Educação

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Alegando atrasos na carga horária em 21 unidades de ensino do Recife, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou que a Prefeitura do Recife e a Secretaria Municipal de Educação reveja o planejamento educacional do semestre para repor as aulas perdidas antes do início das férias.

A recomendação do MPPE pretende cobrar dos poderes competentes as reposições de aulas perdidas em escolas e creches do Recife a fim de sanar o “déficit pedagógico” dos alunos. Segundo o texto da recomendação, as Promotorias de Justiça de Defesa da Educação da Capital ressaltam que o Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife (Simpere) apresentou manifestação sobre o descumprimento da carga horária mínima anual prevista em lei para a educação infantil e o ensino fundamental.

Preocupados com o ensino dos infantes, 266 pais de alunos afetados reivindicam, por meio de um abaixo-assinado, providências a respeito da carga horária anual de cada etapa de ensino. Em contra partida, os promotores de Justiça Eleonora Rodrigues e Muni Catão apuraram, através de diversos procedimentos que tramitam nas Promotorias de Justiça, que a reposição das aulas promovida nas escolas e creches municipais não é realizada de forma eficaz porque os alunos não comparecem às aulas extras, que geralmente são marcadas para dias de sábado. “A demora na reposição das aulas interfere na aquisição dos conteúdos e também ocasiona desperdício de recursos, pois há a alocação de pessoal, preparo de alimentação escolar, gastos com água e energia para realização das atividades no sábado, quando a frequência é inexpressiva”, destacaram os promotores de Justiça. Continue reading

Estados, municípios e unidades executoras (UEx) — caixas escolares, colegiados escolares, associações de pais e mestres — que queiram receber recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) devem atualizar os cadastros no sistema PDDEweb, disponível no site do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

A atualização cadastral deve ser realizada anualmente.

“A medida é importante, porque sem a atualização cadastral o ente fica impedido de receber os recursos do programa. Quanto mais cedo as entidades atualizam o cadastro, mais cedo recebem os repasses”, explicou a presidente do FNDE, Karine Santos.

O sistema PDDEweb funciona em todos os navegadores de internet. A UEx que esqueceu sua senha ou ainda não a possui, deverá solicitá-la no próprio sistema. O canal para sanar dúvidas é o e-mail: pdde@fnde.gov.br.

O programa

Como o próprio nome revela, destina dinheiro diretamente às escolas, sem intermediários. O objetivo da iniciativa é dar assistência financeira às escolas da educação básica das redes estaduais, municipais e do Distrito Federal e às escolas privadas de educação especial mantidas por entidades sem fins lucrativos.

Os recursos são investidos em melhoria da infraestrutura física e pedagógica, em reforço da autogestão escolar e em elevação dos índices de desempenho da educação básica. As informações são da Assessoria de Comunicação Social do FNDE.

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O Ministério da Educação (MEC) determinou às universidades e institutos federais de todo o País que não paguem aos professores horas extras, adicional noturno e até aumento de salário por progressão na carreira – ou qualquer ato que resulte no aumento de despesas com servidores ativos e aposentados. Os reitores afirmam que a determinação atinge diretamente as atividades de ensino e pesquisa e pode levar a uma série de ações judiciais, pois fere direitos dos professores e funcionários.   

Um documento enviado no início do mês às universidades informa que o orçamento aprovado este ano para o pagamento de salários ficou abaixo do que o governo calculava ser necessário para as despesas – estimadas no mesmo valor gasto em 2019. A previsão era de que o gasto fosse de R$ 74,6 bilhões, mas o Congresso só aprovou R$ 71,9 bilhões – R$ 2,7 bilhões a menos. Por isso, o texto diz que é responsabilidade das instituições de ensino “abster-se de promover atos que aumentem as despesas com pessoal”.

Com isso, elas não podem pagar gratificações, por exemplo, a professores que obtenham um novo título acadêmico, como o de doutorado. Também ficam impedidas de substituir um docente que se afaste por motivos médicos, pois ele continua na folha de pagamentos como inativo. 

