Saúde

A FNO é uma infecção viral causada pela transmissão de mosquitos comuns (Culex). / Foto: Rodrigo Lôbo/Acervo JC Imagem

A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) confirmou nesta quarta-feira (24) que uma idosa moradora de Piripiri morreu ao contrair febre do Nilo Ocidental (FNO). O caso foi notificado em 2017, mas os laudos conclusivos foram liberados somente neste mês. Este foi o primeiro registro de morte pela doença no País.

No Piauí, outras duas pessoas foram infectadas pelo vírus e sobreviveram. A primeira ocorrência foi em 2014, na cidade de Aroeiras do Itaim; e a segunda, em 2017, no município de Picos.

“O vírus circula no Piauí e em outros Estados do Brasil, mas a Secretaria de Saúde está vigilante e atuando de acordo com o protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde. Nós não possuímos nenhum caso registrado em 2018 ou em 2019”, afirmou, em nota, o superintendente de Atenção à Saúde da Sesapi, Herlon Guimarães. “Não existem novos casos no Estado.”

Guimarães afirmou que desde que a primeira ocorrência da febre do Nilo Ocidental foi identificada o Piauí monitora os pontos onde os casos ocorreram, “ficando atento a qualquer situação que precise de atenção”.

A doença

A FNO é uma infecção viral causada pela transmissão de mosquitos comuns (Culex). Assim como a dengue, a zika e a chikungunya, é uma arbovirose e só pode ser transmitida para os humanos através da picada de insetos infectados com o vírus. A doença não é transmitida de uma pessoa para outra.

“Vale lembrar que o combate ao mosquito, com o uso de telas de proteção entre outros métodos, é uma das principais ferramentas para se prevenir de enfermidades transmitidas por eles”, disse o superintendente de Atenção à Saúde.

A maior parte dos infectados não apresenta sintomas. Apenas 20% dos casos da doença têm sinais semelhantes aos da gripe, como febre, fadiga, dores de cabeça e dores musculares, e menos de 1% dos humanos infectados fica gravemente doente. A maioria do registros graves acomete com idosos.

Os sintomas graves incluem febre alta, rigidez na nuca, desorientação, tremores, fraqueza muscular e paralisia. Os pacientes gravemente afetados podem desenvolver encefalite (inflamação do cérebro) ou meningite (inflamação das membranas do cérebro ou da espinal medula).

Já se tornou rotina encontrar as maternidades do Grande Recife superlotadas, muitas vezes sem leitos disponíveis e com as gestantes tendo os seus bebês no chão, na cadeira de rodas ou em qualquer lugar dos corredores das unidades de saúde. Isso se dá pela falta de maternidades em vários dos municípios pernambucanos. Para se ter uma ideia, de acordo com levantamento do Portal LeiaJá, das 15 cidades da Região Metropolitana, oito não têm maternidades funcionando – além de Olinda e Jaboatão dos Guararapes que tem uma maternidade, cada, com obras paralisadas. Tal realidade faz com que a cidade do Recife viva sobrecarregada.

Dos mais de 104 mil partos realizados pelo SUS em Pernambuco no ano de 2018, 58 mil (56%) foram feitos na rede sob gestão estadual ou conveniada pelo Estado. Só nas maternidades de responsabilidade da Prefeitura do Recife, que são quatro, foram quase 13 mil partos realizados em 2018. Essa alta demanda faz com que as grávidas que moram na capital pernambucana enfrentem problemas para conseguirem um parto digno, ou até uma vaga na unidade.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Pernambuco, no Estado existem 75 maternidades de todas as esferas (estaduais, municipais, federais e rede conveniada). A secretaria não confirmou se todas essas maternidades estão em pleno funcionamento – atendendo adequadamente e realizando os partos. Para se ter uma ideia, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em Pernambuco existem 185 cidades. Se as 75 maternidades que existem no Estado correspondessem a um município, cada, ainda assim seriam 110 cidades pernambucanas sem maternidade alguma. 

Um levantamento do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (SIMEPE) mostra que, na RMR, as cidades de Igarassu, Itapissuma, Itamaracá, São Lourenço da Mata e Moreno não contam com maternidades atendendo as demandas das parturientes – os municípios de Araçoiaba e Paulista, por exemplo, nunca tiveram uma maternidade para chamar de sua. A Secretaria de Saúde do Estado confirma que muitas das cidades que fecharam as portas das maternidades, sequer informaram a paralisação dos serviços para a Comissão Intergestora Bipartite (CIB/PE), na tentativa de solucionar os problemas. É a CIB quem possibilita a articulação, negociação e pactuação entre os gestores municipais e estaduais no que diz respeito às questões do Sistema Único de Saúde do Estado.

Luana Cristina, 25 anos, munícipe de Igarassu, sentiu na pele o desprazer da realidade materna da cidade. Ela conta que precisou “rodar” para conseguir ter sua filha. “Eu cheguei aqui (na Unidade Mista de saúde de Igarassu) com 4 centímetros de dilatação e já em trabalho de parto. Os médicos me examinaram e eu fui encaminhada primeiro para a maternidade de Abreu e Lima. Chegando lá, eles disseram que não iam fazer o meu parto e fui levada para o Tricentenário, em Olinda”, recorda Luana. Foi distante da cidade onde mora que nasceu Rhuana Yasmim, hoje com 3 anos de vida.

