Saúde

A investigação desse tipo de doença exantemática (manchas vermelhas na pele) leva em consideração a hipótese de que possa ser uma forma atípica de zika, transmitida pelo Aedes aegypti / Foto: Pixabay

Após dezenas de relatos de médicos das emergências de hospitais públicos e particulares de Pernambuco, especialmente do Recife, sobre casos de pacientes com doença exantemática ou rash (manchas vermelhas em uma região específica do corpo ou por toda a pele), a Secretaria Estadual de Saúde (SES) realizou reunião com um grupo de profissionais para iniciar a investigação do quadro, que não apresenta causa definida e tem acometido as crianças com maior frequência. O plano de ação inclui o monitoramento dos registros desses casos de rash, que pode ter relação com diversos agentes. “Entre as hipóteses, há aquelas que mais prevalecem e outras nem tanto. As suspeitas que predominam são o zika, os parvovírus e os enterovírus, mas outras possibilidades de diagnóstico também são consideradas, em mesma intensidade, na investigação”, avisa o diretor-geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES, George Dimech.

A discussão entre os especialistas organizada pela secretaria ocorreu na quarta-feira (07). Ontem foi divulgada, pela SES, uma nota técnica (documento que estabelece diretrizes, alerta e orienta os serviços assistenciais de saúde sobre ocorrência de eventos específicos) que propõe a realização de uma investigação epidemiológica padronizada. “A nota é importante porque norteará o que é possível ser feito para investigar os casos e esclarecerá sobre a realização de exames que darão o diagnóstico. Tudo indica que é um quadro viral, mas ainda é inespecífico”, frisa a infectopediatra Regina Coeli Ramos, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), que tem acompanhado pacientes.

Doença autolimitada

Os casos, segundo os médicos, são autolimitados (melhoram espontaneamente após alguns dias). “Os sintomas nos levam a pensar se pode ser considerada uma forma atípica de zika, o que pode ocorrer em um possível novo surto seguinte ao primeiro (de 2015)”, diz o clínico-geral Carlos Brito, integrante do Comitê Técnico de Arboviroses do Ministério da Saúde. Para o médico, o fato desse tipo de rash ser mais evidente nas crianças é explicado (levando em consideração a hipótese de ser um caso atípico de zika) por um fenômeno que ocorre no Brasil: as epidemias iniciais de arboviroses acometem mais os adultos do que a população infantil. Ou seja, num cenário de novo surto, as crianças são as que estão mais susceptíveis porque não adoeceram anteriormente – ou seja, não têm imunidade. “Isso aconteceu com dengue: primeiramente adoeceram com mais frequência os adultos e, em anos seguintes, o grupo pediátrico, abaixo dos 12 anos. Não tem uma explicação muito lógica, mas é o que tem ocorrido quando analisamos epidemiologicamente o histórico das epidemias de dengue”, acrescenta Brito.

A investigação conduzida pela SES já estruturou uma vigilância em algumas unidades de saúde. “Todos os pacientes sintomáticos (com rash que se assemelha ao quadro em investigação) desses serviços deverão ser notificados. Eles também passarão por coleta de amostra (de sangue) para realização de exames laboratoriais”, destaca George Dimech. O perfil do paciente, a duração, a intensidade dos sintomas também serão considerados. “Vamos fazer um resgate dos casos que já foram percebidos pelos clínicos, estruturar uma vigilância para as notificações serem feitas (de forma sistematizada) e para as amostras de exames serem enviadas ao laboratório.” A SES reforça que não sabe quanto tempo deve durar a análise dos casos. “Ainda é cedo para prever a conclusão da investigação”, conclui George.

Leitores hospitares

O Brasil perdeu, nos últimos dez anos, seis leitos hospitalares por dia. São 23.088 vagas a menos, conforme estudo preparado pela Confederação Nacional dos Municípios e obtido pelo Jornal Estado de S.Paulo. E mostra o descompasso entre público e privado.

No Sistema Único de Saúde (SUS), foram fechadas 41.388 vagas, 12% do número apresentado em 2008. Já a rede particular apresentou tendência inversa e ampliou a capacidade em 18.300 leitos. 

A tendência de redução geral das vagas é explicada por especialistas, em parte, pela mudança no atendimento psiquiátrico. No passado, ele era centrado no ambiente hospitalar e, graças ao movimento antimanicomial, passou a ser feito prioritariamente nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). “Dos 41 mil leitos fechados na década, 21 mil eram psiquiátricos”, afirma a consultora da CMN Carla Albert. 

Ela observa, no entanto, que em grande parte das demais especialidades, a redução do atendimento hospitalar está longe de ser um bom sinal. “Muitas vezes, representa falta de recursos e, sobretudo, dificuldade de acesso da população a um atendimento indispensável.”

Na pediatria e obstetrícia, por exemplo, a oferta de leitos minguou de forma expressiva. No caso de vagas para atendimentos de crianças, a redução de leitos SUS no período entre 2008 e 2018 foi de 26%. Na obstetrícia, a redução na capacidade de atendimento hospitalar foi de 16,87%. “Em um momento em que o número de nascimento de bebês prematuros aumenta, é difícil explicar a redução de leitos”, afirma Clóvis Constantino, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Carla lembra que, embora as vagas em Hospital Dia tenham aumentado, elas ainda são pouco expressivas. Em 2018, havia 5.347, ante 4.213 registradas em 2008. “O receio é de que a desativação de leitos tenha ocorrido sem a devida organização da rede ambulatorial. Basta ver as filas que ainda existem para alguns procedimentos.”