A decisão fez com que algumas instituições, como a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e o Instituto Federal de São Paulo (IFSP), informassem que vão suspender por tempo indeterminado o pagamento de adicional noturno, horas extras, substituição de chefias, promoções, retribuição por titulação, entre outros. As instituições afirmam que, pela determinação do MEC, também não podem contratar professor substituto nos casos de aposentadoria ou licença. 

Além do impacto no funcionamento das atividades, uma vez que podem ter de interromper serviços e ficar sem professores, as universidades dizem que não podem suspender pagamentos porque são direitos garantidos. O receio fez com que os reitores solicitassem audiência com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), José Múcio Monteiro, para pedir orientações.  Continue reading

Há vagas para professor da educação básica, profissional e de projetos — Foto: Thought Catalog/Unsplash

O governo do estado abriu inscrições para 2.938 vagas em uma seleção simplificada da Secretaria de Educação e Esportes. As oportunidades são para todas as regiões do estado e os salários são de até R$ 2,9 mil. É possível se inscrever até o dia 9 de março de 2020, na internet.

Para se inscrever, é preciso pagar uma taxa de R$ 24, por meio de um boleto bancário gerado na inscrição. As vagas são para profissionais de nível superior, médio e técnico. Do total de oportunidades, 106 são para a educação profissional, 2.405 para a educação básica e 427 para programas e projetos.

Há vagas para professores de áreas como administração, agroecologia, teatro, edificações e eletrotécnica. Para os candidatos de nível médio, há oportunidades para cargos como professor do curso de secretaria escolar e segurança do trabalho. Nesses casos, é preciso ter curso técnico na área escolhida.

Confira os valores dos salários para cada cargo:

  • Professor da educação profissional (200 horas mensais): R$ 2.932,96
  • Professor da educação básica (150 horas mensais): R$ 1.464,22
  • Professor da educação básica (200 horas mensais): R$ 1.952,29
  • Professor do Projeto Travessia (180 horas mensais): R$ 1.757,07
  • Professor polivalente (150 horas mensais): R$ 1.464,22

O processo seletivo consiste na avaliação de experiência e títulos. O edital da seleção está disponível na internet. Do total de vagas, 5% são reservadas a pessoas com deficiência.

Para se inscrever, é preciso anexar cópias do RG e do CPF, comprovante de residência, comprovante de quitação eleitoral obtida pelo Tribunal Superior Eleitoral, comprovante de quitação do serviço militar (para homens) e os documentos para comprovação de experiência, de acordo com o edital.

O contrato com os candidatos selecionados tem validade de dois anos, com a possibilidade de ser prorrogado pelo mesmo período.  

ID Estudantil, a carteirinha do estudante do MEC

A carteirinha do estudante digital, lançada pelo governo no ano passado, só poderá ser emitida até o domingo (16) no site do MEC (Ministério da Educação). Isso porque a medida provisória do presidente Jair Bolsonaro que instituiu a medida vai caducar sem ser transformada em lei pelo Congresso.

A regra foi publicada em setembro e autorizou o MEC a emitir as carteirinhas, o que antes era permitido apenas às entidades estudantis. O serviço foi batizado de ID Estudantil e passou a ser oferecido pela internet.

O documento que habilita o estudante a usar a meia-entrada fica disponível no celular. Segundo o MEC, o objetivo foi oferecer uma alternativa à carteirinha de plástico emitida por entidades estudantis e que custa R$ 35.

Entidades como a UNE (União Nacional dos Estudantes) afirmam que a carteirinha tradicional é mais segura contra fraudes e que o documento foi uma conquista histórica de iniciativa dos estudantes. Dizem ainda que a ação do governo foi retaliação contra as entidades estudantis pelas manifestações de rua contra o governo Bolsonaro, especialmente contra o contingenciamento de recursos para a educação.

A carteirinha digital passou a ser emitida no final de novembro e logo se popularizou. Em dezembro, foram 58 mil documentos, mais que os 18 mil emitidos no mesmo mês em anos anteriores pelas entidades estudantis. Até o início de fevereiro, foram mais de 277 mil carteirinhas.

A ideia, porém, enfrenta resistências. No Congresso, por exemplo, o tema não prosperou. Não foi nem sequer formada a comissão mista de deputados e senadores necessária para começar a transformar uma medida provisória em lei. Além disso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem feito seguidas críticas ao ministro da Educação, Abraham Weintraub. Continue reading

Secretários estaduais de Educação de todo  o Brasil participam nestas quarta (12) e quinta-feira (13) de uma reunião do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) em Pernambuco. Além dos gestores, participam do evento diversas instituições da área de educação de todo o país.

O evento acontece no Sheraton Reserva do Paiva Hotel, no Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife (RMR), e terá como anfitriões o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, e o secretário de Educação e Esportes de Pernambuco e vice-presidente do Consed, Fred Amancio (foto).

O secretário de Educação Básica do Ministério de Educação (MEC), Jânio Macedo, o secretário de Alfabetização, Carlos Nadalin, e o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, estarão presentes. A abertura da reunião está programada para as 8h30.

“É com grande satisfação que Pernambuco sedia a reunião ordinária do Consed. É um momento muito oportuno para conversarmos sobre o Novo Ensino Médio, a Base Nacional Comum Curricular e o novo Fundeb. São temáticas muito importantes que serão discutidas ao longo da reunião com a presença e participação de secretários de Educação de todo o Brasil”, afirma Fred Amancio.

Campus da UFPE no Recife fica no bairro da Várzea, na Zona Oeste — Foto: Ascom UFPE/Divulgação

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) divulgou, nesta segunda-feira (10), o quadro de vagas não ocupadas após a primeira classificação no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2020. Ao todo, 2.134 oportunidades estão disponíveis para os estudantes que ficaram na lista de espera, nos campi do Recife, Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul, e Caruaru, no Agreste.

A UFPE oferece, ao todo, 6.982 vagas para alunos que fizeram o Enem e vão entrar na instituição pelo Sisu. São 104 cursos.

Dos 2.185 aprovados no Sisu por cotas, 364 não passaram na Comissão de Heteroidentificação, que valida a autodeclaração de preto, pardo ou indígena escolhida pelos cotistas no momento da seleção, e outros 732 sequer compareceram para se matricular.

O campus com o maior número de vagas disponíveis é o do Recife, com 1.535. O curso que teve o maior número de vagas sobrando foi o de engenharia, que tem 211 sobras. Na capital, também há 72 vagas em direito e 25 vagas em medicina.

No Campus Caruaru, no Agreste, sobraram 411 vagas. No Campus Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, foram 188. Segundo a universidade, a previsão é de que, até a terça-feira (10), seja publica a lista de convocados na lista de espera.

A lista com o número de vagas por campi e por curso foi divulgada na internet. No site, também foram disponibilizados o edital e outras informações sobre o processo.

Cotistas não matriculados

Dos 2.185 candidatos aprovados por meio de cotas raciais na UFPE, menos da metade, 49,8%, teve a matrícula confirmada na primeira entrada do ano letivo de 2020. No total, 1.089 candidatos foram aprovados pela Comissão de Heteroidentificação. Ao todo, 364 deles foram reprovados, o que representa 16% dos aprovados no Sisu. Continue reading

MEC muda cronograma da lista de espera do Sisu; novo prazo é esta segunda-feira (10). — Foto: Reprodução/Sisu

O Ministério da Educação (MEC) deve divulgar nesta segunda-feira (10) os nomes dos estudantes que estão na lista de espera a uma vaga nas universidades públicas, disponibilizadas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) neste primeiro semestre de 2020. A divulgação será diretamente para as instituições de ensino, que deverão convocar os candidatos aprovados.

O cronograma inicial previa que a divulgação da lista ocorreria na sexta-feira (07). No entanto, os nomes não chegaram às universidades ou houve uma lista errada – ao menos sete universidades e institutos federais adiaram a convocação.

No mesmo dia, o MEC informou em nota que havia adiado o cronograma e que a divulgação estava prevista para segunda-feira (10), sem justificar o motivo da mudança. O MEC não deu retorno até a mais recente atualização desta reportagem.

O Sisu usa notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para selecionar os estudantes. Após os erros apontados na correção dos gabaritos do exame de 2019 – que o MEC chamou de “inconsistências” –, o Sisu passou a enfrentar diversos problemas.

O prazo para que os estudantes que não foram classificados na primeira chamada manifestassem interesse em entrar na lista de espera terminou na terça-feira (04). Na quinta-feira (06), houve relatos em redes sociais de que o sistema do MEC não considerou as inscrições daqueles que escolheram apenas uma opção de curso.

A edição do primeiro semestre de 2020 do Sisu teve 1.795.211 pessoas inscritas, que realizaram 3.458.358 inscrições (cada candidato pode tentar até duas opções de curso em busca de uma vaga). Estavam em disputa 237.128 vagas em 128 instituições de ensino superior públicas em todo o país. Quem não foi selecionado aguardava entrar na lista de espera para conseguir a vaga caso tivesse alguma desistência. Continue reading

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Escolas públicas e privadas de todo o Brasil têm até dia 15 de março para inscrever seus alunos do ensino fundamental e médio na 23ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), considerada a maior olimpíada científica do país, e na Mostra Brasileira de Foguetes. As inscrições são feitas pelo site www.oba.org.br.

As provas da OBA serão realizadas em 15 de maio, último dia também para as escolas lançarem seus foguetes. Os vencedores da olimpíada serão conhecidos no dia 15 de setembro.

Desde que foi criada, há 23 anos, a OBA superou 10 milhões de participantes. No ano passado, a olimpíada registrou recorde de participantes, com 884.979 estudantes de 9.965 escolas de todos os estados do Brasil e do Distrito Federal, além de duas do Japão. “Batemos o recorde dez anos depois. Demorou muito“, disse o coordenador da olimpíada, João Batista Canalle, professor do Instituto de Física da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O recorde anterior foi registrado em 2009, quando se comemorou o Ano Internacional da Astronomia e a OBA teve 868 mil alunos de 10.557 escolas.

Canalle disse que para a edição deste ano, a expectativa é que o número de participantes da OBA e da Mostra Brasileira de Foguetes continue crescendo. “No ano passado, 154 mil alunos lançaram foguetes pelos céus do Brasil”, disse. “O pessoal gosta muito de atividade prática, para aprender”. Segundo o professor, é nessas demonstrações que os estudantes veem que física não é só fórmula. “Quando você lança um foguete, vê que a física não é só fórmula, ela passa a ter um significado muito real de equações que descrevem o movimento do foguete. E é prazeroso, porque você não tem uma receita pronta para fazer o seu foguete ir mais longe que os dos demais”.

Estímulo

O objetivo da OBA é estimular o interesse dos estudantes sobre as ciências espaciais, como física e astronomia. Canalle disse que o aluno que participa de uma olimpíada, em geral, se dedica um pouco mais aos estudos. “Se for uma área das [ciências] exatas, como astronomia e astronáutica, certamente isso implica que ele tem que estudar um pouco mais de matemática. As nossas perguntas, às vezes, envolvem também um pouco de geografia sobre estações do ano, fases da lua, marés. Tudo isso é abordado na área de ciências, de geografia, quando estuda clima no planeta, e essas coisas são relacionadas com a astronomia”. Continue reading

Formação ideal de professor deve incluir bacharelado e licenciatura. Na foto, homem ensina matemática a alunos. — Foto: CAIA IMAGE/SCIENCE PHOTO LIBRARY via AFP

Nas escolas brasileiras, cerca de 40% dos professores que atuam no ensino médio não têm formação adequada nas disciplinas que lecionam. São docentes que fizeram a graduação em outra área, não possuem licenciatura ou sequer se formaram na universidade.

Segundo dados do Censo Escolar 2019, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), há uma grande disparidade entre as cinco regiões. O quadro mais crítico é no Centro-Oeste, onde apenas 50,7% dos professores de ensino médio e 50,2% de ensino fundamental II têm a formação apropriada.

No Nordeste, o índice também é baixo: 53,9% dos docentes na última etapa de ensino possuem diplomas de graduação e de licenciatura na disciplina que ensinam.

Mesmo nas regiões com melhores números, a situação não é satisfatória. No Sul, 70,6% dos professores de ensino médio têm bacharelado e licenciatura na área em que trabalham – ou seja, 29,4% ensinam, diariamente, um conteúdo em que não são especializados.

Mas qual o prejuízo de ter um professor de matemática ensinando física? Ou um bacharel em química que não fez a licenciatura? Segundo especialistas, a formação inadequada traz um impacto direto na qualidade das aulas.

“Mesmo que sejam áreas parecidas, aquele profissional não se dedicou a estudar o assunto. O tipo de conhecimento que vai trabalhar com os alunos será superficial”, explica Ângela Soligo, professora colaboradora da pós-graduação da Unicamp. Continue reading

A categoria se reuniu com representantes da Secretaria de Educação nesta quarta-feira / Foto: Divulgação/ Simpere

Professores do ensino integral e formadores da rede pública do Recife foram até a Prefeitura da capital nesta quarta-feira (05) reivindicar respostas da Secretaria de Educação. Segundo eles, desde janeiro, a pasta tem mudado o planejamento letivo, gerando sobrecarga para os docentes. Além disso, professores estariam tendo que ensinar matérias que não são capacitados para lecionar. Uma professora de biologia, por exemplo, estaria sendo obrigada a dar aulas de história. 

“A Secretaria de Educação reorganizou o currículo das escolas integrais entre dezembro e janeiro sem consultar os professores. Os horários foram alterados, sobrecarregando dos profissionais, que terão menos tempo para planejar as aulas. Isso impacta diretamente a qualidade de ensino”, afirma Igor Andrade, professor e diretor do Sindicato dos Professores do Recife (Simpere).  A sobrecarga traz ainda outras consequências, além da falta de tempo para planejamento. “Temos relatos de professores de ciências que estão tendo que ensinar história do Recife, sem a formação adequada para isso”, aponta o professor.

As reivindicações da categoria vão além. Segundo o diretor do Simpere, os profissionais que lecionam nas instituições de tempo integral também foram informados de que não receberiam mais capacitação no Centro Paulo Freire, localizado no bairro da Madalena, Zona Oeste da capital, como os demais profissionais da rede pública do Recife. “A prefeitura simplesmente colocou que a formação seria individualizada em cada escola de tempo integral. As formações no centro eram a oportunidade que eles tinham de entrar em contato uns com os outros. Muitos projetos premiados no Estado e pelo Brasil surgiram a partir dessa interação entre os professores”, justificou Andrade.

Os docentes pedem também a contratação de novos profissionais, através de concurso público. Segundo eles, o déficit no número de professores formadores acaba prejudicando toda a rede de ensino. Para piorar a situação, 15 docentes teriam sido afastados sem justificativa entre os meses de dezembro e janeiro. 

A categoria enviou ofício à secretaria, solicitando urgência para resolver os problemas. De acordo com o Simpere, uma reunião estava marcada para as 14h desta quarta-feira, mas a prefeitura teria se negado a receber os professores, tendo acionado a Guarda Municipal para intimidar o grupo de cerca de 50 profissionais que estava na sede da Secretaria de Educação. Após negociação, a pasta teria recebido uma comissão com 16 professores para conversar sobre as pautas. 

Resposta

Em nota, a Secretaria de Educação do Recife informou que recebeu na tarde desta quarta-feira (05) representantes do Simpere, embora a reunião só tivesse marcada para o dia 21 de fevereiro. “Ficou definido que haverá uma nova reunião com um número maior de profissionais da categoria para esclarecer melhor as dúvidas. A gestão frisa que não houve aumento de carga horária e nem desvio de função. Todos os professores estão exercendo a função para a qual estabelece seus contratos”, diz o comunicado. 

Cinema é o curso da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) com percentualmente mais candidatos de fora do Estado aprovados pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2020, ultrapassando medicina, que ocupou a primeira posição no ano passado. Das 50 vagas em cinema, 54% foram preenchidas por jovens que não residem em Pernambuco. Em segundo lugar aparece arqueologia, com 50% (de um total de 30 vagas). Medicina ficou na terceira colocação, com 49,3% das 140 vagas. As matrículas dos novatos acabaram ontem. Também ontem foi o último dia para se inscrever, no Sisu, nas listas de espera (remanejamentos) de todas as instituições participantes.

Corina Santiago Santos, 19 anos, é mineira (com a bolsa azul). Será uma das alunas de cinema da UFPE. Chegou na segunda-feira ao Recife, efetuou a matrícula ontem (04), à tarde e vai embora hoje (05). Só retorna agora no segundo semestre, quando as aulas começarem (a graduação tem apenas segunda entrada). “Em Belo Horizonte nenhuma universidade pública oferece o curso de cinema. Teria que entrar numa faculdade particular e não era isso que queria. Tentei vestibular da USP, em São Paulo, mas não passei. Pesquisei sobre o curso na UFPE e gostei. Foi minha primeira opção no Sisu”, conta Corina.

O que mais pesou na escolha, no entanto, foi o mercado cinematográfico do Estado. “O cinema produzido em Pernambuco é muito conhecido em todo o País. Avaliei a qualidade da graduação, mas as possibilidades do mercado foram decisivas para minha opção pela UFPE”, ressalta Corina.

Os paulistas Marcelo Ranieri, 21 anos, e Matheus Devitte, de 20, também estavam ontem (04), na UFPE, para a matrícula em medicina. Nenhum dos dois conhecia a capital pernambucana. Eles tentaram aprovação em pelo menos cinco faculdades públicas de São Paulo, sem sucesso. Na inscrição do Sisu, colocaram a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) como uma das opções, mas acabaram ficando na UFPE. Continue reading

MEC está distribuindo manual para escola cívico-militares Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Por Naomi Matsui/Época

O Ministério da Educação (MEC) distribuiu um Manual para Escolas Cívico-Militares, com regras e orientações a alunos e professores. O documento foi obtido por meio da Lei de Acesso à Informação pela Fiquem Sabendo, agência especializada no tema.

Em 324 páginas, o manual determina, por exemplo, que meninos tenham o cabelo “cortado de modo a manter nítidos os contornos junto às orelhas e o pescoço”, que estejam bem barbeados e “com cabelos e sobrancelhas na tonalidade natural e sem adereços”, como piercings.

Sobre as meninas, o manual estipula que o cabelo seja “cuidadosamente arrumado e, quando médio ou longo, que esteja em “rabo de cavalo” na parte superior da cabeça ou trança simples”.

As alunas só podem usar adereços “discretos” e saia-calça.

O texto determina também que “problemas que não puderem ser resolvidos” pelo diretor sejam informados ao Ministério da Defesa, às Forças Armadas ou de segurança estaduais e municipais.

Também cria critérios para as músicas tocadas na escola, de modo a “despertar o entusiasmo pela escola, pelos heróis nacionais e pela Pátria”, e define como valores “o amor à profissão das armas” e “a fé na missão elevada das Forças Armadas”.

O texto ainda determina a adoção de um sistema de avaliação de comportamento dos alunos, com notas que vão de “mau” até “excelente” e com pontos que podem ser atribuídos por meio de elogios coletivos e individuais ou retirados por meio de repreensões.

Defensor das escolas cívico-militares, Jair Bolsonaro tem em seu governo um programa com o objetivo de implantar 216 escolas do tipo até 2023. O plano está sendo distribuído a todas as secretarias estaduais de educação do país.

Enem 2019

Termina neste sábado (1º), o prazo de inscrição para o Programa Universidade para Todos (ProUni), que prevê a concessão de 252 mil bolsas integrais e parciais em faculdades privadas. Inicialmente, as inscrições só seriam recebidas até sexta-feira, 31, mas o cronograma teve de ser alterado por causa da falha na correção de quase 6 mil provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

Para esse primeiro semestre, serão ofertadas 122.432 bolsas integrais e 130.102 bolsas parciais. As inscrições devem ser realizadas pelo site do programa.

Podem participar do processo seletivo do ProUni estudantes brasileiros que não possuam diploma de curso superior e tenham participado da edição de 2019 do Enem, tendo obtido, no mínimo, 450 pontos na média das notas do exame e nota superior a zero na redação

Para se candidatar, o estudante deve informar o número de inscrição do Enem 2019 e a senha usada no exame. No momento da inscrição, o candidato faz, em ordem de preferência, até duas opções de instituição, curso e turno dentre as bolsas disponíveis, de acordo com seu perfil. O participante com deficiência ou que se autodeclarar indígena, preto ou pardo pode optar por concorrer a bolsas destinadas a políticas de ações afirmativas.

Atraso

O início das inscrições para o programa teve de ser alterado, porque uma decisão judicial barrou a divulgação do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) está suspensa pela Justiça Federal. Segundo o Ministério da Educação (MEC), sem o resultado, não era possível dar continuidade ao cronograma de outros programas do ensino superior. 

Nesta terça-feira (28), foi dada a largada ao ano letivo de 2020 com o início das aulas no campus do IFPE Afogados da Ingazeira. Para iniciar, aconteceu pela manhã a Aula Inaugural dos Cursos Técnicos Integrados de Informática e Saneamento. A acolhida aos alunos se deu pelo professor Ivo Marinho, coordenador do Curso Integrado de Informática e pela professora Laura Cavalcanti, coordenadora do Curso Integrado de Saneamento, na qual os novos alunos e seus pais e responsáveis puderam conhecer um pouco mais sobre os cursos, e o campus em geral.  

No período da tarde também aconteceu às aulas inaugurais do curso superior de Licenciatura em Computação, cursos subsequentes de Agroindústria, Eletroeletrônica e Saneamento. Os novos estudantes puderam conhecer mais sobre os cursos, pelos coordenadores, Flávio Couto, Licenciatura em Computação, Cosmo Rufino, de Saneamento, Newton Souza, de Eletroeletrônica e Aguirres Valongo, de Agroindústria.

A noite houve a aula inaugural do curso de Engenharia Civil. O vestibular para o curso teve mais de quinhentos inscritos, representando a terceira maior concorrência da história do Instituto Federal em Pernambuco, com treze concorrentes por vaga. A primeira turma de Engenharia Civil terá quarenta alunos, oriundos e diversas cidades do Pajeú. O curso que contará com aulas presenciais, teóricas e práticas.

A acolhida dos estudantes foi conduzida por Ezenildo Lima, Diretor Geral do campus; Andrea Dacal, Diretora de Ensino; Mary Lanne, Assistente Social; Carolina Lima, Assistente de Alunos; e Andreia Barros, Assessora Pedagógica.

Além da conversa com os representantes do campus, os discentes tiveram a oportunidade de conhecer a estrutura física do campus do IFPE em Afogados da Ingazeira, por meio de um passeio guiado que incluiu visita aos laboratórios e outros espaços.