No Hospital e Maternidade Alzira Figueiredo de Andrade Oliveira, há quase duas décadas que as parturientes da Ilha de Itamaracá só conseguem ter o seu bebê quando estão em período expulsivo – momento em que o corpo trabalha sozinho para o nascimento do feto – sem intervenções externas. 

O coordenador da enfermagem do hospital, Ricardo José da Fonseca, pontua que a possível retomada da maternidade no município já está em pauta na secretaria de saúde de Itamaracá. Mas salienta que primeiro o órgão precisa fazer as adequações físicas do hospital que, segundo afirma, está prestes a passar por uma reforma. “Depois a gente entra no mérito das questões técnicas que é montar uma equipe de retaguarda (para a maternidade)”, observa.

Mais de 80 mães de crianças com síndrome congênita do vírus zika se reuniram em frente à agência do INSS, na Avenida Mário Melo, no bairro de Santo Amaro, Centro do Recife, para protestar contra os cortes do Benefício de Prestação Continuada (BPC). O benefício é garantido para as crianças que nasceram com microcefalia. Para ter acesso ao valor de R$ 988 mensais, é preciso ter renda familiar menor que 1/4 do salário-mínimo vigente.

Apesar de ser garantido por lei, mais de 20 mães reclamam que estão com o dinheiro bloqueado desde o último mês de junho. Membros da União de Mãe de Anjos (UMA) se mobilizaram em protesto a falta de repasse. A maior parte das mulheres que dependem do benefício ficam impedidas de voltar ao mercado de trabalho e custeiam medicamentos, alimentação, tratamento, além de aluguel e contas domésticas, com o salário mínimo, já que os filhos precisam de atenção integral. 

“Fui no banco fazer a prova de vida, mas disseram que o valor foi bloqueado pelo INSS. Não conseguimos resolver e as contas estão chegando. Moro de aluguel, meu marido está desempregado e não tenho condições de trabalhar porque preciso cuidar da minha filha o dia todo. Infelizmente estamos passado por esse desgaste de ter que ir para rua exigir algo que temos direito. É uma falta de respeito”, reclama Gleyse Kelly, de 31 anos, que está no 7° mês de gestação, é mãe de Maria Geovana, de 3 anos e 9 meses, portadora de microcefalia, e mais outras três crianças.

A resposta que muitas dessas mulheres recebem no INSS é que seria preciso aguardar de 30 a 80 dias para voltar a receber o BPC. No entanto, os custos aumentam com o leite e os remédios. “Uma lata do leite específico para as crianças custa R$ 60 e dura apenas quatro dias. Gasto mais de R$ 500 em medicamentos. Eu parei de trabalhar para cuidar do meu filho e estou pedindo dinheiro emprestado para compensar as dívidas”, lamenta Jaqueline Vieira, 28, mãe de Daniel, de 3 anos e 9 meses e João Pedro, de 7 anos.

Pesquisa foi realizada pela USP com 533 pessoas da cidade de São Paulo  / Foto: Pixabay

Qual a quantidade de café que pode ser tomada por dia por quem tem predisposição a ter pressão alta e que não vai ser prejudicial? Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) com 533 pessoas da cidade de São Paulo apontou que mais de três xícaras, das de 50 ml, podem aumentar em até quatro vezes a possibilidade de o problema se manifestar. Tomar até três xícaras, no entanto, traz benefícios e ajuda a evitar doenças cardiovasculares.

Pós-doutoranda no Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP), a nutricionista Andreia Machado Miranda, principal autora do estudo, disse que os hábitos do indivíduo e a predisposição genética, isoladamente, já são fatores de risco conhecidos para a pressão arterial, mas ela e a equipe de pesquisadores se debruçaram nos impactos do consumo excessivo de café por pessoas saudáveis, mas com predisposição genética a ter hipertensão.

Para isso, utilizaram como base o Inquérito de Saúde do Município de São Paulo (ISA-Capital 2008), que foi realizado com 3 mil pessoas. “É um estudo muito completo com dados de estilo de vida, coleta de sangue e de DNA, informações bioquímicas e aferição da pressão arterial. Definimos como pressão arterial normal valores abaixo de 140 por 90 milímetros de mercúrio (mmHg). Acima disso, era considerado pressão alta”, explica a pesquisadora.

O grupo desenvolveu escores genéticos de risco e analisou o consumo de café dos participantes (menos de uma xícara, entre uma e três xícaras, e mais de três xícaras), além da pressão arterial deles.

“O consumo médio foi de duas xícaras e meia de café por dia. Nenhum dos participantes relatou o consumo de café descafeinado e quatro indivíduos falaram que consomem café expresso. O café é complexo. Ele é constituído por mais de 2 mil compostos químicos, entre eles, a cafeína, que aumenta os níveis da pressão arterial.”

A pesquisa mostrou que o grupo que tinha a pontuação mais elevada no escore genético e que bebia mais de três xícaras de café, a possibilidade de ter pressão alta era quatro vezes maior do que de quem não tinha a predisposição.

“Como a maior parte da população não sabe se tem a predisposição, porque são dados de exames que não são habitualmente feitos, a pesquisa pode ajudar toda a população, a saber, qual o consumo adequado que deve ser feito de café”, diz Andreia, que já realizou estudos sobre os efeitos do consumo da bebida.

Efeito protetor

“Em todos os nossos estudos, constatamos o efeito protetor para a parte cardiovascular. O café é rico em polifenóis, compostos bioativos que têm ação no organismo e só existem nos alimentos de origem vegetal. O organismo não produz. Diversos estudos têm mostrado uma contribuição na redução de doenças crônicas, como a cardiovascular. Por causa do poder antioxidante, melhora a vasodilatação e permite que a pressão arterial não aumente.”

