Saúde

No último dia da campanha, Ministério pretende vacinar 118 mil crianças

Termina nesta sexta-feira (14) a campanha de vacinação contra o sarampo e a poliomielite em todo o Brasil. A campanha, que teve início em 6 de agosto, aplicou 22,4 milhões de doses de vacina — 11,2 milhões contra cada uma das doenças alvo. Da meta de vacinar 95% das crianças entre 1 e menos de 5 anos, 94% do público-alvo foi vacinado até esta quinta-feira (13). A intenção é de, até o fim do dia, vacinar mais 118 mil crianças.

Entre os Estados que precisam de mais atenção estão o Rio de Janeiro, que vacinou 78,67% das crianças contra o sarampo e 79,94% contra a pólio, Roraima, Acre, Piauí e Distrito Federal. Os Estados do Amazonas, Pará, Tocantins, Rio Grande do Norte, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso também não atingiram a meta.

Já os Estados que superaram essa meta são Rondônia, Amapá, Pernambuco e Santa Catarina. Os demais Estados conseguiram atingir o objetivo de vacinação.

A vacina contra o sarampo engloba duas doses. A primeira é a da tríplice viral, que protege também contra caxumba e rubéola e deve ser dada logo após a criança completar 1 ano. A segunda dose é a tetraviral, que inclui a proteção à varicela (a catapora), aos 15 meses (1 ano e três meses de vida).

Já a imunização contra a poliomielite é composta por cinco doses de vacina. As duas primeiras doses, aos 2 e 4 meses de idade, são injetáveis. As outras três, aos 6 meses, 15 meses e 4 anos, são por via oral, as famosas gotinhas. Com informações do R7.com.

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A saúde é a área mais prioritária que deve ser acompanhada pelo próximo governador de Pernambuco na opinião de pelo menos 47% dos pernambucanos, como mostra a pesquisa Ibope encomendada pelo Jornal do Commercio e TV Globo. As outras áreas citadas são educação (12%), segurança pública (11%) e a geração de empregos (7%). “A crise na saúde é mais séria no Brasil e no Estado. As pessoas estão elegendo como prioridade coisas mais vitais ligadas à sobrevivência, como saúde, alimentação e segurança. Por causa da recessão, a população ficou mais pobre”, resume o professor aposentado da UFPE, Aécio Gomes de Matos.

A saúde passou a ser uma preocupação grande, porque milhares de pessoas ficaram sem condições de pagar pelos planos de saúde, voltando a ser usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) por causa da recessão, que provocou a perda do emprego. Somente para o leitor ter ideia, deixaram de ter plano de saúde no Brasil 465.476 pessoas, incluindo 34.525 pernambucanos no período de outubro de 2016 a outubro de 2017. 

A cientista política Priscila Lapa explica que várias das preocupações citadas pelo eleitor na pesquisa estão relacionadas às perdas do poder de compra incluindo serviços como educação e saúde. Além dos planos de saúde, muitas pessoas tiraram os seus filhos de colégios particulares e colocaram na rede pública de ensino. “O SUS continua com os problemas que sempre teve, mas as pessoas voltaram a usá-lo e aí passaram a se preocupar mais com isso”, argumenta.

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Com quatro casos de sarampo já confirmados este ano – em quatro pessoas de uma mesma família do Recife – a Secretaria de Saúde do Estado (SES) investiga agora notificações em 23 cidades, em todas as regiões. Os registros aumentaram de 50 para 65 nos últimos 15 dias. De acordo com a SES, o crescimento do número de casos em investigação no Estado é esperado e demonstra que a vigilância está sendo realizada de maneira eficiente. Na noite de ontem, a assessoria não conseguiu colocar a reportagem em contato com um representante da pasta. 

A investigação acontece em oito dos 15 municípios da Região Metropolitana: Abreu e Lima, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Igarassu, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista e Recife. Em Vitória de Santo Antão e Timbaúba, na Zona da Mata; Sirinhaém, no Litoral Sul; Orobó, Bezerros, Caruaru, Cupira, Sanharó e Pedra, no Agreste. Também há registros em análise no Sertão: Custódia, Solidão, Venturosa, Salgueiro, Petrolina e Bodocó.

Na manhã de ontem, no Recife, houve ação de prevenção, promovida pela Secretaria de Saúde do município. Alunos e professores do Colégio Militar do Recife (CMR), na Zona Oeste da capital, foram vacinados contra o sarampo. A medida foi tomada depois que um professor da instituição apresentou sintomas da doença. O bloqueio seletivo, que analisa a situação vacinal, foi realizado pela equipe de epidemiologia. 

O professor, de 33 anos, ainda não retomou as atividades no CMR. Segundo o coronel João Alberto Nunes, que comanda a instituição, o controle sanitário é forte e a vacinação é um hábito no ambiente militar. “Para entrar no Colégio Militar, os jovens passam por uma série de exames e acompanhamentos médicos. Como aqui 85% dos alunos são filhos de militar, há uma cultura muito forte de vacinação, já que viajamos por todo o País”, comenta. 

Ainda segundo ele, foi analisada a situação vacinal de alunos do 2º e 3º ano do ensino médio e professores, além da família do docente. “Ele foi atendido em um hospital da rede privada e a unidade notificou a Secretaria de Saúde, que foi até a casa dele e fez a imunização da família. Por último, veio ao colégio para a ação preventiva.” 

De acordo com a secretaria, só foi imunizado quem não estava com o cartão de vacinas ou quem não tinha como comprovar o esquema completo de vacinação. O bloqueio faz parte das medidas para reduzir os riscos de epidemia da doença. Desde o início do ano, 41 casos suspeitos foram notificados no Recife. Desses, 24 foram descartados, 4 confirmados e 13 seguem em investigação. 