Para a consultora da Confederação Nacional dos Municípios, parte da desativação dos leitos ocorre não por razões técnicas, mas econômicas. “E isso desorganiza o sistema. Basta ver as ações judiciais para garantir o atendimento.”

Além da Psiquiatria, Carla cita que a redução de vagas é justificada no caso da dermatologia e da endocrinologia. “Basta ver o atendimento para pessoas com hanseníase. Hoje, é feito exclusivamente em ambiente ambulatorial.” Carla questiona, porém, a estagnação das vagas em Cardiologia. Em dez anos, apenas 23 foram abertas.

Justificativas

O Ministério da Saúde informou que a tendência mundial é de desospitalização. “É importante ressaltar que a redução no número de leitos gerais não afetou a oferta assistencial e a produção aprovada nos sistemas de informação do SUS. A quantidade de internações aprovadas no sistema em 2008 foi de 11,1 milhões e em 2017, de 11,6 milhões.”

Queda

16.359 leitos foram fechados na Pediatria clínica, uma das especialidades mais afetadas.

Gabriel de Paiva

Um estudo inédito das universidades americanas Harvard e Yale, em parceria com o Centro de Direitos Reprodutivos de Nova York, revela que a busca por abortos no Nordeste subiu de 36% para 106%, desde o alerta da Zika como emergência de saúde pública, entre novembro de 2015 e março de 2016.

O estudo, que será publicado nesta quarta-feira (17), pela FGV, também mostra a dificuldade das mulheres em conseguir fazer o aborto legalizado. Em muitos dos casos, os médicos se recusaram a realizar a prática por convicção religiosa e também houve relatos de ameaças às mulheres que buscaram atendimento clandestino.

Os pesquisadores também consideram que é alta a possibilidade de haver outra epidemia de Zika no próximo verão, por causa do El Niño, que terá as mesmas características do da época que causou o alerta em 2016.

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O mais recente “mapa das arboviroses” em Pernambuco revela uma ascensão na incidência de dengue, chikungunya e zika nos nove primeiros anos de vida. Com quase 22 mil notificações das arboviroses ao longo de dez meses este ano, o Estado tem taxa de 196 registros (considerando a soma dos casos prováveis das três doenças) por 100 mil habitantes entre 0 e 4 anos. Na faixa etária seguinte, de 5 a 9 anos, esse índice chega a ser maior: 204,7. Os dados estão no boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES), que considera os dados até o último dia 6. Em meses anteriores, a curva de adoecimento já dava indícios de aumento na população infantil: no fim de maio, a incidência atingiu a taxa de 107,3 (0 a 4 anos) e 113 (5 a 9 anos). O índice subiu ainda mais em agosto, alcançando 177 para cada uma desses dois grupos. 

“Mais importante do que considerar o número total de casos de arboviroses é observar onde e em que faixa etária os registros têm sido mais expressivos. Atualmente chama a nossa atenção a incidência aumentada nas crianças até os nove anos”, destaca a gerente do Programa de Vigilância das Arboviroses da SES, Claudenice Pontes. Em números absolutos, o retrato atual (dados até o último dia 6) do adoecimento provocado possivelmente pelo Aedes aegypti é mais significativo em idade produtiva (dos 20 aos 39 anos), cuja incidência é menor do que na população infantil. Entre os adultos desse grupo etário, são 112 novos casos a cada 100 mil habitantes.

“A maior circulação dos vírus entre as crianças pode levar a um risco aumentado de casos graves nessa faixa etária. Como a dengue, por exemplo, já circula há muito tempo, existem várias pessoas imunes (aos sorotipos da doença). Mas há mais pessoas compondo a população (aquelas nascidas após as epidemias, por exemplo), que nunca foram expostas ao vírus e permanecem suscetíveis ao adoecimento”, esclarece a médica pediatra Cynthia Braga, pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública do Instituto Aggeu Magalhães, unidade da Fiocruz em Pernambuco. Ela é coordenadora do Inquérito de Arboviroses do Recife, pesquisa em andamento cujo objetivo é traçar um panorama inédito dos casos novos e antigos, em diferentes níveis socioeconômicos e faixas etárias, das três doenças transmitidas pelo Aedes.

Para Cynthia, apesar de os números oficiais mostrarem que existem uma cocirculação dos vírus das arboviroses no Recife, os pesquisadores ainda não sabem com precisão como está o status imunológico (especialmente em relação à zika) da população que vive na capital. Neste ano, até o dia 22 de setembro, o município notificou 2.308 casos de arboviroses (1.815 de dengue, 426 de chikungunya e 67 de zika). Entre esses casos suspeitos, foram confirmados 736 casos de dengue, 231 de chikungunya e 6 de zika. Os bairros que despontam com maior incidência (por 100 mil habitantes) são: Ilha do Leite (187), Bairro do Recife (159), Morro da Conceição (101) e Mangabeira (98).

