Saúde

Barbeiro atua como vetor na transmissão da doença de Chagas / Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem

O primeiro surto de doença de Chagas de Pernambuco e possivelmente o maior do Brasil, anunciado por autoridades de saúde na última sexta-feira (31), traz luz para o mapa do Trypanosoma cruzi (parasita encontrado em fezes de insetos) no Estado. São 22 municípios considerados prioritários para a doença e acompanhados pelo Programa de Enfrentamento as Doenças Negligenciadas, o Sanar. Além disso, 40 cidades (29 no Sertão e 11 no Agreste – veja a lista abaixo) aparecem com triatomíneos infectados, que atuam como vetores na transmissão e são chamados popularmente de barbeiro. Nessa lista, está Ibimirim, no Sertão de Pernambuco, epicentro do surto que envolve pelo menos 77 pessoas. Das 25 pessoas com diagnóstico confirmado, seis permanecem internadas no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), em Santo Amaro, área central do Recife.

Não é de agora que Ibimirim desperta a atenção da vigilância epidemiológica. Dados reunidas com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde, revelam que o município desponta entre os cinco de Pernambuco (ao lado de Pombos, Riacho das Almas, Salgueiro e Vertentes) que tiveram casos agudos de Chagas em 2010 e 2011. A partir do ano seguinte, o Estado ficou sem registro de doença aguda pelo Trypanosoma cruzi, que voltou à cena nas últimas semanas em Ibimirim. “Se houve contaminação, tem barbeiro. O trabalho agora também é buscar onde está o foco”, diz a médica hematologista Cristina Carrazzoni, que tem acompanhado os 77 pacientes expostos ao surto: 69 adultos e adolescentes, além de oito crianças (uma delas está entre os casos confirmados).

Ontem ela e demais profissionais avaliaram, na Casa de Chagas, em Santo Amaro, a condição de saúde de dez pessoas que não têm manifestado sintomas, mas que precisam de assistência porque a fase inicial do problema geralmente não dá sinais. “Os surtos agudos passam despercebidos pela semelhança de quadros clínicos com outras doenças. Identificar essa etapa é importante para tentar detectar a causa do surto e bloquear o risco de outras pessoas se contaminarem da mesma forma”, explica Cristina.

Em Ibimirim, essa investigação está em andamento pela Secretaria Estadual de Saúde, que divulgará hoje um novo balanço da microepidemia, com base no trabalho de campo que tem realizado em áreas próximas à escola onde ficaram os participantes de evento religioso realizado na Semana Santa.

O infectologista Filipe Prohaska, do Huoc, informa que os pacientes internados têm apresentado melhora do quadro clínico. “Dos oito que precisaram ficar no hospital, dois tiveram alta. Eles têm sinais da doença em atividade, mas esperamos uma boa evolução.” Por terem sido diagnosticadas na fase aguda, as pessoas contaminados têm mais chances de terem a doença controlada, em comparação com aquelas que tiveram a enfermidade detectada anos após a infecção. “O tratamento tem como objetivo fazer com que a doença não evolua para a cardiopatia crônica ou eventualmente para uma alteração digestiva”, diz o cardiologista Wilson Oliveira, coordenador da Casa de Chagas.

Lista dos 40 municípios pernambucanos com triatomíneos infectados em 2018:

Afogados da Ingazeira
Afrânio
Águas Belas
Belém de São Francisco
Bodocó
Brejinho
Cabrobó
Calumbi
Canhotinho
Capoeiras
Carnaíba
Carnaubeira da Penha
Caruaru
Cupira
Flores
Floresta
Garanhuns
Ibimirim
Iguaraci
Ingazeira
Itacuruba
Itapetim
Jucati
Mirandiba
Orocó
Pedra
Petrolândia
Petrolina
Salgueiro
Santa Cruz
Santa Maria da Boa Vista
São Bento do Una
São José do Egito
Serra Talhada
Serrita
Terezinha
Terra Nova
Tuparetama
Venturosa
Verdejante

DENGUE

A investigadora de polícia Juliana Gonçalves, de 41 anos, ficou dois dias de cama por causa da dengue no mês passado. “As dores passaram, mas ainda tenho manchas vermelhas pelo corpo. Foi horrível.” Além dela, três colegas de trabalho foram infectados. “Tenho certeza que os mosquitos vêm de um rio ao lado da delegacia”, diz Juliana, de Caraguatatuba, litoral norte paulista. Mesmo dois meses após o fim do verão, a doença no País ainda preocupa: do início do ano até o último dia 11, o total de registros foi 432% maior, ante o mesmo período de 2018.

O salto foi de 144 mil casos prováveis de infecção para 767 mil suspeitas reportadas. As mortes pelo vírus também saíram de 88 a 222 – a maior parte (80) em São Paulo. O número de infectados explodiu em 20 Estados e no Distrito Federal. 

Há quatro sorotipos do vírus. A epidemia e a incidência maior nesses Estados são explicadas pela disseminação do tipo 2, diz o coordenador-geral dos Programas Nacionais de Controle e Prevenção da Malária e das Doenças Transmitidas pelo Aedes do Ministério da Saúde, Rodrigo Said. “As últimas epidemias foram pelos vírus 1 ou 4”, diz. “Esse sorotipo (2), que circulava pouco e por isso havia pequena proteção imunológica, voltou agora e deixou a população mais suscetível”.

O clima, segundo Said, também tem papel importante. Chuvas intensas nas últimas semanas fizeram larvas do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, eclodirem. Além disso, temperaturas mais altas criam condições favoráveis ao inseto.

“Enquanto não esfriar para valer, os casos vão continuar”, diz Regiane de Paula, do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde de São Paulo. O fenômeno climático El Niño, segundo ela, está fazendo com que o frio demore mais a entrar este ano no Sudeste. 

