total de inscritos no estado.

Em 2017, o segundo dia de provas do Enem teve 112.601 faltosos, o que correspondia a 30,3% dos 371.692 inscritos.

Neste segundo dia do Enem 2018, os estudantes que compareceram aos locais de prova responderam às questões de matemática e ciências da natureza, que abrangem biologia, física e matemática.

Na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no bairro da Boa Vista, região central do Recife, estudantes relataram ter mais facilidade com a prova de biologia, mas reclamaram das questões de química e física.

No Centro Universitário Brasileiro (Unibra), também na Boa Vista, candidatos relataram ter encontrado conforto na música para diminuir a ansiedade e o nervosismo antes de encarar as provas. Isaías Gonçalves, de 25 anos, chegou cerca de cinco minutos atrasado no local após deixar um amigo em outro local de prova, também no Centro da capital pernambucana.

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O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018 teve a melhor aplicação desde 2009, quando assumiu o formato atual. Neste domingo (11), segundo e último dia, foram aplicadas as provas de matemática e ciências da natureza, sem ocorrências. Pela primeira vez, não será necessária uma reaplicação de prova, em função de problemas logísticos, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação, responsável pela elaboração e aplicação do exame. Atualmente, os resultados do Enem são usados para o ingresso de estudantes em 1.434 instituições educacionais no Brasil e em 35 em Portugal.

O ministro da Educação, Rossieli Soares, destacou o trabalho realizado por todos os envolvidos na aplicação do Enem nos estados, nas escolas e nas redes de ensino. Para ele, a missão de levar a todos os participantes um exame dinâmico e plural foi cumprida. “A edição deste ano teve a melhor aplicação da história do Enem, um absoluto sucesso”, afirmou. “O processo foi totalmente tranquilo, levando-se em conta a proporção de participantes do exame com as ocorrências registradas. Todos que trabalharam e que realizaram as provas estão de parabéns”, destacou.

Neste segundo dia de provas, o Enem registrou 1.610.681 ausências, o que representou 29,2% do total de 5.513.749 inscritos na edição. O número de abstenções, no entanto, considera as ausências nos dois dias de prova, e por isso só será divulgado após a conferência das atas de todos os locais de prova, dos dois dias do exame.

O primeiro domingo registrou o menor percentual de ausentes desde 2009: 24,9%. O segundo dia teve 66 eliminações, sendo 64 por descumprimento de regras do edital, uma por problemas identificados na revista por detector de metal e uma por recusa de coleta do dado biométrico. O Inep também registrou 88 emergências médicas.

Ocorrência

Este ano, o Enem estreou um processo sistematizado pelo qual os participantes afetados por problemas logísticos poderão registrar uma ocorrência, no sentido de pleitear a reaplicação do exame. As análises serão feitas pelo Inep e os candidatos interessados terão até 19 deste mês para fazer a solicitação, pela Página do Participante. A ferramenta virtual estará disponível a partir da meia-noite desta segunda-feira (12). O Inep divulgará os resultados dos pedidos por e-mail ou mensagem de celular (SMS).

“O objetivo deste novo processo é que possamos entender se houve alguma ocorrência de logística, que será confrontada com as atas recolhidas pelos aplicadores e analisada para que, caso seja comprovado o problema, o estudante tenha uma nova oportunidade de fazer as provas, explicou a presidente do Inep, Maria Inês Fini. “É mais uma forma de comunicação de todos os envolvidos na elaboração e aplicação do Enem com a sociedade, para entender o que aconteceu de forma transparente”.

Gabaritos

Os participantes afetados pela interrupção de energia elétrica no último domingo – 993 em Franca (SP) e 759 em Porto Nacional (TO) – terão direito à reaplicação das provas de linguagens, redação e ciências humanas. A reaplicação do Enem ocorre juntamente com a aplicação do Enem para Pessoas Privativas de Liberdade (PPL), em 11 e 12 de dezembro. Na próxima quarta-feira (14), o Inep divulgará os gabaritos, bem como os cadernos de questões pela página na internet e pelo aplicativo do Enem. Os resultados oficiais estão programados para serem divulgados no dia 18 de janeiro de 2019.

Veja a apresentação sobre o segundo dia de provas do Enem 2018.

Com informações da Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Educação.

Na Unip Vergueiro, região central de São Paulo, a estudante Suellen Lopes, de 25 anos, foi a primeira a deixar o local de prova do Enem neste domingo (11). Eram 15h30. “Nada que eu estudei caiu. Chutei 80% da prova”, comentou.

Suellen saiu apressada: estava com dor de cabeça e se dizia “meio zonza” com as questões de Matemática e Ciências da Natureza. “Eu faço Enem desde os 18 anos, e este estava muito difícil, tinha muito texto”, avaliou a estudante, que concorre a uma vaga em Administração. “Vi que não ia conseguir um bom resultado e desisti.”