Até a última terça-feira, foram confirmados 1.579 casos de sarampo no Brasil. Outros 7.513 continuam sendo investigados. O País registrou surtos nos Estados do Amazonas e Roraima, com 1.232 e 301 casos confirmados.

O Ministério da Saúde prorrogou até 14 de setembro a Campanha Nacional de Vacinação contra Pólio e Sarampo. Pelos dados preliminares, a média de vacinação está em 88%. Em apenas sete estados a meta de vacinar pelo menos 95% do público-alvo foi atingida.

Estados e municípios que não atingiram a meta devem manter a campanha por mais 15 dias. Devem ser vacinadas contra a poliomielite o sarampo crianças de 1 ano a 4 anos e 11 meses.

Até o momento, mais de 1,3 milhão de crianças não recebeu o reforço dessas vacinas. A recomendação é que estados e municípios façam busca ativa para garantir que o público-alvo da campanha seja vacinado.

Dados

Os estados que atingiram a meta de vacinação são Amapá, Santa Catarina, Pernambuco, Rondônia, Espírito Santo, Sergipe e Maranhão.

O Rio de Janeiro continua com o menor índice de vacinação, seguido por Roraima, Pará, Piauí, Distrito Federal, Acre, Bahia, Rio Grande do Sul, São Paulo, Alagoas, Rio Grande do Norte e Amazonas.

Em todo o país, foram aplicadas mais de 19,7 milhões de doses das vacinas (cerca de 9,8 milhões de cada).

Vacinação contra sarampo e pólio tem dia extra neste sábado

A poucas horas do fim da campanha nacional de vacinação contra sarampo e poliomielite, nesta sexta-feira (31), balanço do Ministério da Saúde apontava que cerca de 2,2 milhões de crianças entre um e cinco anos de idade ainda não foram vacinadas.

O índice equivale a 20% do público-alvo da campanha, formado por 11,2 milhões de crianças nessa faixa etária. A vacina é indicada independentemente da situação vacinal anterior.

O objetivo é reforçar a imunização e conter o avanço do sarampo no país, doença que já leva a surtos na região Norte.

Em meio a essa dificuldade, o Ministério da Saúde passou a orientar estados e municípios que ainda não atingiram a meta de vacinar 95% das crianças para que mantenham postos de saúde abertos por horário estendido neste sábado (1º).

Na prática, a medida deve funcionar como um segundo “dia D” da campanha de vacinação. O primeiro ocorreu em 18 de agosto.

A mobilização, porém, dependerá da adesão das secretarias de saúde. A recomendação é que pais verifiquem com a secretaria de seu município quais postos estarão abertos.

Em São Paulo, a secretaria estadual da Saúde confirmou a realização de um novo “dia D” neste sábado. As estratégias poderão variar em cada município. Na capital paulista, cerca de 90 postos de saúde estarão de plantão.

No estado, há 2,2 milhões de crianças na faixa etária de 1 a 5 anos, e mais de 1,7 milhão delas já havia sido vacinadas contra as duas doenças durante a campanha.

Até a manhã desta sexta-feira (31), apenas três estados já tinham alcançado a meta de vacinar até 95% das crianças dessa faixa etária: Amapá, Rondônia e Pernambuco.

Em outros dez, o desafio é maior por estarem abaixo da atual média nacional de 80% das crianças vacinadas. Destes, o estado com o menor índice de vacinação é o Rio de Janeiro, seguido de Roraima e Distrito Federal.

Apesar dos baixos índices, ainda não há decisão sobre uma possível prorrogação da campanha de vacinação a nível nacional. A situação dependerá da adesão ao segundo dia D.

Estados, porém, terão autonomia para esticar os prazos. No último fim de semana, por exemplo, novos dias de mobilização já haviam sido realizados em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Espírito Santo e Amapá.

REFORÇO

Neste ano, a campanha de vacinação é “indiscriminada”, o que significa que mesmo crianças que estão com a carteirinha de vacinação em dia devem receber novas doses de reforço contra as duas doenças. O objetivo é elevar a cobertura vacinal no país e reforçar a proteção de já vacinados. Desde fevereiro, o país já registra 1.553 casos de sarampo, com sete mortes. Outros 6.975 casos permanecem em investigação.

Já a poliomielite preocupa diante da queda nas coberturas vacinais, o que aumenta o risco de retorno da doença caso haja nova reintrodução do vírus no país e contato com não vacinados. Durante a mobilização, a aplicação das doses tem esquemas diferentes dependendo da situação vacinal de cada criança.

Crianças que nunca tomaram nenhuma dose de vacina contra a pólio, por exemplo, devem receber uma dose da VIP (vacina injetável).

Já aquelas que já tiverem tomado uma ou mais doses recebem a VOP (vacina oral), conhecida como gotinha. A ideia é reforçar a imunização contra a doença.

Contra o sarampo, a campanha prevê que todas as crianças recebam uma dose da vacina tríplice viral. A exceção são aquelas que já foram vacinadas nos últimos 30 dias.

Segundo as secretarias de saúde, a vacina é contraindicada apenas para crianças imunodeprimidas, como aquelas submetidas a tratamento de leucemia e pacientes de câncer.

Já crianças alérgicas à proteína lactoalbumina, presente no leite de vaca, devem informar o quadro às equipes de saúde. Neste caso, elas recebem outra vacina contra sarampo, produzida pelo instituto BioManguinhos. Com informações da Folhapress.

Campanha de vacinação contra polio e sarampo atinge meta em 76 cidades de Pernambuco

O Recife imunizou 100% do público-alvo da campanha de vacinação contra o sarampo e a poliomielite, nesta quinta-feira (30). Até à tarde, mais de 80 mil crianças foram vacinadas na capital. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde aos municípios é de 95% das crianças com idade entre um e cinco anos incompletos. Em Pernambuco, 76 cidades atingiram essa meta para a poliomielite e 74 para a imunização contra o sarampo.