Até o último dia 15, só quatro das 645 cidades paulistas não notificaram casos. Mais grave é o quadro de Bauru, com 19,7 mil infectados e 21 óbitos. 

Em Tupã, onde o surto levou à cassação do prefeito (leia abaixo), o autônomo Valdecir Freitas, a mulher e o filho de 13 anos foram infectados. “Mantenho tudo limpo, mas tem terrenos baldios com lixo. Pagamos pelo descuido de outros”, reclama. 

Com a expectativa de inverno tardio e curto, cresce a necessidade de manter ações contra criadouros de Aedes. Segundo o ministério, mais de 80% dos mosquitos vêm de áreas residenciais. Outras cidades mantiveram no outono o uso do inseticida (fumacê). A estratégia, para matar o Aedes adulto, é considerada menos eficaz que eliminar a água parada, que evita o nascimento do transmissor. 

O ministério diz ter 300 mil litros de inseticida vencidos e que, segundo informações preliminares recebidas esta semana, não estão adequados para uso. Segundo Said, as amostras desse produto foram encaminhadas a um laboratório credenciado, mas as respostas recebidas esta semana não foram favoráveis ao uso do produto. 

Tão logo apareceram os primeiros sintomas, a ex-senadora Marina Silva (Rede) procurou um hospital em Brasília. As dores fortes pelo corpo e na cabeça ajudaram a antecipar o diagnóstico confirmado mais tarde por exame: dengue. Na capital do País, onde as ocorrências aumentaram mais de 1.200%, o governo espalhou seis postos temporários em áreas de maior incidência. Lá, são aplicados testes e há assistência prestada por médicos, enfermeiros e técnicos. 

Infectada pela segunda vez por dengue, Marina ficou três dias internada na última semana. No Twitter, lembrou ser “mais uma entre milhares”. Segundo a assessoria de imprensa da ex-senadora, ela passa bem. 

A nova infecção, como ocorreu com Marina, traz risco ainda maior. “A disposição sucessiva ao vírus e uma segunda infecção podem ocasionar manifestações mais graves e até óbito”, alerta Said, do ministério. 

O Departamento Médico da Câmara dos Deputados atendeu 88 pacientes com suspeita de dengue entre 1° de abril e 29 de maio deste ano. Sob a alegação de sigilo médico, o departamento não distingue quantos são servidores ou parlamentares, nem divulga nomes dos pacientes. Por causa da alta incidência de casos na capital federal, o governo local adotou como estratégia espalhar seis postos temporários em áreas de maior incidência. A assistência é prestada por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

Epidemia foi motivo para cassar prefeito

O surto de dengue este ano custou até o cargo do prefeito de Tupã (SP), José Ricardo Raymundo (PV). Ele foi cassado pela Câmara dos Vereadores na última semana, acusado de omissão no combate à doença, após denúncia aberta por um munícipe. Na cidade de 76 mil habitantes, houve 4.118 casos e seis mortes. 

Raymundo, que aguarda análise de recurso, diz que o afastamento é uma retaliação política e afirma ter feito ações preventivas. Para o especialista em Direito Administrativo Márcio Leme, a Justiça tende a reverter cassações do tipo, com motivo frágil, e respeitar o mandato eletivo. 

Em dezembro, o ex-prefeito de Aguaí (SP) Sebastião Biazzo foi condenado por improbidade administrativa pela Justiça por suposta omissão no combate à dengue entre 2014 e 2015. Ele aguarda análise de recurso pelo Superior Tribunal de Justiça.

Cuidados e riscos

Prevenção

A maioria dos focos de Aedes está em casas. É importante evitar acúmulo de água em garrafas, vasos, calhas, lajes e piscinas, onde ele coloca ovos.

Condições 

A permanência de chuvas e temperaturas mais altas favorece a reprodução do mosquito e leva à necessidade de ficar atento aos criadouros mesmo após o verão.

Sintomas

Dores no corpo e de cabeça, cansaço, febre alta e manchas na pele são comuns entre os infectados. Em casos mais graves, pode haver sangramento por nariz ou boca, além de vômito contínuo.

Outras doenças

O Aedes também transmite os vírus da zika e da chikungunya, cujos sintomas podem se confundir com os sinais da dengue.

O surto de Doença de Chagas aguda que está sendo investigado na cidade de Ibimirim, no Sertão de Pernambuco, é o primeiro caso de surto da doença na fase aguda já registrado no estado e está sendo considerado o maior do gênero que já aconteceu no Brasil. Até então, 20 casos foram confirmados em laboratório e outros cinco por meio de análise clínica e epidemiológica. Estima-se, contudo, que o número de infectados pelo protozoário Tripanossoma cruzi possa ser bem maior. Outras 52 pessoas, que também estiveram no evento religioso onde aconteceu a contaminação, passarão por exames e serão acompanhadas. Dos oito pacientes que estavam internados no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), dois receberam alta ontem.

Por enquanto, ainda não se sabe o que pode ter causado a doença. Desde que o primeiro paciente deu entrada em uma unidade de saúde com sintomas, no dia 20 de maio, o Estado começou uma verdadeira cruzada para montar o quebra-cabeça e traçar o diagnóstico dos pacientes. Primeiro, a desconfiança era de arboviroses. Em seguida, de febre tifoide. Logo depois, de malária. “Os sintomas das doenças infecciosas são comuns entre eles, febre, dor e manchas no corpo. O diferencial dessas pessoas era o tempo de febre, que começou a se prolongar, chegando até a 20 dias”, explicou o chefe do serviço de infectologia do Huoc, Demetrius Montenegro.