“Havia questões fáceis e outras difíceis”, ponderou Marcelo Menezes, de 22 anos, que não soube citar um assunto ou pergunta específica da avaliação. Ele tenta psicologia. “Mas acho que fui de mediano para bem.”

Já Lucas Capecce, de 18 anos, acha que se saiu melhor na semana passada. “Estas questões tinham muito texto, não dava para ler tudo. Eu pegava a fórmula e tentava resolver.”

No começo do dia, um grupo ofereceu “abraços grátis” aos vestibulandos, para reduzir a tensão e a ansiedade causadas pela prova.

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O Ministério da Educação (MEC) autorizou a criação de uma faculdade pela fundação do Partido Republicano Brasileiro (PRB), sigla que integra a base governista do presidente Michel Temer e têm afinidades ideológicas com o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

O PRB é comandado por líderes da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), uma das maiores denominações evangélicas do País, cujo fundador, bispo Edir Macedo, declarou voto em Bolsonaro. De centro-direita, o PRB apoia o projeto Escola sem Partido, uma bandeira de campanha do presidente eleito.

A Faculdade Republicana Brasileira funcionará em Brasília, a partir do ano que vem. A nova sede deve ser aberta em fevereiro, com previsão de lançar o vestibular no primeiro semestre e início das aulas no segundo. O primeiro curso credenciado pelo MEC foi o de Ciência Política, com cem alunos, em oito semestres.

Mantenedora da faculdade, a Fundação Republicana Brasileira, que recebe 20% dos recursos públicos do fundo partidário destinado ao PRB (cerca de R$ 680 mil mensais), busca agora aval do MEC para pós-graduação em Gestão Pública, Direito Eleitoral e Política Contemporânea.

O processo de credenciamento foi aberto em 2013 e teve andamento mais célere a partir de 2016, quando os técnicos do MEC iniciaram as visitas à fundação. A autorização foi concedida em agosto, mas veio a público na quarta-feira, quando foi comemorada como fato inédito pelo presidente nacional em exercício do partido, senador e bispo Eduardo Lopes (PRB-RJ). “A Fundação Republicana é do PRB, e o PRB é o primeiro partido no Brasil a ter uma faculdade. O nome da faculdade vai ser Republicana. É a primeira instituição de ensino ligada a um partido político, credenciada pelo Ministério da Educação. Quero aqui cumprimentar e parabenizar o PRB, primeiro partido no Brasil a ter um instituto de ensino.”

Lei dos Partidos

A assessoria do ministério disse que não poderia confirmar se existem outras entidades partidárias à frente de cursos superiores – a informação não é exigida legalmente. O Cadastro de Instituições de Ensino Superior do MEC não registra outras instituições do tipo.

A Lei dos Partidos Políticos determina que as fundações partidárias sejam destinadas “ao estudo e pesquisa, à doutrinação e à educação política”, com autonomia para “contratar com instituições públicas e privadas, prestar serviços e manter estabelecimentos de acordo com suas finalidades”.

Reitoria

O presidente da Fundação Republicana Brasileira, Renato Junqueira, diz que busca ainda um reitor com experiência acadêmica e deseja contratar um corpo docente sem vínculos partidários. “O objetivo é formar profissionais, líderes, quem sabe estadistas, que atuem na área política, que contribuam para o Brasil. Embora a Republicana tenha ligação partidária, não aceitaremos de forma nenhuma qualquer tipo de doutrinação em sala de aula. Repudiamos essa prática. Não queremos formar militantes”, disse Junqueira. 

O reitor credenciado junto ao MEC, por enquanto, é o pastor da Iurd Joaquim Mauro da Silva, tesoureiro nacional do PRB, e antes presidente da fundação mantenedora.

“A gente sabe que o comportamento do PRB é a favor da Escola Sem Partido. Mas não podemos permitir que os pensamentos do PRB possam conduzir nossa faculdade, ela deve ser um campo de debate”, diz Junqueira, que é primeiro secretário nacional e coordenador de Juventude do PRB, além de pastor e integrante da Força Jovem Universal. 

A sigla tem dois deputados como titulares da comissão especial na Câmara que analisa o projeto da Escola sem Partido – Antônio Bulhões (SP) e João Campos (GO), cotado para presidir a Câmara como um dos líderes da bancada evangélica –, além de um suplente, Roberto Alves (SP). Os deputados dizem que o projeto é educativo (não uma mordaça aos professores) e que existem “problemas de doutrinação ideológica, política e partidária nas escolas e universidades”.

Junqueira afirma que não houve entraves para obter o aval para a faculdade por causa dos vínculos com o partido ou com a Universal. Diversas igrejas têm universidades, a exemplo da PUC, católica; Mackenzie, presbiteriana; da Ulbra, luterana; Unasp, adventista, e a Metodista. Com informações do Estadão.