No estado, a campanha abrange 544.178 crianças e, dessas, 93,73% (equivalente a 510.032) foram vacinadas contra poliomielite e 93,44% (correspondente a 508.457 pessoas) receberam a imunização contra o sarampo.

A campanha segue até a sexta (31) e 10 postos de saúde no Recife funcionam no terceiro turno, das 17h às 21h. Apesar disso, as vacinas fazem parte do calendário regular de imunização e continuam sendo aplicadas mediante apresentação do cartão de vacinação.

Na quarta (29), Pernambuco confirmou mais dois casos de sarampo. Com isso, o estado soma quatro confirmações da doença. Segundo as secretarias de Saúde do estado e do Recife, as ocorrências foram registradas na capital pernambucana em dois jovens: um garoto de 13 anos e uma mulher de 19 anos.

Eles são parentes das duas pessoas que tiveram a doença confirmada no dia 13 de agosto. Os outros dois casos de sarampo que já tinham sido confirmados em agosto são de um homem de 27 anos que viajou para Manaus, onde há surto da doença, e uma menina de 2 anos, parente dele.

O governo estadual descartou outro caso investigado, de uma mulher de 42 anos, que também tinha relação com o grupo de infectados.

Em 2018, Pernambuco notificou 128 casos suspeitos de sarampo. Desse total, 74 foram descartados, quatro confirmados e os demais estão em investigação. Antes deste ano, foram confirmados 199 casos de sarampo em 2013 e 27 em 2014, além de um caso importado em 2012. Anteriormente, o último registro tinha sido em 1999, com 240 casos.

O sarampo é uma doença infecciosa exantemática aguda, transmissível e extremamente contagiosa, acomete principalmente crianças com até 5 anos e pode provocar morte. A transmissão ocorre de pessoa a pessoa, por meio de secreções respiratórias, no período de quatro a seis dias antes do aparecimento do exantema (mancha avermelhada na pele) e até quatro dias após.

Entre os sintomas da doença, estão febre alta, acima de 38,5°C, manchas avermelhadas (exantema) generalizadas pelo corpo, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik (pequenos pontos brancos que aparecem na mucosa bucal, antecedendo ao exantema). As complicações mais comuns são pneumonia, otite, doenças diarreicas e neurológicas.

Para evitar o sarampo, a indicação é utilizar a vacina tríplice viral, que ainda protege contra a rubéola e a caxumba. Na rotina, a tríplice deve ser aplicada em crianças com 12 meses, com um reforço aos 15 meses com a tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

Para crianças acima de 2 anos e jovens e adultos até os 29 anos, não vacinados anteriormente ou que não se lembram, devem ser feitas duas doses da tríplice viral, com intervalo de 30 dias entre elas. Adultos entre 30 e 49 anos (não imunizados ou que não lembram) devem tomar uma dose da tríplice.

Profissionais de saúde não vacinados devem tomar duas doses da vacina tríplice viral, independente da idade. Essas doses são disponibilizadas durante todo o ano nos postos de vacinação de todos os municípios de Pernambuco. Com informações do G1/PE.

Elaine Silva pagou por um exame de imagem porque pelo SUS demoraria muito

Insuficiente. Essa foi à percepção sobre a rede de atenção aos pacientes com doenças reumatológicas no Estado depois de análise conduzida pela pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, Suélem Barros. O estudo, concluído este ano, revela problemas que agravam o sofrimento de quem busca atendimento em todo o território como a concentração de profissionais e de serviços na Região Metropolitana do Recife (RMR) e a falta de abordagens multifatoriais ao problema de saúde, que na maioria das vezes deságua apenas em tratamentos medicamentosos. Em números, a pesquisadora aponta que 70% dos reumatologistas estão na RMR, 41% dos atendimentos ambulatoriais são no Recife e 87,15% das internações em reumatologia ocorreram apenas na Capital. Para as analises foram revisados dados da assistência à saúde de 2010 a 2017.

Outro fato que complica uma política pública é a inexistência de estatísticas oficiais de quantos pernambucanos convivem com doenças reumatológicas (DR). Sabe-se, contudo que mais de 70 mil pessoas foram afetadas pela chikungunya de 2015 a 2017. A arbovirose comprovadamente gera quadros reumatológicos permanentes, a exemplo da artrite. De acordo com levantamentos acadêmicos sobre o tema, a taxa de cronificação da doença, que é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, é de 30%. Isso significa 21 mil pessoas a mais em busca de diagnóstico e tratamento apenas nos últimos três anos. “Identificamos que Pernambuco não apresenta uma rede de atenção à saúde específica para o acompanhamento de pacientes reumatológicos, embora apresente uma série de componentes estruturais indispensáveis para o seu funcionamento. Mas não é suficiente ter os componentes, eles precisam funcionar em rede, precisam dialogar com o intuito de dar resolutividade às questões reumatológicas e, também, prevenir o surgimento de doenças por meio de estratégias de promoção à saúde”, explicou a pesquisadora Suélem Barros.

Ela comentou ainda que a atenção aos pacientes com DR ainda é pautada exclusivamente nos atendimentos realizados pelos médicos especialistas, que se concentram na RMR, com os serviços de média e alta complexidade, havendo pouca ênfase para o trabalho de uma equipe profissional interdisciplinar, descrita na literatura como necessária para assistência desses pacientes. “A atenção à saúde do paciente reumatológico, centrada no profissional médico e valorizada do ponto de vista farmacêutico, também é preocupante, pois é reflexo do arcaico modelo de saúde aplicado nos dias atuais. Demonstra uma assistência à saúde limitada para as reais necessidades destes usuários, portadores de condições crônicas e pouco envolvida com a promoção da saúde, mudança de estilo de vida e prevenção de incapacidades funcionais”, explicou.