Os pacientes que precisaram ser internados apresentaram também edemas na face, dores na boca do estômago, inchaço nas pernas e nos olhos e dores articulares. “Eles tinham febre que começava na tarde e se estendia até a madrugada. Alguns melhoravam e depois pioravam”, acrescentou Demetrius Montenegro. Um dos internados chegou a apresentar alterações cardíacas, uma das características da Doença de Chagas, o que ajudou a fechar o diagnóstico. “O que mais chama atenção é a quantidade de pessoas envolvidas e contaminadas. Um surto semelhante aconteceu na Bahia com 13 casos sintomáticos, dos quais quatro tiveram confirmação por exame. Nós, dos 25 casos, já temos 20 com confirmação da presença do parasita no exame”, disse Demetrius.

Os pacientes internados no Huoc têm, em média, 25 anos. Eles iniciaram o tratamento com o medicamento Benzonidazol. Tanto eles quanto todos os participantes do evento religioso onde aconteceu a contaminação precisarão ser acompanhados por anos. “O diagnóstico na fase aguda é bom porque a possibilidade de cura é bem maior, em comparação aos pacientes crônicos. Quanto mais jovem é o paciente, melhor a resposta ao tratamento”, afirmou o cardiologista Wilson de Oliveira Junior, fundador e chefe da Casa de Chagas. Entre as pessoas que possivelmente foram contaminadas, estão uma criança de 10 anos e uma grávida, que passará por tratamento diferenciado para evitar a transmissão ao bebê.

A principal suspeita, por enquanto, é que a transmissão da Doença de Chagas tenha ocorrido por via oral, por meio da ingestão de algum alimento. A Secretaria Estadual de Saúde (SS) iniciou a busca ativa para realizar as análises de amostras das 77 pessoas que estiveram no evento religioso, realizado durante a Semana Santa. Além disso, está fazendo a busca pela presença do vetor, o inseto conhecido como barbeiro, nas redondezas da escola onde o grupo ficou hospedado, em Ibimirim. Entre as pessoas, estão moradores de vários municípios, incluindo Recife, Camaragibe e até Conde, na Paraíba.

“Uma equipe da secretaria está em Ibimirim realizando uma avaliação vetorial nas regiões próximas ao local de provável infecção, buscando a presença do inseto. Estamos investigando também o que foi oferecido de alimento durante o evento. A dificuldade é que muitas pessoas já não lembram”, disse o diretor-geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES, George Dimech.

Em Pernambuco, existem 2 mil pessoas com a doença, em estágio crônico, acompanhadas. Por mês, cerca de 10 novos pacientes, que convivem sem saber com a enfermidade, são diagnosticados. A doença cardíaca é a principal complicação da Doença de Chagas na fase crônica, sendo a terceira causa de indicação de transplante no Brasil. A doença não é erradicada no país, mas controlada. 

Foco da campanha é em idosos, gestantes, crianças maiores de seis meses a menores de seis anos e pessoas com doenças crônicas / Foto: Felipe Ribeiro/ JC Imagem

Apesar de Pernambuco ter atingido a meta de vacinação contra a gripe, 56 dos seus 185 municípios continuam sem alcançar o índice de cobertura vacinal indicado pelo Ministério da Saúde. A região com as taxas mais baixas é o Agreste, onde 25 cidades ainda não conseguiram imunizar o público desejado. Na Região Metropolitana do Recife, Itamaracá, quarta cidade com pior índice no Estado, e Itapissuma também não atingiram a meta, que é vacinar 90% do grupo prioritário.

As cidades com as piores taxas são Cachoeirinha (70,42%), Bom Conselho (71,17%) e Toritama (71,97), ambas no Agreste. A segunda região com mais municípios sem atingir a meta é o Sertão, com 15 cidades abaixo dos 90%. Em seguida, estão a Zona da Mata, com 14 cidades e a RMR, com duas. Se enquadram no grupo público-prioritário crianças de seis meses a menores de seis anos, idosos, gestantes, indígenas, professores, profissionais de saúde, funcionários de unidades prisionais, pessoas privadas de liberdade, membros ativos das Forças Armadas e pessoas com doenças crônicas.

Prazo estendido

Esta sexta-feira (31) seria o último dia da campanha de vacinação, mas o prazo foi prorrogado para que mais pessoas sejam vacinadas. A recomendação do Ministério da Saúde (MS) é que, a partir desta segunda-feira (3), as doses restantes sejam liberadas para a população em geral, diferente do que acontece durante a campanha. O esquema foi apoiado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), mas fica a cargo de cada cidade definir sua estratégia de imunização. No Recife, por exemplo, a vacinação continua com foco nos prioritários. A capital pernambucana foi a primeira do Nordeste a atingir a meta e já vacinou mais de 420 mil pessoas.

 “A imunização é de extrema importância porque estes possuem maior predisposição para tipos mais graves de gripe, como a síndrome respiratória aguda grave, que pode levar à morte. No Recife, dois grupos dentro dos prioritários ainda precisam atingir a meta, por isso os esforços continuam focados neles”, explica a diretora-executiva de Atenção Básica do Recife, Sofia Costa. Posteriormente, a Secretaria de Saúde do Recife analisará a possibilidade de liberar as vacinas para o restante da população mediante envio de novos frascos pelo MS. Crianças e pessoas com doenças crônicas ainda estão abaixo do percentual mínimo, registrando 82,14% e 67,51%, respectivamente.

A contadora Edyanne Pereira, de 34 anos, toma a vacina todos os anos desde 2014. Por ter diabetes, ela se enquadra no grupo de doenças crônicas. “A gente sempre vê na mídia casos de pessoas que faleceram por causa do vírus da gripe e a vacina é uma forma rápida e eficaz de prevenção que não custa nada. Acho muito importante”, diz.