Outro estudo realizado por Andreia apontou que o consumo de uma a três xícaras por dia traz benefícios para a saúde cardiovascular, como a regulação de um aminoácido chamado homocisteína, que está relacionado com episódios de enfarte e acidente vascular cerebral (AVC).

A pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi publicada na revista Clinical Nutrition.

O próximo passo do estudo é verificar o impacto do consumo de café em pacientes que já têm doenças cardiovasculares. “Agora, vamos identificar os efeitos nos pacientes que já sofreram um episódio de infarte agudo do miocárdio ou angina instável e qual vai ser o impacto na sobrevida desses pacientes”, disse.

A previsão é de analisar, no período de quatro anos, dados de 1 085 pacientes atendidos no Hospital Universitário da USP.

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A Coordenação de Saúde Bucal da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), em parceria com o Conselho Regional de Odontologia de Pernambuco (CRO-PE), dá continuidade nesta semana à Caravana Itinerante da Saúde Bucal. Dessa vez, o evento percorrerá cinco cidades do Sertão pernambucano, levando promoção à saúde para o público e capacitação para os profissionais da área.

A caravana passará por Araripina (08), Salgueiro (09), Serra Talhada (10), Arcoverde (11) e Afogados da Ingazeira (12). A expectativa é, em cada localidade, beneficiar 500 crianças, totalizando 2,5 mil meninos e meninas, com orientações sobre saúde bucal, aplicação de flúor e a entrega de kits contendo escova, creme dental, sabonete e uma cartilha informativa.

Já os profissionais da Atenção Primária e de Saúde Bucal dos municípios participarão de oficinas sobre atendimento odontológico a pessoas com deficiência e pacientes com necessidades especiais, com destaque para a promoção da equidade com inclusão das populações vulneráveis. Além disso, serão abordados casos de urgência odontológica que podem ser resolvidos na atenção primária. Já para os gestores, serão abordadas estratégias para captação e gestão de recursos na área da saúde bucal.

“O paciente com necessidades especiais precisam de suporte diferenciado para o atendimento odontológico, com qualificação profissional especializada”, explica o coordenador de Saúde Bucal da SES-PE, Paulo César de Oliveira. Os atendimentos em saúde bucal são realizados, em sua maioria, nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), na atenção primária, de competência dos municípios.

Durante as capacitações, a equipe tratará sobre os conceitos da equidade, ou seja, igualdade e isonomia no atendimento ao usuário do Sistema Único de Saúde (SUS). “Nosso ponto de partida é nos despir dos preconceitos individuais e reconhecer as singularidades desse público vulnerável, como as populações negras e LGBT, assim como a população com deficiência. Antes de tudo, é preciso oportunizar o acesso à saúde estabelecendo relações de cuidado específicas”, ressalta Paulo César.

Anteriormente, a Caravana já passou por Limoeiro, Garanhuns, Surubim, Goiana, Igarassu, Palmares, Barreiros, Recife, Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho.

Medicamento mais caro do mundo, de R$ 9 milhões, pode salvar a vida de bebê brasileira

O medicamento mais caro do mundo custa R$ 9 milhões e pode mudar para sempre a vida da Laura. Em menos de dois meses de vida, ela enfrentou uma viagem do Recife a Boston, nos EUA, para tentar um tratamento novo e que pode salvá-la de uma doença rara.

Laura foi diagnosticada com AME, a atrofia muscular espinhal, que é uma degeneração dos neurônios motores responsáveis pela movimentação dos músculos. A AME é causada pela falta ou defeito num dos genes que produzem a SMN, uma proteína que protege os neurônios motores. Eles levam o impulso nervoso da coluna vertebral para os músculos. A doença é progressiva, não tem cura e afeta entre 7 a 10 bebês em cada 100 mil nascidos no mundo.

Ela é a maior causa genética de morte de crianças de até 2 anos de idade.

A neuropediatra Vanessa Van Der Linden explica que a inteligência é normal, o cérebro é normal, mas a criança vai perdendo a força muscular. Começa nas pernas, depois braços, tronco, musculatura respiratória, e por último, a face e o movimento dos olhos.

A irmã de Laura, de 13 anos, também tem AME. E essa informação que fez com que a médica pedisse o exame de Laura, logo após o nascimento. Na Laura, o diagnóstico foi pré-sintomático, pelo DNA. E a rapidez do diagnóstico foi determinante para que o tratamento de Laura fosse possível. A médica descobriu um estudo clínico que procurava pacientes bebês para testar um novo remédio para a AME. Com apenas 42 dias, Laura tinha o perfil ideal para os testes.

Em fevereiro, a família descobriu que haveria um tratamento totalmente diferente, mas nos Estados Unidos. Uma semana depois, mãe e filha estavam de malas prontas para viajar, após vaquinha virtual, campanha com a família e rifas. A família não precisava pagar pelo tratamento, mas tinha que conseguir dinheiro para os custos da viagem.

O novo remédio é o Zolgensma, que foi aprovado em maio, nos Estados Unidos, depois de testado num grupo de 34 crianças entre 15 dias e oito meses. Elas vão precisar ser acompanhadas por mais dez anos.

Até agora o único remédio no mundo recomendado para o tratamento da doença era o Spinraza, que este ano passou a ser disponibilizado pelo SUS. Segundo o Ministério da Saúde, cada paciente custa, anualmente, R$ 1,3 milhão.

