Saúde

 

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Op9

O Sindicato do Médicos de Pernambuco (Simepe) divulgou nas redes sociais da entidade um vídeo em que denuncia a situação de caos e de superlotação do Hospital Agamenon Magalhães (HAM), no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife. A unidade é uma das maiores da rede pública de saúde no estado. As imagens foram captadas durante a realização de uma blitz no setor de emergência feita por representantes do Simepe e do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).

De acordo com os responsáveis pela vistoria, a unidade vive um cenário de guerra, com superlotação, pacientes acomodados nos corredores, deitados no chão, expostos ao sol e a goteiras e até ocupando áreas de banheiro. Durante a blitz, também foi constatada a falta de materiais básicos para o atendimento correto dos doentes e a escala inadequada de profissionais de saúde diante da demanda excessiva da unidade.

Prédio anexo construído para ampliar unidade está sem uso

“É um cenário de horror. Uma superlotação que já é sabida e extrapola a dignidade humana. O local propicia até a propagação de doenças”, relata o médico Tadeu Calheiros, que acompanhou a visita. Ele chama a atenção para o fato de um prédio anexo ao hospital, construído justamente para aumentar a capacidade de atendimentos e de leitos da unidade e para ampliar a emergência, estar ocioso há anos. Outro ponto criticado pelas entidades é com relação à própria estrutura do sistema, que não oferece leitos de retaguarda, que poderiam desafogar as grandes emergências, nem centrais de controle de tratamento, cuja função seria a de acompanhar e encaminhar pacientes sem a real necessidade de internamento para tratamentos ambulatoriais.

No começo da semana, o Simepe já havia feito uma denúncia sobre as condições de trabalho dos médicos no Agamenon Magalhães. Na oportunidade, um médico relatou que precisou fazer um atendimento de urgência em um paciente no chão da área vermelha da unidade.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Walber Stefano, tanto a emergência do hospital quanto a ala cardiológica estavam operando com uma lotação muito acima da capacidade da unidade. Enquanto a primeira tem 25 leitos e estava com 95 pessoas em atendimento, a segunda, que dispõe de 31 vagas, abrigava 86 pacientes.

Secretaria de Saúde rebate críticas

A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES) afirmou que não tem medido esforços para garantir o atendimento a todos os usuários do SUS e a manutenção da rede estadual e ressaltou que o Hospital Agamenon Magalhães segue prestando assistência com prioridade para os casos mais graves.

Sobre a denúncia de atendimento no chão que vem circulando nas redes sociais, a direção do HAM diz que o paciente chegou à emergência em estado grave, sem maca. E alega que, diante da gravidade da situação clínica, a equipe do hospital optou por acomodá-lo em uma cadeira de rodas e o encaminhou à sala vermelha da emergência enquanto uma maca era disponibilizada.

Ainda de acordo com a direção, o médico resolveu realizar as manobras de reanimação cardiorrespiratória no chão da unidade, antes mesmo de a maca chegar, com o objetivo de salvar o paciente.

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Em uma semana, seis pessoas que tiveram a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) faleceram em Pernambuco. Entre as vítimas, um bebê de um mês, que morava no município de Carpina, na Mata Norte. Até o último dia 5, a Secretaria Estadual de Saúde havia registrado 594 casos de SRAG, quadro que pode ser provocado por diversos agentes (vírus, bactérias) e é caracterizado pela necessidade de internação de pacientes com febre, tosse ou dor de garganta associado à dispneia ou desconforto respiratório. Do total de casos, 22 tiveram resultado laboratorial positivo para influenza A (H1N1), 11 para influenza A (H3N2) e 1 para vírus sincicial respiratório (VSR).

Nas últimas semanas, a SES observou uma média semanal de 75 casos de Srag, enquanto anteriormente estavam sendo 50, ou seja, houve um incremento de 50%. Diante disso, a Secretaria ressalta a importância dos grupos prioritários para a vacina contra a influenza procurarem os postos de saúde para serem imunizados, medida que evita o agravamento da doença e óbitos. A SES também está encaminhando, nesta quarta-feira (16.05), uma nota de alerta para os municípios com as informações epidemiológicas e as orientações. 

“Analisando os dados, verificamos um maior incremento de casos de Srag nas semanas epidemiológicas entre os dias 15 de abril e 5 de maio deste ano, além de um aumento da gravidade nos casos confirmados de influenza. Precisamos chamar a atenção do público alvo para a vacinação, bem como da importância da adoção das demais medidas de prevenção e do manejo adequado dos casos pelos serviços de saúde”, afirma a gerente de Controle de Doenças Imunopreveníveis da SES, Ana Antunes. A gerente ressalta, ainda, que, em 2018, não foi registrado nenhum vírus novo em circulação no Estado. 