Até a tarde desta sexta-feira (31), Pernambuco havia vacinado 90,10% do público prioritário, restando ainda 261 mil pernambucanos receberem as doses.

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Cerca de 2,2 milhões de pessoas foram vacinadas contra o vírus da gripe em Pernambuco. Após o segundo Dia D de vacinação contra a influenza, cerca de 86% do total de 2,6 milhões de pernambucanos inclusos no público-alvo da campanha receberam a imunização.

O estado é o terceiro no país com o maior percentual de protegidos. Até o momento, atingiram a meta mínima de 90% os grupos formados pelos funcionários do sistema prisional, professores, indígenas, puérperas, trabalhadores de saúde e gestantes.

A campanha de vacinação segue até sexta-feira para os mais de 370 mil que ainda não foram imunizados. 

Na última semana da campanha, o Programa Estadual de Imunização chama a atenção, principalmente, para o grupo formado por crianças entre 6 meses e 5 anos, 11 meses e 29 dias. Até o momento, foram vacinados 613 mil (81,51%), faltando mais de 139 mil. Esse foi o único grupo a não atingir meta em 2018. 

Vacina é importante medida de prevenção contra ocorrência de novos casos de influenza — Foto: Romero Mendonça/Secom

Quarenta e três municípios realizam ações, neste sábado (25), no Dia D de vacinação contra a gripe, em Pernambuco. Desde o início, em 10 de abril, a campanha imunizou 2,14 milhões de pessoas no estado, o que representa 81,25% do público alvo.

Segundo a Secretaria de Estadual de Saúde (SES), a meta é atingir, no mínimo, 90% da população, até dia 31 de maio. Mais de 495 mil pernambucanos precisam ser imunizados.

Na ação deste sábado devem ser vacinados as crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, mulheres que tiveram filho há menos de 45 dias, profissionais de saúde, professores de escolas públicas e privadas do Recife, adolescentes, além de jovens de 12 a 21 anos em cumprimento de medidas socioeducativas.

Também estão nos grupos prioritários detentos e funcionários do sistema prisional, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, como diabéticos, além de policiais civis e militares, bombeiros e membros ativos das Forças Armadas.

A Secretaria alerta pais e responsáveis para vacinar as crianças entre 6 meses e 5 anos, 11 meses e 29 dias, público com cobertura de 77,76%. Esse foi o único grupo que não atingiu a meta mínima em 2018.

Além disso, este ano, dos 23 casos de síndrome respiratória aguda grave (Srag) com resultado laboratorial para influenza, 15 foram em crianças de até 4 anos. Isso representa 63,8% do total.

Também precisam reforçar a vacinação, os integrantes dos seguintes grupos: pessoas que apresentam duas ou mais doenças simultâneas, policiais e membros das Forças Armadas.

Mais de 50 pontos fixos e volantes são disponibilizados pela Prefeitura do Recife para vacinação contra a gripe. A lista dos locais pode ser consultada na internet. Nas cidades do interior do estado, de acordo com a SES, é preciso consultar os postos de saúde para saber quais deles funcionam em cada cidade e o horário de atendimento. A Secretaria não divulgou a lista.

Além da capital pernambucana, municípios da Zona da Mata, Agreste e Sertão participam do Dia D contra a gripe. São eles:

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, até o dia 4 de maio, foram registrados 1.043 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag). Desse total, nove tiveram resultado laboratorial confirmado para influenza A(H1N1), 13 para influenza B e 1 para influenza A não subtipado.

No mesmo período do ano passado, foram registrados 656 casos. Na comparação entre 2019 e 2018, houve um aumento de 58,9% nos casos notificados.

Em relação aos óbitos, a secretaria informa que nove foram registrados e um confirmado laboratorialmente para influenza A não subtipada, quatro como síndrome respiratória aguda grave não especificada e quatro ainda estão em investigação.

A síndrome respiratória aguda grave pode ser provocada por diversos agentes (vírus, bactérias) e é caracterizada pela necessidade de internação de pacientes com febre, tosse ou dor de garganta associado à dispneia (desconforto respiratório).

Pacientes fazem protesto em frente à Farmácia do Estado, no Recife, pedindo regularidade no fornecimento de remédios — Foto: Reprodução/WhatsApp

Pacientes que recebem medicamentos gratuitamente do governo de Pernambuco realizaram, nesta terça-feira (21), um protesto na frente da Farmácia do Estado, na área central do Recife. Eles denunciaram o atraso na entrega de remédios.

Segundo os manifestantes, alguns doentes tiveram que passar a pagar o tratamento ou interromper o uso de remédios. Vestindo roupas pretas, eles levaram cartazes e balões para cobrar a regularidade no fornecimento de produtos.

Os integrantes do grupo apontam que faltam substâncias para tratar doenças como lúpus, glaucoma e para pacientes transplantados. Quem tem diabetes também tem reclamado da falta de insumos.

“Estou há três meses sem conseguir insulina Lantus. Estou desempregada há quatro anos e não posso parar o tratamento. Infelizmente, é o meu pai que tem que me sustentar e comprar os medicamentos para mim”, reclama a paciente Leila Janaína Veloso.

A dona de casa Michele Correia afirma que a mãe, uma idosa de 70 anos, precisa de medicamentos para tratar uma fissura na coluna, mas os remédios estão em falta há três meses. Sem dinheiro para comprar o medicamento, que, segundo ela, custa mais de um salário mínimo, a paciente decidiu interromper o tratamento.

“Eu tenho que cuidar dos meus pais, levar os dois para fazer exames. Minha mãe é aposentada e recebe um salário mínimo, mas não tem condições de comprar o neoparatida, porque é muito caro. A gente vem até a Farmácia do Estado desde 2016, mas faz três meses que não tem”, afirma Michele.

