Saúde

Diante da confirmação de cinco casos de sarampo em Pernambuco, é grande a procura pela vacina que protege contra a doença na Região Metropolitana do Recife. A demanda tem sido tão alta que algumas unidades de saúde de Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Paulista chegaram a ficar sem a tríplice viral. O material vem sendo prontamente reposto, segundo as prefeituras.

Em Jaboatão dos Guararapes, na última quinta-feira, quem ia à Unidade de Saúde da Família (USF) Guararapes, ao lado do Fórum Eleitoral, não encontrava a vacina. Em conversa com uma funcionária do local, ela explicou que o estoque da unidade esgotou no dia anterior por causa da procura intensiva.

Em Olinda, foram encontrados três locais que não tinham o material: as USF’s dos Bultrins, na quinta; e de Outro Preto e da Vila Popular, na sexta-feira. A professora de educação infantil Janaína Souza, 38 anos, desistiu de frequentar o posto dos Bultrins: “Ora falta vacina, ora falta material”. Mãe de duas meninas, Janaína só vai agora à unidade de Rio Doce. “Nunca tive problema lá até o momento”, destacou.

Ir ao posto de Ouro Preto era sinônimo de tempo perdido, como dizia a autônoma Renata Souza Gomes, 34. “Eu só venho aqui em último caso, porque nunca tem nada. Agora vou lá no posto do Carmo”, reclamou. Ela estava atrás de uma dose para seu filho, Vitor Gabriel, de 4 anos. Mas quem chegava lá, já recebia uma resposta negativa dos funcionários.

Na USF da Vila Popular faltou vacina na quinta. Em conversa com funcionários, a reportagem soube que foi solicitado material, mas só chegou metade da quantidade pedida. Assim, só foi possível imunizar crianças nessa sexta. Os adultos terão que esperar até a segunda (26). Outros pontos visitados que também estiveram sem a tríplice viral foram a USF de Vila Manchete e a Policlínica de Ouro Preto – ambas reabastecidas ainda na sexta.

Em Paulista, a própria prefeitura admite, em nota, que o estoque de vacina chegou a esgotar: “mas chegaram mais duas mil doses e já estão sendo distribuídas nessas unidades”.

Demanda

No Recife, até o momento, não houve ocorrências expressivas de falta de vacina. Tanto na Policlínica Lessa de Andrade, na Madalena, quanto na USF Santo Amaro, a movimentação era grande, mas quem ia lá conseguia atendimento.  Continue reading

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O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse nesta quinta-feira (22), após participar da abertura de um congresso sobre saúde suplementar, que o governo está preparando para o mês de outubro uma campanha de multivacinação para que as pessoas possam colocar a carteira de vacinação em ordem. Os registros já serão feitos em uma carteira digital.

“Porque é muito difícil ter em memória qual vacina e quando tomou, se vai viajar para algum lugar que exige a vacina. O aplicativo de vacinas no meio eletrônico vem para facilitar muito o controle das famílias”, explicou Mandetta.

O ministro ressaltou estar alerta ao controle do sarampo em São Paulo, e que já foram aplicadas quase 8 milhões de doses no estado. “Aqui em São Paulo estamos medindo dia a dia, semana a semana, e já há uma tendência de estabilização e queda. Estamos monitorando para saber como isso vai se comportar”.

De acordo com dados da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, até o dia 19 de agosto foram registrados 11.206 casos suspeitos de sarampo, sendo 1.797 confirmados, 989 descartados e 8.420 em investigação. Até o momento, não houve registro de mortes causadas pela doença.

Os casos suspeitos e confirmados estão distribuídos em 74 cidades, sendo que a maioria está na região metropolitana de São Paulo. O maior percentual de casos confirmados é na faixa etária de 15 a 29 anos (46,4%).

Segundo Mandetta, é muito importante que a vacina não seja dada aleatoriamente, e sim com atenção aos alvos específicos, como os bebês com menos de 12 meses de idade. “Estamos recomendando a vacina para crianças com menos de um ano, porque há muitas mães que não passaram anticorpos para os seus filhos porque não eram vacinadas ou não porque não amamentaram. Essas crianças quando ‘fazem’ sarampo podem ‘fazer’ de forma muito grave. O sarampo causa cegueira, pneumonia severa e pode matar”, disse o ministro.

Mandetta lembrou que a geração de pessoas na faixa de 15 anos a 30 anos de idade, que tomava apenas uma dose da vacina, e que quando perceberam que esse grupo precisava da segunda dose, essa população passou a ser prioritária. “Não adianta vacinar uma pessoa de 70, 80 anos, porque ela provavelmente teve ou entrou em contato com o sarampo na época que não se vacinava, nos anos 50, 60, 70, quando tínhamos epidemias”.

Planos de Saúde

O ministro disse que o governo vem revisando portarias e normas estabelecidas nos últimos 30 anos para desburocratizar os planos de saúde, e talvez baratear os custos da operadora, que acabam sendo repassados para o consumidor. “Nas regras do infralegal, o que pudermos fazer para dar leveza, sim, vamos fazer. No texto em lei, o Congresso está discutindo, tem projetos em andamento, nós colaboramos dando nossas sugestões, mas é de autonomia do Congresso Nacional”.