Para os serviços de saúde, Ana Antunes lembra a importância da notificação imediata dos casos de Srag, que é obrigatória, e do tratamento com oseltamivir. Pessoas que possuem fatores de risco para o agravamento que apresentarem sintomas de síndrome gripal também devem utilizar essa medicação. 

A população em geral também pode adotar medidas simples para evitar a propagação da doença, a exemplo de: sempre lavar as mãos com água e sabão ou higienizá-las com álcool em gel; cobrir o nariz e a boca com o antebraço ou lenço ao tossir ou espirrar e descartar o lenço no lixo após uso; evitar tocar olhos, nariz ou boca; evitar contato próximo com pessoas doentes. 

Em 2018, também foram registrados seis óbitos de Srag com resultados laboratoriais confirmados para influenza – cinco de influenza A (H1N1) e um de influenza A(H3N2) – , enquanto que em 2017, no mesmo período, foram cinco óbitos, todos com identificação da influenza A(H3N2). 

SRAG EM 2017

No ano passado, no mesmo período deste ano, foram registrados 741 casos de Srag, sendo 62 de influenza A (H3N2), 8 de influenza B, 3 de VSR e 1 de parainfluenza1. 

SÍNDROME GRIPAL

No caso da síndrome gripal (SG), que engloba os casos leves, o Estado faz o acompanhamento em quatro unidades sentinelas, localizadas no Recife (3) e em Jaboatão dos Guararapes (1). Nessas unidades são realizadas semanalmente algumas coletas de amostras dos pacientes para identificar os vírus em circulação no Estado. Até o dia 5 de maio, já foram confirmados 23 casos de influenza A (H1N1), 12 de influenza A (H3N2), 1 de influenza B e 1 de vírus sincicial respiratório (VSR). 

VACINAÇÃO

Após 24 dias da Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, 1.185.794 pessoas foram imunizadas com a vacina que protege contra a influenza A (H1N1), A (H3N2) e B. O quantitativo representa 49,4% do total do público alvo em Pernambuco (2.399.361). A meta é imunizar, no mínimo, 90% desse contingente. 

“Entre os grupos prioritários, até o momento, as crianças estão com o menor percentual de imunização (39,5%). Por isso, é importante que os pais ou responsáveis as levem aos postos de saúde para que seja feita a vacinação. Esse é um direito da população inclusa nos grupos prioritários e uma ação essencial de saúde para evitar o agravamento e os óbitos pelos vírus da influenza”, destaca a coordenadora do Programa Estadual de Imunização da SES, Ana Catarina de Melo.  

As puérperas e os trabalhadores de saúde são os grupos prioritários com as maiores coberturas vacinais (68,1% e 60,9%, respectivamente). “Temos mais 16 dias de campanha para vacinar mais de 1,2 milhão de pernambucanos. Os postos estão abastecidos e recebendo normalmente a demanda até o dia 1º de junho”, pontua Ana Catarina. 

Secretaria de Saúde reforça que o grupo prioritário deve buscar os postos de saúde o quanto antes

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) emitiu um alerta para todos os municípios sobre o aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), provocadas pela gripe, nas três últimas semanas. A média semanal de notificações desses quadros saltou de 50 para 75, ou seja, um incremento de 50% – dados que recomendam às cidades reforço nas ações preventivas contra a influenza. Apesar de em números absolutos os casos de SRAG ainda serem menores que 2017, a pasta destacou que o momento é de atenção redobrada para as gripes fortes, visto que a partir de agora o cenário fica ainda mais favorável para a explosão dos vírus respiratórios.

O Estado já contabiliza 27 mortes pela síndrome, sendo seis já confirmadas – um incremento de 100% dos óbitos confirmados em relação ao último boletim do dia 28 de abril da gripe. Dessas, cinco mortes foram relacionadas ao H1N1 e uma ao vírus H3N2 (a primeira do ano). Entre as vítimas estão duas crianças, sendo uma de 1 mês e uma de 9 anos. Os demais pacientes tinham 17, 41, 45 e 75 anos.

A gerente de Controle de Doenças Imunopreveníveis da SES, Ana Antunes, comentou que o governo, após a análise de dados entre os dias 15 de abril e 5 de maio deste ano, verificou não só o incremento de casos de gripe como uma maior gravidade dos pacientes. Foi diante deste cenário, que a SES achou prudente enviar para as cidades o alerta. “Estamos lançando para o Estado todo até porque as doenças respiratórias têm uma facilidade grande de disseminação. Reforço que os vírus circulando agora são sazonais, ou seja, já circularam em outros momentos. Quando a gente fala em alerta contra a gripe não é para gerar pânico. Mas é uma situação de maior cuidado para influenza, como reforço nas medidas preventivas, especialmente a vacina”, disse a gerente.

Ela comentou ainda que os municípios que já vem verificando ocorrência de SRAG devem permanecer atentos e aqueles onde a doença parece silenciada devem apurar se pode estar havendo subnotificação. É obrigatória a comunicação de SRAG as autoridades de saúde, assim como o tratamento com a medicação oseltamivir. Segundo a SES, uma remessa extra da medicação já chegou e os estoques da droga estão completos. Pessoas que possuem fatores de risco para o agravamento que apresentarem sintomas de síndrome gripal também devem utilizar essa medicação.

Além da confirmação de aumento de síndrome respiratória aguda grave nas últimas três semanas, o balanço das influenzas também aponta que houve alta na comparação entre os períodos janeiro até 28 de abril e janeiro até 5 de maio. Neste recorte, em sete dias houve incremento de 31,4% nos casos gerais de SRAG, 57,1% de SRAG por H1N1 e 10% de SRAG por H3N2. Sobre as síndromes gripais (quadros leves e sem necessidade de internamento), até o momento as quatro unidades sentinela atenderam 12.245 pacientes, sendo, desse total, 23 confirmados de H1N1, 12 de influenza H3N2, 1 de influenza B e 1 de vírus sincicial respiratório (VSR).

Como a imunização contra a gripe é uma das principais armas contra os quadros graves nos grupos vulneráveis, a SES reforça que a população-alvo busque os postos de saúde. Até agora, 49,4% do total do público em Pernambuco tomou a dose. A meta é imunizar, no mínimo, 90% desse contingente. De acordo com a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) Ana Catarina de Melo, as crianças até 5 anos estão com o menor percentual de vacinação, apenas 39,5%. As puérperas (mulheres em pós-parto) e os trabalhadores de saúde são os grupos prioritários com as maiores coberturas vacinais, 68,1% e 60,9%, respectivamente. A campanha vacinal segue até 1ª de junho.

Ministério da Saúde espera vacinar 54,4 milhões de pessoas até 1º de junho em todo o país / Foto: Agência Brasil

Sessenta e cinco mil postos de saúde em todo o país abrem as portas hoje (12) para a vacinação contra a gripe. No chamado Dia D de mobilização nacional, 37 mil postos de saúde de rotina e 28 mil unidades volantes estarão funcionando. A expectativa do Ministério da Saúde é vacinar 54,4 milhões de pessoas até 1º de junho.

Devem receber a dose crianças de 6 meses a menores de 5 anos, idosos a partir de 60 anos, trabalhadores da saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional.

Pessoas com doenças crônicas e outras condições clínicas especiais também devem ser imunizadas. Neste caso, é preciso apresentar uma prescrição médica no ato da vacinação.

Pacientes cadastrados em programas de controle de doenças crônicas do Sistema Único de Saúde (SUS) devem procurar os postos em que estão registrados para receber a dose, sem necessidade de prescrição médica.

A escolha dos grupos prioritários segue recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A definição, segundo o governo federal, também é respaldada por estudos epidemiológicos e pela observação do comportamento de infecções respiratórias, que têm como principal agente os vírus da gripe. São priorizados os grupos mais suscetíveis ao agravamento de doenças respiratórias.

A vacina

O Ministério da Saúde informou que a vacina contra a gripe é segura e reduz complicações que podem provocar casos graves da doença, internações e óbitos.

Estudos demonstram que a imunização pode reduzir entre 32% a 45% o número de hospitalizações por pneumonias, de 39% a 75% a mortalidade global e em aproximadamente 50% das doenças relacionadas à gripe Influenza.

A dose utilizada na rede pública de saúde protege contra os três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no Hemisfério Sul ao longo do último ano, conforme determinação da OMS, incluindo o H1N1 e o H3N2.

Reações adversas

Ainda de acordo com o ministério, após a aplicação da dose, podem ocorrer, de forma rara, dor, vermelhidão e endurecimento no local da injeção. As manifestações são consideradas benignas e os efeitos costumam passar em 48 horas.

A vacina da gripe é contraindicada para pessoas com histórico de reação anafilática prévia em doses anteriores ou para pessoas que tenham alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados. É importante procurar o médico para mais orientações.

Proteção contra a gripe

O Ministério da Saúde alerta que a imunização antecipada é importante para garantir proteção contra a gripe antes que as temperaturas comecem a cair – período de maior circulação do vírus.

Ele recomenda ainda que a população adote cuidados simples, como lavar as mãos várias vezes ao dia; cobrir o nariz e a boca ao tossir e espirrar; evitar tocar o rosto; não compartilhar objetos de uso pessoal; e evitar locais com aglomeração de pessoas.

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JC

Pelo menos cinco municípios pernambucanos apresentam cobertura vacinal zerada após quase 20 dias do início da campanha de vacinação contra gripe. Os dados revelam que Abreu e Lima (Grande Recife), Belém de Maria (Agreste), Glória do Goitá (Zona da Mata) e Calumbi e Santa Filomena (Sertão) não têm computado informações sobre aplicação da vacina, que protege contra três vírus: o H1N1, o H3N2 e o influenza B. Até o início da tarde de ontem, Camaragibe, Quipapá e São Benedito do Sul revelavam inexistência de público imunizado no sistema de monitoramento, mas os números saíram da estaca zera no início da noite. O percentual zerado inquieta: ora pelo fato de levar a inferir falta de pessoas vacinadas, ora por presumir a inércia na atualização dos dados.

Ambas as situações preocupam. E não podem ser explicadas por falta de vacina, segundo a coordenadora do Programa Estadual de Imunização, Ana Catarina de Melo. “Já foram distribuídos, aos municípios, 64% do total de doses (2,6 milhões, com base em dado do Ministério da Saúde) destinados a Pernambuco este ano.” O volume de vacinas, entregues em etapas pelo governo federal, é maior que o universo do grupo prioritário para a imunização, de 2,3 milhões de pernambucanos. 

“Mas não adianta imunizar o público-alvo e não digitar os dados (quantidade de doses aplicadas) no sistema. Se não houver registro, compreende-se que nada foi feito. Podemos pensar que o município não aderiu à campanha e, na realidade, pode ter alcançado boa cobertura. O inverso também acontece: não se atualiza o sistema porque não se vacina. Estamos intervindo para melhorar esse cenário”, esclarece Ana Catarina. Ela acrescenta que cada município deve cumprir, duas vezes por semana, a tarefa de alimentar o sistema de monitoramento da vacinação. 

A meta que deve ser alcançada até o fim deste sábado, quando acontece o Dia D da mobilização contra gripe, demanda muito trabalho para um Estado que, até a tarde de ontem, só havia imunizado 544.837 pessoas – ou 22,7% do grupo prioritário. “Nosso objetivo é, no fim do sábado, já ter vacinado 50% dos pernambucanos aptos a participar da campanha. Estamos trabalhando com foco nesse objetivo.”

Amanhã, cerca de 5 mil pontos de vacinação (entre postos de saúde e unidades volantes), em todo o território pernambucano, funcionam para imunizar contra gripe. No Recife, todas as Unidades de Saúde da Família, Upinhas, Unidades Básicas Tradicionais e policlínicas estarão abertas, das 8h às 17h. “Orientamos que o público-alvo participe da mobilização. Quanto mais baixa a cobertura (o ideal é chegar ao fim da campanha, dia 1º de junho, com 90% dos grupos prioritários vacinados), mais pessoas estarão susceptíveis (ao adoecimento por gripe)”, reforça Ana Catarina. 

A dona de casa Sônia Maria Tenório, 46 anos, optou por não esperar o Dia D. “Tenho hipertensão e asma. Por isso, preciso da vacina”, conta Sônia, que recebeu a aplicação da dose ontem. No Recife, a cobertura vacinal está em 34%. Em Olinda e em Jaboatão dos Guararapes, 14% e 12%, respectivamente.

Vacinação

No próximo sábado (12), o Ministério da Saúde irá promover o ‘Dia D’ da vacinação contra a gripe. 65 mil postos de vacinação em todo o País estarão abertos para vacinar a população-alvo da campanha.

Podem se vacinar pessoas acima de 60 anos, crianças com idade entre seis meses e cinco anos, trabalhadores de saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), pacientes cadastrados em programas de controle das doenças crônicas do Sistema Único de Saúde (SUS)  pessoas privadas de liberdade – entre eles, adolescentes de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas – e funcionários do sistema prisional.

Portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais também podem usufruir da vacina mediante apresentação de uma prescrição médica no ato da vacinação.  A escolha dos grupos prioritários segue recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e são considerados pelo Ministério da Saúde mais suscetíveis ao agravamento de doenças respiratórios.

Até o dia 9 de maio, 13,6 milhões de pessoas foram vacinadas no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. A meta do governo federal é imunizar 54 milhões pessoas.

Reações adversas

Após a aplicação da vacina, podem ocorrer, de forma rara, dor, vermelhidão e endurecimento no local da injeção. Os efeitos costumam passar em 48 horas.

A vacina é contraindicada para pessoas com histórico de reação anafilática prévia em doses anteriores ou para pessoas que tenham alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados. É recomendado que pessoas com esse perfil busquem orientação médica antes de tomar a vacina.  

Em busca de tratamento médico, pacientes de vários municípios de Pernambuco chegam a enfrentar centenas de quilômetros até o Recife por causa da falta de atendimento especializado em cidades do interior. Em 2017, o Ministério da Saúde gastou R$ 13,8 milhões para o transporte dos pacientes no estado, dinheiro entregue aos municípios para Tratamento Fora do Domicílio (TFD).

Durante duas madrugadas, a TV Globo acompanhou a chegada de quem sai do interior para se tratar na capital pernambucana. Os primeiros ônibus chegam ao Recife logo depois das 4h. O Hospital das Clínicas, na Zona Oeste da cidade, por exemplo, é a quarta parada do ônibus que sai de Água Preta, na Zona da Mata Sul, às 2h40.

O motorista Cristiano Gomes é quem leva os pacientes do município para a capital. “Num dia calmo, é comum pararmos em oito hospitais. O normal, mesmo, é de 12 a 17 hospitais”, diz o condutor.

Todos os dias, um grupo sai de São Vicente Férrer, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, sob a coordenação de Maria José Maranhão, responsável pelo TFD no município. Ela cuida de 45 passageiros diariamente.

“O ônibus vai ao Recife todos os dias, de segunda-feira a sexta-feira. O município não oferece os exames que os passageiros precisam. Por isso, a gente traz”, explica Maria José.

Para a médica oncologista Carolina Branco, as viagens dos pacientes à capital causam mais problemas que o transtorno logístico, pois afetam também a saúde e a eficácia do tratamento ao qual se submetem. Para ela, a solução seria descentralizar o atendimento médico.

Os recursos do TFD são destinados a pacientes que não conseguem o tratamento de que precisam na cidade onde moram. A verba repassada pelo Ministério da Saúde é dividida em transportes terrestre e aéreo, aluguel de casa de apoio, alimentação, folha de pagamento, ajudas de custo e ambulâncias.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que, dos R$ 13,8 milhões destinados ao TFD em Pernambuco em 2017, R$ 2,8 milhões foram destinados ao município de Petrolina, no Sertão do estado, que recebeu a maior quantia referente à verba. Em seguida, vêm às cidades de Tabira e Dormentes, no Sertão, que receberam R$ 693,6 mil e R$ 526,7 mil, respectivamente. Em quarto lugar, está o Recife, com R$ 481,4 mil.

A síndrome respiratória aguda grave é uma das complicações mais delicadas da gripe. É caracterizada por febre, tosse ou dor de garganta, sintomas associados à dispneia ou desconforto respiratório. Há necessidade de os pacientes serem internados (Foto: Diego Nigro/JC Imagem)

O Estado de Pernambuco confirma, na tarde desta terça-feira (08), a terceira morte do ano de paciente com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) que apresentou resultado laboratorial positivo para o vírus H1N1. A informação está no boletim que contempla dados até o dia 28 de abril. Além disso, subiu para 60 o número de pessoas que adoeceram por gripe, considerando casos leves e graves de H1N1, H3N2 e influenza B.

O balanço ainda registra 452 casos de SRAG, com 14 resultados positivos para H1N1 e 10 para H3N2. Somados a esses casos, há os quadros de síndrome gripal, que congrega 23 confirmações para H1N1, 12 de H3N2 e 1 de influenza B.

O número de casos de SRAG, neste ano, representa uma diminuição de 30,4% em relação a 2017, quando foram registrados 650 adoecimentos, sendo 62 para H3N2, 8 de influenza B, 3 de vírus sincicial respiratório (VSR) e 1 de para influenza.

Mobilização

No próximo sábado (12), o Brasil estará empenhado no Dia D da Campanha de Vacinação contra a Influenza. Nessa data, apenas em Pernambuco, cerca de 5 mil pontos de vacinação, entre postos de saúde e unidades volantes, estarão recebendo a população inclusa nos grupos prioritários para se imunizar contra a doença. No Estado, 2.399.361 pessoas estão aptas a participar da campanha. Até o momento, 414.875 pernambucanos (17,2%) foram imunizados.

A campanha de vacinação contra a influenza é voltada para idosos, crianças de 6 meses a menores de 5 anos (4 anos, 11 meses e 29 dias), gestantes, puérperas (mulheres até 45 dias após o parto), trabalhador de saúde, professores, povos indígenas, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional. Também contempla pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais: doença respiratória crônica, cardíaca crônica, renal crônica, hepática crônica, neurológica crônica, diabetes, imunossupressão, obesidade, pessoas que passaram por transplante e com trissomias.

Em doenças agudas febris moderadas ou graves, recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro. As pessoas com história de alergia a ovo, que apresentem apenas urticária após a exposição, podem receber a vacina da influenza mediante adoção de medidas de segurança. A vacina é contraindicada para pessoas com história de reação anafilática prévia em doses anteriores bem como a qualquer componente da vacina ou alergia comprovada grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados.

A vacina contra a gripe protege contra os três tipos de vírus de influenza que atualmente circulam no Brasil: o H1N1, o H3N2 e o B / Foto: ABr/Fotos Públicas

Uma idosa de 74 anos, com doença crônica, faleceu no dia 17 de abril e teve resultado positivo para o vírus H1N1. Inicialmente, o boletim da Secretaria Estadual de Saúde (SES), divulgado na tarde desta quarta-feira (02), associou o óbito ao vírus H3N2. Mas depois o órgão corrigiu a informação e confirmou a morte como relacionada ao H1N1.

A mulher era residente de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. É a segunda morte associada à gripe este ano em Pernambuco. A SES acrescenta que, até o momento, “foram dois resultados laboratoriais positivos para influenza de pacientes com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) que evoluíram para óbito”.

Outra vítima em Pernambuco

O primeiro caso, anunciado na última semana, estava relacionado ao H1N1. Era um paciente de 45 anos, do Recife, que faleceu em 24 de abril. O homem, segundo a SES, tinha doenças crônicas. “Já uma paciente de 74 anos, também com comorbidade (coexistência de doenças), faleceu no dia 17 de abril e teve resultado positivo para influenza A (H1N1).”

De acordo com o boletim da semana 16, que compreende o período até o dia 21 de abril, Pernambuco registrou 372 casos de SRAG, com sete resultados positivos para H1N1 e oito para H3N2. O número de casos de SRAG este ano representa uma diminuição de 36,5% em relação a 2017, quando foram registrados 586 adoecimentos, sendo 59 para H3N2, oito para influenza B, dois de vírus sincicial respiratório (VSR) e um de para influenza.

Vacina contra gripe fornece elevada proteção contra as complicações associadas à gripe e que são responsáveis por internações e morte /  Foto: Miva Filho/SES/Divulgação

Um paciente de 45 anos, notificado em 16 de abril com síndrome respiratória aguda grave (SRAG), no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), veio a óbito na última terça-feira (24). Após análise laboratorial, feita pelo Laboratório Central de Pernambuco (Lacen-PE) e divulgada na quinta-feira (26), foi constatada a presença do vírus da gripe H1N1 nas amostras coletadas.

A informação foi confirmada, em nota, pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) na manhã desta sexta-feira (26). O órgão acrescenta que, junto à unidade de saúde e ao município de origem do paciente (Recife), por meio da secretaria municipal de Saúde, investiga o caso do homem, que tinha comorbidade (doença crônica), o que pode ter contribuído para o agravamento do quadro de gripe.

A SES destaca que está permanentemente monitorando a circulação dos vírus respiratórios no Estado e que os casos de SRAG reduziram 38,5% em relação ao mesmo período de 2017. Rotineiramente, o órgão também está em contato com os serviços de saúde e com os municípios para reforçar a importância da notificação de SRAG, condição em que há a internação do paciente, e do uso da medicação (oseltamivir) para os casos com recomendação.

Cenário em Pernambuco

Entre quadros graves e leves de gripe, Pernambuco confirma pelo menos 18 casos de pessoas que já adoeceram devido à infecção pelos vírus respiratórios H1N1, H3N2 e influenza B. O número está no boletim epidemiológico da semana 15, divulgado ontem pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), e que compreende dados deste ano até o dia 14 de abril. A partir desse balanço, percebe-se que, em duas semanas, o Estado mais que triplica o número de casos, já que eram cinco confirmações de gripe até o dia 31 de março.

Os resultados positivos do último boletim estão dentro da notificação de 315 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), condição em que há necessidade de internação de pacientes com febre, tosse ou dor de garganta associado à dispneia ou desconforto respiratório. Entre esses casos, um resultado positivo foi para H1N1 e quatro para H3N2. Já em relação aos casos da síndrome gripal, que engloba os adoecimentos leves de infecção pelos vírus, foram confirmados oito casos de H1N1, quatro de influenza H3N2 e um de influenza B.

“Observamos um crescimento nas notificações ao longo de 15 dias. É um cenário que segue a tendência nacional. Além dos números oficiais, médicos das redes pública e privada de saúde relatam aumento de casos de SRAG com possibilidade de estarem associados à influenza. Mas só os exames laboratoriais podem atestar essa relação”, diz o infectologista Paulo Sérgio Ramos, da Fiocruz Pernambuco e do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Imunização

A SES também reforça que os municípios pernambucanos estão abastecidos da vacina contra a gripe, que protege contra três vírus em circulação: H1N1, H3N2 e B. Ao todo, mais de 2,3 milhões de pernambucanos estão aptos a participar da campanha. Fazem parte dos grupos prioritários: idosos, crianças de 6 meses a menores de 5 anos (4 anos, 11 meses e 29 dias), gestantes, puérperas (mulheres até 45 dias após o parto), trabalhador de saúde, professores, povos indígenas, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional.

A campanha de vacinação contra a gripe também contempla pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais: doença respiratória crônica, cardíaca crônica, renal crônica, hepática crônica, neurológica crônica; diabetes, imunossupressão, obesos, transplantados e indivíduos com trissomias. A expectativa é imunizar, no mínimo, 90% do público prioritário.

Em doenças agudas febris moderadas ou graves, recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro. As pessoas com história de alergia a ovo, que apresentem apenas urticária após a exposição, podem receber a vacina da gripe mediante adoção de medidas de segurança. A vacina é contraindicada para pessoas com história de reação anafilática prévia em doses anteriores bem como a qualquer componente da vacina ou alergia comprovada grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados.

O Ministério da Saúde começa na segunda-feira (23) a 20ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe em todo o Brasil. O Dia D da mobilização nacional para vacinação será em 12 de maio. Mais de 54 milhões de pessoas que fazem do grupo prioritário podem tomar a vacina.

O grupo é formado por pessoas a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 5 anos, trabalhadores da saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes, mulheres até 45 dias após o parto, a população carcerária (incluindo adolescentes e jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas) e os funcionários do sistema prisional.

A campanha termina no dia 1º de junho e não haverá prorrogação. Durante a mobilização nacional em maio, estarão abertos 65 mil postos de vacinação.

Foto: Osnei Restio / Prefeitura de Nova Odessa

A Influenza A H1N1 causou 12 mortes no estado da Bahia. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (18) pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), que realizou levantamento até o último dia (14). Os casos foram confirmados em 16 municípios e os óbitos foram registrados em apenas cinco municípios que foram: Camaçari, Lauro de Freiras, Saúde e Serrinha, com uma morte cada, e Salvador com oito óbitos.

Segundo a Sesab, dentre os óbitos registrados cinco foram de pessoas maiores de 60 anos, uma morte de um paciente com faixa estaria entre 40 a 49 anos. Dentre crianças, houve três pacientes menores de dois anos e uma na faixa de 2 a 4 anos de idade. E dois pacientes jovens entre 20 e 29 anos.

A transmissão da Influenza A H1N1 é pode ser transmitida por um vírus da mesma família da gripe e o contágio pode ser através da tosse, secreções respiratórias ou espirro. Ambientes fechados e aglomerados, manter contato com alguém infectado são fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Segundo a Sesab, a meta para imunizar a população baiana é de 90% e o início da campanha será na próxima segunda-feira (23).

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Agência Brasil

Um estudo desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz em parceria com a organização Médico Sem Fronteiras (MSF), mostrou que profissionais de saúde sabem pouco sobre métodos de diagnóstico e tratamento da Doença de Chagas no Brasil. O resultado da pesquisa foi divulgado na Universidade de Brasília às vésperas do Dia Mundial de Combate à Doença de Chagas, lembrado neste sábado (14).

Entre os profissionais de unidades básicas de Saúde ouvidos em seis municípios brasileiros, apenas 32% conheciam os procedimentos de diagnóstico da doença. Quando questionados sobre o tratamento da doença, 41% afirmaram saber que existe um medicamento específico para a doença, mas somente 14% sabiam dizer o tipo de medicamento indicado.

O epidemiologista da Unidade Médica Brasileira do Médico Sem Fronteiras, Juan Carlos Cubides, explicou que o objetivo do estudo era justamente mostrar a negligência com a doença de Chagas no país e documentá-la, pois faltam números oficiais sobre o problema.

Segundo ele, o resultado do estudo demonstra a invisibilidade da doença nas unidades básicas de saúde. “Muitas vezes o médico tem um paciente com sintomas de Chagas mas ele não pensa na doença. Não sabe fazer o diagnóstico e nem que medicamento utilizar”, disse. “Isso contrasta fortemente com o que acontece nos Centros de Referência, obviamente, onde 90% dos profissionais conhecem os testes de diagnóstico e o tratamento indicado.”

Usuários

O levantamento foi feito com profissionais de saúde, gestores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em seis cidades brasileiras com histórico de casos de Chagas ou que têm centros de referência para o tratamento da doença e demonstrou que entre os usuários também há muita desinformação. Entre os 177 usuários das unidades básicas ouvidos, que não têm a doença, menos de 30% sabiam que é possível curar a doença na fase aguda.

No total, foram entrevistadas 269 pessoas, sendo 230 usuários do SUS, 53 pessoas afetadas por Chagas e 39 profissionais de saúde e gestores.

Negligência

A analista em Assuntos Humanitários do MSF, Vitória de Paula Ramos, destacou que a doença de Chagas faz parte da lista de doenças negligenciadas da Organização Mundial da Saúde. “As doenças negligenciadas como um todo fazem cada vez menos parte dos currículos das universidades, então os próprios profissionais de saúde desconhecem o tema”, disse.

Ela explicou que essas doenças afetam populações também negligenciadas, que vivem em situação de pobreza e que têm acesso escasso a cuidados com a saúde. “Além disso, existem poucos recursos para pesquisas e desenvolvimento de novos medicamentos e formas de diagnóstico. Essas doenças são muitas vezes esquecidas nas políticas públicas, há poucas políticas para endereçar e resolver o problema dessas doenças. Algumas podem ser erradicadas, outras não, mas todas podem ser pelo menos controladas, como é o caso da doença de Chagas.”, explicou.

Segundo Vitória, o Brasil evoluiu muito no que diz respeito a frear a transmissão da doença, mas agora precisa avançar no diagnóstico: “Foram feitos muitos esforços em relação ao controle do vetor que transmite a doença, o inseto conhecido como Barbeiro, então nas últimas décadas teve esse investimento muito grande, porém nunca foi dado o segundo passo, que é dar atenção a essas pessoas que foram infectadas há décadas e aos novos casos também.”

Vitória Ramos esclareceu que atualmente ainda há novos casos registrados no país, especialmente pela transmissão oral, que ocorre por ingestão de alimentos contaminados. “É muito menos expressivo do que já foi um dia, mas ainda existe. O que estamos pedindo agora é que as políticas se voltem para as pessoas afetadas por Chagas, que essas pessoas possam ser diagnosticadas e tratadas na atenção básica de saúde.”

A doença

A estimativa da Organização Mundial da Saúde é de que hoje entre 6 e 8 milhões de pessoas no mundo estão infectadas. No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, entre 1,9 milhão e 4,6 milhões de pessoas são afetadas pela doença de Chagas e cerca de 6 mil morrem anualmente devido a complicações crônicas.

A cardiologista Andréa Silvestre de Sousa, pesquisadora em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, explicou que a doença de Chagas é uma doença infecciosa causada por um parasita, o protozoário Trypanosoma cruzi, que entra na corrente sanguínea. A doença tem duas fases bem definidas, uma aguda, muitas vezes assintomática, e uma crônica. “Se a doença for diagnosticada na fase aguda há chances de cura com o tratamento”, explicou.

O medicamento usado para o tratamento de Chagas é o mesmo usado há décadas. “Como é uma doença negligenciada, ainda se usa o mesmo remédio que foi desenvolvido na década de 1960, o Benzonidazol, mas é importante destacar que ele pode curar ou diminuir as taxas de progressão da doença para a fase crônica”, disse.

Se a doença não for tratada, o paciente pode permanecer com o parasita no sangue por décadas de forma latente, sem nenhum sintoma e sem saber que está infectado. “A pessoa não sabe que está infectada, desconhece as consequências da doença caso se torne crônica e não busca esse diagnóstico, até passar para a fase crônica.”

Na fase crônica e sintomática da doença, o indivíduo pode desenvolver cardiopatias e manifestações digestivas, como problemas no esôfago e no intestino. Mas a cardiologista garante que apesar de a cardiopatia causada por Chagas ser muito temida pelo senso comum, ela pode ser tratada e, mesmo que não haja cura, a pessoa infectada pode ter qualidade de vida por muitos anos.

Diagnóstico

“Se a pessoa tem na família casos da doença de Chagas, se viveu em condições de risco no passado em áreas endêmicas da doença no Brasil, deve procurar fazer o exame”, recomenda Andréa Silvestre de Sousa.

O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue específicos para as fases aguda e crônica. A médica explicou que apesar de a fase aguda ser muitas vezes assintomática, os profissionais de saúde e a população devem considerar o histórico epidemiológico para solicitar o exame.

“O Brasil avançou no controle da transmissão. Se a gente controla hoje, é porque sabemos que milhões de pessoas foram infectadas nas décadas passadas e hoje estão vivendo com a doença, muitas vezes sem saber. É preciso disponibilizar o diagnóstico através da busca ativa de casos de pessoas que têm uma história epidemiológica positiva, assim como parentes de pessoas que viveram nessas mesmas condições de vulnerabilidade social, condições inadequadas de moradia, filhos de mães com doença de Chagas, já que existe também uma transmissão congênita. Enfim, é preciso buscar esses casos”, disse Andréa.

Além disso, a médica destaca a importância de os profissionais de saúde serem amplamente orientados. “Também é preciso ter um grau de suspeição diagnóstica entre os próprios médicos, porque às vezes eles estão diante de uma cardiopatia e se esquecem da Chagas como uma possível etiologia base e que demanda intervenções mais específicas”, disse.