O grupo também questiona a falta de pagamentos de funcionários terceirizados que atuam na Farmácia do Estado. “Eles nos dizem que estão há três meses sem receber salário e que não têm reajuste salarial desde 2017”, diz Leila.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que “trabalha em um plano de reestruturação para facilitar a rotina dos usuários, melhorar os processos de gerenciamento e entrega de medicações”.

Sobre a insulina Lantus, a secretaria apontou que “um processo licitatório foi recentemente concluído e há uma outra entrega agendada para os próximos dias”. Além disso, o governo nega que haja atraso de três meses nos salários de funcionários terceirizados. “O pagamento deste último mês, junto às empresas, está sendo efetuado esta semana”, acrescentou.

Ministro diz que baixa adesão a vacinação pode comprometer hospitais

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que a baixa adesão à campanha nacional contra a gripe, que até agora imunizou 56% do público-alvo, pode comprometer o sistema de hospitais públicos em alguns meses. De acordo com o ministro, a gripe pode agravar outras doenças e levar a um grande número de internações.

Segundo Mandetta, um dos casos mais preocupantes é do Rio de Janeiro, que tem o menor índice de vacinação do país (38,2% de adesão). “Nós temos muita tuberculose no Rio de Janeiro, números altíssimos, e se você não vacina contra a gripe, essas pessoas são imunossuprimidas e é muito provável que a gente tenha em junho, julho e agosto quadros de pneumonia em cima de quadros de tuberculose. Vai haver uma pressão por leitos de UTI e não vai ter”, disse.

De acordo com Mandetta, o Ministério da Saúde traçou sua estratégia e identificou os estados com mais fragilidade para se fazer a campanha. O próprio Rio de Janeiro foi escolhido como local de lançamento da campanha.

“A gente tem chamado a atenção, pedido [para que as pessoas se vacinem], mas isso é a estratégia de cada cidade, de cada comunidade. As comunidades precisam se organizar. O que o governo federal faz é levar a mensagem. Agora o que precisa é as pessoas terem atitude e procurarem [os postos de vacinação] porque é um ato voluntário”, disse.

A campanha nacional de vacinação contra a gripe vai até o dia 31 de maio. O público-alvo da campanha inclui 59,5 milhões de pessoas, entre elas crianças até cinco anos e gestantes.

Vacina é melhor forma de evitar coqueluche, segundo autoridades de saúde — Foto: Marlon Tavoni/EPTV

G1PE

Um bebê morreu por causa de coqueluche em Pernambuco. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), o menino, que tinha menos de seis meses, morava em Igarassu, no Grande Recife. O boletim divulgado pelo governo aponta também o aumento de 283% no número de casos confirmados da doença.

A morte da criança ocorreu em dezembro de 2018, mas foi confirmada pela secretaria nesta quinta-feira (16). A pasta informa, ainda, que em 2019 não foi registrado nenhum óbito. Ainda de acordo com a SES, até a segunda-feira (13), tinham sido confirmados 180 casos de coqueluche no estado. No mesmo período do ano passado, o estado confirmou 47 ocorrências.

A SES também informa o aumento do número de casos notificados. Até quinta (13), foram 401 registros, contra 131 notificações, no mesmo período de 2018. Isso significa um aumento de 206% em notificações.

A secretaria aponta que, este ano, 153 casos foram confirmados em meninos e meninas menores de 5 anos. Esse público é contemplado pela vacina contra a doença. Nas seis primeiras semanas epidemiológicas de 2019, a secretaria apontou o aumento do número de casos confirmados de coqueluche. O índice chegou a 85,7%, na comparação com as seis primeiras semanas epidemiológicas de 2018. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, foram 26 casos confirmados até 9 de fevereiro. No ano passado, no mesmo período, o estado teve 14 confirmações.

Ainda segundo a Secretaria de Saúde, a cobertura vacinal em 2018 foi menor do que a meta estabelecida pelas autoridades de saúde. Entre as crianças menores de 1 ano de idade, a cobertura da vacina pentavalente, que previne coqueluche e outras doenças, ficou em 92,25%, enquanto a meta era atingir 95% desse público alvo. Para as gestantes, que são imunizadas com a dTpa, a cobertura vacinal chegou a 60,68%, em 2018. A meta para esse público alvo é também de 95%.

De acordo com os médicos, a coqueluche evolui em três etapas sucessivas. A fase catarral começa com manifestações respiratórias e sintomas leves, que podem ser confundidos com uma gripe: febre, coriza, mal-estar e tosse seca. Depois, aparecem os acessos de tosse seca contínua. Na fase aguda, os acessos de tosse são finalizados por inspiração forçada e prolongada, vômitos que provocam dificuldade de beber, comer e respirar.

Na convalescença, os acessos de tosse desaparecem e dão lugar à tosse comum. Em bebês podem ocorrer desidratação, pneumonia, convulsões, além de lesão cerebral. A doença pode ser transmitida pelo contato direto da pessoa doente com uma pessoa não vacinada, por meio de gotículas de saliva expelidas por tosse, espirro ou ao falar.

A transmissão também pode ocorrer por meio do contato com objetos contaminados com secreções do doente. A coqueluche é especialmente transmissível na fase catarral e em locais com aglomeração de pessoas.

Andrea Carla sente dores e teme perder o rim que recebeu há seis anos, por estar há três meses sem conseguir o remédio de que precisa Foto: Leo Caldas

O Globo

Moradoras da periferia do Recife, Jaqueline Vilela de Almeida, de 36 anos, e Andrea Carla da Silva, de 41, vivem todos os dias o mesmo drama: não conseguem acesso a medicamentos para tratar seus rins transplantados e temem ter que voltar, nos próximos meses, para a máquina de hemodiálise.

