Política

Bolsonaro

O combate à corrupção foi um dos principais temas no Twitter de Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral que o levou à Presidência, no ano passado. Depois de assumir o poder, porém, o assunto perdeu espaço em sua timeline e, segundo levantamento no perfil do presidente, apareceu em apenas 1,4% das postagens.

Os dados são do Laboratório de Governo Eletrônico da Universidade de Brasília (UnB), em um projeto coordenado pelo professor Francisco Brandão. Ao todo, foram 68 twittes, de um total de 1.378 publicações, que trataram sobre corrupção entre julho e dezembro de 2018, o que representou 4,9%. Já nos seis primeiros meses de governo, o número de postagens com termos ligados ao tema caiu para 20 dentre 1.388. Proporcionalmente, três vezes menos. O índice do início de 2019 é o menor dos últimos seis semestres.

Os dados mostram também uma inversão dos temas prioritários do presidente. No segundo semestre de 2018, corrupção e Lava Jato receberam mais menções do que assuntos ligados a economia, emprego, religião, educação e PT. Esses temas, na primeira metade deste ano, receberam mais destaque que corrupção – sobretudo por causa da reforma da Previdência.

Dos temas que privilegiava na campanha, Bolsonaro segue enfatizando segurança pública e armamento da população. Um dos motivos é a edição de decretos que facilitam a posse e o porte de armas, bem como a apresentação do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro, ao Congresso.

“Ele tem falado menos sobre corrupção e dado preferência a temas que causam mais atenção na sociedade ou que polarizem. Como presidente, é preciso falar de mais assuntos. Percebe-se uma troca da pauta da corrupção pela pauta da segurança, além da economia”, disse o professor Francisco Brandão. 

Procurado, o Palácio do Planalto admitiu que o tema corrupção perdeu espaço, mas argumentou que é inerente à função de presidente tratar de mais assuntos. “Enquanto presidente da República, a variedade de assuntos abordados passou a ter uma abrangência maior, por isso olhando percentualmente nota-se essa diferença. Não houve, entretanto, a exclusão de temas relevantes para o País”, afirmou o Planalto em nota.

No passado, o receio de que decisões do Supremo Tribunal Federal pudessem atrapalhar o combate à corrupção levou Bolsonaro às redes sociais. Em maio de 2017, por exemplo, ele postou um vídeo no qual dizia que a Corte poderia dar um xeque-mate na Lava Jato se passasse a proibir a prisão de condenados em segunda instância. 

Flávio Bolsonaro é investigado pelo MP do Rio

Agora no poder e com um dos filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), sob investigação do Ministério Público do Rio, o presidente nada postou sobre a recente decisão do presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, que paralisou investigações em todo o País. A suspensão atendeu a um pedido feito pela defesa de Flávio. Nesta sexta, o presidente defendeu a medida de Toffoli.

Procuradores que integram a Lava Jato, porém, mais uma vez viram na decisão de Toffoli uma ameaça às investigações. Em nota conjunta, as forças-tarefa de Rio, São Paulo e Curitiba relataram “grande preocupação”.

Aliado de Bolsonaro, o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), disse que comentar a decisão de Toffoli seria delicado para o presidente. “É porque dói no calo dele. Ele está entre o amor e o direito”, afirmou. 

Embora Waldir se diga pessoalmente contrário à decisão de Toffoli, ele disse que não é só o presidente que evitou falar sobre o assunto. O tema, segundo ele, nem sequer foi discutido nos grupos de WhatsApp dos parlamentares do PSL, em sua maioria eleitos sob a bandeira do combate à corrupção.

Vinicius Rodrigues, suplente Eduardo Bolsonaro

A foto de capa do Facebook do médico Vinicius Rodrigues é uma bandeira do Brasil ao lado de um cartaz com a seguinte frase: ‘PT Não”. Em seu perfil, também há uma foto dele ao lado de Jair Bolsonaro e uma postagem em que defende a nomeação do filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, para a embaixada Washington, nos Estados Unidos. “Eduardo é a cara do Novo Brasil: preparado, família, conservador, jovem e pronto para crescer”, escreveu ele.

Rodrigues é o primeiro suplente do PSL de São Paulo para Câmara dos Deputados. Ou seja: se Eduardo renunciar ao cargo para assumir o posto no EUA, é Rodrigues quem assumirá o mandato de deputado federal, apesar de ter obtido 71,5 vezes menos votos que o atual titular da cadeira.

Eduardo foi eleito com a maior votação da história para um deputado federal (1.853.735 votos). Rodrigues, estreante da política, recebeu 25.908 votos – ou 1,4% do titular. Ele não se abala com a diferença. “Se for chamado, vou trabalhar para contribuir com essa mudança que o Brasil está vivendo”, afirmou ao Estado.