Para a presidente da Associação Brasileira De Amiotrofia Espinhal, que tem um filho de 18 anos com AME, a oferta do remédio pelo SUS é um avanço, mas é preciso melhorar a rapidez no diagnóstico da doença.

O presidente do laboratório que produz o remédio diz que há crianças vivendo até os 5 anos ou se preparando para ir para a creche e se beneficiando de ter tomado apenas uma dose. O novo tratamento está restrito apenas aos Estados Unidos, mas ainda não há previsão para a redução do preço. O laboratório responsável disse estar empenhado em levar o produto para o Brasil.

Apesar de os médicos afirmarem ainda ser muito cedo para falar na cura da doença, é isso o que espera a família de Laura. Com informações do Fantástico/Rede Globo.

Dona Denise Nancy tem 56 anos, é casada e mãe de 2 filhos. Mora em Petrolina e é servidora pública. Há 1 ano e meio foi diagnosticada com leucemia mieloide aguda e fez transplante de medula óssea, recebida de seu irmão.

No entanto, após 1 ano do transplante, a doença voltou. Assim, os familiares e amigo estão fazendo essa campanha para que mais e mais pessoas possam se tornar doadoras, tendo a possibilidade de salvar uma vida, que pode ser a dela. Quem estiver disposto a salvar vidas procure o Hemope do seu Estado e seja um doador.

O Blog PE Notícias é parceiro nessa luta pelo restabelecimento de D. Denise Nancy e de tantos outros que estejam na mesma necessidade.

Atualmente Recife tem o registro de 2.029 casos de pessoas que adoeceram com sintomas de arboviroses: dengue, zika e chicungunha  / Foto: Pixabay

O Recife confirma a primeira morte por arbovirose do ano em Pernambuco. A vítima é uma adolescente de 12 anos, moradora de Água Fria, bairro da Zona Norte da cidade. Segundo a Secretaria de Saúde da capital (Sesau), ela começou a apresentar febre, vômitos e manchas vermelhas pelo corpo no dia 24 de abril e faleceu quatro dias depois num hospital particular. O trabalho de investigação do óbito confirmou a infecção pelo vírus da dengue tipo 1. O bairro onde a vítima residia é um dos dez, no município, com maior número de pessoas que provavelmente adoeceram por dengue, chikungunya ou Zika, segundo boletim da Sesau.

Até o último dia 15 de junho, o Recife teve notificação de 10 óbitos – o mesmo número de todo o ano passado. Entre esses registros, além da morte da adolescente, há mais seis em investigação e outras três foram descartadas. “Todo o óbito chama a nossa atenção porque se trata de um evento que exige maior vigilância das arboviroses, além da análise da gravidade e complexidade da doença”, explica a gerente de Vigilância Epidemiológica do Recife, Natália Barros.

Ela acrescenta que a confirmação da primeira morte por arbovirose coincide com um cenário de ascensão dos adoecimentos no Recife. “Desde a 15ª semana epidemiológica do ano, observamos um aumento de casos além do esperado para o período. Continuamos as ações de combate ao mosquito e vamos intensificar cada vez mais, especialmente se esse crescimento de casos se tornar uma epidemia sustentada.”

Números

Atualmente, Recife tem o registro de 2.029 casos de pessoas que adoeceram com sintomas de arboviroses: 1.717 foram suspeitas de dengue, 255 de chikungunya e 57 de Zika. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve um aumento de 14,2% dos casos notificados.

Mais Médicos: 1,9 mil profissionais começam a atuar em junho

A partir deste mês de junho, mais de 6 milhões de pessoas que vivem nas áreas mais vulneráveis do Brasil já poderão contar com reforço profissional do Programa Mais Médicos. O Ministério da Saúde publicou na quarta-feira (19) o resultado final da 1ª fase dos médicos selecionados neste 18º ciclo do programa. De acordo com as regras previstas no edital nº11/2019, 1.975 profissionais foram selecionados para atuar na Atenção Primária das unidades de saúde de mais de mil municípios, localizados nos 26 estados, além de 10 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). Esses profissionais devem se apresentar nos municípios entre os dias 24 e 28 de junho para o início das atividades de atendimento à população. 

Para acessar a lista dos municípios contemplados pelo programa Mais Médicos, clique aqui.

Os municípios contemplados neste edital do Mais Médicos são de áreas historicamente com maiores dificuldades de acesso – a exemplo das ribeirinhas, fluviais, quilombolas e indígenas – e que dependem do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Foram oferecidas aos médicos 2.149 vagas, conforme indicação dos gestores locais sobre a quantidade necessária de profissionais para atendimento em suas unidades de saúde.

Esta primeira fase do 18º ciclo do programa priorizou a participação de profissionais formados e habilitados com registro do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Brasil. Além disso, para garantir a imparcialidade na escolha de médicos qualificados, preferencialmente com perfil de atendimento para a Atenção Primária, o Ministério da Saúde estabeleceu critérios de classificação, como títulos de Especialista e/ou Residência Médica em Medicina da Família e Comunidade.

Lesões em alto-relevo na pele, coceira e vermelhidão por mais de seis semanas são alguns dos sintomas da Urticária Crônica Espontânea (UCE), que atinge mais de um milhão de pessoas no Brasil. A UCE é uma doença sem uma causa externa como alimentos, perfumes ou cosméticos. Como o próprio nome diz, ela é espontânea, ou seja, os sintomas aparecem do nada, o que deixa os pacientes inseguros, afetando a vida familiar, social e profissional.

