Política

Congresso em Foco

Em 2019, o Senado autorizou 750 pedidos de licenças dos senadores. Estes pedidos foram utilizadas pelos congressistas para justificar o não comparecimento em sessões deliberativas destinadas à votação de propostas no Plenário da Casa, às quais os senadores são obrigados a comparecer. O Congresso em Foco fez um levantamento da assiduidade dos senadores em 75 das sessões realizadas entre fevereiro e dezembro do ano passado. Veja abaixo.

O senador Jader Barbalho (MDB-PA) ficou na 1ª posição no ranking dos senadores que mais faltaram às sessões, com ausências justificadas ou não. Ele apenas compareceu a 16 das 75 sessões analisadas, contabilizando um índice de falta de 78,67%. A maioria delas foi justificada por atividades parlamentares (40 vezes) e licença saúde (15 vezes). Porém, o senador finalizou o ano legislativo sem justificar quatro de suas ausências.

O número excessivo de faltas é algo costumeiro de Barbalho. Os dois últimos levantamentos da assiduidade dos senadores mostram que, em 2018, ele faltou a mais de 80% das sessões deliberativas ordinárias realizadas entre fevereiro e julho daquele ano, apenas aparecendo em seis sessões. Em 2017, não foi diferente: o paranaense foi o senador com mais faltas. Foram 32 ausências, o equivalente a 49% das 65 sessões deliberativas analisadas.

De acordo com a Casa, a presença dos senadores é obrigatória apenas nas sessões deliberativas ordinárias (que possuem data e horário previstos). O regimento do Senado determina que os dias em que o parlamentar não vai à sessão sejam abonados após a apresentação de um requerimento que justifique o motivo da ausência, pois o Senado entende que o político estava realizando tarefas relacionadas às atividades legislativas demandadas pelo exercício do mandato, mesmo fora da Casa.

Mais ausentes 

Empatados no 2º lugar entre os mais faltosos estão Renan Calheiros (MDB-AL) e Mara Gabrilli (PSDB-SP), ambos com 33 ausências (44,00%). Logo depois vem José Maranhão (MDB-PB), que se ausentou 25 vezes (33,33%).  Continue reading

Em entrevista na rádio CBN Recife, a delegada Patrícia Domingos protagonizou momentos de debates intensos com o secretário de Segurança Pública do Recife, Murilo Cavalcanti. Durante a entrevista Murilo alegou que a delegada já está em pré-campanha e que ela não conhece o Recife. Patrícia rebateu lembrando que já foi delegada do Marco Zero, que mora no Recife há 12 anos e cobrou investimentos em segurança na capital.

A delegada da extinta Decasp, que atualmente atua na delegacia que cobre a área de Casa Amarela e adjacências, afirmou que não se sente segura andando pelo Recife, que a maioria da população não tem como tirar o celular do bolso por medo de ser assaltado e finalizou a fala lembrando que nas periferias “as pessoas estão morrendo nos becos e nas escadarias, sem imagem e em locais escuros”.

Ela cobrou ainda uma boa iluminação pública e um sistema de câmeras que não sirvam só para multar. “Enquanto moradora do Recife, eu lamento que haja tanto investimento câmeras para verificar infrações de trânsito, e tão pouco para a segurança do cidadão”.

Murilo acusou Patrícia de ser injusta com a administração do prefeito Geraldo Julio (PSB), por ter interesses políticos e eleitorais. “Nossa delegada como já está em pré-campanha, acaba sendo injusta com a nossa gestão. Nenhuma capital do Brasil avançou tanto na integração do policiamento” e destacou ainda que estão sendo colocadas lâmpadas de led em vários bairros da periferia do Recife. “Onde é que a delegada se sente segura? Em Fortaleza, em Maceió, em João Pessoa, ou Rio de Janeiro? Onde que é? A sensação de insegurança é no Brasil inteiro”, justificou o secretário. “Infelizmente, a delegada que não conhece muito bem o Recife nem o Compaz, não sabe da importância desse equipamento na vida das pessoas”.