Morador de Sorocaba, casado e católico, o médico defende a nomeação de Eduardo e atribuiu às criticas que indicação recebeu à uma campanha da esquerda contra o governo Bolsonaro. “O Eduardo é advogado, não é formado pelo Instituto Rio Branco, mas ele vai ser embaixador e não diplomata. Tentam inferiorizar a experiência dele, por ter dito que fritou hambúrguer. Isso é um demérito? Alguém, por fritar hambúrguer, se torna pior do que um embaixador?”, disse.

Radiologista, Rodrigues trabalha em três hospitais de Sorocaba, entre eles o Regional, hospital público mantido pelo Estado. São 16 horas por dia, segundo ele. “Começo às 6 da manhã e quase sempre vou até 10 da noite.” Ele afirma que sempre foi muito politizado, mas só depois de formado passou a acompanhar a política. “Na faculdade, fui só representante de classe. Nunca me envolvi com o movimento estudantil porque era, e ainda é, essencialmente um movimento de esquerda.” Em 2013, passou a se reunir com grupos de direita que depois integrariam o Partido Novo. “Ficamos por um breve período, mas logo nos desfiliamos para entrar no PSL.” 

Nascido em Sorocaba, em 3 de setembro de 1988, ele deixou a cidade aos 18 anos para cursar a Faculdade de Medicina de Marília (Famema), universidade pública estadual. Retornou à sua terra em 2016, com a residência concluída. No ano passado, casou-se com Luciana Sattin, com quem mora no condomínio Vila dos Ingleses, residencial de alto padrão, na zona oeste da cidade. O casal não tem filhos. “Moramos juntos desde 2016”, confidenciou.

Ele reconhece que se tornou suplente de deputado beneficiado pela onda do bolsonarismo. Sem participar da vida pública da cidade, obteve cerca de 16 mil votos em Sorocaba – mais que muitos políticos locais de renome – e 4 mil em Votorantim, cidade vizinha. Rodrigues afirma que bancou do próprio bolso a maior parte dos quase R$ 130 mil gastos na campanha. Continue reading

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No primeiro semestre deste ano, o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) viabilizou R$ 13,4 bilhões em operações de crédito para empreendedores e produtores do semiárido. O recurso é gerido pelo Ministério do Desenvolvimento Regional e a operacionalização do FNE é realizada pelo Banco do Nordeste (BNB). Nesta sexta-feira (19), em Fortaleza (CE), o ministro Gustavo Canuto destacou a importância da parceria com a instituição, que atua para aplicar os investimentos de forma eficiente. Os financiamentos já asseguraram cerca de 590 mil empregos na região neste semestre. Até o final do ano, mais R$ 14 bilhões poderão ser injetados na economia dos nove estados nordestinos e no norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

“A região Nordeste tem o privilégio de contar com este órgão, que tanto contribuiu para o desenvolvimento da região ao longo desses 67 anos. Não é à toa que o BNB é reconhecido como um dos maiores órgãos da América Latina em atuação na área de desenvolvimento regional. Por meio do FNE, tem operado com excelência e atingido resultados satisfatórios ao longo dos anos. E tenho certeza que 2019 não será diferente, como provam os números alcançados até aqui”, afirmou o ministro, durante abertura do XXV Fórum do Banco do Nordeste.

Avanços Econômicos

Os R$ 13,4 bilhões já contratados por meio de 250 mil operações financeiras representam um crescimento de 9% na comparação com o primeiro semestre do ano anterior, quando o volume alcançou R$ 12,3 bilhões. Ao todo, o FNE programou R$ 27,7 bilhões para este ano.

Do total já contratado, R$ 5,77 bilhões foram destinados a empreendimentos na área de infraestrutura em nove dos 11 estados que compõem a área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) – apenas Alagoas e Maranhão não captaram recursos para este tipo de projeto. Cerca de 70% desse valor foi destinado a plantas de geração de energia elétrica por fontes renováveis.

Outro aspecto positivo foi o aumento da quantidade de recursos disponibilizada para microrregiões consideradas prioritárias no semiárido. Os financiamentos destinados a projetos nos municípios com menor renda alcançaram R$ 10,7 bilhões, o equivalente a 80% do total do FNE. A programação inicial do Fundo estipulava esse valor em 70%.

Segundo o ministro Gustavo Canuto, esse movimento impacta na geração de oportunidades e de empregos para áreas menos desenvolvidas. “Essas operações de crédito levam desenvolvimento para regiões com menos oportunidades e os investimentos retornam à população na forma de postos de trabalho para o País. Mudar a realidade atual do Brasil com responsabilidade é um dos compromissos do presidente Jair Bolsonaro”, disse.