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O Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) prorrogou até o dia 19 o prazo de inscrições ao Vestibular 2019.1. Serão oferecidas 4.538 vagas para cursos técnicos integrados ao ensino médio e subsequentes, cursos superiores, nos campus Abreu e Lima, Afogados da Ingazeira, Barreiros, Belo Jardim, Cabo de Santo Agostinho, Caruaru, Garanhuns, Igarassu, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Palmares, Paulista, Pesqueira, Recife e Vitória de Santo Antão.

As inscrições são feitas exclusivamente através do site da Comissão de Vestibulares e Concursos do IFPE (cvest.ifpe.edu.br). Os interessados devem preencher a ficha de inscrição e emitir o boleto (GRU) para pagamento de R$ 30, no caso dos cursos técnicos, ou de R$ 55, para cursos superiores. O pagamento poderá ser feito até dia 20, apenas nas agências do Banco do Brasil. As provas acontecem no dia 16 de dezembro.

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Os participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que tiveram a aplicação da prova cancelada por falta de energia elétrica no último domingo (04) devem fazer o exame neste domingo (11). A orientação é do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Esses estudantes terão direito a reaplicação apenas das provas do primeiro dia.  

Dois locais de prova foram afetados: um em Franca (SP), com 993 participantes; e o outro em Porto Nacional (TO), com 759 pessoas.

Em nota, o Inep diz que fará contato com esses participantes pelo e-mail ou SMS cadastrados na Página do Participante, alertando sobre a necessidade de comparecerem neste domingo. Segundo a autarquia, aqueles que tiverem qualquer dúvida também podem entrar em contato pelo 0800 616161 ou pelo canal de autoatendimento.

Todos os anos, o Inep reaplica as provas do Enem para estudantes que não fizeram os exames por cancelamento da prova devido a problemas logísticos ou de infraestrutura, como por exemplo em caso de interrupção no fornecimento de energia elétrica. Em 2018, a reaplicação será nos dias 11 e 12 de dezembro.

Enem 2018

O Enem 2018 será aplicado em 1.725 municípios brasileiros, 70 deles de difícil acesso. Ao todo, 5.513.726 estudantes estão inscritos. No último domingo, 4,1 milhões de estudantes fizeram o exame, registrando-se o menor percentual de faltosos desde 2009 – 24,9% do total de 5,5 milhões de inscritos. Foram aplicadas provas de linguagem, ciências humanas e redação. Neste domingo, os alunos fazem provas de ciências da natureza e matemática.

A estrutura para aplicação do Enem envolve 10.718 locais de aplicação, 155.254 salas e mais de meio milhão de colaboradores. Foram impressas 11,5 milhões de provas de doze Cadernos de Questões diferentes. Haverá ainda uma vídeoprova em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Ao todo, são quase 600 mil pessoas envolvidas na aplicação do exame.

A nota do exame poderá ser usada para concorrer a vagas no ensino superior público pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a bolsas em instituições privadas, pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e para participar do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Plenário da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, uma das cidades que analisa um projeto de lei sobre o retorno da disciplina Educação Moral e Cívica Foto: Reprodução

Proposta cara ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), a reincorporação da disciplina de Educação Moral e Cívica (EMC) aos currículos escolares já encontra defensores aguerridos nos legislativos municipais. Desde o fim do ano passado, vereadores de pelo menos seis cidades brasileiras e do Distrito Federal se adiantaram ao novo presidente e apresentaram projetos de lei (PLs) pedindo o retorno da disciplina ou cobrando maior ênfase no trabalho desses conteúdos em sala de aula.

O resgate da disciplina não é consenso entre especialistas em educação, que alegam que questões como cidadania e direitos humanos já são tratadas por outras matérias escolares. Há resistência também nas esferas administrativas, que questionamento se é atribuição de vereadores propor mudanças nos currículos escolares. Os PLs estão em diferentes estágios de tramitação e contam com justificativas semelhantes, como a defesa de ideias patrióticas e o estímulo à busca de uma identidade nacional.

— Não custa nada o professor de português ou de história, por exemplo, reservar meia hora da aula e dizer: ‘olha, agora nós vamos aprender os hinos do nosso país’, diz o vereador José Cuco (PSDB), da cidade de Mogi das Cruzes, interior de São Paulo.

Autor de um dos projetos dessa nova leva, Cuco se declara um defensor dos símbolos nacionais. Sua atividade legislativa (aos 77 anos, ele é vereador há sete mandatos) inclui um texto que torna obrigatória a execução do hino municipal em eventos oficiais. Seu projeto foi apresentado em outubro do ano passado, antes das declarações mais contundentes de Bolsonaro à respeito do tema. O texto fala da reincorporação do conteúdo à grade extracurricular do município, de modo que os professores tratem de símbolos patrióticos de maneira explícita. Segundo ele, a proposta foi uma espécie de reação ao que considera uma degradação dos valores morais:

— Na minha época, professor era respeitado em sala de aula. Hoje, eles são ameaçados pelos alunos. Outro dia, uma escola aqui da cidade amanheceu depredada, diz.