A estatal diz que o empregado poderá permanecer na empresa desde que desista do pedido de aposentadoria

A Petrobras anunciou que os empregados celetistas da empresa que ingressaram com pedido de aposentadoria após a reforma da Previdência serão demitidos quando o benefício for concedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A empresa foi questionada sobre quantos funcionários estão nesta situação, quanto à empresa deve gastar na rescisão dos contratos e se os trabalhadores serão substituídos, mas não respondeu. A companhia também não informou como será feito o processo de desligamento.

A estatal informou, por meio de nota, que adotou a medida em acordo com a Emenda Constitucional 103 (reforma da Previdência), que estabeleceu que “a aposentadoria concedida com a utilização de tempo de contribuição decorrente de cargo, emprego ou função pública acarretará o rompimento do vínculo que gerou o tempo de contribuição”.

Segundo a petroleira, os empregados que solicitarem a aposentadoria com a utilização do tempo de contribuição a partir de 13 de novembro de 2019 terão seu contrato de trabalho com a Petrobras extinto quando da concessão da aposentadoria pelo INSS.

A estatal afirmou ainda que o funcionário que protocolou pedido de benefício poderá permanecer na empresa, desde que cancele a solicitação junto ao Instituto Nacional do Seguro Social.

“Para os empregados que deram entrada com o tempo de contribuição decorrente de vínculo com a Petrobras e desejarem desistir do benefício, o cancelamento poderá ser solicitado desde que o empregado exerça essa prerrogativa antes do primeiro recebimento do benefício ou do saque do FGTS ou do PIS”.

Banco do Brasil

O Banco do Brasil já havia anunciado a mesma medida para extinguir o contrato de trabalho dos funcionários celetistas que se aposentarem após a reforma da Previdência. Os empregados podem ter o contrato de trabalho mantido, desde que não tenham recebido o benefício ou feito saque do FGTS ou do PIS.

Salim Mattar, secretário de Desestatização

Salim Mattar, secretário de Desestatização, pasta vinculada ao Ministério da Economia, defende a privatização dos Correios.

Para ele, não faz sentido manter uma empresa pública “para entregar cartas, se ninguém escreve mais cartas”.

Em entrevista ao Jornal da Record na noite desta segunda-feira, Mattar argumentou que os Correios são uma “grande empresa”, mas tem muito déficit.

Segundo ele, só com plano de saúde e o fundo de pensão dos funcionários, o rombo chega a perto de R$ 15 bilhões. 

“Os Correios se tornaram uma empresa muito grande, perderam eficiência e estão comendo caixa disponível. Então vai chegar uma hora que não vai ter mais condições de continuar funcionando”, disse Mattar.

Thiago Freitas

Dilma Rousseff embarca para Cartagena das Índias, na Colômbia, para participar como convidada do Hay Festival, um evento de literatura e artes.

Será entrevistada pelo diretor para Américas do jornal “El País”, Javier Moreno Barber. Falará sobre “o futuro da esquerda na América Latina”.

Dilma viaja entre os dias 29 janeiro e 2 de fevereiro e três assessores a acompanharão.

Pessoas aguardam atendimento em agência do INSS em Brasília Foto: Jorge William / Agência O Globo

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já havia detectado há pelo menos seis meses a necessidade de uma quantidade mínima adicional de 13,5 mil servidores para atender aos novos pedidos por benefícios e zerar o estoque de processos existentes até então, estimado em 1,4 milhão. A informação foi registrada num documento oficial do órgão, o que foi insuficiente para que se resolvesse o problema. A crise ganhou novos contornos nos meses seguintes: o número de processos represados subiu para quase 2 milhões neste início de ano, com um aumento do tempo médio de espera para a concessão do benefício.

O número de servidores necessários para a análise dos pedidos, de forma que o prazo legal de 45 dias fosse respeitado, equivalia a quase o dobro da quantidade de militares da reserva — 7 mil — prometida pelo governo para tentar reduzir a fila. A medida, que ainda depende da edição de um decreto pelo presidente Jair Bolsonaro, é criticada por servidores da área previdenciária, especialmente por estar focada no atendimento presencial, enquanto o cerne do problema está na digitalização do processo de requerimento e análise de benefícios.