“O Nordeste é uma região extremamente rica e nosso objetivo é explorar as potencialidades locais para que a geração de riqueza permaneça aqui, criando atrativos para a sociedade. Assim, as famílias não precisarão migrar para outras cidades em busca de melhores serviços ou melhores condições de vida”, acrescentou.

Política Regional

Um dos alicerces para o crescimento econômico e social da região é o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE). O documento foi aprovado pelo Conselho Deliberativo (Condel) da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) em maio.

O Plano tem como aposta estratégica o fortalecimento das redes de cidades intermediárias. Foram identificados 41 municípios nos 11 estados da área de abrangência da Sudene – os nove do Nordeste, mais Espírito Santo e Minas Gerais. A ideia é investir nas cidades polo identificadas para que as áreas de influência possam crescer economicamente. A população desses centros urbanos abrange mais de 6,7 milhões de habitantes.

O documento está alinhado à nova Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), que tem por objetivo fortalecer a capacidade produtiva em áreas menos desenvolvidas do País – especialmente as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Para tanto, serão feitos esforços para estimular a diversificação econômica, os ganhos de competitividade e o aumento da eficiência nos investimentos públicos.

Os nove governadores do Nordeste assinaram, na noite desta sexta-feira (19), uma carta em que repudiam uma declaração do presidente Jair Bolsonaro que dá a entender que irá retaliar o estado do Maranhão, governado por Flávio Dino (PCdoB).

O áudio vazado não é claro, mas, em café da manhã com jornalistas da imprensa internacional, Bolsonaro parece dizer ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que Flávio Dino é “o pior”. Sem perceber que seu microfone já estava ligado, o presidente dá um ultimato a Lorenzoni: “Tem que ter nada com esse cara”.

Flávio Dino postou o vídeo e criticou o presidente da República, que teria usado a expressão ‘governadores de Paraíba’ antes de citar o governador do Maranhão.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), divulgou a íntegra do documento em seu perfil no Twitter. “Nós governadores do #Nordeste recebemos com espanto e profunda indignação a declaração do presidente da República transmitindo orientações de retaliação a governos estaduais. Aguardamos esclarecimentos e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia”, diz o tuíte.

Na carta, os governadores dizem que buscam “manter produtiva relação institucional com o governo federal” e ressaltam que “o princípio federativo exige que os governos mantenham diálogo e convergências, a fim de que metas administrativas sejam concretizadas visando sempre melhorar a vida da população”.

Além de Flávio Dino e Rui Costa, assinam o documento os governadores Renan Filho (MDB-AL), Camilo Santana (PT-CE), João Azevêdo (PSB-PB), Paulo Câmara (PSB-PE), Wellington Dias (PT-PI), Fátima Bezerra (PT-RN) e Belivaldo Chagas (PSD-SE).

Leia abaixo a íntegra da carta:

9 de Julho de 2019

Nós governadores do Nordeste, em respeito à Constituição e à democracia, sempre buscamos manter produtiva relação institucional com o Governo Federal. Independentemente de normais diferenças políticas, o princípio federativo exige que os governos mantenham diálogo e convergências, a fim de que metas administrativas sejam concretizadas visando sempre melhorar a vida da população.

Recebemos com espanto e profunda indignação a declaração do presidente da República transmitindo orientações de retaliação a governos estaduais, durante encontro com a imprensa internacional. Aguardamos esclarecimentos por parte da presidência da República e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia.

RENAN FILHO – Governador do Estado de Alagoas

RUI COSTA – Governador do Estado da Bahia

CAMILO SANTANA – Governador do Estado do Ceará

FLÁVIO DINO – Governador do Estado do Maranhão

JOÃO AZEVÊDO – Governador do Estado da Paraíba

PAULO CÂMARA – Governador do Estado de Pernambuco

WELLINGTON DIAS – Governador do Estado do Piauí

FÁTIMA BEZERRA – Governadora do Rio Grande do Norte.

Frota: nojo dos

Por Guilherme Amado/Época

Seis meses depois de assumir um gabinete na Câmara, Alexandre Frota está desiludido. O deputado do PSL, partido de Jair Bolsonaro, afirmou que sente “nojo” do bolsonarismo “xiita”, disse não ver qualquer articulação política do governo e defende João Doria no Palácio do Planalto em 2023: “Doria-ACM vai ser uma grande chapa presidencial”.

Em entrevista à coluna, Frota contou como foram seus dias como “bombeiro” entre os temperamentais Rodrigo Maia e Paulo Guedes, durante a reforma da Previdência, e interrompeu a conversa para mostrar um áudio enviado naquele momento por Guedes revelando que uma sugestão de Frota mudou a propaganda da reforma.

Leia a entrevista:

Há três meses, o senhor dizia que precisava de provas do rombo da Previdência antes de apoiar a reforma. Na semana passada o senhor estava distribuindo bandeirinhas no plenário a favor da proposta. O que mudou?

O que mudou é que, depois de tantas conversas com o Paulo Guedes e palestras com a equipe econômica, passei a apoiar a Previdência. Sobre as bandeirinhas, foi uma estratégia de marketing, já que a esquerda tinha camisas e faixas vermelhas. Pedi para um assessor comprar as bandeiras na 25 de Março. A esquerda ficou boquiaberta. Foi um show.

O centrão é mocinho ou vilão?

Eu não uso “centrão”. Eu os chamo de moderados. Não são nem mocinhos nem vilões. São equilibrados e buscam um entendimento que faça com que as pautas andem em prol da sociedade.

O presidente da comissão especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos, disse que, se dependesse do governo, a reforma da Previdência teria andado muito pouco. O senhor concorda?

Ele tem total razão. A Câmara fez o que o governo deveria ter feito. Não existe uma base montada pelo governo. Essa base foi montada pelos moderados, por nós que trabalhamos incansavelmente. O governo maltratou a Câmara.

Como é a articulação política do governo Bolsonaro?

A articulação com a Câmara não existe. Merecíamos um tratamento diferenciado. O governo se empenha muito pouco.

Que pessoas mais te decepcionaram?

Eu aprendi muito cedo na Câmara que você não tem muito tempo para se decepcionar com as pessoas. Mas quem mais me decepcionou, com toda a certeza, foi o Bolsonaro.

Que conselho o senhor daria a Jair Bolsonaro?

Bolsonaro precisa olhar um pouco para trás, para as coisas que ele prometeu. Quero que ele termine o mandato e acerte. Mais do que tudo, o Brasil precisa andar. Não estou mais preocupado com o que o Bolsonaro vai fazer ou não. Só não quero que ele erre.

O senhor atribui a aprovação da reforma a Rodrigo Maia?

Não posso ser leviano e esquecer do Paulo Guedes. Mas com certeza o Rodrigo Maia construiu tudo isso com muita sabedoria e calma, passando por cima de muitas críticas.

Como o senhor construiu uma relação com Paulo Guedes? Continue reading

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio Foto: Jorge William / Agência O Globo

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio — assim como fez o ministro da Justiça, Sergio Moro — vai se afastar do cargo por uma semana para “tratar de assuntos particulares”. Suspeito de participar de um esquema de candidaturas laranja dentro do PSL, partido dele e do presidente Jair Bolsonaro, Álvaro Antônio ficará fora do ministério até a próxima sexta-feira (26).

De acordo com nota divulgada pelo ministério, Álvaro Antônio retorna ao posto no dia 29 deste mês, antes da data marcada para prestar esclarecimentos sobre as suspeitas de envolvimento nos escândalos dos laranjas do PSL em uma das comissões do Senado, no dia 6 de agosto.

A audiência vai acontecer na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor. Álvaro Antônio se antecipou a uma possível aprovação de um requerimento de convocação.

Além de Mateus Von Rondon, o assessor do ministro, foram presos no fim de junho Roberto Silva Soares, um dos coordenadores da campanha de Álvaro Antônio a deputado federal, e Haissander Souza de Paula, ex-assessor do ministro na Câmara dos Deputados. Os três já foram soltos.

Os investigadores suspeitam que Álvaro Antônio tenha liderado, em Minas Gerais, um esquema em que mulheres apresentariam candidaturas-laranja pelo PSL com o objetivo de cumprir a cota mínima de candidatas femininas, mas sem concorrer efetivamente. Os recursos públicos para a campanha seriam desviados por meio de gastos com gráficas e outras empresas ligadas ao ministro.

O presidente Jair Bolsonaro referiu-se, nesta sexta-feira (19), ao Nordeste como “Paraíba” – forma pejorativa pela qual a região é chamada– e criticou o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B).

“Daqueles governadores de Paraíba, o pior é o do Maranhão. Tem que ter nada com esse cara”, disse ao ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil). A conversa entre os dois foi pouco antes do início do café da manhã do presidente com jornalistas, nesta sexta.

A declaração de Bolsonaro foi registrada pela TV Brasil, que cobria o evento. Como de costume, os jornalistas convidados não podiam gravar o café da manhã.

Citado na conversa, o governador do Maranhão, Flávio Dino, disse em sua conta no Twitter que “independentemente de suas opiniões pessoais, o presidente da República não pode determinar perseguição contra um ente da Federação”.

“Seja o Maranhão ou a Paraíba ou qualquer outro Estado. ‘Não tem que ter nada para esse cara’ é uma orientação administrativa gravemente ilegal”, afirmou.

Dino ainda disse que continuará “a dialogar respeitosamente com as autoridades do Governo Federal” e afirmou esperar explicações do presidente.

Outro a se manifestar foi o governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB). Também em sua conta no Twitter, disse condenar “toda e qualquer postura que venha ferir os princípios básicos da unidade federativa e as relações institucionais deles decorrentes”.

Procurado, o Palácio do Planalto disse que não comentará o assunto.

Seis dos dez deputados com maiores gastos com cota parlamentar em 2019: Cássio Andrade, Fernando Rodolfo, Silas Câmara, Vaidon Oliveira, Cleber Verde e Vander Loubet Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados e assessoria de imprensa

ÉPOCA

O deputado Cássio Andrade, do PSB do Pará, foi o deputado que mais gastou com cota parlamentar neste ano. Foram R$ 239.541,97, até agora.

O PL é o partido com mais nomes na lista dos dez deputados mais gastões deste mandato: três.

Depois vem o PRB, com dois lugares.

Dos dez da lista, cinco são da Região Norte. Apesar do direito a um valor maior — por causa das passagens aéreas mais caras —, todos os cinco tiveram seus maiores custos com a divulgação de suas atividades.

No total, deputados de todos os partidos gastaram por enquanto R$ 68,1 milhões com a cota.

O valor pode ser ainda maior.

Os parlamentares têm até 90 dias para registrar suas despesas.

O servidor público que trabalha em uma empresa pública será demitido depois que se aposentar por tempo de contribuição. Essa é uma das novas regras que consta no texto da reforma da Previdência aprovada em 1º turno pela Câmara dos Deputados. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (19) pelo jornal Valor Econômico.

Hoje, o servidor se aposenta e continua na empresa, assim como funcionários da iniciativa privada. Ou seja, a aposentadoria não resulta, necessariamente, no rompimento do vínculo empregatício.

O objetivo da mudança seria evitar aposentadorias precoces e a transformação do benefício em um complemento da renda mensal.

Caso o servidor seja demitido, ele terá direito a receber a multa do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Por causa dos altos valores dos encargos trabalhistas, normalmente as empresas não demitem o empregado depois da aposentadoria e ele continua trabalhando normalmente.

De acordo com o artigo 6º do projeto aprovado pela Câmara, a medida não atingirá aqueles que estão aposentados e continuam trabalhando nas empresas. A mudança só passará a valer para as pessoas que se aposentarem depois da promulgação da reforma.

O texto da reforma da Previdência ainda precisa ser aprovado em 2º turno pelos deputados. Está previsto para ser realizado em agosto. Depois, passará pelo Senado.

A mudança sobre demissões pós-aposentadoria foi acrescentada pelo relator da reforma na Câmara, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). O texto original enviado pelo governo ao Congresso não cogitava essa possibilidade. Entenda o que mudou na reforma da Previdência depois de votação em 1º turno.

Júlio Gomes/LeiaJáImagens/Arquivo

É certo que falta mais de um ano para as eleições municipais de 2020, mas os partidos já começam a dar sinais de movimentações em prol das disputas nas 185 cidades pernambucanas. Ainda que seja apenas nos bastidores e o discurso oficial expresse máxima conhecida: “2020 só em 2020”, diversas legendas começaram a colocar em prática um plano para angariar mais filiados e encorpar o quadro interno visando futuras candidaturas e eventuais alianças políticas.

Presidente do MDB em Pernambuco, o deputado Raul Henry detalhou que a estratégia de novas filiações para a corrida municipal deu certo no último pleito municipal e fez com que o partido crescesse no Estado. Agora, eles pretendem repetir a medida para preparar o MDB para em 2020 ter um grande número de postulantes.

“Primeiro a gente vai ter uma estratégia para o próximo ano que é lançar candidatos a prefeitos no maior número possível de municípios, foi assim que a gente fez em 2016 e deu certo. Tivemos muitos candidatos que nunca tinham disputado eleições, entraram no partido, e pela representatividade que tinham nas cidades se elegeram prefeitos”, afirmou. 

O PSDB é outro partido que vem se articulando. De acordo com a presidente da legenda em Pernambuco, a deputada estadual Alessandra Vieira, os tucanos pretendem “apresentar à sociedade um número recorde de candidaturas investindo também em renovação, novos quadros para o partido”.

“Vamos apoiar prioritariamente os prefeitos que decidirem concorrer à reeleição e também apoiar novos nomes para ampliar a presença do partido em todas as regiões do Estado, sem esquecer do fortalecimento da participação feminina na disputa municipal”, detalhou Alessandra.