A ideia anima também os legisladores de São Paulo (SP), São Francisco do Sul e Brusque (SC), Satuba (AL), do Distrito Federal e de Passo Fundo (RS). As semelhanças com a proposta de Bolsonaro — que defende a disciplina como forma de estimular o civismo — são óbvias. Mas há quem faça ressalvas às intenções do presidente eleito:

— A gente ainda precisa entender se o objetivo dele, com essa disciplina, é estimular o nacionalismo exacerbado. Com isso, eu não concordo, diz o vereador Mateus Wesp (PSDB), de Passo Fundo.

Ainda em tramitação nas comissões da Câmara de Passo Fundo, o projeto de Wesp propõe que a educação Moral e Cívica seja ensinada como uma disciplina independente em todas as séries dos ensinos fundamental e médio. E que trate, prioritariamente, dos símbolos nacionais e do funcionamento do Estado:

— É importante que as pessoas aprendam como funciona a máquina do Estado. Saibam o que é atribuição do município e o que é da União, por exemplo, diz Wesp, que dá aulas de direito constitucional e já foi professor de ensino médio. — Esse desconhecimento sobre o poder público é responsável pelas altas taxas de abstenção nas eleições, e pela falta de legitimidade dos políticos.

Os projetos de lei, no entanto, são criticados por especialistas em educação. Ao longo dos anos, a Educação Moral e Cívica surgiu nos currículos das escolas brasileiras em diferentes momentos. Segundo Carlos Cury, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais e membro do Conselho Nacional de Educação entre 1996 e 2004, seus primórdios remontam à primeira república (o período entre 1889 e 1930). Mas a disciplina ganharia especial destaque durante os anos da ditadura militar. Ela se tornou obrigatória em 1969, quando passou a tratar de temas caros ao governo em anos de Guerra Fria, como o combate ao comunismo e à “subversão”:

— Ela carrega um ranço autoritário. Ressuscitá-la é uma ideia no mínimo anacrônica, afirma o professor — Hoje, sabemos que questões como cidadania e o respeito aos direitos humanos devem ser trabalhadas de forma transversal, por todas as disciplinas.

Para Priscila Cruz, presidente-executiva do Movimento Todos pela Educação, essas propostas são embaladas por certo saudosismo:

— As pessoas costumam dizer que, na sua época, a educação era melhor. Mas elas se esquecem que, na sua época, a educação no Brasil era para poucos, diz ela. — Se a educação era melhor, era porque é mais fácil ensinar um número restrito de pessoas. E não por causa dessa disciplina. Com informações de O Globo.

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O primeiro dia de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve o menor índice de abstenção da história da prova: 24,9%. Dos 5.513.749 inscritos, foi constatada a presença de 4.139.319 candidatos, o equivalente a 75,1%. No ano passado, a abstenção foi de 29,9%. Ao comentar os dados, o ministro da Educação, Rossieli Soares (foto), afirmou que o número pode ser melhorado na próxima semana, uma vez que a falta no primeiro dia de prova não impede que o candidato realize a segunda etapa da prova.

Rossieli atribuiu a baixa abstenção à mudança das regras para inscrição. Neste ano, pela primeira vez, o pedido de isenção de pagamento da taxa ocorreu num outro momento que a inscrição. Além disso, foi exigida a apresentação de justificativa para aqueles que receberam gratuidade no ano anterior e não compareceram à prova. “A baixa abstenção é resultado de um conjunto de fatores. Temos mais eficiência. A pessoa já sabia que se não comparecesse com justificativa perderiam o direito de gratuidade”, disse o ministro.

Hoje, candidatos fizeram a prova de redação, ciências humanas e suas tecnologias, linguagens, códigos e suas tecnologias. Foram 5 horas e 30 minutos para responder às questões. No próximo domingo, dia 11, a prova será de ciências da natureza e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias. Gabaritos e cadernos de questões serão divulgados no dia 14 de novembro e resultados, no dia 18 de janeiro.

“A vedete do dia foi à prova”, afirmou a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini. De acordo com ela, foram poucos os episódios de candidatos que chegaram atrasados. Foram registradas 71 eliminações, 67 delas provocadas por candidatos que se ausentaram da sala antes do horário permitido, usar impressos, não entender orientações dos fiscais. Dois candidatos foram desclassificados por uso de ponto eletrônico e outros dois, durante a revista no detector de metal.