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A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informa que, diante do cenário epidemiológico para o sarampo em Pernambuco, o Programa Estadual de Imunização passa a orientar, em adição às faixas etárias já estabelecidas, a vacinação de crianças de 6 meses a menores de 1 ano que residem nos municípios de Salgueiro, Recife, Paulista, Bezerros, Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe, Taquaritinga do Norte, Vertentes e Frei Miguelinho. A escolha das cidades leva em consideração os casos já confirmados (2 no Recife e 2 em Caruaru) e os em investigação na rotina do estado de Pernambuco.

“Essa será considerada uma dose extra, sendo necessário seguir com o esquema normal a partir dos 12 meses, quando a criança deve ser imunizada novamente, com um reforço aos 15 meses”, afirma o secretário estadual de Saúde, André Longo. Além disso, de acordo com orientação do Ministério da Saúde (MS), também devem ser vacinadas, com, no mínimo, 15 dias de antecedência, crianças entre 6 meses e menores de 1 ano que irão viajar para municípios de outros Estados com transmissão ativa da enfermidade, como São Paulo, Rio de Janeiro e Pará – informações no site do MS (http://bit.ly/2Z27hGj). Nesses casos também será necessário seguir o esquema de vacinação normal a partir dos 12 meses. 

“Com essa vacinação de crianças entre 6 meses e menores de 1 ano em municípios com maior risco de circulação viral, queremos ampliar a proteção da população suscetível e diminuir a ocorrência de novos casos, principalmente no público infantil, que tem mais risco de agravamento e óbito. A vacina é segura, gratuita e a forma mais eficaz de evitar o adoecimento pelo sarampo”, pontua o secretário.

CASOS

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informa que, na última quinta-feira (15.08), a Fiocruz Rio de Janeiro liberou a confirmação laboratorial de 4 casos de sarampo em Pernambuco. As ocorrências são relacionadas a 3 viajantes que participaram de uma excursão para Porto Seguro entre o final de junho e início de julho, além de 1 contato desse grupo. Das confirmações, 2 são de residentes do Recife e 2 de Caruaru.

Ao todo, 9 casos relacionados a essa excursão de Porto Seguro foram notificados, a partir do dia 25.07. Ou seja, além das 4 confirmações, outras 5 notificações relacionadas à viagem (1 do Recife, 1 de Olinda, 2 de Bezerros e 1 de Jaboatão dos Guararapes) continuam em investigação pelo laboratório de referência nacional para a doença. Todos passam bem.  Os casos estão conectados a um paciente positivo de São Paulo, monitor da viagem. Importante destacar que todas as medidas de prevenção e controle foram realizadas a partir da notificação dos casos, independente do resultado laboratorial, e que o órgão continua vigilante para a situação.

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A Secretaria de Saúde de Caruaru registrou mais cinco casos suspeitos de sarampo na cidade. Os novos casos se somam aos dois identificados no mês de julho. Os pacientes suspeitos foram isolados e todas as pessoas que tiveram contatos com eles foram procuradas e vacinadas

A secretaria afirma que as equipes de saúde do município estão preparadas para o caso de um resultado positivo para sarampo. Os últimos casos de Sarampo em Caruaru foram em 2014 com cinco confirmados. Com as novas suspeitas, a prefeitura intensificou a revisão nos cartões de vacina e adotou imunização de rotina em todas as Unidades Básicas de Saúde.

A secretaria municipal ainda ampliou a busca ativa nos domicílios dos casos suspeitos e bloqueio vacinal de contatos. Escolas e hospitais privados e públicos do território estão recebendo equipes de vacinação. “A vacinação é a única forma de prevenção. Quem estiver com sintomas deve procurar com urgência a unidade de saúde mais próxima de sua casa. Recomendamos ainda que, neste momento, os pais ou responsáveis evitem expor as crianças menores de um ano ou não vacinadas a aglomerações”, explicou a secretária executiva de Atenção Básica, Lillian Leite.

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmitida pela fala, tosse e espirro, e extremamente contagiosa, mas que pode ser prevenida pela vacina. Pode ser contraída por pessoas de qualquer idade. As complicações infecciosas contribuem para a gravidade da doença, particularmente em crianças desnutridas e menores de um ano de idade.

Todo paciente que apresentar febre e exantema (manchas vermelhas) acompanhados de um ou mais dos seguintes sintomas: tosse, coriza, conjuntivite é caracterizado como caso suspeito de sarampo e deve procurar uma unidade de saúde para avaliação. Quem já tomou as duas doses da vacina, pelo menos uma vez na vida, está imune e não precisa tomar a vacina novamente. O alvo prioritário do reforço da vacina devem ser as crianças menores de cinco anos, principalmente as de um ano (1ª dose) e de um ano e três meses (2ª dose).

Para adultos com até 29 anos, é necessário apresentar duas doses da vacina tríplice viral. Já em adultos com até 49 anos, é preciso apresentar, pelo menos, uma dose da vacina tríplice viral. A vacina é contraindicada para gestantes e imunodeprimidos.

As vacinas podem ser aplicadas em qualquer unidade básica de saúde e é importante levar um documento de identidade, cartão do SUS, cartão de vacina e comprovante de residência.