A informação sobre o real tamanho da necessidade de servidores no INSS foi detalhada no anexo de uma resolução que instituiu um modelo semipresencial na análise dos benefícios solicitados. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União em 26 de julho de 2019. O anexo, porém, ficou fora do Diário Oficial. Foi publicado apenas nas redes internas do INSS.

Auditoria da CGU

O trecho que trata da necessidade de mais de 13,5 mil servidores foi reproduzido em uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) concluída no mês passado. “Seriam necessários mais de 13,5 mil servidores para atender a demanda de novos requerimentos no prazo legal, além do estoque apurado”, cita o anexo da resolução, conforme reproduzido no relatório da CGU.

O número fez parte de um estudo interno que embasou a edição da resolução em julho. De 24 mil servidores do INSS, apenas 3,4 mil — 14% — atuavam exclusivamente na análise de benefícios, segundo o mesmo estudo. Continue reading

Representantes do Centrão, grupo informal que reúne siglas como DEM, Republicanos, MDB, PP, Solidariedade e PL, querem que Gustavo Canuto saia do Ministério de Desenvolvimento Regional.

Canuto foi uma escolha técnica do presidente Jair Bolsonaro para a pasta. O paranaense é servidor de carreira do Ministério do Planejamento.

Além da falta de interlocução com deputados, um membro do grupo de partidos afirma que o próprio governo federal acredita que Canuto não tem entregado resultados.

 “Há uma enorme insatisfação do ministro Paulo Guedes e do presidente junto a esta gestão”, disse um dos políticos.

Auxiliares próximos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), negaram uma intenção de tentar demover do cargo o ministro do Desenvolvimento Regional. “Davi gosta muito do Canuto”, disseram.

Para aliados do Alcolumbre quem quer ter um indicado no comando da pasta é o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Durante a votação da medida provisória que regulamentou as mudanças ministeriais do governo de Jair Bolsonaro em maio de 2019, a expectativa era que o ministério do Desenvolvimento Regional voltasse a ser desmembrado nas pastas de Cidades e Integração Nacional, com indicados da Câmara e do Senado para ocupar as duas vagas.

No entanto, a divisão, que inclusive foi anunciada pelo governo, acabou não acontecendo e Canuto permaneceu à frente do Desenvolvimento Regional.

Presidente do Inep Alexandre Lopes fez uma entrevista coletiva para esclarecer erros na correção do Enem. Foto: Jorge William / Agência O Globo

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou que as falhas na correção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) atingiram participantes em cerca de 200 cidades, mas 96,7% das ocorrências se concentraram nas cidades de Alagoinhas (BA), Viçosa (MG), Ituiutaba (MG) e Iturama (MG).

Apenas os estados de Roraima e Amapá não tiveram o erro registrado. No total, foram 5.974 candidatos prejudicados por uma falha no processo de impressão das provas e dos cartões-resposta, segundo o governo.

O Inep recebeu 172 mil e-mails relatando erros, e todas as 3,9 milhões de provas da última edição do Enem foram conferidas pelo instituto. O órgão vai abrir um processo administrativo contra a gráfica Valid, responsável por realizar o Enem. O Inep atribui à gráfica os erros na impressão das provas e dos cartões-resposta.

Questionado sobre a possibilidade de exclusão da Valid do próximo pregão para a realização do Enem, Lopes afirmou que o Inep “seguirá a lei”.

— Vamos seguir as regras da administração pública, não existe voluntarismo. Será (definido) em função do processo administrativo que a sanção seja administrativa ou judicial. Vamos cumprir e seguir as regras de licitação: multa, advertência, afirmou Lopes. — Independente disso, já tínhamos abertos dois processos licitatórios para licitar nossos processos de gráfica. Independente do que aconteceu hoje, abrimos processos (licitatórios), e estamos estudando como melhorar os contratos. Continue reading

SERGIO MORO

O ministro da Segurança e da Justiça Sérgio Moro afirmou na noite desta segunda-feira (20), durante a participação no programa Roda Viva, que as informações divulgadas pelo The Intercept Brasil não passam de “um monte de bobajarada”. Moro minimizou as revelações que apontaram condutas ilegais da época em que ele era  juiz durante a operação Lava Jato. O atual ministro alegou que o que aconteceu na altura foi um uso político das informações com a intenção de lhe prejudicar.