Recente pesquisa realizada pela Ipsos, que entrevistou 1,2 mil pessoas em 72 municípios de todo o Brasil, revela que 57% dos entrevistados desconhecem a Urticária e que 91% não fazem ideia do que é a UCE. O Nordeste foi apontado como a região onde a doença é mais desconhecida. Apenas 3% da população já ouviu falar. O Sudeste é a região com maior conhecimento sobre a doença, mas ainda assim, conhecida por apenas 13% dos entrevistados. Na sequência, aparecem Norte com 11%, Centro-Oeste com 10% e Sul com 7%. A pesquisa foi realizada pessoalmente entre os dias 1 e 16 de fevereiro de 2018 e tem erro amostral de 3 pontos percentuais.

Por ser facilmente confundida com outras enfermidades como alergias e/ou dermatites, os pacientes demoram até cinco anos para chegar ao diagnóstico correto e, mais ainda, ao tratamento adequado. Para auxiliar nesse processo, nesse mês tem início a segunda edição da Campanha de Conscientização “Todos pela causa – Tudo sobre UCE”. A iniciativa tem por objetivo levar informação para a população para que as pessoas que sofrem de UCE sejam diagnosticadas mais rapidamente e tenham acesso ao tratamento adequado.

A imprevisibilidade da doença pode levar o paciente a um estado mental de ansiedade, distúrbios do sono, exclusão do convívio social e até depressão. É comum os pacientes dizerem a frase “a UCE não mata, mas tira a vida da pessoa”.

A UCE é uma doença que, apesar do estresse que alguns pacientes relatam durante a aparição dos sintomas, a Urticária Crônica Espontânea não tem relação com crise nervosa como muitos pensam, ela acontece de surpresa sem avisar e vai embora quando quer. Portanto, é incorreto chamá-la de “urticária nervosa”, pois não é causada pelas emoções.

Também em 2018, a Ipsos realizou uma pesquisa qualitativa com pacientes de UCE que relataram que, sem saberem do que se trata, a ação deles ao aparecer os primeiros sintomas da doença é ir ao pronto-socorro, onde passam por um clínico-geral e, muitas vezes, são medicados com cortisona e antialérgicos atestando ser alergia.

Após passar o efeito dos remédios, a crise volta e às vezes até mais forte, segundo relatos de alguns pacientes. É nesse momento que eles passam a procurar alergistas e dermatologistas especializados em Urticária Crônica Espontânea. No entanto, há casos relatados em que os pacientes levam de 2 a 5 cinco anos até chegarem ao diagnóstico da doença e, finalmente, iniciarem o tratamento adequado. Todas estas dificuldades podem fazer com que pacientes desistam de procurar ajuda médica, mesmo a doença tendo tratamento efetivo.

A primeira linha de tratamento para todos os pacientes diagnosticados com UCE são os anti-histamínicos H1 de segunda geração, podendo a dose ser aumentada em até quatro vezes se os sintomas não diminuírem. Para os pacientes que não conseguirem chegar ao controle completo da doença, adiciona-se ao tratamento o omalizumabe, medicamento injetável aplicado uma vez por mês.

“O omalizumabe é a medicação de escolha para os casos que não respondem aos anti-histamínicos. A resposta ao omalizumabe nestes casos é excelente, e a incidência de efeitos colaterais mínima” afirma o médico Luis Felipe Ensina, médico especialista em alergia e imunologia.

Estudos clínicos mostram que, com o tratamento correto da Urticária Crônica Espontânea, 92% dos pacientes voltam a ter qualidade de vida como uma pessoa que não possui a doença.

Barbeiro atua como vetor na transmissão da doença de Chagas / Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem

O primeiro surto de doença de Chagas de Pernambuco e possivelmente o maior do Brasil, anunciado por autoridades de saúde na última sexta-feira (31), traz luz para o mapa do Trypanosoma cruzi (parasita encontrado em fezes de insetos) no Estado. São 22 municípios considerados prioritários para a doença e acompanhados pelo Programa de Enfrentamento as Doenças Negligenciadas, o Sanar. Além disso, 40 cidades (29 no Sertão e 11 no Agreste – veja a lista abaixo) aparecem com triatomíneos infectados, que atuam como vetores na transmissão e são chamados popularmente de barbeiro. Nessa lista, está Ibimirim, no Sertão de Pernambuco, epicentro do surto que envolve pelo menos 77 pessoas. Das 25 pessoas com diagnóstico confirmado, seis permanecem internadas no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), em Santo Amaro, área central do Recife.

Não é de agora que Ibimirim desperta a atenção da vigilância epidemiológica. Dados reunidas com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde, revelam que o município desponta entre os cinco de Pernambuco (ao lado de Pombos, Riacho das Almas, Salgueiro e Vertentes) que tiveram casos agudos de Chagas em 2010 e 2011. A partir do ano seguinte, o Estado ficou sem registro de doença aguda pelo Trypanosoma cruzi, que voltou à cena nas últimas semanas em Ibimirim. “Se houve contaminação, tem barbeiro. O trabalho agora também é buscar onde está o foco”, diz a médica hematologista Cristina Carrazzoni, que tem acompanhado os 77 pacientes expostos ao surto: 69 adultos e adolescentes, além de oito crianças (uma delas está entre os casos confirmados).