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Os cirurgiões Eduardo Godoy e Lyz Bezerra, do Centro de Obesidade e Diabetes (COD) do Hospital Santa Joana Recife, junto com o médico Agostinho Machado, professor de ginecologia e obstetrícia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutor em obesidade e gestação, recebem, na próxima segunda-feira, 5 de agosto, no auditório do Hospital Santa Joana Recife, pacientes que já se submeteram à cirurgia bariátrica, e também aqueles que ainda vão ser operados, para uma conversa sobre como se preparar para a cirurgia bariátrica, qual a alimentação adequada e os  suplementos indicados no período pós-cirúrgico.

Neste quarto encontro com pacientes, promovido pelo COD, um assunto quase nunca abordado pela imprensa vai focar nos cuidados que as mulheres – já submetidas à bariátrica – devem ter durante a gestação. Para falar sobre este assunto, a direção do Centro de Obesidade e Diabetes do Santa Joana convidou o professor de ginecologia e obstetrícia da UFPE, Agostinho Machado, que já fez doutorado em obesidade na gestação, para falar sobre quanto tempo após a cirurgia bariátrica a mulher pode engravidar, quais os cuidados que ela deve ter durante a gestação, como deve ser o pré-natal e qual a suplementação alimentar indicada.  

A equipe do COD destaca que, em todos os casos, comer e dormir bem – além da prática de exercícios físicos – são hábitos fundamentais para qualquer pessoa que queira ter uma vida saudável.

Sobre a obesidade

Os dados mais recentes da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), realizada pelo Ministério da Saúde, foram divulgados em junho de 2018. A pesquisa foi realizada entre 2007 e 2017 e revela um aumento de 18,9% no número de obesos no Brasil e de 54% no número de pessoas com sobrepeso.

OBESIDADE – Nesses dez anos, o aumento maior recaiu sobre a população jovem, com alarmantes 110% a mais. Na faixa etária que vai de 45 a 54 anos, o aumento foi menor: 45%. De 55 a 64 anos, o aumento de obesos foi de 26%. De 65 em diante também foi de 26%.

SOBREPESO – A população jovem também foi a mais afetada e foi registrado um aumento de 56% nessa faixa. Entre 25 e 34 anos, o aumento foi de 33%; entre 35 e 44 anos, registra-se um aumento de sobrepeso de 25%; e, na faixa dos 65 em diante, de 14%.

Percebe-se um aumento de sobrepeso e também da obesidade. Nenhuma faixa da população manteve-se estável. De acordo com o Ministério da Saúde, isso se deve a um maior consumo de comidas industrializadas em contrapartida a um menor consumo de alimentos frescos e naturais.

Bariátrica

O Brasil é o 2º país do mundo com a maior quantidade de cirurgias bariátricas realizadas nos sistemas público e privado, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Todos os anos são feitas 80 mil cirurgias bariátricas no país. O primeiro lugar no ranking cabe aos EUA, com 140 mil intervenções feitas anualmente. Em cinco anos, o aumento no quantitativo de cirurgias bariátricas feitas no Brasil foi de 90%. Em dez anos, foi de 300%. O SUS (Sistema Único de Saúde) realiza cerca de 8 mil bariátricas por ano. O Brasil é o 5º país do mundo com uma população mais gorda; em 2º lugar está a China, em 3º a Índia e em 4º Rússia. No mundo, 2 bi e 100 milhões de indivíduos estão acima do peso.

Reganho

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) considera normal que um paciente submetido à cirurgia bariátrica tenha um reganho de peso em torno de 5% a 10% ao longo da vida. De acordo com dados da SBCBM, cerca de 50% dos operados voltam a engordar. Esses pacientes não conseguem ter o peso estável porque não mantêm um estilo de vida saudável. Em função disso, um estudo da Universidade de Brasília revela que 23% dos indivíduos que fizeram a bariátrica tiveram um ganho de peso significativo e isso se deve, segundo a UnB, à ingestão de alimentos que não saciam a fome, mas são altamente calóricos.

A inscrição para o evento é de graça e pode ser feita pelo e mail: centrodeobesidade@gmail.com

Aviso na Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, que teve surto no verão de 2018; temendo cenário nos estados do Sul, governo quer antecipar vacinação Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

O Ministério da Saúde identificou um risco alto de ocorrer um surto de febre amarela na região Sul no próximo verão e antecipou para 14 de agosto o início de uma campanha de vacinação direcionada para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

De acordo com os dados mais recentes do ministério, o Brasil teve 82 casos neste ano (até 21/5), com 14 mortes. Os episódios da doença ficaram concentrados em São Paulo (68 casos, especialmente no Vale da Ribeira, ao Sul do estado), mas houve registros também no Paraná (13 casos) e Santa Catarina (um caso).

A incidência na região Sul não era comum, o que despertou o primeiro sinal de alerta.

— Os estados do Sul não eram da área de recomendação para vacinação contra febre amarela há bem pouco tempo, afirma o diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Júlio Croda. — A partir do momento em que o vírus migrou da região Centro-Oeste para Minas Gerais, São Paulo, Paraná e, agora, Santa Catarina, há risco avançado de novos surtos, principalmente nas regiões onde a cobertura é baixa. O estado com menor cobertura vacinal é Santa Catarina, com 34,4%.

Aliados aos casos concretos, estudos sobre rotas de disseminação do vírus mostraram que há dois caminhos prováveis: alcançar o litoral de Santa Catarina e descer até o Rio Grande do Sul; e se espalhar pelo oeste do Paraná, alcançando a tríplice fronteira com Paraguai e Argentina.

A projeção sobre a trajetória do vírus é baseada em um modelo desenvolvido pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), órgão do governo de São Paulo.

O estudo leva em conta indicadores como a quantidade de macacos infectados, as características da região (zonas urbanas próximas a matas são propensas à disseminação) e o percentual da população que tomou a vacina.

Com os dados em mãos, foi montada a campanha, que vai começar com ações em Curitiba, no dia 14, e em Castro (PR), no dia seguinte. A partir de outubro, a vacinação vai se espalhar por outras regiões do país.

— No primeiro momento, a gente pretende fazer ações direcionadas, principalmente em Santa Catarina e nessa região que é caminho de Cascavel (PR) e Foz do Iguaçu (PR). Vamos fazer ação específica na tríplice fronteira, em colaboração com outros países, já que o Brasil está na presidência do Mercosul. A gente possui vacina em quantidade suficiente para nossa população e para fazer uma programação de vacinação em conjunto com outros países nessa região de fronteira. Se a gente não vacinar agora, principalmente Santa Catarina, que tem menos cobertura, a gente pode ter um número elevado de casos, e como a febre amarela tem letalidade alta, associado com óbitos também, diz Croda.

Pela falta de sintomas, a estimativa do órgão é que mais de 500 mil pessoas ainda não saibam que têm o vírus / Foto: Arquivo/ Agência Brasil

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Nos últimos 10 anos, o número de casos de hepatite C quadruplicou em Pernambuco. Em 2008 foram registrados 47 casos. Uma década depois, 198 pessoas tiveram resultado positivo para a infecção. Os altos índices refletem a situação nacional, onde os números dobraram no mesmo período, passando de 10.070 casos em 2008 para 26.167 confirmações em 2018. Só este ano, o Ministério da Saúde já enviou para os Estados cerca de 24 mil tratamentos para hepatite C. Pela falta de sintomas, a estimativa do órgão é que mais de 500 mil pessoas ainda não saibam que têm o vírus. 

Uma das justificativas para o aumento é o trabalho contra a subnotificação dos casos. Segundo a gerente do Programa Estadual de IST/Aids/HV, Camila Dantas, o crescimento não necessariamente é um dado ruim, uma vez que agora as pessoas estão sendo diagnosticadas. “A gente espera que os números aumentem de fato. Queremos descobrir onde estão as pessoas infectadas e fazer o tratamento. A busca por casos faz parte da nossa estratégia para quebrar o ciclo de transmissão. Os casos sempre existiram, a diferença é que agora há confirmação, registro e tratamento deles”, explica, lembrando a importância da descentralização dos Centros de Testagem e Aconselhamento, que estão espalhados por todo o Estado. 

Praticamente assintomática, a hepatite C em estado avançado pode causar comprometimento do fígado e complicações como cirrose.  Sua transmissão acontece pelo sangue, seja contato direto ou por meio de objetos infectados, e ainda não há vacina preventiva. Alguns cuidados, segundo Camila Dantas, podem ser tomados para evitar a infecção. “O vírus é muito resistente e pode viver dias em uma superfície infectada, como um barbeador ou um alicate, por exemplo. Por isso a importância de não compartilhar esse tipo de objeto e ficar atento ao fazer piercings ou tatuagens. Pessoas com mais de 40 anos também devem fazer o exame para descartar contaminação na infância, quando as seringas não eram descartáveis”, alerta. Em Pernambuco, o aumento na última década chegou a 321,2%.

Por outro lado, os índices de infecção com o tipo A da doença caíram significativamente tanto no País, como em Pernambuco e no Recife. Em 2008, o Brasil teve 11.680 casos confirmados. Já em 2018, o número caiu para 2.149. Em Pernambuco, a redução foi de 97,9%, caindo de 913 para 19 casos. Na capital do Estado os resultados também são animadores. No Recife, em 2008 foram registrados 164 casos de hepatite A. Uma década depois, apenas cinco casos foram confirmados, representando queda de 96,9%. 

Transmitida por meio de água ou alimentos contaminados, esse tipo de vírus tem vacina e é facilmente tratada. De acordo com Alberto Enildo Silva, chefe do setor de STA e Hepatites Virais da Secretaria de Saúde do Recife (Sesau), a tendência é que os números diminuam de forma proporcional aos investimentos feitos na infraestrutura das cidades. “Além dos alimentos, ela está relacionada principalmente às condições de saneamento e abastecimento de água. Uma vez que essas demandas são solucionadas, menos casos aparecem”, diz. População, no entanto, deve ficar atenta também à higiene pessoal, uma vez que também há possibilidade de contaminação durante relações sexuais. A vacinação é feita em crianças até os 4 anos.  Continue reading

Portador de hanseníase é atendido em Mesquita, na Baixada Fluminense Foto: Divulgação

Uma pesquisa identificou que o risco de uma criança contrair hanseníase na região Norte do Brasil é 34 vezes maior do que no Sul. O estudo foi realizado por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade de Brasília, Fiocruz Brasília, London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM) e Universidade Federal Fluminense (UFF). Eles possuem uma base de dados com informações de mais de 100 milhões de brasileiros.

— Descobrimos que há, proporcionalmente, uma incidência maior no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do que no Sudeste e no Sul, afirmou Júlia Pescarini, epidemiologista e pesquisadora do Cidacs/Fiocruz.

Os resultados da pesquisa já foram publicados pelo periódico”The Lancet Global Health” dentro do artigo “Socioeconomic determinants of leprosy new case detection in the 100 Million Brazilian Cohort: a population-based linkage study”.

O estudo aponta que moradores das regiões Norte ou Centro-Oeste têm de cinco a oito vezes mais chances de contrair a doença e que pessoas em situação de pobreza (sem renda ou com renda per capita abaixo de R$ 250 por mês) apresentaram um risco 40% maior em relação aos indivíduos que ganham acima de um salário mínimo.

Até a década de 1960, a hanseníase era tratada por meio da internação compulsória no Brasil. A doença atinge, ainda hoje, 200 mil pessoas por ano, sendo que, a cada dez novos casos no mundo, um ocorre no Brasil, de acordo com dados da Organização Pan-americana de Saúde (Opas/ONU).

— A hanseníase não acontece somente nos grupos em situação de pobreza, porém, na parcela mais pobre da população analisada, as pessoas que apresentaram os piores níveis de escolaridade, renda, ocupação, moradia e de cor preta estão sob maior risco, afirma Joilda Nery, da UFBA, que também participou da pesquisa.

Quando analisados somente os dados de pessoas com até 15 anos, crianças de negras possuem 92% mais risco de adoecer do que as brancas — essa taxa é de 40% quando incluída a população adulta. A aglomeração de pessoas na mesma casa e a carência de energia elétrica também foram consideradas fatores de risco nessa faixa etária. A ausência de rede pública de saneamento e a residência em moradias de feitas com materiais como taipa e madeira também foram relacionados a um maior risco de adoecimento pela hanseníase.

— A hanseníase é causada por uma bactéria e é transmitida por vias aéreas. Quem tem contato muito próximo com doentes tem maior risco de adoecer, diz Júlia Pescarini, pesquisadora da Cidacs/Fiocruz Bahia.

Doença tem cura

A doença ataca o sistema nervoso periférico e provoca manchas avermelhadas, esbranquiçadas e amarronzadas na pele, com perdas de sensibilidade. A hanseníase tem cura, e o tratamento leva de nove a 12 meses. 

— Em raríssimos casos pode levar a óbitos ou condições mais severas. O mais frequente é acontecer um diagnóstico tardio e deixar perda de sensibilidade irreversível, com deformações principalmente na pele, no nariz, nos pés e nos dedos da mão.

A pesquisa foi realizada a partir do acesso dos pesquisadores ao Coorte, um banco de dados com informações de 114 milhões de brasileiros construído desde 2003. Nele, estão informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) — que registra os casos de hanseníase no Brasil — durante o período de 2007 a 2014. É a primeira vez que dados individualizados são utilizados para estudos de saúde nessa magnitude.

A FNO é uma infecção viral causada pela transmissão de mosquitos comuns (Culex). / Foto: Rodrigo Lôbo/Acervo JC Imagem

A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) confirmou nesta quarta-feira (24) que uma idosa moradora de Piripiri morreu ao contrair febre do Nilo Ocidental (FNO). O caso foi notificado em 2017, mas os laudos conclusivos foram liberados somente neste mês. Este foi o primeiro registro de morte pela doença no País.

No Piauí, outras duas pessoas foram infectadas pelo vírus e sobreviveram. A primeira ocorrência foi em 2014, na cidade de Aroeiras do Itaim; e a segunda, em 2017, no município de Picos.

“O vírus circula no Piauí e em outros Estados do Brasil, mas a Secretaria de Saúde está vigilante e atuando de acordo com o protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde. Nós não possuímos nenhum caso registrado em 2018 ou em 2019”, afirmou, em nota, o superintendente de Atenção à Saúde da Sesapi, Herlon Guimarães. “Não existem novos casos no Estado.”

Guimarães afirmou que desde que a primeira ocorrência da febre do Nilo Ocidental foi identificada o Piauí monitora os pontos onde os casos ocorreram, “ficando atento a qualquer situação que precise de atenção”.

A doença

A FNO é uma infecção viral causada pela transmissão de mosquitos comuns (Culex). Assim como a dengue, a zika e a chikungunya, é uma arbovirose e só pode ser transmitida para os humanos através da picada de insetos infectados com o vírus. A doença não é transmitida de uma pessoa para outra.

“Vale lembrar que o combate ao mosquito, com o uso de telas de proteção entre outros métodos, é uma das principais ferramentas para se prevenir de enfermidades transmitidas por eles”, disse o superintendente de Atenção à Saúde.

A maior parte dos infectados não apresenta sintomas. Apenas 20% dos casos da doença têm sinais semelhantes aos da gripe, como febre, fadiga, dores de cabeça e dores musculares, e menos de 1% dos humanos infectados fica gravemente doente. A maioria do registros graves acomete com idosos.

Os sintomas graves incluem febre alta, rigidez na nuca, desorientação, tremores, fraqueza muscular e paralisia. Os pacientes gravemente afetados podem desenvolver encefalite (inflamação do cérebro) ou meningite (inflamação das membranas do cérebro ou da espinal medula).

Já se tornou rotina encontrar as maternidades do Grande Recife superlotadas, muitas vezes sem leitos disponíveis e com as gestantes tendo os seus bebês no chão, na cadeira de rodas ou em qualquer lugar dos corredores das unidades de saúde. Isso se dá pela falta de maternidades em vários dos municípios pernambucanos. Para se ter uma ideia, de acordo com levantamento do Portal LeiaJá, das 15 cidades da Região Metropolitana, oito não têm maternidades funcionando – além de Olinda e Jaboatão dos Guararapes que tem uma maternidade, cada, com obras paralisadas. Tal realidade faz com que a cidade do Recife viva sobrecarregada.

Dos mais de 104 mil partos realizados pelo SUS em Pernambuco no ano de 2018, 58 mil (56%) foram feitos na rede sob gestão estadual ou conveniada pelo Estado. Só nas maternidades de responsabilidade da Prefeitura do Recife, que são quatro, foram quase 13 mil partos realizados em 2018. Essa alta demanda faz com que as grávidas que moram na capital pernambucana enfrentem problemas para conseguirem um parto digno, ou até uma vaga na unidade.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Pernambuco, no Estado existem 75 maternidades de todas as esferas (estaduais, municipais, federais e rede conveniada). A secretaria não confirmou se todas essas maternidades estão em pleno funcionamento – atendendo adequadamente e realizando os partos. Para se ter uma ideia, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em Pernambuco existem 185 cidades. Se as 75 maternidades que existem no Estado correspondessem a um município, cada, ainda assim seriam 110 cidades pernambucanas sem maternidade alguma. 

Um levantamento do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (SIMEPE) mostra que, na RMR, as cidades de Igarassu, Itapissuma, Itamaracá, São Lourenço da Mata e Moreno não contam com maternidades atendendo as demandas das parturientes – os municípios de Araçoiaba e Paulista, por exemplo, nunca tiveram uma maternidade para chamar de sua. A Secretaria de Saúde do Estado confirma que muitas das cidades que fecharam as portas das maternidades, sequer informaram a paralisação dos serviços para a Comissão Intergestora Bipartite (CIB/PE), na tentativa de solucionar os problemas. É a CIB quem possibilita a articulação, negociação e pactuação entre os gestores municipais e estaduais no que diz respeito às questões do Sistema Único de Saúde do Estado.

Luana Cristina, 25 anos, munícipe de Igarassu, sentiu na pele o desprazer da realidade materna da cidade. Ela conta que precisou “rodar” para conseguir ter sua filha. “Eu cheguei aqui (na Unidade Mista de saúde de Igarassu) com 4 centímetros de dilatação e já em trabalho de parto. Os médicos me examinaram e eu fui encaminhada primeiro para a maternidade de Abreu e Lima. Chegando lá, eles disseram que não iam fazer o meu parto e fui levada para o Tricentenário, em Olinda”, recorda Luana. Foi distante da cidade onde mora que nasceu Rhuana Yasmim, hoje com 3 anos de vida.

No Hospital e Maternidade Alzira Figueiredo de Andrade Oliveira, há quase duas décadas que as parturientes da Ilha de Itamaracá só conseguem ter o seu bebê quando estão em período expulsivo – momento em que o corpo trabalha sozinho para o nascimento do feto – sem intervenções externas. 

O coordenador da enfermagem do hospital, Ricardo José da Fonseca, pontua que a possível retomada da maternidade no município já está em pauta na secretaria de saúde de Itamaracá. Mas salienta que primeiro o órgão precisa fazer as adequações físicas do hospital que, segundo afirma, está prestes a passar por uma reforma. “Depois a gente entra no mérito das questões técnicas que é montar uma equipe de retaguarda (para a maternidade)”, observa.

Mais de 80 mães de crianças com síndrome congênita do vírus zika se reuniram em frente à agência do INSS, na Avenida Mário Melo, no bairro de Santo Amaro, Centro do Recife, para protestar contra os cortes do Benefício de Prestação Continuada (BPC). O benefício é garantido para as crianças que nasceram com microcefalia. Para ter acesso ao valor de R$ 988 mensais, é preciso ter renda familiar menor que 1/4 do salário-mínimo vigente.

Apesar de ser garantido por lei, mais de 20 mães reclamam que estão com o dinheiro bloqueado desde o último mês de junho. Membros da União de Mãe de Anjos (UMA) se mobilizaram em protesto a falta de repasse. A maior parte das mulheres que dependem do benefício ficam impedidas de voltar ao mercado de trabalho e custeiam medicamentos, alimentação, tratamento, além de aluguel e contas domésticas, com o salário mínimo, já que os filhos precisam de atenção integral. 

“Fui no banco fazer a prova de vida, mas disseram que o valor foi bloqueado pelo INSS. Não conseguimos resolver e as contas estão chegando. Moro de aluguel, meu marido está desempregado e não tenho condições de trabalhar porque preciso cuidar da minha filha o dia todo. Infelizmente estamos passado por esse desgaste de ter que ir para rua exigir algo que temos direito. É uma falta de respeito”, reclama Gleyse Kelly, de 31 anos, que está no 7° mês de gestação, é mãe de Maria Geovana, de 3 anos e 9 meses, portadora de microcefalia, e mais outras três crianças.

A resposta que muitas dessas mulheres recebem no INSS é que seria preciso aguardar de 30 a 80 dias para voltar a receber o BPC. No entanto, os custos aumentam com o leite e os remédios. “Uma lata do leite específico para as crianças custa R$ 60 e dura apenas quatro dias. Gasto mais de R$ 500 em medicamentos. Eu parei de trabalhar para cuidar do meu filho e estou pedindo dinheiro emprestado para compensar as dívidas”, lamenta Jaqueline Vieira, 28, mãe de Daniel, de 3 anos e 9 meses e João Pedro, de 7 anos.

Pesquisa foi realizada pela USP com 533 pessoas da cidade de São Paulo  / Foto: Pixabay

Qual a quantidade de café que pode ser tomada por dia por quem tem predisposição a ter pressão alta e que não vai ser prejudicial? Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) com 533 pessoas da cidade de São Paulo apontou que mais de três xícaras, das de 50 ml, podem aumentar em até quatro vezes a possibilidade de o problema se manifestar. Tomar até três xícaras, no entanto, traz benefícios e ajuda a evitar doenças cardiovasculares.

Pós-doutoranda no Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP), a nutricionista Andreia Machado Miranda, principal autora do estudo, disse que os hábitos do indivíduo e a predisposição genética, isoladamente, já são fatores de risco conhecidos para a pressão arterial, mas ela e a equipe de pesquisadores se debruçaram nos impactos do consumo excessivo de café por pessoas saudáveis, mas com predisposição genética a ter hipertensão.

Para isso, utilizaram como base o Inquérito de Saúde do Município de São Paulo (ISA-Capital 2008), que foi realizado com 3 mil pessoas. “É um estudo muito completo com dados de estilo de vida, coleta de sangue e de DNA, informações bioquímicas e aferição da pressão arterial. Definimos como pressão arterial normal valores abaixo de 140 por 90 milímetros de mercúrio (mmHg). Acima disso, era considerado pressão alta”, explica a pesquisadora.

O grupo desenvolveu escores genéticos de risco e analisou o consumo de café dos participantes (menos de uma xícara, entre uma e três xícaras, e mais de três xícaras), além da pressão arterial deles.

“O consumo médio foi de duas xícaras e meia de café por dia. Nenhum dos participantes relatou o consumo de café descafeinado e quatro indivíduos falaram que consomem café expresso. O café é complexo. Ele é constituído por mais de 2 mil compostos químicos, entre eles, a cafeína, que aumenta os níveis da pressão arterial.”

A pesquisa mostrou que o grupo que tinha a pontuação mais elevada no escore genético e que bebia mais de três xícaras de café, a possibilidade de ter pressão alta era quatro vezes maior do que de quem não tinha a predisposição.

“Como a maior parte da população não sabe se tem a predisposição, porque são dados de exames que não são habitualmente feitos, a pesquisa pode ajudar toda a população, a saber, qual o consumo adequado que deve ser feito de café”, diz Andreia, que já realizou estudos sobre os efeitos do consumo da bebida.

Efeito protetor

“Em todos os nossos estudos, constatamos o efeito protetor para a parte cardiovascular. O café é rico em polifenóis, compostos bioativos que têm ação no organismo e só existem nos alimentos de origem vegetal. O organismo não produz. Diversos estudos têm mostrado uma contribuição na redução de doenças crônicas, como a cardiovascular. Por causa do poder antioxidante, melhora a vasodilatação e permite que a pressão arterial não aumente.”

Outro estudo realizado por Andreia apontou que o consumo de uma a três xícaras por dia traz benefícios para a saúde cardiovascular, como a regulação de um aminoácido chamado homocisteína, que está relacionado com episódios de enfarte e acidente vascular cerebral (AVC).

A pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi publicada na revista Clinical Nutrition.

O próximo passo do estudo é verificar o impacto do consumo de café em pacientes que já têm doenças cardiovasculares. “Agora, vamos identificar os efeitos nos pacientes que já sofreram um episódio de infarte agudo do miocárdio ou angina instável e qual vai ser o impacto na sobrevida desses pacientes”, disse.

A previsão é de analisar, no período de quatro anos, dados de 1 085 pacientes atendidos no Hospital Universitário da USP.

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A Coordenação de Saúde Bucal da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), em parceria com o Conselho Regional de Odontologia de Pernambuco (CRO-PE), dá continuidade nesta semana à Caravana Itinerante da Saúde Bucal. Dessa vez, o evento percorrerá cinco cidades do Sertão pernambucano, levando promoção à saúde para o público e capacitação para os profissionais da área.

A caravana passará por Araripina (08), Salgueiro (09), Serra Talhada (10), Arcoverde (11) e Afogados da Ingazeira (12). A expectativa é, em cada localidade, beneficiar 500 crianças, totalizando 2,5 mil meninos e meninas, com orientações sobre saúde bucal, aplicação de flúor e a entrega de kits contendo escova, creme dental, sabonete e uma cartilha informativa.

Já os profissionais da Atenção Primária e de Saúde Bucal dos municípios participarão de oficinas sobre atendimento odontológico a pessoas com deficiência e pacientes com necessidades especiais, com destaque para a promoção da equidade com inclusão das populações vulneráveis. Além disso, serão abordados casos de urgência odontológica que podem ser resolvidos na atenção primária. Já para os gestores, serão abordadas estratégias para captação e gestão de recursos na área da saúde bucal.

“O paciente com necessidades especiais precisam de suporte diferenciado para o atendimento odontológico, com qualificação profissional especializada”, explica o coordenador de Saúde Bucal da SES-PE, Paulo César de Oliveira. Os atendimentos em saúde bucal são realizados, em sua maioria, nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), na atenção primária, de competência dos municípios.

Durante as capacitações, a equipe tratará sobre os conceitos da equidade, ou seja, igualdade e isonomia no atendimento ao usuário do Sistema Único de Saúde (SUS). “Nosso ponto de partida é nos despir dos preconceitos individuais e reconhecer as singularidades desse público vulnerável, como as populações negras e LGBT, assim como a população com deficiência. Antes de tudo, é preciso oportunizar o acesso à saúde estabelecendo relações de cuidado específicas”, ressalta Paulo César.

Anteriormente, a Caravana já passou por Limoeiro, Garanhuns, Surubim, Goiana, Igarassu, Palmares, Barreiros, Recife, Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho.

Medicamento mais caro do mundo, de R$ 9 milhões, pode salvar a vida de bebê brasileira

O medicamento mais caro do mundo custa R$ 9 milhões e pode mudar para sempre a vida da Laura. Em menos de dois meses de vida, ela enfrentou uma viagem do Recife a Boston, nos EUA, para tentar um tratamento novo e que pode salvá-la de uma doença rara.

Laura foi diagnosticada com AME, a atrofia muscular espinhal, que é uma degeneração dos neurônios motores responsáveis pela movimentação dos músculos. A AME é causada pela falta ou defeito num dos genes que produzem a SMN, uma proteína que protege os neurônios motores. Eles levam o impulso nervoso da coluna vertebral para os músculos. A doença é progressiva, não tem cura e afeta entre 7 a 10 bebês em cada 100 mil nascidos no mundo.

Ela é a maior causa genética de morte de crianças de até 2 anos de idade.

A neuropediatra Vanessa Van Der Linden explica que a inteligência é normal, o cérebro é normal, mas a criança vai perdendo a força muscular. Começa nas pernas, depois braços, tronco, musculatura respiratória, e por último, a face e o movimento dos olhos.

A irmã de Laura, de 13 anos, também tem AME. E essa informação que fez com que a médica pedisse o exame de Laura, logo após o nascimento. Na Laura, o diagnóstico foi pré-sintomático, pelo DNA. E a rapidez do diagnóstico foi determinante para que o tratamento de Laura fosse possível. A médica descobriu um estudo clínico que procurava pacientes bebês para testar um novo remédio para a AME. Com apenas 42 dias, Laura tinha o perfil ideal para os testes.

Em fevereiro, a família descobriu que haveria um tratamento totalmente diferente, mas nos Estados Unidos. Uma semana depois, mãe e filha estavam de malas prontas para viajar, após vaquinha virtual, campanha com a família e rifas. A família não precisava pagar pelo tratamento, mas tinha que conseguir dinheiro para os custos da viagem.

O novo remédio é o Zolgensma, que foi aprovado em maio, nos Estados Unidos, depois de testado num grupo de 34 crianças entre 15 dias e oito meses. Elas vão precisar ser acompanhadas por mais dez anos.

Até agora o único remédio no mundo recomendado para o tratamento da doença era o Spinraza, que este ano passou a ser disponibilizado pelo SUS. Segundo o Ministério da Saúde, cada paciente custa, anualmente, R$ 1,3 milhão.

Para a presidente da Associação Brasileira De Amiotrofia Espinhal, que tem um filho de 18 anos com AME, a oferta do remédio pelo SUS é um avanço, mas é preciso melhorar a rapidez no diagnóstico da doença.

O presidente do laboratório que produz o remédio diz que há crianças vivendo até os 5 anos ou se preparando para ir para a creche e se beneficiando de ter tomado apenas uma dose. O novo tratamento está restrito apenas aos Estados Unidos, mas ainda não há previsão para a redução do preço. O laboratório responsável disse estar empenhado em levar o produto para o Brasil.

Apesar de os médicos afirmarem ainda ser muito cedo para falar na cura da doença, é isso o que espera a família de Laura. Com informações do Fantástico/Rede Globo.

Dona Denise Nancy tem 56 anos, é casada e mãe de 2 filhos. Mora em Petrolina e é servidora pública. Há 1 ano e meio foi diagnosticada com leucemia mieloide aguda e fez transplante de medula óssea, recebida de seu irmão.

No entanto, após 1 ano do transplante, a doença voltou. Assim, os familiares e amigo estão fazendo essa campanha para que mais e mais pessoas possam se tornar doadoras, tendo a possibilidade de salvar uma vida, que pode ser a dela. Quem estiver disposto a salvar vidas procure o Hemope do seu Estado e seja um doador.

O Blog PE Notícias é parceiro nessa luta pelo restabelecimento de D. Denise Nancy e de tantos outros que estejam na mesma necessidade.