A doméstica Clarita Coelho, 31 anos, é um desses casos. Há dois anos, a chikungunya a pegou. “Sentia muitas dores. Ainda hoje, quando acordo e coloco os pés no chão, ainda dói. Só depois de algum tempo é que vai passando”, contou. No início, para aliviar as dores e inchaço nas articulações buscou as UPAs, mas não conseguia ficar boa por muito tempo. “Quando ia para as emergências, como na UPA, só passavam remédios ‘besteirinha’ como dipirona, tylenol, e isso ai não resolvia. Ai diziam que não tinha remédio para isso não”, relembrou. No desespero, tomou por conta própria corticoide por três a quatro meses. Foi somente com a intervenção da patroa que ela conseguiu um acompanhamento médico mais direcionado no Hospital Barão de Lucena (HBL).

“A gente trabalhava mancando. Era horrível”, disse. Mesmo assim, Clarita Coelho contou que a assistência é feita por um clínico geral e até hoje não passou uma avaliação com reumatologista. Ela também nunca teve indicação para sessões de fisioterapia ou outra abordagem que não fosse a medicamentosa. “Era só remédio que ele passava. Aumentava a dosagem e pronto. Fiz uns exames de sangue, urina e fezes”.

A manicure Elaine Silva, 29, tem uma história parecida. Ela teve os sintomas do vírus há dois anos e, de lá para cá, o inchaço nos joelhos e tornozelos viraram rotina. “Antes eu não conseguia nem andar, gritava de dor e fui socorrida várias vezes. Nunca passavam um remédio que sarasse, porque diziam que não exista. Então, era só medicamento para passar a dor na hora”, relembrou. Tentando descobrir o que acontecia com as articulações, acabou pagando do próprio bolso exame de imagem, já que no SUS o teste iria demorar demais. “Paguei R$ 70 na época para fazer o exame já que se fosse depender do SUS, esse teste só sairia meses depois.”

Sobre a chikungunya, Suélem Barros classificou como indiscutível o aumento da demanda de usuários acometidos por problemas reumatológicos em decorrência deste vírus. Ela explicou, ainda, que as DRs vistas como sequelas deixadas pela chikungunya acabaram por dar visibilidade ao drama dos pacientes no Estado. “Acredito que (a chikungunya) gerou uma demanda maior de pacientes em busca de atendimento, em decorrência de problemas reumatológicos. Mas, por outro lado, acredito que foi positivo, por servir de alerta para necessidade de estruturação de uma rede de atenção para questões reumatológicas; foi importante para apontar fragilidades na assistência e despertar um olhar mais específico para os distúrbios musculoesqueléticos, um problema que cresce expressivamente”, destacou.

Estruturação de rede

A Secretaria Estadual de Saúde esclareceu que vem trabalhando na qualificação e ampliação da rede de atendimento em reumatologia do Estado. Ressaltou que Pernambuco é pioneiro na assistência específica para os casos de chikungunya, com a implantação, em agosto de 2016, de ambulatório no Hospital Getúlio Vargas voltado para o atendimento a pacientes com dores articulares crônicas provocadas pela arbovirose, que apresentem, por mais de 90 dias, dores articulares após o início dos sintomas (fase subaguda e/ou crônica). O Ambulatório de Acometimento Articular da Chikungunya conta com duas especialistas em reumatologia.

Sobre os resultados da insuficiência apontada pela pesquisa da Fiocruz, a pasta disse que a rede de reumatologia estadual está presente em todas as macrorregiões de Saúde do Estado, por meio das Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAEs) de Caruaru, Garanhuns, Salgueiro, Afogados da Ingazeira e Serra Talhada. Frisou também que toda a rede de UPAEs (dez ao todo) conta com o suporte de fisioterapia motora. Os hospitais das Clínicas (HC), Geral de Areias e Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) também ofertam a especialidade de reumatologia. A marcação é feita pelos municípios de residência do usuário, juntamente com a Regulação Ambulatorial do Estado, ou seja, o acesso à especialidade deve ser realizado, ainda, na Atenção Primária, após avaliação médica.

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A vacina contra a dengue, chamada de Dengvaxia, aumenta o risco de hospitalização ou de dengue grave das pessoas que nunca tiveram contato com o vírus, quando infectados pela primeira vez. Por outro lado, sua eficiência é maior quando aplicada em pessoas que já apresentaram algum subtipo da doença.

Essas constatações, obtidas após cinco anos de monitoramento, levaram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a anunciar a alteração na bula da vacina.

Foram feitas três alterações na bula da vacina Dengvaxia. A primeira, no sentido de restringir o uso para “indivíduos soropositivos”, referindo-se àqueles que já tiveram dengue e moram em áreas endêmicas.

A segunda alteração inclui, no texto, uma definição mais clara para o que é considerado “área endêmica”: aquelas onde pelo menos 70% das pessoas ou mais já tiveram contato com o vírus.

Por fim, inclui a contraindicação de uso da vacina para indivíduos que nunca tiveram dengue (soronegativos).

“Para a aprovação destas alterações, a Anvisa considerou que a vacina é comprovadamente eficaz na prevenção de um novo episódio de dengue para pessoas que já tiveram alguma forma da doença. Outro fator decisivo é o fato da Dengvaxia ser a única vacina para dengue aprovada no Brasil, que sazonalmente sofre com epidemias da doença”, informou a Anvisa por meio de nota, ao afirmar que essas alterações estão de acordo com recomendações feitas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Entenda por que vacinar crianças contra sarampo e poliomielite

Cerca de 4,1 milhões de crianças a partir de 1 ano e menores de 5 anos ainda não foram vacinadas contra sarampo e poliomielite. A campanha do governo federal termina na próxima sexta-feira (31) e tem o objetivo de alcançar pelo menos 95% das 11,2 milhões de crianças brasileiras dessa faixa etária.