Ambas já sentem o órgão mais inchado e o corpo fraquejar de tanto perambular, sem sucesso, pelas unidades de saúde da cidade em busca das drogas que deveriam ser fornecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O drama das duas é compartilhado, em maior ou menor grau, por 90 mil homens e mulheres de todos os estados do país, segundo estimativas da Associação Brasileira de Transplantados.

Documentos obtidos pelo jornal O Globo, junto a secretarias estaduais da saúde revelam que, desde o início do ano, o sistema federal de distribuição de remédios vive um aguda crise de desabastecimento, afetando principalmente os transplantados.

De um total de 134 drogas que são distribuídas obrigatoriamente pelo Ministério da Saúde, 25 estão com estoques zerados, sendo que pelo menos quatro delas são para atender a transplantados, evitando que o órgão recebido seja rejeitado pelo organismo.

Uma ação do Ministério Público Federal revela que 30 mil enxertos de coração, rim e fígado estão em risco apenas no estado de São Paulo, por causa do desabastecimento.

No último ano, 141 pacientes tiveram rejeição aguda ao órgão recebido devido à falta crônica de medicamentos, apenas em São Paulo, segundo dados do Hospital do Rim. Quatro enxertos foram dispensados recentemente em um único hospital da capital paulista. De acordo com associações que atendem a transplantados, ao menos três órgãos já foram perdidos em Recife e dez em São Paulo.

A ação movida pelo MPF alerta o Ministério da Saúde sobre o “risco catastrófico de morte para milhares de pacientes transplantados”.

Em decisão tomada no dia 9 de abril de 2019, com base na ação do MPF, o juiz federal Paulo Cezar Duran determinou que o ministério solucione o problema. Por meio de nota, o ministério afirmou que “mantém todos os esforços necessários ao cumprimento da decisão judicial”.

Risco para 30 mil pacientes

Em São Paulo, os medicamentos Micofenolato de Sódio e Tracolimo, essenciais para a adaptação dos órgãos transplantados, não foram entregues pelo governo federal na quantidade demandada, segundo a Secretaria estadual de Saúde.

O ministério nega e diz que a distribuição do Micofenolato de Sódio “está regularizada”. Quanto ao Tracolimo, diz que “as empresas contratadas não cumpriram os prazos de entrega”.

Segundo o MPF, a crise de abastecimento pode acarretar na “paralisação de transplantes para mais de 30 mil pacientes que estão na fila”.

— Como incentivar a doação, se o transplantado não tem acesso a remédios e não tem como manter o órgão?, questiona Edson Arakaki, presidente da Associação Brasileira de Transplantados.

Arakaki diz que, depois de o sistema funcionar por mais de 20 anos sem grandes intempéries, a crise na distribuição vem se agravando desde 2017, durante a gestão de Ricardo Barros no Ministério da Saúde.

— Naquele momento político, de contingenciamento, o ministro resolveu mudar o sistema de compra. Com isso, começou um momento muito dramático para os transplantados. Atualmente, todo mês falta remédio para este público. As pessoas vivem uma peregrinação para conseguir. As filas nos centros de dispensação são imensas.

Medo da ‘máquina’

O grande temor dos pacientes transplantados é voltar ao estágio anterior ao da recepção do órgão. No caso dos que receberam rins, significa voltar para a “máquina”, como eles se referem ao aparelho de hemodiálise.

Andrea Carla conta que fez diálise durante 20 anos, até conseguir, há seis, um órgão na fila de transplantes.

— De lá para cá, vivo uma nova vida. Cuido da minha saúde, do meu órgão. Mas, há três meses, estou sem remédio. Estou com muito medo de voltar para a “máquina”, de perder meu rim novamente.

Andréa tomava o Tracolimo, que atualmente está em falta em todos os estados. Como nunca conseguia acesso ao remédio, o médico receitou outra fórmula, que também começou a faltar. Ela devia tomar outros dois remédios regularmente contra a rejeição, mas ambos também estão em falta há cinco meses.

É o mesmo drama vivido por Jaqueline. Sem tomar regularmente os remédios há cinco meses, ela conta que está com os exames de urina alterados e seu rim, recebido de um doador morto, já começou a parar de funcionar, segundo diagnóstico médico.

— Tenho muito medo de voltar para a “máquina”. É um procedimento muito difícil.

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Até a manhã desta segunda-feira (06), foram vacinadas 1.324.279 pessoas contra a influenza em Pernambuco, de acordo com dados do Sistema de Informações do Programa Nacional de Vacinação. O quantitativo representa 50% do público total, formado por mais de 2,6 milhões de pernambucanos. Funcionários do sistema prisional (82,84%), Puérperas (72,63%) e crianças (64,54%) são os grupos com a maior cobertura vacinal.

Até o momento, apenas dois municípios atingiram a meta mínima de imunização, que é de 90%: Abreu e Lima (91,76%) e Salgadinho (91,29%). Logo em seguida no ranking estão Canhotinho (79,92%), Correntes (77,68%) e Ingazeira (75,49%).

Os com menores percentuais são: Solidão (5,51%), Santa Filomena (20,19%), Machados (22,07%), São Benedito do Sul (22,47%) e Sairé (23,07%).

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) lembra que a vacinação segue até o dia 31.05, beneficiando crianças entre 6 meses e 5 anos, 11 meses e 29 dias; gestantes, idosos (60 anos ou mais), puérperas (até 45 dias após o parto), trabalhadores da saúde, professores das escolas públicas e privadas e povos indígenas. A imunização, que protege contra as influenzas A (H1N1), A (H3N2) e B, ainda contempla portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, que devem apresentar prescrição médica no ato da imunização, de acordo com recomendação do Ministério da Saúde (MS); adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade e os funcionários do sistema prisional. Além disso, o MS orienta vacinar policiais civis, militares, bombeiros e membros ativos das Forças Armadas, que devem apresentar documento comprobatório no ato da vacinação, assim como os professores e profissionais de saúde.

Público Total: 2.644.316
Público vacinado: 1.324.279 (50,07%)

Pixabay

Até esse sábado (04), 1.119.488 pessoas foram vacinadas em Pernambuco contra a Influenza, segundo dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). De acordo com a pasta, o número corresponde 42,33% do público alvo, composto por mais de 2,6 milhões de cidadãos.

A meta do Governo de Pernambuco é imunizar gratuitamente, até 31 de maio, no mínimo, 90% do público. “Até o final da campanha podem se vacinar:  crianças entre 6 meses e 5 anos, 11 meses e 29 dias; gestantes, idosos (60 anos ou mais), puérperas (até 45 dias após o parto), trabalhadores da saúde, professores das escolas públicas e privadas e povos indígenas”, alertou a Secretaria de Saúde. 

 “A imunização, que protege contra as influenzas A (H1N1), A (H3N2) e B, ainda contempla portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, que devem apresentar prescrição médica no ato da imunização, de acordo com recomendação do Ministério da Saúde (MS); adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade e os funcionários do sistema prisional. Além disso, o MS orienta vacinar policiais civis, militares, bombeiros e membros ativos das Forças Armadas, que devem apresentar documento comprobatório no ato da vacinação, assim como os professores e profissionais de saúde”, acrescentou a Secretaria.

A pasta também realizou um levantamento dos casos e óbito.

Confira a seguir as informações:

CASOS – Até o último dia 13.04, foram notificados 894 casos de síndrome respiratória aguda grave (Srag), sendo 790 (88,4%) em crianças menores de 6 anos. Do total de casos, 9 tiveram resultado laboratorial positivo para a influenza B, 1 para influenza A(H1N1) e 1 para influenza A não subtipado. 

Quando comparado com o mesmo período de 2018, com 366 casos, houve um aumento de 144,3% nas notificações de Srag. Desses 366, 37 positivaram laboratorialmente para influenza A (H1N1) e 18 para influenza A (H3N2).

A síndrome respiratória aguda grave pode ser provocada por diversos agentes (vírus, bactérias) e é caracterizado pela necessidade de internação de pacientes com febre, tosse ou dor de garganta associado à dispneia (desconforto respiratório).  

ÓBITO – Em 2019, foi confirmado 1 óbito para influenza A não subtipada (quando o exame laboratorial não detecta o subtipo). O caso envolveu um homem na faixa etária dos 50 anos e residente em Petrolina, que veio a óbito em fevereiro.

O QUE É – A influenza é uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório. A transmissão ocorre por meio de secreções das vias respiratórias da pessoa contaminada ao falar, tossir, espirrar ou pelas mãos, que após contato com superfícies recém‐contaminadas por secreções respiratórias pode levar o agente infeccioso direto à boca, olhos e nariz.

A doença é caracterizada por um início súbito de febre, tosse, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, mal-estar, dor de garganta e coriza. A tosse pode durar duas ou mais semanas. A maioria das pessoas recupera-se da febre e de outros sintomas dentro de uma semana. Complicações ou morte podem ocorrer especialmente em pessoas de alto risco.

Estima-se que uma pessoa infectada seja capaz de transmitir o vírus para até dois contatos não imunes. As crianças com idade entre um e cinco anos são as principais fontes de transmissão dos vírus na família e na comunidade, sendo possível a eliminação do vírus por até três semanas. 

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Os dados atualizados sobre a circulação, o adoecimento e os óbitos relacionados à gripe comprovam que o H1N1, vírus conhecido por provocar quadros agressivos da doença (especialmente em crianças e idosos não imunizados), está em circulação este ano em Pernambuco, que confirmou ontem um caso de síndrome respiratória aguda grave (Srag) causado pelo H1N1. A paciente é uma menina de 6 anos, que mora em Caruaru, no Agreste do Estado. A informação foi divulgada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), que também registrou outros nove casos graves de gripe relacionados ao influenza B e mais um associado ao influenza A não subtipado (ou seja, não foi possível detectar se a infecção tem relação com o H1N1 ou o H3N2) que foi a óbito.

A vítima foi um homem, na faixa etária dos 50 anos, que morava em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, e faleceu em fevereiro. Além desse óbito confirmado por gripe, o Estado investiga outras quatro mortes por Srag – uma condição que pode ser provocada por diversos agentes (vírus e bactérias), exige internação e é caracterizada por febre, tosse ou dor de garganta associado a desconforto respiratório. 

O balanço da SES considera dados deste ano, até o último dia 13 de abril, quando se acumularam 894 notificações de Srag, sendo 790 (88,4%) em crianças menores de 6 anos. Quando comparado com o mesmo período de 2018, com 366 casos, houve aumento de 144,3% nos registros de Srag. “Entre o total desses casos graves atuais, devem estar registros também de coqueluche (outra doença infecciosa que compromete o trato respiratório e que tem aparecido este ano em maior circulação no Estado), que pode ser confundida com influenza no início dos sintomas, especialmente entre os adultos”, esclarece o epidemiologista George Dimech, diretor-geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES. O depoimento revela que, entre as notificações de Srag, podem estar também casos de coqueluche.

O cenário de alerta da gripe coincide com o dia D da campanha de vacinação, que acontece hoje (04), em todo o País. Até o momento, já foram imunizados 628.799 pessoas em Pernambuco, o que corresponde a 23,7% do grupo prioritário da mobilização. A meta é beneficiar, no mínimo, 90% do público total até o fim da campanha, em 31 de maio.

“Vacina é feita para se tomar. É testada e feita depois de muitas pesquisas. A pessoa que está atenta não deixa de se cuidar. Todos os anos participo da campanha”, disse a aposentada Mailde Furtado, 90 anos, que recebeu a dose contra gripe ontem na Policlínica Lessa de Andrade, na Madalena, Zona Oeste do Recife. A analista de sistemas Roberta Campelo também levou o filho Rocco, de 1 ano e meio, à unidade de saúde. “Se temos a possibilidade de receber a vacina de graça, não tem desculpa para não nos protegermos”, contou Roberta. 

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Até ontem (02), em todo o Estado de Pernambuco, 582.859 pessoas foram imunizadas contra a influenza. Isso representa apenas 22% do total de beneficiados com a campanha, que terá o seu dia D amanhã. O objetivo da ação é que cada município possa abrir os postos de saúde, além de unidades volantes, para chegar mais próximo à população e ampliar os índices vacinais. A meta mínima é proteger, no mínimo, 90% dos mais de 2,6 milhões de pernambucanos inclusos nessa vacinação.

Dos grupos prioritários, gestantes, indígenas e puérperas já ultrapassam 40% do público vacinado. Já professores e idosos estão abaixo dos 15%. “Os municípios estão mobilizados para realizar diversas ações no dia D contra a influenza. É importante que a população verifique com as secretarias de Saúde municipais os locais de imunização e que aproveitem este sábado para se vacinar. Apesar de a campanha seguir até o dia 31 de maio, quanto antes for aplicada a dose, mais rápido a pessoa ficará protegida contra os três vírus da influenza”, reforça a coordenadora do Programa Estadual de Imunização, Ana Catarina de Melo.

A vacina produzida para 2019 teve mudança em duas das três cepas que compõem a vacina e protege contra os três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no último ano no Hemisfério Sul, de acordo com determinação da Organização Mundial de Saúde: A/Michigan/45/2015 (H1N1) pdm09; A/Switzerland/8060/2017 (H3N2); B/Colorado/06/2017 (linhagem B/Victoria/2/87). 

A vacina contra gripe é segura e reduz as complicações que podem produzir casos graves da doença. Em todo o Brasil, até o final da mobilização, 31 de maio, 59,5 milhões de pessoas devem receber a dose da vacina. 

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Aumentou em 25,4% o número de municípios pernambucanos com risco de apresentar surto de dengue, zika e chikungunya, todas doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. A informação está no 2º Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), presente no boletim de arboviroses divulgado, ontem, pela Secretaria Estadual de Saúde. No começo do ano, o último levantamento do estado apontava 59 municípios com risco de apresentar surto. No documento desta terça, o número saltou para 74 cidades, de um total de 184. Outros 84 municípios estão em situação de alerta.

O boletim mais recente também aponta aumento de casos notificados de zika, chikungunya e dengue, quando comparados os períodos de 30 de dezembro 2017 a 20 de abril de 2018 e 30 de dezembro de 2018 a 20 de abril de 2019. O alerta é para a zika, que registrou o maior crescimento. No caso da dengue, o aumento é de 12,4%. Quanto à chikungunya, o percentual cresceu 24,3%. A zika aumentou 139,1%.

Também foram notificadas 21 mortes por arboviroses, mas não houve nenhuma confirmação até o momento. Dados de 2018, no mesmo período, apontam a notificação de 20 óbitos suspeitos. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, o diagnóstico laboratorial positivo dos óbitos para qualquer das arboviroses, não necessariamente confirma a arbovirose como causa do óbito.

“A avaliação, para descarte ou confirmação, depende de minuciosa investigação domiciliar e hospitalar do óbito e da discussão de cada caso no Comitê Estadual de Discussão de Óbitos por Dengue e outras Arboviroses”, diz nota no próprio boletim. O LIRAa tem o objetivo de indicar o risco de transmissão das arboviroses em uma população.

O Ministério da Saúde também divulgou que 994 municípios no país, ou seja, 20% do total realizado, apresentaram alto índice de infestação, com risco de surto para as arboviroses. “O resultado do LIRAa confirma o aumento da incidência de casos de dengue em todo o país que subiu 339,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Esses resultados indicam que é preciso fortalecer ainda mais as ações de combate ao mosquito transmissor, com a participação da população e de todos os gestores locais e federal”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber, em página do ministério.

O secretário afirmou, no entanto, que mesmo com o aumento no número de casos, a taxa de incidência de 2019 está dentro do esperado para o período. “Sendo assim, até o momento, o país não está em situação de epidemia, embora possa haver epidemias localizadas em alguns municípios e estados”. Segundo o ministério, Recife está entre as 16 capitais em alerta.

Arboviroses

Levantamento do LIRA

  • Índice de Infestação Predial do 2º ciclo do LIRA (Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti)
  • 74 municípios em situação de risco de surto
  • 84 municípios em situação de alerta
  • 25 municípios em situação satisfatória
  • 1 não enviou

Dados entre os dias 30 de dezembro de 2018 a 20 de abril de 2019:

Dengue (166 municípios notificadores)

  • 8.856 notificados
  • 1.563 confirmados
  • 1.799 descartados
  • 7.882 casos suspeitos no mesmo período de 2018

* Aumento dos casos (aumento de 12,4 % em 2019 quando comparado aos dados de 2018)

Chikungunya (98 municípios notificadores)

  • 1.415 notificados
  • 50 confirmados
  • 382 descartados
  • 1.138 casos foram notificados no mesmo período de 2018

* Aumento dos casos (um aumento de 24,3% em 2019)

ZIKA (78 municípios notificadores)

  • 679 notificados
  • 17 confirmados
  • 383 descartados
  • 284 casos foram notificados em 2018

* Aumento dos casos (um aumento de 139,1% em 2019 quando comparado aos dados de 2018).