O fortalecimento interno do partido também é um discurso que vem sendo utilizado constantemente pelo presidente estadual do PSB, Sileno Guedes. Segundo ele, a discussão efetiva sobre a disputa se dará apenas no próximo ano. “O PSB é um partido que tem uma presença no Estado como um todo e esse ano é um ano de planejamento. A gente está sim falando de eleição, mas como forma de fortalecer o partido para o ano que vem”, frisou.

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As candidaturas

Em Pernambuco, a ‘menina dos olhos’ de diversas siglas é a capital Recife, mas não só ela, outras cidades estratégicas como Jaboatão dos Guararapes, Caruaru, Olinda e Petrolina são vistas como prioridades pelas siglas, mas pouco se fala sobre as postulações. 

No Recife, em dezembro de 2020, o PSB completará oito anos à frente da prefeitura e, apesar de não assumir oficialmente, eventuais sucessores do prefeito Geraldo Julio (PSB) atuam para viabilizar suas candidaturas. Até o momento, o principal prefeiturável pessebista é o deputado federal João Campos, filho do ex-governador Eduardo Campos, que já se tornou, inclusive, alvo da oposição. 

Sobre a eventual postulação, João Campos desconversa sempre que questionado e ressalta que este ano vai dar conta do seu mandato federal. “Próximo ano também. O debate eleitoral o PSB faz em ano de eleição. Esse ano é de trabalho. E no debate eleitoral não vou pensar em mim”.

Atual aliado do PSB no Recife, o MDB também pode concorrer ao comando da capital. Há rumores de que Raul Henry dispute o cargo, mas sobre isso ele disse que vai fazer o debate na “hora oportuna”. “Se o meu nome for convocado para uma missão em nome de um conjunto amplo de forças políticas, não descarto essa possibilidade. Mas o momento de discutir isso não é esse. O Brasil está vivendo um momento de muita dinâmica, não sabemos o que vai acontecer no dia seguinte. É até uma falta de respeito com a sociedade estarmos discutindo candidaturas em uma hora como essa”, ponderou.

Dentro do MDB, inclusive, há quem torça pela quebra da aliança com o PSB, como o senador Fernando Bezerra Coelho, mas ele argumenta que “quem vai definir a política de alianças e onde terá ou não candidatos é a Executiva e o deputado Raul Henry conduzirá esses trabalhos”. 

Também da lista de aliados, o PDT é outro que tem ventilado um nome para a disputa. O presidente nacional, Carlos Lupi, já declarou o desejo de que o deputado federal Túlio Gadelha postule o cargo. No Estado, Túlio descarta a candidatura, e, apesar de considerar Recife prioridade, o presidente local da sigla, deputado Wolney Queiroz, diz que está cedo para debater sobre o assunto.

Ainda no campo das alianças oficiais do PSB, o PT deve avaliar a participação na corrida municipal. Em balanço feito em junho pelo Grupo de Trabalho Eleitoral do partido, apontou a deputada federal Marília Arraes como alguém com grandes chances de vencer o pleito e fazer com que a legenda retomasse o protagonismo no Executivo da capital, que administrou por 12 anos com os ex-prefeitos João Paulo e João da Costa. Marília já chegou a dizer que está disponível para concorrer. 

Nejmi Aziz é esposa de Omar Aziz — Foto: Divulgação

G1

Nejmi Aziz (foto), esposa do senador e ex-governador do Amazonas Omar Aziz, foi presa pela Polícia Federal nesta sexta-feira (19). Ela é um dos alvos da operação Vertex, que investiga a prática de crimes de corrupção passiva, lavagem de capitais e organização criminosa.  Foram oito pessoas presas em Manaus, entre elas, além de Nejmi, três irmãos de Omar. Um nono alvo, não identificado, foi preso em Brasília.

Nejmi é vice-presidente estadual do PSD-AM e nas últimas eleições concorreu ao cargo de deputada estadual, mas não foi eleita. Seu marido, Omar Aziz, foi governador do Amazonas entre os anos de 2010 e 2014. Desde 2014 ele ocupa vaga no senado. Em 2018 Omar tentou a reeleição ao governo, mas terminou em quarto lugar.

Os três irmãos de Omar Aziz, presos ao longo da manhã desta sexta, são: Murad, Amim e Mansour Aziz. Além dos oito presos em Manaus, a operação cumpriu um 9º mandado de prisão em Brasília.

A Polícia Federal, em pronunciamento durante coletiva de imprensa em Manaus, afirmou que não comentará sobre os alvos das investigações, que segue em andamento.

“A investigação não se encerrou. A partir desse momento, os investigados e testemunhas passam a ser ouvidas e apresentarão suas versões. Versões, essas, que podem alterar as hipóteses criminais. Não trabalhamos com pré-julgamentos. E é um padrão nosso, da Polícia Federal, de não tratar o nome de alvos”, afirmou o delegado da PF, Alexandre Teixeira.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa de Omar Aziz informou que o senador está reunido com advogados em casa. Após esse encontro, a assessoria do político vai se posicionar sobre o caso. A reportagem não conseguiu contato com a defesa da ex-primeira-dama.

Logo no início da manhã desta sexta-feira a PF cumpriu um mandado de busca a apreensão na casa do senador Omar Aziz. Horas depois, Nejmi foi levada à sede da Polícia Federal em Manaus.

Ao todo foram cumpridos nove mandados de prisão temporária (oito em Manaus e um em Brasília), 15 mandados de busca e apreensão, 18 mandados de bloqueios de contas de pessoas físicas e jurídicas (de aproximadamente 92,5 milhões de reais), e sete mandados de sequestro de bens móveis e imóveis.

Segundo a PF, entre as vantagens indevidas de que se tem suspeita, teria acontecido entregas de dinheiro em espécie ou por meio em negócios simulados ou superfaturados, a fim de ocultar a entrega de dinheiro dissimulado por meio de contratos de aluguel e de compra e venda.

Desdobramento da Maus Caminhos

A investigação da operação Vertex está diretamente relacionada com as outras fases da Maus Caminhos, que são: ‘Custo Político’, ‘Estado de Emergência’ e a operação ‘Cashback’.

Na operação Custo político se apurou a prática de crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de capitais e pertinência a organização criminosa. Todos praticados por cinco ex-secretários de estado, bem como diversos servidores públicos e o núcleo da organização criminosa desbaratada na primeira fase da operação.

Na operação ‘Estado de Emergência’ completava-se o núcleo político do poder executivo estadual, tendo alcançado o ex-governador, José Melo, que chegou a ser preso.

A operação Cashback investiu nas investigações do envolvimento de outras empresas em conluio, com a suspeita de que foram efetuados pagamentos embasados em notas fiscais falsas, sem a correspondente prestação de serviço, além de pagamentos por serviços superfaturados.

O horário de verão tem sido aplicado no País, sem interrupção, ao longo dos últimos 35 anos / Foto: EVARISTO SA / AFP

Em live realizada todas as quintas-feiras em suas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) deu a entender que o retorno do horário de verão não é uma medida descartada por seu governo. A possibilidade foi ventilada por Bolsonaro antes de anunciar a inauguração de uma usina fotovoltaica flutuante em cima das águas do lago de Sobradinho (PE). 

“A minha caneta Bic está à disposição de vocês, qualquer decreto pode ser modificado. A gente entra em contato com a assessoria de assuntos jurídicos e estuda. Se for o caso, a gente altera o decreto para atender o bem-estar da população, sem extrapolar os limites da lei”, disse Bolsonaro.

No final de abril, o presidente assinou um decreto que acabava com a medida adotada em alguns estados do país. 

Na época, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que a decisão não levava em conta apenas dados econômicos, mas outros fatores como sobrecarga e picos de consumo, por exemplo. 

Horário de verão

O horário de verão foi criado no ano de 1931 com o objetivo de economizar energia, a partir do aproveitamento de luz solar no período mais quente do ano. A ação tem sido aplicada no País, sem interrupção, ao longo dos últimos 35 anos.

Em geral, o horário de verão ocorria entre os meses de outubro e fevereiro, quando os relógios eram adiantados em uma hora, e vigorava nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.

O Ministério da Agricultura nomeou mais dois novos superintendentes regionais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), desta vez para os Estados do Pará e do Paraná. Para a unidade do Pará, foi nomeado Neil Duarte de Souza. Já no Paraná, o governo designou Walter Nerival Pozzobom para o posto. Na quinta-feira, a pasta já havia nomeado titulares para a Paraíba e para o município de Santarém (PA).

No Ministério da Saúde, também houve nomeações para a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) nos Estados do Pará e de Rondônia. Célio Lopes de Araújo Junior será o superintendente estadual em Rondônia e Mauro Rodrigues Bastos, no Pará. 

As nomeações estão publicadas no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (19) que também traz a exoneração de Cláudio André Neves do cargo de superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), vinculado ao Ministério da Infraestrutura.

Adélio Bispo deixa prisão em Juiz de Fora.

Por Beatriz Jucá/El País

Era plena campanha de uma das eleições mais polarizadas do Brasil. Há pouco mais de dez meses, o presidente Jair Bolsonaro caminhava pelas ruas da cidade mineira de Juiz de Fora, acompanhado por centenas de apoiadores aos gritos de “mito!”, quando sofreu um ataque que quase lhe custou a vida. Adélio Bispo de Oliveira cravou uma faca no abdômen do então candidato, segundo ele mesmo justificou as autoridades policiais, por motivos políticos e religiosos. Acreditava que Bolsonaro fazia parte de uma conspiração maçônica que incluía “o extermínio dos militantes dos partidos de esquerda e minorias” e que ele havia sido escolhido por Deus para salvar o país, conforme consta em documentos anexados ao processo. Laudos médicos particulares e judiciais apontam que o responsável pelo crime tinha problemas psicológicos, uma versão que o presidente nunca comprou. “Sabe por que a jogadinha de ser maluco? É que daqui para frente, se ele resolver fazer delação premiada, não vale mais porque ele é maluco”, disse em ao vivo, no Facebook.

Desde o ataque, Bolsonaro passou a defender veementemente a tese de que Adélio seria apenas um instrumento de uma suposta tentativa de assassinato planejada por opositores políticos. Chegou a se irritar com as investigações sobre o crime — praticado durante um ato de campanha e, por isso, amplamente documentado em vídeos e fotografias — e até acusou a Polícia Federal de tentar “abafar o caso”. “Parece que a PF age em parte como uma defesa do criminoso. Não quero que inventem o responsável, mas quero que apurem o caso”, afirmou em uma entrevista semanas depois do atentado. Em fevereiro, a PF apontou que Adélio teria agido só. Meses depois, Bolsonaro mandou reforçar as investigações.

No último mês de junho, a Justiça considerou Adélio inimputável por apresentar problemas psicológicos. Bolsonaro não gostou da decisão. Indignado, prometeu que iria “até as últimas consequências” para que o grave ataque contra ele não ficasse impune. Também chegou a dizer que seria importante evitar que o caso transitasse em julgado para que Adélio tivesse a “oportunidade de falar” quem encomendou sua morte. Nesta semana, porém, a 3ª Vara Federal de Juiz de Fora encerrou o caso porque não recebeu recursos nem do Ministério Público Federal (MPF) nem dos advogados do presidente, que atuavam como assistentes de acusação.

Apesar de ter feito duras críticas às investigações e de ter endossado uma narrativa de conspiração em torno do caso ao longo dos últimos meses, Bolsonaro decidiu silenciar sobre o fim do processo e não explicar por que não recorreu, mesmo tendo criticado o reconhecimento da insanidade mental de seu agressor pela Justiça. No Twitter, onde o presidente costuma ser bastante atuante, a última manifestação sobre o caso aconteceu no dia 11 de junho. Bolsonaro postou um vídeo em que o advogado de Adélio, Zanone Manuel de Oliveira Júnior, se recusa a revelar quem o contratou. Continue reading

Presidente Jair Bolsonaro durante audiência com o ministro da Saúde (Luiz Henrique Mandetta) e representantes do Conselho Federal de Medicina (CFM), em abril Foto: Marcos Corrêa / Agência O Globo

O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Mauro Luiz Britto Ribeiro, afirma que a proposta do governo de acabar com a obrigatoriedade de filiação de médicos, advogados e outros profissionais liberais a conselhos das próprias categorias poderá levar o CFM, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras entidades similares à asfixia financeira.

A proposta de emenda constitucional 108, enviada pelo governo ao Congresso na semana passada, prevê o fim da obrigatoriedade de inscrição em conselhos profissionais.

Para Ribeiro, sem a exigência de filiação, profissionais deixarão de se vincular aos conselhos e, por tabela, também deixarão de pagar as respectivas anuidades:

— Se desobrigarem médicos, advogados e outros de se inscreverem nos conselhos vão acabar com o CFM e com a OAB, entre outros.

Pelas regras em vigor, médicos, advogados e outros profissionais são obrigados a obter registro nos conselhos das próprias categorias. O registro funciona como licença para o exercício da profissão. Serve também como fonte de renda regular para os conselhos, que funcionam sem financiamento público.

A proposta do governo prevê o fim da obrigatoriedade da inscrição, mas estabelece, de forma genérica, exceções “em que a ausência de regulação caracterize risco de dano concreto à vida, à saúde, à segurança ou à ordem social”. O CFM entende que, com base neste trecho da emenda, estaria fora do alcance de parte das mudanças sugeridas.

Mesmo assim, Ribeiro disse que a entidade atuará contra a aprovação da chamada PEC 108. O conselho está preocupado também com a mudança na situação jurídica dos conselhos. Pela proposta, os conselhos deixam de ser entidades privadas de direito público.