Sem a devida cobertura, o Brasil pode voltar a ter casos tanto de sarampo quanto de poliomielite, a paralisia infantil. Mesmo as crianças que já foram vacinadas em outro momento da vida devem receber doses de reforço nos postos de saúde.

Contra a poliomielite, a administração é oral, em gotinhas; para o sarampo, a prevenção vem na forma da tríplice viral injetável, independentemente de a criança já ter sido vacinada ou não.

Por que vacinar?

Há quase 30 anos o Brasil não tem casos de poliomielite. Quanto ao sarampo, o País enfrenta atualmente uma epidemia na qual já foram confirmados mais de 1 mil casos. Apesar de o País ter conseguido erradicar as doenças, os agentes infecciosos continuam em circulação em algumas partes do mundo. Com a constante circulação também das pessoas entre os países e continentes, a infecção pode ocorrer com qualquer pessoa desprotegida.

O vírus causador do sarampo no Brasil, por exemplo, é o mesmo que circula na Venezuela. A poliomielite desapareceu nos anos 1990, mas o País inteiro está com baixa cobertura vacinal. Ou seja: as pessoas estão novamente em risco. Então, não tem outro jeito: a vacina é a única forma de controlar e eliminar as doenças e não permitir que elas voltem a colocar em risco a saúde das crianças.

Maior e menor cobertura

O destaque na adesão à campanha vai para a população do Amapá, onde 90,33% do público já foi vacinado contra pólio e 90,14% contra sarampo. Em segundo lugar, aparece Rondônia (89,86% contra pólio e 88,44% contra sarampo). Por outro lado, a cobertura está baixa no Rio de Janeiro (40,15% contra pólio e 41,45% contra sarampo) e em Roraima (44,61% contra pólio e 41,09% contra sarampo). Com informações do Portal Brasil. 

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O número de casos de leishmaniose confirmados em Pernambuco aumentou de 58 no primeiro semestre de 2016 para 100 no mesmo período deste ano. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e apontam um crescimento de 72% no número de casos em apenas dois anos.

No município de Toritama, no Agreste do estado, um homem de 59 anos morreu com suspeita de leishmaniose visceral. A causa da morte ainda não foi confirmada.

De acordo com o coordenador de zoonoses da SES, Francisco Duarte, o aumento dos casos é, na verdade, um reflexo do combate à subnotificação da doença, através do teste rápido para leishmaniose disponível nas unidades estaduais de saúde.

“Estamos detectando mais casos da doença e mais precocemente porque implementamos na rede de saúde o teste rápido da doença no ano passado. Antes o exame era mais demorado e mais complexo, o que fazia com que nem sempre fosse identificado”, afirma.

Para Duarte, o número de cães de rua também é um fator que aumenta o risco da proliferação doença nos centros urbanos. “Diferente de antigamente, quando os casos aconteciam mais no interior, hoje a doença está muito urbanizada. Houve uma adaptação. Então, com mais cães nas ruas, o risco aumenta muito”, explica o coordenador.

Duarte explica que o combate e prevenção à doença é feito pelas secretariais municipais, que identificam os cães contaminados através de dois tipos de exames. “Ainda não existe vacinas de leishmaniose para os cães no Brasil, mas há algumas em teste. Então é feito apenas o controle”, diz.

Já o combate ao mosquito flebótomo ainda é um empecilho na erradicação da leishmaniose, pois os criadouros do mosquito não são facilmente identificáveis, segundo o coordenador de zoonoses da SES. “Não encontramos larva ou ovos desse tipo de mosquito, não se sabe onde ele reproduz, diferente de outros como o Aedes aegypti. É uma grande interrogação”, afirma Fernando Duarte.

Caruaru, Goiana, Santa Cruz do Capibaribe, Tamandaré, Ouricuri, Petrolina e Carnaubeira da Penha são alguns municípios do estado considerados prioritários no combate da doença pela Secretaria Estadual de Saúde. “Essa prioridade nós avaliamos pelo alto número de casos registrados no passado e pela prevalência canina nesses municípios”, explica.

A leishmaniose é uma doença infecciosa não contagiosa causada por um protozoário. Ela é transmitida pelo mosquito flebótomo infectado, conhecido popularmente como “mosquito-palha”.

O ciclo da doença tem início quando uma fêmea que está infectada pica um animal, sendo o mais comum deles o cachorro. O cão, no entanto, não transmite a doença para outros cães ou para humanos, mas funciona como reservatório da doença. Assim, quando um mosquito macho pica um cão infectado e, em seguida, pica um humano, ele transmite a doença.

Nos humanos, a leishmaniose se apresenta de três maneiras: a cutânea, a muco-cutâncea e a visceral, sendo a última a mais letal.

Na forma cutânea, a mais comum das três, os sintomas são úlceras que aparecem na pele, geralmente em regiões expostas, como braço, rosto e pernas. Já a muco-cutânea, além da pele, atinge também a mucosa do nariz, boca e garganta.

Também conhecida como “calazar”, o tipo visceral da doença se apresenta com sintomas de febre alta constante, dores de cabeça, anemia, perda de peso e aumento do estômago (causado pelo aumento do baço e do fígado).

O diagnóstico da leishmaniose é feito através de exames clínicos e o tratamento da doença, através de medicamentos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a leishmaniose visceral é fatal em 95% dos casos que não são tratados.

Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde informa que casos de leishmaniose podem ser tratados em qualquer unidade de saúde. Já para casos graves, a principal referência é o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc).

Nos cães, a doença se manifesta através de sintomas como o emagrecimento, fraqueza, anemia, crescimento exagerado das unhas e lesões na pele ao redor do nariz, dos olhos e nas orelhas.