Os casos de ponto eletrônico foram registrados na cidade mineira de Montes Claros. Os candidatos foram levados à delegacia e foram autuados em flagrante. De acordo com a Polícia Federal, os casos já vinham sendo monitorados pela inteligência. “Cabe à Polícia Federal comandar as atividades, verificar se há outras pessoas envolvidas. Vamos dar todo suporte necessário”, disse o ministro.

Rossieli, no entanto, destacou a tranquilidade da prova. “Os números de ocorrência foram muito pequenos, sobretudo quando se leva em consideração a dimensão do exame”, afirmou o ministro da Educação. Cerca de 1.300 candidatos não fizeram provas nas cidades de Porto Nacional e Franca, em virtude da falta de luz. De acordo com Rossieli, eles deverão fazer a prova normalmente semana que vem e, em dezembro, farão o exame programado para hoje.

Maria Inês disse acreditar que a divulgação de notícias falsas não atrapalhou a condução das provas. “Foi feito o monitoramento de risco, contratamos uma empresa”, disse. O fato mais grave, em sua avaliação, foi o anúncio feito há três dias de uma greve de caminhoneiros, o que poderia levar ao cancelamento da prova. “Acredito que ninguém foi prejudicado por fake news. Mas qualquer cidadão pode requerer caso tenha se sentido prejudicado, mas não vi nenhum caso”, completou.

TAXA DE ABSTENÇÃO DO ENEM (ANO A ANO):

2009 – 37,7%

2010 – 28,8%

2011 – 26,4%

2012 – 27,9%

2013 – 29,7%

2014 – 28,9%

2015 – 27,6%

2016 – 29,19%

2017 – 29,9%

2018 – 24,9%

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Mais de 5,5 milhões de estudantes farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em mais de 1,7 mil municípios. Hoje (4), os inscritos farão provas de linguagem, ciências humanas e redação. O tempo de prova neste domingo será de 5 horas e 30 minutos.

Os estudantes devem estar atentos ao horário de verão, que começou hoje. Os portões abrem às 12h e fecham às 13h, no horário de Brasília, que segue o horário de verão.

As provas começam a ser aplicadas às 13h30. A partir das 13h, os alunos devem estar em sala de aula e serão realizados procedimentos de segurança.

O participante não poderá deixar o local de prova antes das duas primeiras horas e só poderá levar o seu Caderno de Questões caso deixe a sala 30 minutos antes do fim da prova.

Os candidatos deverão ter em mãos um documento válido, oficial e com foto; e guardar no envelope porta-objetos fornecido pelo aplicador o telefone celular e quaisquer outros equipamentos eletrônicos desligados. O candidato deve levar também caneta de tubo transparente e tinta preta. Lápis, borracha, lapiseira e canetas sem transparência não podem ser usados no dia da prova.

O gabarito oficial do Enem 2018 será divulgado pelo Inep até 14 de novembro. Já o resultado deverá ser divulgado no dia 18 de janeiro de 2019.

Enem 2018

O Enem 2018 será aplicado nos dias 4 e 11 de novembro, em 1.725 municípios brasileiros, 70 deles de difícil acesso. Ao todo, 5.513.726 estudantes estão inscritos. No dia 11 de novembro, os estudantes farão provas de ciências da natureza e matemática.

A estrutura para aplicação do Enem envolve 10.718 locais de aplicação, 155.254 salas e mais de meio milhão de colaboradores. Foram impressas 11,5 milhões de provas de doze Cadernos de Questões diferentes. Haverá ainda uma vídeoprova em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Ao todo, são quase 600 mil pessoas envolvidas na aplicação do exame.

A nota do exame poderá ser usada para concorrer a vagas no ensino superior público pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a bolsas em instituições privadas, pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e para participar do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Câmpus Pesqueira do IFPE comemora 25 anos de fundação / Foto: divulgação/IFPE

O Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) campus Pesqueira, no Agreste, celebra 25 anos de fundação. Para comemorar esta data tão simbólica para a instituição, diversas ações como apresentações culturais, ações de saúde, exposições e culto ecumênico serão realizados entre os dias 8 e 23 de novembro. As comemorações começam sempre às 18h.

A celebração deve reunir estudantes, gestores e ex-alunos. Na noite de abertura, no dia 8, haverá apresentação do coral e serão acesas luzes da árvore de natal que foi produzida pelos servidores, além de recitação de poesias. Já no dia 9, a programação contará com exibição dos cursos oferecidos na instituição, além de serviços de saúde promovidos pelos alunos de enfermagem do campus.

No dia 12, a quadra poliesportiva do campus receberá diversas apresentações culturais. Já o encerramento será no dia 23 no Marco Zero da cidade, no centro. De acordo com o diretor do campus, Valdemir Mariano, o IFPE é capaz de promover capacitação dos alunos de forma exemplar. “Percebemos a importância da instituição no contexto regional que está imersa, no oferecimento de um ensino qualificado aos estudantes e, principalmente, uma formação técnica propicia claramente uma formação humana”, disse.