PREVENÇÃO

A incidência geral das três arboviroses, na população pernambucana, é de 116 – menor do que a taxa usada como parâmetro pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para sinalizar uma situação de epidemia (ao menos 300 casos a cada 100 mil habitantes). “Não estamos num surto (das três doenças), mas precisamos cuidar antes dos casos atingirem essa proporção, especialmente pelo fato de assistirmos agora a um cenário de aumento dos casos fora do padrão esperado para este período, considerado mais tranquilo, se levarmos em consideração a série histórica (da dengue) dos últimos dez anos”, alerta Claudenice. 

Ela ressalta que a ascensão tem sido observada especialmente nos municípios do Sertão, onde foi detectado alto índice de infestação do Aedes. “Os municípios das Regionais de Saúde 7 e 10 (cujas sedes ficam, respectivamente, em Salgueiro e em Afogados da Ingazeira) são os que mais têm registrado aumento no número de casos, em comparação com o mesmo período do ano passado .” Até o último dia 6, por exemplo, a Regional 7 (Belém do São Francisco, Cedro, Mirandiba, Salgueiro, Serrita, Terra Nova, Verdejante) teve 321 notificações de dengue e 136 de chikungunya. No mesmo período de 2017, considerando, respectivamente, as mesmas doenças, o número de casos foi de 99 e 41. Ou seja, houve aumento de 224% (dengue) e de 231% (chikungunya) nessa regional.

Nesta quarta-feira, 10 de outubro, é celebrado o Dia Internacional da Saúde Mental / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nesta quarta-feira, 10 de outubro, é celebrado o Dia Internacional da Saúde Mental e o alto número de relatos envolvendo transtornos preocupa. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a quantidade de casos de depressão cresceu 18% em dez anos. Até 2020, esta será a doença mais incapacitante do planeta, na previsão da Organização Mundial da Saúde.

“Globalmente, apenas metade daqueles que precisam de tratamento psiquiátrico recebem ajuda”, afirma Nadège Herdy, psiquiatra da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo. Quadros depressivos são as principais causas de suicídio no mundo.

O Brasil é campeão de casos de depressão na América Latina. Quase 6% da população, um total de 11,5 milhões de pessoas, sofrem com a doença, segundo dados da OMS. Mas Nadège Herdy alerta para o aumento do número de registros de Transtornos de Ansiedade. “Os mais comuns são os transtornos de ansiedade generalizada e síndrome do pânico. Em 2015, 18,6 milhões de pessoas sofriam com transtorno de ansiedade no Brasil”.

Se perguntarmos por aí se as pessoas são ansiosas, a maioria dirá que sim. Porém, para ter o diagnóstico de alguns transtornos de ansiedade não é tão simples. O DSM-V – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – aponta 12 tipos de patologias relacionadas à ansiedade.

No geral, alguns sintomas merecem atenção: sentir medo ou receio, em excesso, de situações que ainda não aconteceram, alterações do sono, tensão muscular, medo de falar em público, medo de lugares fechados ou com grandes aglomerações, inquietações constantes, pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos.

O ideal, em casos assim, é buscar ajuda de um psicoterapeuta. O psicólogo irá fazer uma série de perguntas sobre seu estado físico e emocional. Na terapia, você terá a oportunidade de falar mais sobre as situações que lhe causam ansiedade, sem julgamentos. Em alguns casos, o psicólogo pode recomendar que você procure um psiquiatra, que irá receitar uma medicação específica para baixar a ansiedade.

Preconceito

Nadège Herdy relata que há um aumento na procura por profissionais de saúde mental, mas o preconceito ainda é evidente. “O estigma social ainda é um dos mais importantes e difíceis obstáculos para recuperação e reabilitação das pessoas que sofrem de doença mental. Esses indivíduos, além de precisar lutar contra seus sintomas que muitas vezes interferem na autonomia, independência, qualidade de vida, precisam lutar contra o estigma”, avalia.

A resistência em procurar ajuda em saúde mental pode ser explicada, em parte, pelo preconceito contra as pessoas que têm transtornos. A psicofobia carrega uma herança de séculos de discriminação contra os doentes mentais ao longo da história. Acreditava-se que eles eram “bruxos” ou “possuídos por demônios”

Atualmente, Psicologia e Psiquiatria trabalham juntas para desmistificar todas essas questões. “O preconceito, que gera estigma, pode ser combatido com conhecimento. Melhorar o conhecimento gera desmistificação de falsas crenças e estereótipos, fornecendo dados reais acerca da doença e de quem sofre dela. Afinal, as doenças mentais são tratáveis e muitos pacientes se recuperam”, finaliza Nadège Herdy.

Uma comissão formada pelo Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) esteve nesta terça-feira (25) no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) José Carlos Souto, no bairro do Torreão, na Zona Norte do Recife, para denunciar a precariedade na qual a unidade está operando. A ação faz parte da greve da categoria pelo não cumprimento de pedidos básicos por parte da Prefeitura do Recife. De acordo com o Simepe, o local não reúne condições mínimas para o atendimento dos pacientes. Foram encontradas paredes mofadas e rachadas e também não havia água para beber.

Além disso, a comissão também denuncia que alguns pacientes estão deitados no chão por falta de camas no Caps. A comissão do Simepe também chama atenção para a falta de pintura do espaço, a insegurança na estrutura para os pacientes e falta de alguns medicamentos. O mesmo grupo chegou a fazer uma denúncia em janeiro deste ano. Porém, a situação não foi solucionada.

A piscina (foto) do Centro de Atenção Psicossocial do Torreão foi um dos pontos destacados pela comissão. O equipamento estaria sem manutenção, com a água suja, na coloração verde. No entorno, a vegetação não estaria sendo cuidada, fazendo com que algumas plantas crescessem entre as cerâmicas.

A fiscalização feita pelo Simepe também se estendeu por outras casas de saúde. Na unidade do Programa de Saúde da Família (PSF) do Sítio dos Céus foi constatado pela equipe que a sala de espera dos pacientes seria do lado externo do local. Os funcionários teriam que colocar cadeiras do lado de fora para os pacientes. Na sala de medicação, o nebulizador estaria em local inapropriado. De acordo com os médicos, na área de curativo, o espaço é reduzido e quente, dificultando o trabalho dos profissionais.

Já no PSF Santa Terezinha, o problema é a falta de conforto. No entanto, em comparação com as outras unidades, a situação é melhor. Há banheiro para os pacientes, ventilador funcionando.

A Prefeitura do Recife divulgou a seguinte nota:

“A Coordenação de Saúde Mental informa que está sendo feito projeto de readequação do outro imóvel onde irá funcionar o Centro de Atenção Psicossocial José Carlos Souto. A piscina da unidade não representa risco de proliferação de mosquitos porque o funcionário responsável utiliza cloro, e que o local também recebe visita regular de agentes de saúde ambiental. Em relação à denúncia de que pacientes são colocados no chão, a Gerência explicou que o perfil do Caps não é de internamento, e os usuários apenas repousam no local, após o almoço. O medicamento Risperidona, conforme mencionado, é fornecido pela Farmácia da Secretaria Estadual de Saúde, não sendo padronizado pelo município”.

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Casos de endemia ou epidemia foram relatados em 34,7% dos 5.570 cidades brasileiras em 2017. As doenças são em decorrência da situação deficitária dos saneamentos básicos, segundo informações da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) 2017, publicados hoje (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A doença mais mencionada foi a dengue com 26,9%, seguida da diarreia com 23,1%. Outras doenças como verminoses e a chikungunya foram registradas em 17,2% dos municípios, e a zika, indicada em 14,6%.

As regiões que mais citaram a dengue, chikungunya e zika foram Norte e Nordeste. No Norte, foram registrados 38,9% dos casos de dengue, 19,8% de zika e 20,2% de chikungunya. Já no Nordeste, os números foram de 43,2% de dengue, 29,6% de zika e 37,3% de chikungunya. Enquanto isto, no Sul do país, as taxas registradas são de 6% dengue, 1,7% zika e 1,8% chikungunya.

Casos de febre amarela tiveram maior registro na região Sudeste com 5,1% dos municípios. Em todo o país, a doença atingiu 2,9% dos municípios em 2017.

“Dengue e diarreia foram as duas doenças mais mencionadas pelos municípios. Isso é falta de saneamento? Não necessariamente. Talvez seja falta de aprimorar um pouco mais os cuidados municipais, mas falta de saneamento não dá para dizer que é. Pode ser falta dos serviços que englobam o saneamento de uma maneira geral. Mas a gente tem que prestar atenção também que não é só a gestão pública municipal que tem que fazer o serviço, existe uma parte do cidadão também nessa história toda”, disse a A gerente da Munic, Vânia Pacheco.

No último dia da campanha, Ministério pretende vacinar 118 mil crianças

Termina nesta sexta-feira (14) a campanha de vacinação contra o sarampo e a poliomielite em todo o Brasil. A campanha, que teve início em 6 de agosto, aplicou 22,4 milhões de doses de vacina — 11,2 milhões contra cada uma das doenças alvo. Da meta de vacinar 95% das crianças entre 1 e menos de 5 anos, 94% do público-alvo foi vacinado até esta quinta-feira (13). A intenção é de, até o fim do dia, vacinar mais 118 mil crianças.

Entre os Estados que precisam de mais atenção estão o Rio de Janeiro, que vacinou 78,67% das crianças contra o sarampo e 79,94% contra a pólio, Roraima, Acre, Piauí e Distrito Federal. Os Estados do Amazonas, Pará, Tocantins, Rio Grande do Norte, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso também não atingiram a meta.

Já os Estados que superaram essa meta são Rondônia, Amapá, Pernambuco e Santa Catarina. Os demais Estados conseguiram atingir o objetivo de vacinação.

A vacina contra o sarampo engloba duas doses. A primeira é a da tríplice viral, que protege também contra caxumba e rubéola e deve ser dada logo após a criança completar 1 ano. A segunda dose é a tetraviral, que inclui a proteção à varicela (a catapora), aos 15 meses (1 ano e três meses de vida).

Já a imunização contra a poliomielite é composta por cinco doses de vacina. As duas primeiras doses, aos 2 e 4 meses de idade, são injetáveis. As outras três, aos 6 meses, 15 meses e 4 anos, são por via oral, as famosas gotinhas. Com informações do R7.com.

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A saúde é a área mais prioritária que deve ser acompanhada pelo próximo governador de Pernambuco na opinião de pelo menos 47% dos pernambucanos, como mostra a pesquisa Ibope encomendada pelo Jornal do Commercio e TV Globo. As outras áreas citadas são educação (12%), segurança pública (11%) e a geração de empregos (7%). “A crise na saúde é mais séria no Brasil e no Estado. As pessoas estão elegendo como prioridade coisas mais vitais ligadas à sobrevivência, como saúde, alimentação e segurança. Por causa da recessão, a população ficou mais pobre”, resume o professor aposentado da UFPE, Aécio Gomes de Matos.

A saúde passou a ser uma preocupação grande, porque milhares de pessoas ficaram sem condições de pagar pelos planos de saúde, voltando a ser usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) por causa da recessão, que provocou a perda do emprego. Somente para o leitor ter ideia, deixaram de ter plano de saúde no Brasil 465.476 pessoas, incluindo 34.525 pernambucanos no período de outubro de 2016 a outubro de 2017. 

A cientista política Priscila Lapa explica que várias das preocupações citadas pelo eleitor na pesquisa estão relacionadas às perdas do poder de compra incluindo serviços como educação e saúde. Além dos planos de saúde, muitas pessoas tiraram os seus filhos de colégios particulares e colocaram na rede pública de ensino. “O SUS continua com os problemas que sempre teve, mas as pessoas voltaram a usá-lo e aí passaram a se preocupar mais com isso”, argumenta.

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Com quatro casos de sarampo já confirmados este ano – em quatro pessoas de uma mesma família do Recife – a Secretaria de Saúde do Estado (SES) investiga agora notificações em 23 cidades, em todas as regiões. Os registros aumentaram de 50 para 65 nos últimos 15 dias. De acordo com a SES, o crescimento do número de casos em investigação no Estado é esperado e demonstra que a vigilância está sendo realizada de maneira eficiente. Na noite de ontem, a assessoria não conseguiu colocar a reportagem em contato com um representante da pasta. 

A investigação acontece em oito dos 15 municípios da Região Metropolitana: Abreu e Lima, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Igarassu, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista e Recife. Em Vitória de Santo Antão e Timbaúba, na Zona da Mata; Sirinhaém, no Litoral Sul; Orobó, Bezerros, Caruaru, Cupira, Sanharó e Pedra, no Agreste. Também há registros em análise no Sertão: Custódia, Solidão, Venturosa, Salgueiro, Petrolina e Bodocó.

Na manhã de ontem, no Recife, houve ação de prevenção, promovida pela Secretaria de Saúde do município. Alunos e professores do Colégio Militar do Recife (CMR), na Zona Oeste da capital, foram vacinados contra o sarampo. A medida foi tomada depois que um professor da instituição apresentou sintomas da doença. O bloqueio seletivo, que analisa a situação vacinal, foi realizado pela equipe de epidemiologia. 

O professor, de 33 anos, ainda não retomou as atividades no CMR. Segundo o coronel João Alberto Nunes, que comanda a instituição, o controle sanitário é forte e a vacinação é um hábito no ambiente militar. “Para entrar no Colégio Militar, os jovens passam por uma série de exames e acompanhamentos médicos. Como aqui 85% dos alunos são filhos de militar, há uma cultura muito forte de vacinação, já que viajamos por todo o País”, comenta. 

Ainda segundo ele, foi analisada a situação vacinal de alunos do 2º e 3º ano do ensino médio e professores, além da família do docente. “Ele foi atendido em um hospital da rede privada e a unidade notificou a Secretaria de Saúde, que foi até a casa dele e fez a imunização da família. Por último, veio ao colégio para a ação preventiva.” 

De acordo com a secretaria, só foi imunizado quem não estava com o cartão de vacinas ou quem não tinha como comprovar o esquema completo de vacinação. O bloqueio faz parte das medidas para reduzir os riscos de epidemia da doença. Desde o início do ano, 41 casos suspeitos foram notificados no Recife. Desses, 24 foram descartados, 4 confirmados e 13 seguem em investigação. 

Até a última terça-feira, foram confirmados 1.579 casos de sarampo no Brasil. Outros 7.513 continuam sendo investigados. O País registrou surtos nos Estados do Amazonas e Roraima, com 1.232 e 301 casos confirmados.

O Ministério da Saúde prorrogou até 14 de setembro a Campanha Nacional de Vacinação contra Pólio e Sarampo. Pelos dados preliminares, a média de vacinação está em 88%. Em apenas sete estados a meta de vacinar pelo menos 95% do público-alvo foi atingida.

Estados e municípios que não atingiram a meta devem manter a campanha por mais 15 dias. Devem ser vacinadas contra a poliomielite o sarampo crianças de 1 ano a 4 anos e 11 meses.

Até o momento, mais de 1,3 milhão de crianças não recebeu o reforço dessas vacinas. A recomendação é que estados e municípios façam busca ativa para garantir que o público-alvo da campanha seja vacinado.

Dados

Os estados que atingiram a meta de vacinação são Amapá, Santa Catarina, Pernambuco, Rondônia, Espírito Santo, Sergipe e Maranhão.

O Rio de Janeiro continua com o menor índice de vacinação, seguido por Roraima, Pará, Piauí, Distrito Federal, Acre, Bahia, Rio Grande do Sul, São Paulo, Alagoas, Rio Grande do Norte e Amazonas.

Em todo o país, foram aplicadas mais de 19,7 milhões de doses das vacinas (cerca de 9,8 milhões de cada).

Vacinação contra sarampo e pólio tem dia extra neste sábado

A poucas horas do fim da campanha nacional de vacinação contra sarampo e poliomielite, nesta sexta-feira (31), balanço do Ministério da Saúde apontava que cerca de 2,2 milhões de crianças entre um e cinco anos de idade ainda não foram vacinadas.

O índice equivale a 20% do público-alvo da campanha, formado por 11,2 milhões de crianças nessa faixa etária. A vacina é indicada independentemente da situação vacinal anterior.

O objetivo é reforçar a imunização e conter o avanço do sarampo no país, doença que já leva a surtos na região Norte.

Em meio a essa dificuldade, o Ministério da Saúde passou a orientar estados e municípios que ainda não atingiram a meta de vacinar 95% das crianças para que mantenham postos de saúde abertos por horário estendido neste sábado (1º).

Na prática, a medida deve funcionar como um segundo “dia D” da campanha de vacinação. O primeiro ocorreu em 18 de agosto.

A mobilização, porém, dependerá da adesão das secretarias de saúde. A recomendação é que pais verifiquem com a secretaria de seu município quais postos estarão abertos.

Em São Paulo, a secretaria estadual da Saúde confirmou a realização de um novo “dia D” neste sábado. As estratégias poderão variar em cada município. Na capital paulista, cerca de 90 postos de saúde estarão de plantão.

No estado, há 2,2 milhões de crianças na faixa etária de 1 a 5 anos, e mais de 1,7 milhão delas já havia sido vacinadas contra as duas doenças durante a campanha.

Até a manhã desta sexta-feira (31), apenas três estados já tinham alcançado a meta de vacinar até 95% das crianças dessa faixa etária: Amapá, Rondônia e Pernambuco.

Em outros dez, o desafio é maior por estarem abaixo da atual média nacional de 80% das crianças vacinadas. Destes, o estado com o menor índice de vacinação é o Rio de Janeiro, seguido de Roraima e Distrito Federal.

Apesar dos baixos índices, ainda não há decisão sobre uma possível prorrogação da campanha de vacinação a nível nacional. A situação dependerá da adesão ao segundo dia D.

Estados, porém, terão autonomia para esticar os prazos. No último fim de semana, por exemplo, novos dias de mobilização já haviam sido realizados em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Espírito Santo e Amapá.

REFORÇO

Neste ano, a campanha de vacinação é “indiscriminada”, o que significa que mesmo crianças que estão com a carteirinha de vacinação em dia devem receber novas doses de reforço contra as duas doenças. O objetivo é elevar a cobertura vacinal no país e reforçar a proteção de já vacinados. Desde fevereiro, o país já registra 1.553 casos de sarampo, com sete mortes. Outros 6.975 casos permanecem em investigação.

Já a poliomielite preocupa diante da queda nas coberturas vacinais, o que aumenta o risco de retorno da doença caso haja nova reintrodução do vírus no país e contato com não vacinados. Durante a mobilização, a aplicação das doses tem esquemas diferentes dependendo da situação vacinal de cada criança.

Crianças que nunca tomaram nenhuma dose de vacina contra a pólio, por exemplo, devem receber uma dose da VIP (vacina injetável).

Já aquelas que já tiverem tomado uma ou mais doses recebem a VOP (vacina oral), conhecida como gotinha. A ideia é reforçar a imunização contra a doença.

Contra o sarampo, a campanha prevê que todas as crianças recebam uma dose da vacina tríplice viral. A exceção são aquelas que já foram vacinadas nos últimos 30 dias.

Segundo as secretarias de saúde, a vacina é contraindicada apenas para crianças imunodeprimidas, como aquelas submetidas a tratamento de leucemia e pacientes de câncer.

Já crianças alérgicas à proteína lactoalbumina, presente no leite de vaca, devem informar o quadro às equipes de saúde. Neste caso, elas recebem outra vacina contra sarampo, produzida pelo instituto BioManguinhos. Com informações da Folhapress.

Campanha de vacinação contra polio e sarampo atinge meta em 76 cidades de Pernambuco

O Recife imunizou 100% do público-alvo da campanha de vacinação contra o sarampo e a poliomielite, nesta quinta-feira (30). Até à tarde, mais de 80 mil crianças foram vacinadas na capital. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde aos municípios é de 95% das crianças com idade entre um e cinco anos incompletos. Em Pernambuco, 76 cidades atingiram essa meta para a poliomielite e 74 para a imunização contra o sarampo.

No estado, a campanha abrange 544.178 crianças e, dessas, 93,73% (equivalente a 510.032) foram vacinadas contra poliomielite e 93,44% (correspondente a 508.457 pessoas) receberam a imunização contra o sarampo.

A campanha segue até a sexta (31) e 10 postos de saúde no Recife funcionam no terceiro turno, das 17h às 21h. Apesar disso, as vacinas fazem parte do calendário regular de imunização e continuam sendo aplicadas mediante apresentação do cartão de vacinação.

Na quarta (29), Pernambuco confirmou mais dois casos de sarampo. Com isso, o estado soma quatro confirmações da doença. Segundo as secretarias de Saúde do estado e do Recife, as ocorrências foram registradas na capital pernambucana em dois jovens: um garoto de 13 anos e uma mulher de 19 anos.

Eles são parentes das duas pessoas que tiveram a doença confirmada no dia 13 de agosto. Os outros dois casos de sarampo que já tinham sido confirmados em agosto são de um homem de 27 anos que viajou para Manaus, onde há surto da doença, e uma menina de 2 anos, parente dele.

O governo estadual descartou outro caso investigado, de uma mulher de 42 anos, que também tinha relação com o grupo de infectados.

Em 2018, Pernambuco notificou 128 casos suspeitos de sarampo. Desse total, 74 foram descartados, quatro confirmados e os demais estão em investigação. Antes deste ano, foram confirmados 199 casos de sarampo em 2013 e 27 em 2014, além de um caso importado em 2012. Anteriormente, o último registro tinha sido em 1999, com 240 casos.

O sarampo é uma doença infecciosa exantemática aguda, transmissível e extremamente contagiosa, acomete principalmente crianças com até 5 anos e pode provocar morte. A transmissão ocorre de pessoa a pessoa, por meio de secreções respiratórias, no período de quatro a seis dias antes do aparecimento do exantema (mancha avermelhada na pele) e até quatro dias após.

Entre os sintomas da doença, estão febre alta, acima de 38,5°C, manchas avermelhadas (exantema) generalizadas pelo corpo, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik (pequenos pontos brancos que aparecem na mucosa bucal, antecedendo ao exantema). As complicações mais comuns são pneumonia, otite, doenças diarreicas e neurológicas.

Para evitar o sarampo, a indicação é utilizar a vacina tríplice viral, que ainda protege contra a rubéola e a caxumba. Na rotina, a tríplice deve ser aplicada em crianças com 12 meses, com um reforço aos 15 meses com a tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

Para crianças acima de 2 anos e jovens e adultos até os 29 anos, não vacinados anteriormente ou que não se lembram, devem ser feitas duas doses da tríplice viral, com intervalo de 30 dias entre elas. Adultos entre 30 e 49 anos (não imunizados ou que não lembram) devem tomar uma dose da tríplice.

Profissionais de saúde não vacinados devem tomar duas doses da vacina tríplice viral, independente da idade. Essas doses são disponibilizadas durante todo o ano nos postos de vacinação de todos os municípios de Pernambuco. Com informações do G1/PE.

Elaine Silva pagou por um exame de imagem porque pelo SUS demoraria muito

Insuficiente. Essa foi à percepção sobre a rede de atenção aos pacientes com doenças reumatológicas no Estado depois de análise conduzida pela pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, Suélem Barros. O estudo, concluído este ano, revela problemas que agravam o sofrimento de quem busca atendimento em todo o território como a concentração de profissionais e de serviços na Região Metropolitana do Recife (RMR) e a falta de abordagens multifatoriais ao problema de saúde, que na maioria das vezes deságua apenas em tratamentos medicamentosos. Em números, a pesquisadora aponta que 70% dos reumatologistas estão na RMR, 41% dos atendimentos ambulatoriais são no Recife e 87,15% das internações em reumatologia ocorreram apenas na Capital. Para as analises foram revisados dados da assistência à saúde de 2010 a 2017.

Outro fato que complica uma política pública é a inexistência de estatísticas oficiais de quantos pernambucanos convivem com doenças reumatológicas (DR). Sabe-se, contudo que mais de 70 mil pessoas foram afetadas pela chikungunya de 2015 a 2017. A arbovirose comprovadamente gera quadros reumatológicos permanentes, a exemplo da artrite. De acordo com levantamentos acadêmicos sobre o tema, a taxa de cronificação da doença, que é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, é de 30%. Isso significa 21 mil pessoas a mais em busca de diagnóstico e tratamento apenas nos últimos três anos. “Identificamos que Pernambuco não apresenta uma rede de atenção à saúde específica para o acompanhamento de pacientes reumatológicos, embora apresente uma série de componentes estruturais indispensáveis para o seu funcionamento. Mas não é suficiente ter os componentes, eles precisam funcionar em rede, precisam dialogar com o intuito de dar resolutividade às questões reumatológicas e, também, prevenir o surgimento de doenças por meio de estratégias de promoção à saúde”, explicou a pesquisadora Suélem Barros.

Ela comentou ainda que a atenção aos pacientes com DR ainda é pautada exclusivamente nos atendimentos realizados pelos médicos especialistas, que se concentram na RMR, com os serviços de média e alta complexidade, havendo pouca ênfase para o trabalho de uma equipe profissional interdisciplinar, descrita na literatura como necessária para assistência desses pacientes. “A atenção à saúde do paciente reumatológico, centrada no profissional médico e valorizada do ponto de vista farmacêutico, também é preocupante, pois é reflexo do arcaico modelo de saúde aplicado nos dias atuais. Demonstra uma assistência à saúde limitada para as reais necessidades destes usuários, portadores de condições crônicas e pouco envolvida com a promoção da saúde, mudança de estilo de vida e prevenção de incapacidades funcionais”, explicou.

A doméstica Clarita Coelho, 31 anos, é um desses casos. Há dois anos, a chikungunya a pegou. “Sentia muitas dores. Ainda hoje, quando acordo e coloco os pés no chão, ainda dói. Só depois de algum tempo é que vai passando”, contou. No início, para aliviar as dores e inchaço nas articulações buscou as UPAs, mas não conseguia ficar boa por muito tempo. “Quando ia para as emergências, como na UPA, só passavam remédios ‘besteirinha’ como dipirona, tylenol, e isso ai não resolvia. Ai diziam que não tinha remédio para isso não”, relembrou. No desespero, tomou por conta própria corticoide por três a quatro meses. Foi somente com a intervenção da patroa que ela conseguiu um acompanhamento médico mais direcionado no Hospital Barão de Lucena (HBL).

“A gente trabalhava mancando. Era horrível”, disse. Mesmo assim, Clarita Coelho contou que a assistência é feita por um clínico geral e até hoje não passou uma avaliação com reumatologista. Ela também nunca teve indicação para sessões de fisioterapia ou outra abordagem que não fosse a medicamentosa. “Era só remédio que ele passava. Aumentava a dosagem e pronto. Fiz uns exames de sangue, urina e fezes”.

A manicure Elaine Silva, 29, tem uma história parecida. Ela teve os sintomas do vírus há dois anos e, de lá para cá, o inchaço nos joelhos e tornozelos viraram rotina. “Antes eu não conseguia nem andar, gritava de dor e fui socorrida várias vezes. Nunca passavam um remédio que sarasse, porque diziam que não exista. Então, era só medicamento para passar a dor na hora”, relembrou. Tentando descobrir o que acontecia com as articulações, acabou pagando do próprio bolso exame de imagem, já que no SUS o teste iria demorar demais. “Paguei R$ 70 na época para fazer o exame já que se fosse depender do SUS, esse teste só sairia meses depois.”

Sobre a chikungunya, Suélem Barros classificou como indiscutível o aumento da demanda de usuários acometidos por problemas reumatológicos em decorrência deste vírus. Ela explicou, ainda, que as DRs vistas como sequelas deixadas pela chikungunya acabaram por dar visibilidade ao drama dos pacientes no Estado. “Acredito que (a chikungunya) gerou uma demanda maior de pacientes em busca de atendimento, em decorrência de problemas reumatológicos. Mas, por outro lado, acredito que foi positivo, por servir de alerta para necessidade de estruturação de uma rede de atenção para questões reumatológicas; foi importante para apontar fragilidades na assistência e despertar um olhar mais específico para os distúrbios musculoesqueléticos, um problema que cresce expressivamente”, destacou.

Estruturação de rede

A Secretaria Estadual de Saúde esclareceu que vem trabalhando na qualificação e ampliação da rede de atendimento em reumatologia do Estado. Ressaltou que Pernambuco é pioneiro na assistência específica para os casos de chikungunya, com a implantação, em agosto de 2016, de ambulatório no Hospital Getúlio Vargas voltado para o atendimento a pacientes com dores articulares crônicas provocadas pela arbovirose, que apresentem, por mais de 90 dias, dores articulares após o início dos sintomas (fase subaguda e/ou crônica). O Ambulatório de Acometimento Articular da Chikungunya conta com duas especialistas em reumatologia.

Sobre os resultados da insuficiência apontada pela pesquisa da Fiocruz, a pasta disse que a rede de reumatologia estadual está presente em todas as macrorregiões de Saúde do Estado, por meio das Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAEs) de Caruaru, Garanhuns, Salgueiro, Afogados da Ingazeira e Serra Talhada. Frisou também que toda a rede de UPAEs (dez ao todo) conta com o suporte de fisioterapia motora. Os hospitais das Clínicas (HC), Geral de Areias e Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) também ofertam a especialidade de reumatologia. A marcação é feita pelos municípios de residência do usuário, juntamente com a Regulação Ambulatorial do Estado, ou seja, o acesso à especialidade deve ser realizado, ainda, na Atenção Primária, após avaliação médica.

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A vacina contra a dengue, chamada de Dengvaxia, aumenta o risco de hospitalização ou de dengue grave das pessoas que nunca tiveram contato com o vírus, quando infectados pela primeira vez. Por outro lado, sua eficiência é maior quando aplicada em pessoas que já apresentaram algum subtipo da doença.

Essas constatações, obtidas após cinco anos de monitoramento, levaram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a anunciar a alteração na bula da vacina.

Foram feitas três alterações na bula da vacina Dengvaxia. A primeira, no sentido de restringir o uso para “indivíduos soropositivos”, referindo-se àqueles que já tiveram dengue e moram em áreas endêmicas.

A segunda alteração inclui, no texto, uma definição mais clara para o que é considerado “área endêmica”: aquelas onde pelo menos 70% das pessoas ou mais já tiveram contato com o vírus.

Por fim, inclui a contraindicação de uso da vacina para indivíduos que nunca tiveram dengue (soronegativos).

“Para a aprovação destas alterações, a Anvisa considerou que a vacina é comprovadamente eficaz na prevenção de um novo episódio de dengue para pessoas que já tiveram alguma forma da doença. Outro fator decisivo é o fato da Dengvaxia ser a única vacina para dengue aprovada no Brasil, que sazonalmente sofre com epidemias da doença”, informou a Anvisa por meio de nota, ao afirmar que essas alterações estão de acordo com recomendações feitas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).