Para os casos confirmados de leishmaniose canina em animais de rua, o protocolo das secretarias de saúde indica que o cão seja eutanasiado. No entanto, para os cães que possuem dono, existe um tratamento possível de ser realizado, à base de medicamentos.

“O tratamento infelizmente é caro, longo e poucas pessoas podem custear. Por isso, na maioria das vezes o animal infectado é sacrificado”, explica Francisco Duarte. As informações são do G1/PE

Vacina é a melhor forma de prevenir a gripe / Divulgação SES

Apesar de ter vacinado 100% de seu público-alvo contra gripe, Pernambuco tem enfrentado um crescimento significativo dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), condição que pode ser provocada por diversos vírus e bactérias. Até o dia 28 de julho, 1.547 casos de SRAG foram registrados e 154 confirmados para vírus da gripe. No mesmo período do ano passado, foram 1.288 casos (20,1% a menos), com 110 confirmações (40% a menos). Já o número de óbitos com a presença de vírus da gripe confirmado é 360% maior este, passando de cinco, em 2017, para 23.

A SRAG é caracterizada pela necessidade de internação de pacientes com febre, tosse ou dor de garganta, associados à dispneia ou desconforto respiratório. Entre os óbitos deste ano, 34,8% (oito casos) foram de pessoas acima dos 60 anos. Outros 17,4% (quatro) foram de crianças menores de 2 anos, mesmo percentual para pessoas de 40 a 49 anos. Os exames laboratoriais confirmaram 15 óbitos com resultado positivo de influenza A(H1N1), sete de influenza A(H3N2) e um de influenza B.

O crescimento da SRAG mesmo com a cobertura vacinal adequada intriga especialistas. Com um público total de 2.399.361 pessoas prioritárias, o Estado vacinou 2.445.151 (101,9%) este ano. A cobertura de crianças foi de 89,79% , a de indígenas de 98,46% e as demais passaram dos 100%. Ainda assim, além das 23 mortes confirmadas por influenza este ano, há outros 19 óbitos por SRAG em investigação.

SEM EXPLICAÇÃO

“A gente não tem um argumento que justifique porque os casos (de adoecimento) e as mortes têm aumentado. Estamos tentando entender o que está acontecendo com a influenza, pois observamos algo que muda de padrão, que é a manutenção da curva epidêmica. Infelizmente ainda não temos explicação para isso”, declara a sanitarista Ana Antunes, gerente de Prevenção de Doenças Imunopreveníveis da Secretaria Estadual de Saúde (SES).

A gestora explica que o órgão investiga os demais casos de SRAG para verificar se há outros agentes envolvidos. “Um detalhe é que este ano os três vírus (H1N1, H3N2 e influenza B) circulam ao mesmo tempo, mas não podemos dizer que somente isso justifica a situação atual”. O boletim técnico do órgão reforça cuidados de prevenção e controle, uma vez que o Estado vem se mantendo entre as zonas de alerta e epidêmica (mais casos de gripe, com frequência mais longa do que o esperado para o período).

FATORES

O infectologista Paulo Sérgio Ramos considera outros fatores. “A população alvo é composta por idosos, imunodeprimidos, gestantes, portadores de doenças crônicas. Esses indivíduos podem apresentar uma resposta à vacina inferior à população em geral”, pontua. “Outro fato relevante é que o vírus em circulação esse ano em maior proporção é o A(H1N1) que costuma ocasionar quadros mais graves na população suscetível (que não foi vacinada). No ano passado, o maior cenário foi o A(H3N2)”.

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A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) e a Regional Pernambuco (SBACV-PE) realizam no próximo dia 31 de agosto, das 7 às 17 horas, o Circulando Saúde no Hospital das Clínicas da UFPE, em Recife (PE). A ação, que tem o apoio da FQM Farma e do Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital das Clínicas de Pernambuco, faz parte de um projeto nacional da Sociedade que busca diminuir a fila de espera de pacientes com problemas vasculares por consultas e exames. Em Pernambuco, há casos de pessoas que aguardam atendimento há mais de três anos. A estimativa é reduzir esse tempo em mais da metade.

O público-alvo da ação são aqueles que estão na fila de espera para atendimento vascular no hospital e que tenham problemas de má circulação nas pernas e pés como varizes, dores, desconforto e inchaço.

Será feita uma pré-seleção de 400 pacientes da fila de espera, que aguardam atendimento há mais de três anos. Aproximadamente, 20 médicos especialistas em Cirurgia Vascular, residentes de cirurgia vascular e estudantes realizarão os atendimentos. Os profissionais orientarão o público quanto aos sinais e sintomas das principais doenças vasculares, chamando atenção para os perigos de alguns comportamentos de risco, as devidas medidas de precaução a serem adotadas e a importância de realizar o tratamento correto, sempre com um médico vascular. O atendimento inclui a realização de exame Doppler nos pacientes que apresentarem alguma alteração após a avaliação clínica.   

O Circulando Saúde também possui cunho educativo. Por isso, enquanto aguardam o atendimento, nos períodos da manhã e da tarde, pacientes e seus familiares poderão participar de três palestras, com os temas: Conhecendo a doença venosa, suas complicações e como evitá-las; As principais doenças que afetam a circulação (HAS, DM, dislipidemia, obesidade, IRC): como diminuir os danos causados?; e Tratando a doença venosa – uma abordagem multidisciplinar: do profissional (médico, fisioterapeuta, enfermeiro) ao paciente e familiares.

“O objetivo do Circulando Saúde é aproximar a nossa especialidade da população, possibilitar que os cidadãos conheçam os fatores que mais contribuem para o desenvolvimento de doenças vasculares e oferecer atendimento com angiologistas e cirurgiões vasculares a uma parcela da população que tem difícil acesso ao especialista. Nesta segunda edição do projeto vamos ajudar a diminuir a fila de pacientes que aguardam há bastante tempo. É nosso papel enquanto instituição promover a saúde. Folhetos informativos sobre as doenças vasculares e seus cuidados também estarão disponíveis ao público”, afirma o presidente da SBACV, Dr. Roberto Sacilotto. A primeira edição do Circulando Saúde ocorreu em São Luís (MA), em maio.