Ontem ela e demais profissionais avaliaram, na Casa de Chagas, em Santo Amaro, a condição de saúde de dez pessoas que não têm manifestado sintomas, mas que precisam de assistência porque a fase inicial do problema geralmente não dá sinais. “Os surtos agudos passam despercebidos pela semelhança de quadros clínicos com outras doenças. Identificar essa etapa é importante para tentar detectar a causa do surto e bloquear o risco de outras pessoas se contaminarem da mesma forma”, explica Cristina.

Em Ibimirim, essa investigação está em andamento pela Secretaria Estadual de Saúde, que divulgará hoje um novo balanço da microepidemia, com base no trabalho de campo que tem realizado em áreas próximas à escola onde ficaram os participantes de evento religioso realizado na Semana Santa.

O infectologista Filipe Prohaska, do Huoc, informa que os pacientes internados têm apresentado melhora do quadro clínico. “Dos oito que precisaram ficar no hospital, dois tiveram alta. Eles têm sinais da doença em atividade, mas esperamos uma boa evolução.” Por terem sido diagnosticadas na fase aguda, as pessoas contaminados têm mais chances de terem a doença controlada, em comparação com aquelas que tiveram a enfermidade detectada anos após a infecção. “O tratamento tem como objetivo fazer com que a doença não evolua para a cardiopatia crônica ou eventualmente para uma alteração digestiva”, diz o cardiologista Wilson Oliveira, coordenador da Casa de Chagas.

Lista dos 40 municípios pernambucanos com triatomíneos infectados em 2018:

Afogados da Ingazeira
Afrânio
Águas Belas
Belém de São Francisco
Bodocó
Brejinho
Cabrobó
Calumbi
Canhotinho
Capoeiras
Carnaíba
Carnaubeira da Penha
Caruaru
Cupira
Flores
Floresta
Garanhuns
Ibimirim
Iguaraci
Ingazeira
Itacuruba
Itapetim
Jucati
Mirandiba
Orocó
Pedra
Petrolândia
Petrolina
Salgueiro
Santa Cruz
Santa Maria da Boa Vista
São Bento do Una
São José do Egito
Serra Talhada
Serrita
Terezinha
Terra Nova
Tuparetama
Venturosa
Verdejante

DENGUE

A investigadora de polícia Juliana Gonçalves, de 41 anos, ficou dois dias de cama por causa da dengue no mês passado. “As dores passaram, mas ainda tenho manchas vermelhas pelo corpo. Foi horrível.” Além dela, três colegas de trabalho foram infectados. “Tenho certeza que os mosquitos vêm de um rio ao lado da delegacia”, diz Juliana, de Caraguatatuba, litoral norte paulista. Mesmo dois meses após o fim do verão, a doença no País ainda preocupa: do início do ano até o último dia 11, o total de registros foi 432% maior, ante o mesmo período de 2018.

O salto foi de 144 mil casos prováveis de infecção para 767 mil suspeitas reportadas. As mortes pelo vírus também saíram de 88 a 222 – a maior parte (80) em São Paulo. O número de infectados explodiu em 20 Estados e no Distrito Federal. 

Há quatro sorotipos do vírus. A epidemia e a incidência maior nesses Estados são explicadas pela disseminação do tipo 2, diz o coordenador-geral dos Programas Nacionais de Controle e Prevenção da Malária e das Doenças Transmitidas pelo Aedes do Ministério da Saúde, Rodrigo Said. “As últimas epidemias foram pelos vírus 1 ou 4”, diz. “Esse sorotipo (2), que circulava pouco e por isso havia pequena proteção imunológica, voltou agora e deixou a população mais suscetível”.

O clima, segundo Said, também tem papel importante. Chuvas intensas nas últimas semanas fizeram larvas do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, eclodirem. Além disso, temperaturas mais altas criam condições favoráveis ao inseto.

“Enquanto não esfriar para valer, os casos vão continuar”, diz Regiane de Paula, do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde de São Paulo. O fenômeno climático El Niño, segundo ela, está fazendo com que o frio demore mais a entrar este ano no Sudeste. 

Até o último dia 15, só quatro das 645 cidades paulistas não notificaram casos. Mais grave é o quadro de Bauru, com 19,7 mil infectados e 21 óbitos. 

Em Tupã, onde o surto levou à cassação do prefeito (leia abaixo), o autônomo Valdecir Freitas, a mulher e o filho de 13 anos foram infectados. “Mantenho tudo limpo, mas tem terrenos baldios com lixo. Pagamos pelo descuido de outros”, reclama. 

Com a expectativa de inverno tardio e curto, cresce a necessidade de manter ações contra criadouros de Aedes. Segundo o ministério, mais de 80% dos mosquitos vêm de áreas residenciais. Outras cidades mantiveram no outono o uso do inseticida (fumacê). A estratégia, para matar o Aedes adulto, é considerada menos eficaz que eliminar a água parada, que evita o nascimento do transmissor. 

O ministério diz ter 300 mil litros de inseticida vencidos e que, segundo informações preliminares recebidas esta semana, não estão adequados para uso. Segundo Said, as amostras desse produto foram encaminhadas a um laboratório credenciado, mas as respostas recebidas esta semana não foram favoráveis ao uso do produto. 

Tão logo apareceram os primeiros sintomas, a ex-senadora Marina Silva (Rede) procurou um hospital em Brasília. As dores fortes pelo corpo e na cabeça ajudaram a antecipar o diagnóstico confirmado mais tarde por exame: dengue. Na capital do País, onde as ocorrências aumentaram mais de 1.200%, o governo espalhou seis postos temporários em áreas de maior incidência. Lá, são aplicados testes e há assistência prestada por médicos, enfermeiros e técnicos. 

Infectada pela segunda vez por dengue, Marina ficou três dias internada na última semana. No Twitter, lembrou ser “mais uma entre milhares”. Segundo a assessoria de imprensa da ex-senadora, ela passa bem. 

A nova infecção, como ocorreu com Marina, traz risco ainda maior. “A disposição sucessiva ao vírus e uma segunda infecção podem ocasionar manifestações mais graves e até óbito”, alerta Said, do ministério. 

O Departamento Médico da Câmara dos Deputados atendeu 88 pacientes com suspeita de dengue entre 1° de abril e 29 de maio deste ano. Sob a alegação de sigilo médico, o departamento não distingue quantos são servidores ou parlamentares, nem divulga nomes dos pacientes. Por causa da alta incidência de casos na capital federal, o governo local adotou como estratégia espalhar seis postos temporários em áreas de maior incidência. A assistência é prestada por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

Epidemia foi motivo para cassar prefeito

O surto de dengue este ano custou até o cargo do prefeito de Tupã (SP), José Ricardo Raymundo (PV). Ele foi cassado pela Câmara dos Vereadores na última semana, acusado de omissão no combate à doença, após denúncia aberta por um munícipe. Na cidade de 76 mil habitantes, houve 4.118 casos e seis mortes. 

Raymundo, que aguarda análise de recurso, diz que o afastamento é uma retaliação política e afirma ter feito ações preventivas. Para o especialista em Direito Administrativo Márcio Leme, a Justiça tende a reverter cassações do tipo, com motivo frágil, e respeitar o mandato eletivo. 

Em dezembro, o ex-prefeito de Aguaí (SP) Sebastião Biazzo foi condenado por improbidade administrativa pela Justiça por suposta omissão no combate à dengue entre 2014 e 2015. Ele aguarda análise de recurso pelo Superior Tribunal de Justiça.

Cuidados e riscos

Prevenção

A maioria dos focos de Aedes está em casas. É importante evitar acúmulo de água em garrafas, vasos, calhas, lajes e piscinas, onde ele coloca ovos.

Condições 

A permanência de chuvas e temperaturas mais altas favorece a reprodução do mosquito e leva à necessidade de ficar atento aos criadouros mesmo após o verão.

Sintomas

Dores no corpo e de cabeça, cansaço, febre alta e manchas na pele são comuns entre os infectados. Em casos mais graves, pode haver sangramento por nariz ou boca, além de vômito contínuo.

Outras doenças

O Aedes também transmite os vírus da zika e da chikungunya, cujos sintomas podem se confundir com os sinais da dengue.

O surto de Doença de Chagas aguda que está sendo investigado na cidade de Ibimirim, no Sertão de Pernambuco, é o primeiro caso de surto da doença na fase aguda já registrado no estado e está sendo considerado o maior do gênero que já aconteceu no Brasil. Até então, 20 casos foram confirmados em laboratório e outros cinco por meio de análise clínica e epidemiológica. Estima-se, contudo, que o número de infectados pelo protozoário Tripanossoma cruzi possa ser bem maior. Outras 52 pessoas, que também estiveram no evento religioso onde aconteceu a contaminação, passarão por exames e serão acompanhadas. Dos oito pacientes que estavam internados no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), dois receberam alta ontem.

Por enquanto, ainda não se sabe o que pode ter causado a doença. Desde que o primeiro paciente deu entrada em uma unidade de saúde com sintomas, no dia 20 de maio, o Estado começou uma verdadeira cruzada para montar o quebra-cabeça e traçar o diagnóstico dos pacientes. Primeiro, a desconfiança era de arboviroses. Em seguida, de febre tifoide. Logo depois, de malária. “Os sintomas das doenças infecciosas são comuns entre eles, febre, dor e manchas no corpo. O diferencial dessas pessoas era o tempo de febre, que começou a se prolongar, chegando até a 20 dias”, explicou o chefe do serviço de infectologia do Huoc, Demetrius Montenegro.

Os pacientes que precisaram ser internados apresentaram também edemas na face, dores na boca do estômago, inchaço nas pernas e nos olhos e dores articulares. “Eles tinham febre que começava na tarde e se estendia até a madrugada. Alguns melhoravam e depois pioravam”, acrescentou Demetrius Montenegro. Um dos internados chegou a apresentar alterações cardíacas, uma das características da Doença de Chagas, o que ajudou a fechar o diagnóstico. “O que mais chama atenção é a quantidade de pessoas envolvidas e contaminadas. Um surto semelhante aconteceu na Bahia com 13 casos sintomáticos, dos quais quatro tiveram confirmação por exame. Nós, dos 25 casos, já temos 20 com confirmação da presença do parasita no exame”, disse Demetrius.

Os pacientes internados no Huoc têm, em média, 25 anos. Eles iniciaram o tratamento com o medicamento Benzonidazol. Tanto eles quanto todos os participantes do evento religioso onde aconteceu a contaminação precisarão ser acompanhados por anos. “O diagnóstico na fase aguda é bom porque a possibilidade de cura é bem maior, em comparação aos pacientes crônicos. Quanto mais jovem é o paciente, melhor a resposta ao tratamento”, afirmou o cardiologista Wilson de Oliveira Junior, fundador e chefe da Casa de Chagas. Entre as pessoas que possivelmente foram contaminadas, estão uma criança de 10 anos e uma grávida, que passará por tratamento diferenciado para evitar a transmissão ao bebê.