Foi realizada, no campus do IFPE em Afogados da Ingazeira, a premiação de estudantes do campus que participaram, nos anos de 2015, 2016 e 2017, da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Além dos alunos premiados, participaram da cerimônia o Diretor Geral do campus, Ezenildo Lima, o Diretor de Ensino, Williams Costa, e o professor de Matemática, Antônio Marcos.

Receberam a certidão de Honra ao Mérito os alunos Francisco Alves Quirino, Cícero Damasceno Bastos, Bárbara Rebeca Santos Monteiro, Rafaela Queiroz Ferreira Barros, Carlos Wanderson Maciel Gois, Jackyanne Florêncio de Azevedo Júnior, Tayane de Siqueira Silva e Kaline Nunes de Lima.

Outro grande destaque foi para o estudante Carlos Wanderson, que foi o único aluno do campus Afogados da Ingazeira classificado para a 2ª fase da Olimpíada Internacional de Matemática dos Institutos Federais (OMIF), que realizou agora em 2018 sua primeira edição, ocorrida no IF-SUL DE MINAS – campus Muzambinho, entre os dias 19 e 21 de outubro. Carlos Wanderson recebeu a medalha de Honra ao Mérito por sua participação na OMIF.

Fatores sociais podem explicar até 85% da nota de quem presta o Enem

Saber se a escola de um aluno é privada ou pública, a renda de sua família e até a profissão dos pais pode explicar, na média, o resultado obtido no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Um estudo feito pelo cientista de dados e mestre em Economia do Setor Público pela Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Sales, a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, mostra que fatores socioeconômicos como esses estão correlacionados a até 85% da nota no exame.

O levantamento foi feito com base nos microdados do Enem e do Censo Escolar de 2017 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).

O modelo traça correlações com base nas notas e informações de 1,3 milhão de estudantes que fizeram a prova no fim do ano passado. Segundo o estudo, dez variáveis são as que mais se correlacionam ao desempenho na prova, incluindo se a escola do candidato é privada, a renda da família, a oferta de equipamentos multimídia no colégio, o número de funcionários por aluno, entre outros. Um desempenho mais baixo está associado a variáveis como estudar em escola pública, morar em um domicílio que não tem computador, inexistência de carro e acesso a internet e/ou telefone fixo.

Isso não significa que cada um desses fatores seja o motivo específico pelo qual o aluno foi bem, ou seja, que sejam a causa do desempenho. No caso de variáveis relacionadas aos bens que a família do candidato tem em casa, por exemplo, essas informações estão diretamente ligados à renda. Também não significa que o preparo do aluno não faça diferença, mas que o perfil dos que têm notas semelhantes se repete. “Os dados mostram que existem dificuldades relacionadas às condições sociais que tornam o caminho mais difícil rumo à faculdade. Isso, na verdade, valoriza os que, mesmo com péssimas condições de vida, conseguem um bom resultado”, diz Sales.

Os dados do estudo corroboram análises já existentes sobre o desempenho de estudantes em testes – quanto maior a renda da família e as condições da escola e da comunidade escolar, mais chances eles terão de conseguir melhores resultados. Dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) já mostram essa relação – quanto maior o nível socioeconômico do colégio, maiores são as médias no índice oficial, que é o principal indicador do governo federal de qualidade da educação básica no País.

Isso não significa que o desempenho individual não tenha importância, mas que só isso explica pouco sobre o resultado nas avaliações, segundo especialistas. “O grande fator que pesa no desempenho do aluno está associado à família, pela renda e pelo capital cultural e social. Importa se a criança foi criada em um ambiente letrado, se tem livros, se ela é desafiada. E, é claro, importa a renda”, diz o professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Chico Soares, especialista em avaliações.

“As características individuais também importam”, afirma ele. “Mas é mais difícil que elas, sozinhas, deem conta das características institucionais. Não há como a escola compensar a família. O que não teve na família, dificilmente terá na escola. E se não tiver apoio em nenhum dos dois, fica mais difícil ainda”.

Enem se consolida como a maior prova do país, mas deve mudar

Para ele, foi apenas um treino. Para ela, é a principal chance de conseguir a tão sonhada vaga em Medicina. Em 20 anos, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passou de uma avaliação de desempenho ao fim da educação básica para se tornar o maior vestibular do País – e o segundo do mundo. Depois de muitas mudanças e 100 milhões de inscritos, a prova que ocorre nos próximos dois domingos está em amadurecimento, com nova matriz curricular e alterações na aplicação sendo estudadas.

O médico Daniel Doca, de 37 anos, foi um dos 157 mil jovens que se inscreveram para a primeira edição, em 1998, criada para servir como um referencial dos conhecimentos adquiridos no ensino médio. Ele lembra que foi incentivado pelo pai, professor do cursinho Objetivo, a fazer o exame como um treino para os vestibulares. “Estava muito tranquilo porque para mim era um simulado, uma oportunidade de saber como estava em relação aos outros estudantes. Não tinha pressão.”

O Enem começou a caminhar para a atual amplitude já no ano seguinte de sua criação, quando importantes instituições do País, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), passaram a usar a nota do exame como um dos critérios para seleção de ingressantes. E foi, a partir de 2009, que firmou sua importância, com a criação do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), substituindo os vestibulares das instituições federais para selecionar alunos.

Atualmente, é o exame que seleciona os estudantes para 240 mil vagas em 130 instituições públicas brasileiras, além de particulares e de outros países, como Portugal. A adesão das universidades ao Enem foi proporcional ao aumento da pressão que passou a exercer em jovens, como Giovanna Castanheira, de 20 anos. Aluna de escola pública, ela enxerga a prova como a principal porta de entrada para o ensino superior.

“(O Enem) me dá um leque imenso de oportunidades. Se for bem, posso entrar em universidades do País todo”, diz a aluna, que estuda e trabalha para ter bolsa no cursinho Poliedro. No ano passado, ela chegou a ficar na lista de espera para uma vaga em Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Sua preferência é pela USP, que passou a usar o Enem também para selecionar alunos, além do vestibular próprio, a Fuvest. “Acredito que pelo Enem seja mais fácil, porque é uma prova mais ampla. Está bastante conteudista, mas ainda avalia outras habilidades do aluno, o que eu acho mais justo”, diz a jovem, que é filha de uma dona de casa e um motorista de ônibus e busca ser a primeira da família a fazer uma faculdade.

Aperfeiçoamento

Presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) na época da criação do Enem, Maria Helena Guimarães de Castro diz que o exame se firmou como uma das principais políticas educacionais do País e não corre riscos, mas ainda precisa de melhorias. Para ela, a nova matriz curricular (que estabelece os conteúdos cobrados na prova) que está sendo desenhada é fundamental para o aperfeiçoamento.

“Até 2009 era mais uma prova de conhecimentos gerais, mas, quando se transformou em vestibular, ficou mais conteudista por uma demanda dos reitores. O problema é que, a cada pedido das faculdades, a matriz do Enem foi virando uma colcha de retalhos”, avalia.

Idealizadora do Enem e atual presidente do Inep, Maria Inês Fini diz que a nova matriz vai seguir as orientações da Reforma do Ensino Médio e da Base Nacional Comum Curricular – ainda em discussão – que só devem ser implementadas em 2021. “Vamos fazer os ajustes de acordo com o que a base nos indicar, que é uma visão mais abrangente de aprendizado. Não podemos só pensar nos conteúdos tradicionais e como avaliá-los, mas também associá-los a outras habilidades e competências adquiridas pelos alunos.”

Para Maria Inês, a discussão atual sobre a matriz curricular marca o início da “terceira onda” do Enem. “Temos uma avaliação forte e importante, reconhecida internacionalmente. Agora, ela vai ser aprimorada.”

Com 5,5 milhões de inscritos para a edição deste ano, o Enem é a segunda maior prova de acesso ao ensino superior do mundo, atrás apenas do Gaokao, o vestibular chinês, que tem anualmente cerca de 9 milhões de inscrições.

Logística

Para as duas educadoras, uma mudança importante para os próximos anos é a forma de aplicação do exame – e elas defendem que seja feito online. Maria Inês explica que, mesmo com o investimento em tecnologia, a aplicação seria mais barata e segura. Em 2017, a prova custou R$ 505,5 milhões – apenas 25% dos gastos são cobertos pelo valor da taxa de inscrição, de R$ 82 – e envolveu mais de 600 mil pessoas na elaboração, distribuição, aplicação e correção do exame.

“É muito espetaculoso e hoje já temos tecnologia que poderia tornar o processo mais simples e seguir o exemplo de grandes vestibulares do mundo, como o SAT nos Estados Unidos”, diz Maria Helena. Para ela, essa alteração deveria ser uma das prioridades do próximo ministro da Educação, já que a transição para uma prova totalmente online pode demorar alguns anos. A digitalização também possibilitaria realizar o Enem mais de uma vez ao ano.

O candidato Fernando Haddad (PT) afirma que pretende aprimorar a produção da prova, ampliando os bancos de questões para fazer várias edições do exame ao longo do ano em versão digital. Também afirmou que quer retomar o “caráter reflexivo” da prova para testar a capacidade de raciocínio e não a de memorização. A campanha de Jair Bolsonaro (PSL) foi procurada, mas não respondeu se tem alguma proposta para o Enem.

“Sempre podemos aperfeiçoar a prova, mas ela nunca vai deixar de existir. O Enem não é do MEC, não vai ser de Bolsonaro nem de Haddad. Ele é do Brasil, uma conquista do estudante”, diz Maria Inês. Com informações do Estadão Conteúdo.

Escola da rede estadual de Pernambuco

Pernambuco será o primeiro Estado do Brasil a possuir escolas públicas em tempo integral tanto para o ensino fundamental quanto para o ensino médio. O novo modelo entrará em prática no primeiro semestre do próximo ano (2019), em quatro escolas do ensino fundamental da rede estadual. A ideia é que os alunos dessas escolas comecem a estudar nesse modelo a partir do 6º ano do ensino fundamental e continuem até o 3º ano do ensino médio.

Outras 12 escolas do ensino médio da rede pública estadual também passarão a funcionar em tempo integral ainda no próximo ano. Com essa expansão, Pernambuco, que possui a maior rede de escolas em tempo integral do Brasil, passará a ter 402 unidades operando nesse modelo.

As escolas que oferecerão a possibilidade de o aluno cursar integralmente o ensino fundamental e, posteriormente, o ensino médio são: Ginásio Arthur Correia de Oliveira, de Limoeiro; Diário Gomes de Lima, no município de Flores; Alípio Lustosa, em Belém de São Francisco; e a Icó Mandantes, em Petrolândia.

Jaílson França, de 21 anos, está à procura de emprego. Apesar de cursar o segundo período de Direito com bolsa e de ter mais anos de estudo que seus pais, enfrenta dificuldades para se inserir no mercado de trabalho
Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

A baixa qualidade do ensino e uma jornada escolar insuficiente fazem com que a educação, um dos motores do aumento da produtividade, não tenha, no Brasil, o mesmo impacto na economia alcançado em países onde os alunos ficam mais tempo na escola e têm melhor desempenho e um ensino médio mais voltado para o mercado de trabalho, como China e Coreia do Sul. A conclusão é do diretor do FGV Social, Marcelo Neri:

— Até os anos 1980, os brasileiros tinham, em média, três anos de estudo, e isso não avançava. Mas, quando a educação avançou, a partir dos anos 1990, isso não se traduziu em ganho de produtividade, que é o que dá sustentabilidade ao crescimento do PIB.

Segundo levantamento do economista, no período pós-Constituição (1990 a 2010), ainda que pesem os efeitos de crises econômicas ocorridas nesse intervalo, enquanto a escolaridade aumentou 68,2% no Brasil, de 4,69 anos de estudo para 7,89, a produtividade de cada trabalhador, por ano, subiu apenas 30%, de US$ 13.243 para US$ 17.168. Já na China, a escolaridade aumentou 31,6% e a produtividade, 495% no mesmo período. A Coreia, que nos anos 1960 era mais pobre que o Brasil, hoje tem produtividade três vezes maior que a nossa.

— Mesmo levando em conta as políticas industriais adotadas por esses países, é dar educação de qualidade para todos que faz diferença. A Coreia e a China, tanto no sentido da jornada escolar quanto na preparação dos estudantes para os exames e para o mercado de trabalho, vão muito melhor. Nós caímos na armadilha da renda média. Eles fizeram essa conexão (entre estudo e produtividade) e saíram da condição de países pobres para a de desenvolvidos, diz Neri.

Uso efetivo do conteúdo

A baixa qualidade da educação brasileira tem nos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) seu maior reflexo. Na última edição, em 2015, foi testado o desempenho escolar de estudantes de 70 nações. O Brasil ficou entre os piores: em ciências foi o 63º; em leitura, o 59º; e, em matemática, o 66º.

— A qualidade da educação é fundamental para explicar a baixa produtividade brasileira. Infelizmente, temos uma situação em que poucos aprendem, mesmo as competências básicas. É claro que fatores extraescolares influenciam, como a pobreza, mas não pode ser pretexto para definir esse quadro. Até porque temos ótimos exemplos educacionais em contextos socioeconômicos desafiadores, avalia Gabriel Corrêa, gerente de políticas educacionais do Todos pela Educação, endossando as críticas feitas por Neri.

Segundo ele, além de a jornada escolar média brasileira, de cinco horas, ser inferior à de países desenvolvidos, que fica entre seis horas e sete horas, ela não é usada efetivamente para a aprendizagem, o que poderia ser resolvido com capacitação de professores. Ele também ressalta que o ensino médio brasileiro é bastante distinto dos sistemas educacionais mais avançados, que assertivamente contemplam particularidades dos alunos.

— É um ensino muito rígido. São 13 disciplinas, que todos devem fazer, independentemente do seu interesse. A boa notícia é que as bases para um novo ensino médio, que estão sendo homologadas, apontam para mais opções para o jovem, diz Corrêa, ponderando que o modelo só deve entrar em vigor na próxima década.