A FQM Farma é parceira da Sociedade no projeto, apoia o mutirão de atendimento e fornece medicamentos e produtos, como Fletop, Flebon e Fledoid, dando assim o suporte necessário para a realização do evento.

Dicas simples para evitar problemas vasculares

Atualmente, aproximadamente 30% da população mundial apresenta varizes, alteração funcional da circulação venosa do organismo. Dores, sensação de peso e inchaço nas pernas são alguns dos sinais que podem indicar essa e outras doenças venosas.

Algumas mudanças simples no dia a dia podem evitar esses problemas, como ingerir bastante líquido durante o dia (de preferência água), não passar muito tempo na mesma posição (sentado ou em pé), vestir roupas e sapatos confortáveis e, dependendo do caso, usar meias de compressão para ajudar a circulação.

Mutirão do Hospital das Clínicas da UFPE

Data: 31 de agosto
Horário: das 7 às 17 horas
Local: Hospital das Clínicas da UFPE
Endereço: Av. Prof. Moraes Rego, 1.235 – Cidade Universitária, Recife (PE).

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A epidemiologista Karin Michel, da Universidade Harvard, fez um vídeo em alemão alcançar mais de 970 mil visualizações no YouTube após comparar óleo de coco, um dos queridinhos dos nutricionistas nos últimos anos, a “puro veneno”. 

Em palestra intitulada “Óleo de Coco e outros Erros Nutricionais”, na Universidade de Freiburg, onde ela dirige o Instituto para Prevenção e Epidemiologia de Tumores, Karin diz que o produto “é uma das piores coisas que alguém pode comer”. 

Segundo ela, o óleo de coco é mais perigoso que banha por conter quase exclusivamente ácidos graxos saturados, que aumentam os níveis de colesterol (o ruim e o bom) e poderiam entupir as artérias coronárias. 

Ela ecoa as diretrizes da Associação Americana do Coração (AHA, na sigla em inglês), atualizadas no ano passado, que também recomendam que as pessoas evitem gordura saturada, como a encontrada no óleo de coco. 

A apresentação em alemão foi traduzida para o inglês pelo site Business Insider e foi citada pelo The New York Times. O jornal americano lembrou, porém, que, apesar de muitos especialistas serem céticos a respeito da alta popularidade do óleo de coco, propagandeado como comida saudável ou superalimento, eles não chegam a ser tão dramáticos quanto à pesquisadora. 

Diante do sucesso do vídeo da pesquisadora alemã, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) também divulgaram um posicionamento sobre o assunto:

“Considerando que não há qualquer evidência nem mecanismo fisiológico de que o óleo de coco leve à perda de peso. Considerando que o uso do óleo de coco pode ser deletério para os pacientes devido à sua elevada concentração de ácidos graxos saturados, a Sbem e a Abeso posicionam-se frontalmente contra a utilização terapêutica do óleo de coco com a finalidade de emagrecimento, considerando tal conduta não ter evidências científicas de eficácia e apresentar potenciais riscos para a saúde.” As entidades dizem que também não recomendam o uso regular de óleo de coco como óleo de cozinha, devido ao seu alto teor de gorduras saturadas e próinflamatórias. “O uso de óleos vegetais com maior teor de gorduras insaturadas (como soja, oliva, canola e linhaça) com moderação, é preferível para redução de risco cardiovascular”.

A poucos meses do início do verão, especialistas alertam que o Brasil pode voltar a sofrer com epidemias de Zika e Chikungunya. Apesar da redução da incidência de casos este ano, as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti podem voltar a ter força a partir de dezembro ou janeiro de 2019, quando já terá passado o período da primeira onda de surto em alguns estados.

O pesquisador colaborador da Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco Carlos Brito, disse que o país se dedicou mais nos últimos dois anos no estudo dos impactos do Zika, devido ao surto e a perplexidade causada pelos casos de microcefalia nos bebês. Ressaltou, no entanto, que mesmo assim o país continua despreparado para atender novos casos das arboviroses, principalmente de Chikungunya.

“Na verdade, deixou-se um pouco de lado a Chikungunya que, para mim, é a mais grave das arboviroses. E as pessoas geralmente nem têm ciência da gravidade, nem estão preparadas para conduzir a Chikungunya. É uma doença que na fase aguda não só leva a casos graves, inclusive fatais, mas deixa um contingente de pacientes crônicos, que estão padecendo há quase dois anos com dores, afastamento das atividades habituais de trabalho, lazer, vida social”, explicou Brito.

O pesquisador disse que a incidência das doenças vai variar de região para região. Aqueles estados onde muitas pessoas já foram infectadas no início do surto em 2016, como no Nordeste, poderão ficar imunes por mais um tempo. No entanto, muitos municípios ainda têm a probabilidade de enfrentar novos surtos, como o Rio de Janeiro, que recentemente registrou vários casos.

“No Brasil tudo toma uma dimensão muito grande, porque é um país de dimensão continental. Então, não estamos preparados, nem os profissionais de saúde foram treinados, nem estamos tendo a dimensão da intensidade da doença, nem as instituições estão atentas para uma epidemia de grandes proporções em um estado como São Paulo, com 40 milhões de habitantes, ou no Rio de Janeiro, com 20 milhões de habitantes”, alertou Brito.

Redução

Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado na última sexta-feira (17), de janeiro até 28 de julho deste ano foram registrados 63.395 casos prováveis de febre Chikungunya. O resultado é menos da metade do número de casos reportados no mesmo período do ano passado, de 173.450. Em 2016, foram 278 mil casos.