A principal suspeita, por enquanto, é que a transmissão da Doença de Chagas tenha ocorrido por via oral, por meio da ingestão de algum alimento. A Secretaria Estadual de Saúde (SS) iniciou a busca ativa para realizar as análises de amostras das 77 pessoas que estiveram no evento religioso, realizado durante a Semana Santa. Além disso, está fazendo a busca pela presença do vetor, o inseto conhecido como barbeiro, nas redondezas da escola onde o grupo ficou hospedado, em Ibimirim. Entre as pessoas, estão moradores de vários municípios, incluindo Recife, Camaragibe e até Conde, na Paraíba.

“Uma equipe da secretaria está em Ibimirim realizando uma avaliação vetorial nas regiões próximas ao local de provável infecção, buscando a presença do inseto. Estamos investigando também o que foi oferecido de alimento durante o evento. A dificuldade é que muitas pessoas já não lembram”, disse o diretor-geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES, George Dimech.

Em Pernambuco, existem 2 mil pessoas com a doença, em estágio crônico, acompanhadas. Por mês, cerca de 10 novos pacientes, que convivem sem saber com a enfermidade, são diagnosticados. A doença cardíaca é a principal complicação da Doença de Chagas na fase crônica, sendo a terceira causa de indicação de transplante no Brasil. A doença não é erradicada no país, mas controlada. 

Foco da campanha é em idosos, gestantes, crianças maiores de seis meses a menores de seis anos e pessoas com doenças crônicas / Foto: Felipe Ribeiro/ JC Imagem

Apesar de Pernambuco ter atingido a meta de vacinação contra a gripe, 56 dos seus 185 municípios continuam sem alcançar o índice de cobertura vacinal indicado pelo Ministério da Saúde. A região com as taxas mais baixas é o Agreste, onde 25 cidades ainda não conseguiram imunizar o público desejado. Na Região Metropolitana do Recife, Itamaracá, quarta cidade com pior índice no Estado, e Itapissuma também não atingiram a meta, que é vacinar 90% do grupo prioritário.

As cidades com as piores taxas são Cachoeirinha (70,42%), Bom Conselho (71,17%) e Toritama (71,97), ambas no Agreste. A segunda região com mais municípios sem atingir a meta é o Sertão, com 15 cidades abaixo dos 90%. Em seguida, estão a Zona da Mata, com 14 cidades e a RMR, com duas. Se enquadram no grupo público-prioritário crianças de seis meses a menores de seis anos, idosos, gestantes, indígenas, professores, profissionais de saúde, funcionários de unidades prisionais, pessoas privadas de liberdade, membros ativos das Forças Armadas e pessoas com doenças crônicas.

Prazo estendido

Esta sexta-feira (31) seria o último dia da campanha de vacinação, mas o prazo foi prorrogado para que mais pessoas sejam vacinadas. A recomendação do Ministério da Saúde (MS) é que, a partir desta segunda-feira (3), as doses restantes sejam liberadas para a população em geral, diferente do que acontece durante a campanha. O esquema foi apoiado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), mas fica a cargo de cada cidade definir sua estratégia de imunização. No Recife, por exemplo, a vacinação continua com foco nos prioritários. A capital pernambucana foi a primeira do Nordeste a atingir a meta e já vacinou mais de 420 mil pessoas.

 “A imunização é de extrema importância porque estes possuem maior predisposição para tipos mais graves de gripe, como a síndrome respiratória aguda grave, que pode levar à morte. No Recife, dois grupos dentro dos prioritários ainda precisam atingir a meta, por isso os esforços continuam focados neles”, explica a diretora-executiva de Atenção Básica do Recife, Sofia Costa. Posteriormente, a Secretaria de Saúde do Recife analisará a possibilidade de liberar as vacinas para o restante da população mediante envio de novos frascos pelo MS. Crianças e pessoas com doenças crônicas ainda estão abaixo do percentual mínimo, registrando 82,14% e 67,51%, respectivamente.

A contadora Edyanne Pereira, de 34 anos, toma a vacina todos os anos desde 2014. Por ter diabetes, ela se enquadra no grupo de doenças crônicas. “A gente sempre vê na mídia casos de pessoas que faleceram por causa do vírus da gripe e a vacina é uma forma rápida e eficaz de prevenção que não custa nada. Acho muito importante”, diz.

Até a tarde desta sexta-feira (31), Pernambuco havia vacinado 90,10% do público prioritário, restando ainda 261 mil pernambucanos receberem as doses.

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Cerca de 2,2 milhões de pessoas foram vacinadas contra o vírus da gripe em Pernambuco. Após o segundo Dia D de vacinação contra a influenza, cerca de 86% do total de 2,6 milhões de pernambucanos inclusos no público-alvo da campanha receberam a imunização.

O estado é o terceiro no país com o maior percentual de protegidos. Até o momento, atingiram a meta mínima de 90% os grupos formados pelos funcionários do sistema prisional, professores, indígenas, puérperas, trabalhadores de saúde e gestantes.

A campanha de vacinação segue até sexta-feira para os mais de 370 mil que ainda não foram imunizados. 

Na última semana da campanha, o Programa Estadual de Imunização chama a atenção, principalmente, para o grupo formado por crianças entre 6 meses e 5 anos, 11 meses e 29 dias. Até o momento, foram vacinados 613 mil (81,51%), faltando mais de 139 mil. Esse foi o único grupo a não atingir meta em 2018.