 “Esse é um episódio menor. Nunca entendi a importância daquilo. Foi usado politicamente. Para soltar prisioneiros condenados. Tenho a consciência tranquila do que fiz como juiz”, disse.

Quando questionado sobre o vazamento do áudio da conversa entre Lula e Dilma em março de 2016, o ministro afirmou que foi dada muita importância a um conteúdo que ‘não merecia atenção’.

“Existe ali uma tentativa de obstrução da justiça naqueles áudios. Foi uma decisão fundamentada e tornei o áudio público. Não houve manipulação. Aqueles áudios revelavam uma tentativa de obstrução da justiça.  Nada ali foi objeto de manipulação (…) O Gilmar Mendes deve assumir suas responsabilidades”, disse em resposta ao diretor da sucursal de Brasília da Folha de São Paulo, Leandro Colon.

Moro também foi questionado sobre a influência de vazamentos em eleições, afirmando que não houve dois pesos diante do caso de Palocci e de Lula. “O episódio do Palocci é superdimensionado. O que ele falou em audiências públicas está no depoimento dele por escrito. No depoimento do Lula, teve toda uma mobilização. Correligionários ameaçavam violência. Aquilo galvanizou a atenção do país. É uma diferença de grau”.

O ministro da Justiça desviou de esclarecimentos sobre o que pensava a respeito dos ataques do presidente à imprensa. Continue reading

Regina Duarte ao lado de Jair Bolsonaro e Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo Foto: Reprodução

A Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República informou na tarde desta segunda-feira que a atriz Regina Duarte teve uma “conversa produtiva” com o presidente Jair Bolsonaro,  no Rio de Janeiro, e agendou uma visita a Brasília para a próxima quarta, para conhecer a Secretaria Especial da Cultura do governo federal.

— Estamos noivando, disse Regina, após a reunião com Bolsonaro, segundo a Secom.

Em sua conta no Twitter, Bolsonaro afirmou que houve uma “excelente conversa”, e os dois iniciaram um “noivado” que “possivelmente trará frutos ao país”. Ele também publicou a foto acima, em que aparece ao lado da atriz e do ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

Regina foi convidada após Roberto Alvim ter sido demitido na semana passada após copiar frases de um discurso nazista em um pronunciamento oficial da Secretaria.

O convite a Regina veio horas após a demissão. Inicialmente, em entrevista à rádio Jovem Pan, a atriz afirmou que não considerava estar preparada para assumir a pasta. Depois, disse que precisava de um encontro olho no olho com o presidente para decidir.

Ao longo do fim de semana, Regina publicou em suas redes sociais postagens de apoio a Bolsonaro. Em uma das imagens, listou realizações dos dez primeiros meses de governo.

Viagem da comitiva presidencial ao Sudeste Asiático consumiu mais de R$ 1 milhão

O presidente Jair Bolsonaro se prepara nesta semana para realizar a sua 11ª viagem internacional no exercício do mandato. É esperado que embarque para a Índia na sexta-feira (24), onde participará da comemoração do Dia da República daquele país, no domingo (26).

Em 2019, o presidente esteve em 11 países, ao longo de 10 viagens internacionais. O destino preferido do capitão foi os Estados Unidos, onde Bolsonaro esteve em 3 ocasiões, que somaram 6 dias fora do Brasil.

As 3 visitas ao país presidido por Donald Trump fizeram Bolsonaro ser o presidente brasileiro que mais visitou os Estados Unidos em seu 1º ano de mandato. O recorde anual, no entanto, é da ex-presidente Dilma Rousseff. Em 2015, ela teve 4 compromissos naquele país.

Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é quem mais vezes foi aos Estados Unidos: 13. Neste ranking, Dilma aparece na vice-liderança, com 11 viagens. Fernando Henrique Cardoso é o 3º, com 9 viagens.

DIAS FORA DO PAÍS

Os números obtidos mostram que Bolsonaro passou mais dias fora do país (38) do que seu antecessor, Michel Temer (21), no 1º ano do mandato. No entanto, está atrás de outros presidentes. Contabilizasse a data da ida e da volta ao calcular o número de dias longe do Brasil. Isso porque entende que o presidente está ausente de suas funções durante o trânsito de um local ao outro. Continue reading

O deputado federal Gonzaga Patriota (PSB) esteve, no sábado (18), em Bonito, Agreste de Pernambuco, para conferir a 204º edição da Festa de São Sebastião. O festejo completou mais de dois séculos de existência, em homenagem ao santo padroeiro do município.

Acompanhado do prefeito Gustavo Adolfo, dos vereadores e do ex-prefeito Ruy Barbosa, Gonzaga Patriota acompanhou a procissão e renovou os votos de fé e esperança. À noite, a programação contou com os shows das Bandas Magníficos, Calcinha Preta, Diego e Junior e Mauricio Ramalho.

A população comemorou o sucesso do evento e o deputado Gonzaga Patriota parabenizou pela organização de mais uma edição. “Os organizadores e a Prefeitura estão de parabéns pela belíssima festa e pela qualidade do evento que já é tradição no Estado. O resultado foi maravilhoso e, acredito que essa foi uma das melhores edições que já participei”, disse.

Foram três dias de festa que contou com atrações de todo Brasil, entre elas a dupla sertaneja Bruno e Marrone, e o cantor Xandy Avião. O evento, que começou na sexta-feira (17) e seguiu este domingo (19), reuniu milhares de pessoas, gerando renda e emprego para localidade. 

Família Campos-Arraes

O núcleo de uma das mais tradicionais famílias da política brasileira vive uma briga fratricida. Os atritos superaram o terreno privado do clã Campos-Arraes e a lavação de roupa suja se tornou pública. Antigas diferenças políticas se converteram em um fogo cruzado que é influenciado pela polarização nacional e se volta até mesmo contra o legado do seu quadro mais proeminente, o ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na campanha presidencial de 2014.

As divergências alcançaram outro patamar depois que o deputado federal João Campos (PSB-PE), filho de Eduardo, atacou o tio, o advogado Antônio Campos, o Tonca, em dezembro passado, na Câmara dos Deputados. Em reunião da Comissão de Educação, o ministro da área, Abraham Weintraub, lembrou ao parlamentar que Antônio contribui com o governo que ele critica porque é presidente da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). “Eu nem relação tenho com ele, ministro. Ele é um sujeito pior que você”, retrucou o deputado, em referência ao tio.

Tão duro quanto o tom foi à forma. Em Pernambuco, “sujeito” pode não significar meramente uma pessoa indeterminada, mas alguém desqualificado socialmente. Nos bastidores, políticos da região disseram que essa expressão pesou mais do que qualquer coisa porque chamar alguém de sujeito, naquele Estado, equivale quase a um palavrão.

Mãe de Eduardo Campos, a ministra do Tribunal de Contas da União (TCU) Ana Arraes comprou a briga do filho e repreendeu o neto publicamente, numa rara entrevista concedida ao jornalista Magno Martins, na Rede Nordeste de Rádios, no início do mês. Disse ter ficado “entristecida” e “indignada” com a “má educação” e com a “prepotência” do neto, com quem parou de falar.

O presidente do TCU, José Múcio Monteiro, interferiu na tentativa de atuar como uma espécie de bombeiro. Amigo de Ana Arraes e também pernambucano, Múcio disse a Antonio e a João Campos, em conversas separadas, que era melhor serenar os ânimos porque em briga de família não há vencedores. Todos perdem, concluiu. Os conselhos, porém, não adiantaram. No rodízio do tribunal, Ana substituirá Múcio na presidência da Corte, no próximo ano.

Antes mesmo de a mãe tomar partido no conflito, Antônio Campos havia soltado uma nota por meio da qual acusava o sobrinho de ter sido “nutrido na mamadeira da empresa Odebrecht”. Antônio disse, ainda, que Pernambuco precisava conhecer o “lado obscuro” do sobrinho e da viúva de Eduardo, Renata Campos. João é considerado um representante da “nova política”, ao lado dos deputados Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES).

‘Quis se mostrar para nova namorada’

Ao Estado, Antônio admitiu que a confusão não é boa para a família, mas continuou com as críticas e provocou o sobrinho. “Ele quis se mostrar para a sua nova namorada, a deputada Tabata Amaral”, disse o tio. “Foi um ataque gratuito porque estava fora do contexto. Fui o homem que mais defendeu o pai dele, inclusive no complexo caso dos precatórios, em que Eduardo teve denúncia rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal. E, hoje, eu o vejo abraçado e defendendo vários que chamavam o pai dele de ladrão. Não consigo entender”. Continue reading

Pernambucano que enfrentou a fúria da esquerda no cinema é ‘plano B’ para Cultura

O economista pernambucano Alfredo Bertini é apontado como uma das principais alternativas do presidente Jair Bolsonaro diante da eventualidade de a atriz Regina Duarte recusar o convite para assumir o cargo de secretária especial de Cultura. Bolsonaro considera inclusive ressuscitar a denominação de “ministério”.

Bertini colaborou com a equipe do ministro Paulo Guedes (Economia), durante o governo de transição, e se notabilizou, como Secretário Nacional do Audiovisual, pela criação do “Cine PE – Festival do audiovisual”, em 2002, ampliando o Festival de Cinema do Recife, do qual também é o idealizador. 

Ele enfrentou a fúria da patrulha ideológica em Pernambuco, em 2017, ao inscrever no festival o documentário “O jardim das aflições”, do pernambucano Josias Teófilo, sobre o filósofo Olavo de Carvalho. O anúncio da exibição do filme provocou uma onda esquerdista exigindo sua censura.

Destacou-se também como secretário nacional de Infraestrutura Cultural do Ministério da Cultura, durante o governo do ex-presidente Michel Temer, e já no governo Bolsonaro foi presidente da Fundação Joaquim Nabuco, órgão vinculado ao Ministério da Educação, mas acabou substituído por Antonio campos, irmão do falecido ex-governador pernambucano Eduardo Campos (PSB).

Produtor respeitado no setor cultural, Bertini também é apontado como caso raro de alguém que “fala com os dois lados”.

Nascido em Recife, em 1961, ele é doutor em Economia pela Universidade de São Paulo e com uma longa carreira nessa área como professor universitário, autor de livros especializados e consultor. Foi ainda Secretário de Turismo e Esportes da prefeitura da Cidade do Recife e presidente do Fórum dos Festivais, congregando os realizadores de eventos audiovisuais do Brasil. Publicou em 2006 o livro Quando o caso é de cinema, a paixão é um festival.

https://conteudo.imguol.com.br/c/entretenimento/e8/2018/10/12/regina-duarte-conversou-com-bolsonaro-1539377850828_v2_900x506.jpg

Com o objetivo de convencer a atriz Regina Duarte a participar do governo, o presidente Jair Bolsonaro cogita recriar o Ministério da Cultura, rebaixado por ele no ano passado ao status de secretaria. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, a avaliação é que a antiga aliada goza de muito prestígio para assumir um cargo de segundo escalão. Ela foi convidada diretamente por Bolsonaro, na sexta-feira, para ser a nova secretária especial de Cultura, após a demissão do dramaturgo Roberto Alvim. Ele foi afastado por ter citado, em um vídeo, ideias do ideólogo nazista Joseph Goebbels.

Regina Duarte deve dar uma resposta ao convite durante uma reunião com Bolsonaro nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro, onde o presidente cumprirá agenda oficial. Entre os compromissos previstos está um encontro, às 10h, com o prefeito da capital fluminense, Marcelo Crivella. O Ministério da Cultura poderá ser recriado por meio da edição de uma medida provisória, que passa a valer após publicação no Diário Oficial da União, mas precisa do aval do Congresso para continuar em vigor. Em 2019, os deputados rejeitaram uma emenda que propunha a recriação da pasta. Ela foi apresentada à MP que estruturou a administração federal, a mesma que rebaixou a Cultura ao status de secretaria.

Ao convidar Regina Duarte, a intenção de Bolsonaro é ter um nome de peso no comando da Cultura, à semelhança da indicação do cantor e compositor Gilberto Gil, que chefiou a pasta durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Continue reading