Mais da metade, 61% dos casos reportados neste ano, estão concentrados na Região Sudeste. Em seguida, aparece o Centro-Oeste (21%), o Nordeste (13%), Norte (7%) e Sul (0,35%).

Nos primeiros sete meses de 2018, foram confirmadas 16 mortes por Chikungunya. No mesmo período do ano passado, 183 pessoas morreram pela arbovirose. A redução no número de óbitos foi de 91,2%. Já para o Zika, em todo o país foram registrados 6.371 casos prováveis e duas mortes até o fim de julho. No ano passado, o vírus tinha infectado mais de 15 mil pessoas no mesmo período. A maior incidência de Zika este ano também está no Sudeste (39%), seguida da Região Nordeste (26%).

Ameaça

Apesar da redução da incidência, o pesquisador Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, professor do Centro de Pesquisa em Virologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), de Ribeirão Preto, também alerta que, depois do período de seca em que há baixa circulação dos vírus, essas arboviroses podem voltar a qualquer momento, assim como já ocorreu com a dengue e com a febre amarela.

“Não estamos tendo uma epidemia. Estamos tendo casos esporádicos. Mas ainda é um problema que pode voltar, sim. As arboviroses são assim mesmo, dengue, Zika. Todas elas têm momentos em que desaparecem, depois voltam. O vírus está aí, está no Brasil, e ainda é uma ameaça. Ele pode voltar agora, inclusive, neste verão. O risco está aí”, disse.

Figueiredo disse que permanece o desafio de diagnosticar com precisão o Zika em tempo de prevenir suas consequências. Apesar dos avanços nas pesquisas nos últimos anos, ainda não foi desenvolvida uma forma de detecção rápida do vírus Zika que possa ser disponibilizada em todo o país, disse o pesquisador.

“A dificuldade continua. A gente descobriu algumas coisas que podem ajudar o diagnóstico, mas o problema não está resolvido ainda. O mais eficaz é você encontrar o vírus, isolar é mais complicado. Ou você encontrar o genoma do vírus ou alguma proteína do vírus na fase aguda seria muito útil, aí você pode detectar na mulher, se estiver grávida inclusive”, explicou.

Os pesquisadores apontam que o ideal para prevenir o impacto de novos surtos seria desenvolver uma vacina. Contudo, eles lamentam que essa solução ainda está longe de ser concretizada. Enquanto isso, o foco ainda está no controle do mosquito transmissor dos vírus. “As pessoas devem ficar atentas e controlar o vetor nas suas casas e, assim, evitar a transmissão. É a única [solução] que nós temos nesse momento”, disse Figueiredo.

O pesquisador Carlos Brito defende que o Estado deve investir em melhorias de qualidade de vida da população e em infraestrutura de saneamento para controlar as epidemias causadas pelas arboviroses.

Controle permanente

Por meio de nota, o Ministério da Saúde informou que a destinação de recursos para controle do mosquito vetor e outras ações de vigilância são permanentes e passaram de R$ 924,1 milhões, em 2010, para R$ 1,93 bilhão em 2017. Para este ano, o orçamento previsto é de R$ 1,9 bilhão.

Além da mobilização nacional para combater o mosquito, a pasta ressaltou que, desde novembro de 2015, quando foi declarado o estado de emergência por causa do Zika, foram destinados cerca de R$ 465 milhões para pesquisas e desenvolvimento de vacinas e novas tecnologias.  

Campanha segue até o próximo dia 31, com meta de vacinar 544,1 mil crianças / Foto: Ashlley Melo/Acervo JC Imagem

Pernambuco superou a meta de imunização esperada para o Dia do Dia D da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Sarampo, que aconteceu neste sábado (18). Pouco depois das 17h (horário de encerramento do atendimento nos postos), o sistema online da Secretaria da Saúde do Estado já mostrava que 51% do público-alvo já havia se vacinado. Na próxima segunda-feira pela manhã será divulgado o balanço do Dia D. No Recife, a taxa de vacinação chegou a 67%. Até o dia 31, quando se encerra a campanha, a expectativa é que 95% dos 544.180 meninos e meninas com idades entre 1 e 5 anos tenham sido imunizados.

“Ficamos surpresos com o resultado do Dia D. Desde os anos 1990 e 2000 não víamos um movimento como esse nos postos. A contagem está sendo concluída, mas acreditamos que vamos chegar a 60% de crianças imunizadas. Podemos dizer que a campanha aqui no Estado foi um sucesso, porque até a última sexta-feira (17) o taxa de vacinados era de 21%. A mobilização nos municípios ajudou muito. Em várias cidades os secretários de saúde foram aos postos para reforçar a importância da campanha e acompanhar o movimento”, comemora a coordenadora do Programa Estadual de Imunização, Ana Catarina de Melo.

BRASIL

Pernambuco notificou 102 casos suspeitos de sarampo (30 deles no Recife) este ano. Desse total, além de dois confirmados na capital, 48 foram descartados. Os demais (52) estão em investigação. “Felizmente esses 52 não são casos de forte suspeita, mas precisamos aguardar o resultado da investigação”, diz Ana Catarina. Desde 2014 o Estado não tinha casos confirmados de sarampo, mas hoje aparece ao lado de Amazonas (910), Roraima (296), Rio de Janeiro (14), Rio Grande do Sul (13), Pará (2), São Paulo (1) e Rondônia (1).

Em solo pernambucano, um homem de 27 anos com histórico de viagem no início de julho para Manaus (onde o surto ganhou força) foi o primeiro caso confirmado. Na cidade do Norte do País, ele teve contato com uma pessoa que adoeceu com sintomas de sarampo. O segundo caso confirmado, em território pernambucano, é de uma menina de 2 anos, sobrinha do homem e que mora com ele no Recife. Os dois não comprovaram vacinação para tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba.