Saúde

Vacina é importante medida de prevenção contra ocorrência de novos casos de influenza — Foto: Romero Mendonça/Secom

Quarenta e três municípios realizam ações, neste sábado (25), no Dia D de vacinação contra a gripe, em Pernambuco. Desde o início, em 10 de abril, a campanha imunizou 2,14 milhões de pessoas no estado, o que representa 81,25% do público alvo.

Segundo a Secretaria de Estadual de Saúde (SES), a meta é atingir, no mínimo, 90% da população, até dia 31 de maio. Mais de 495 mil pernambucanos precisam ser imunizados.

Na ação deste sábado devem ser vacinados as crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, mulheres que tiveram filho há menos de 45 dias, profissionais de saúde, professores de escolas públicas e privadas do Recife, adolescentes, além de jovens de 12 a 21 anos em cumprimento de medidas socioeducativas.

Também estão nos grupos prioritários detentos e funcionários do sistema prisional, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, como diabéticos, além de policiais civis e militares, bombeiros e membros ativos das Forças Armadas.

A Secretaria alerta pais e responsáveis para vacinar as crianças entre 6 meses e 5 anos, 11 meses e 29 dias, público com cobertura de 77,76%. Esse foi o único grupo que não atingiu a meta mínima em 2018.

Além disso, este ano, dos 23 casos de síndrome respiratória aguda grave (Srag) com resultado laboratorial para influenza, 15 foram em crianças de até 4 anos. Isso representa 63,8% do total.

Também precisam reforçar a vacinação, os integrantes dos seguintes grupos: pessoas que apresentam duas ou mais doenças simultâneas, policiais e membros das Forças Armadas.

Mais de 50 pontos fixos e volantes são disponibilizados pela Prefeitura do Recife para vacinação contra a gripe. A lista dos locais pode ser consultada na internet. Nas cidades do interior do estado, de acordo com a SES, é preciso consultar os postos de saúde para saber quais deles funcionam em cada cidade e o horário de atendimento. A Secretaria não divulgou a lista.

Além da capital pernambucana, municípios da Zona da Mata, Agreste e Sertão participam do Dia D contra a gripe. São eles:

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, até o dia 4 de maio, foram registrados 1.043 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag). Desse total, nove tiveram resultado laboratorial confirmado para influenza A(H1N1), 13 para influenza B e 1 para influenza A não subtipado.

No mesmo período do ano passado, foram registrados 656 casos. Na comparação entre 2019 e 2018, houve um aumento de 58,9% nos casos notificados.

Em relação aos óbitos, a secretaria informa que nove foram registrados e um confirmado laboratorialmente para influenza A não subtipada, quatro como síndrome respiratória aguda grave não especificada e quatro ainda estão em investigação.

A síndrome respiratória aguda grave pode ser provocada por diversos agentes (vírus, bactérias) e é caracterizada pela necessidade de internação de pacientes com febre, tosse ou dor de garganta associado à dispneia (desconforto respiratório).

Pacientes fazem protesto em frente à Farmácia do Estado, no Recife, pedindo regularidade no fornecimento de remédios — Foto: Reprodução/WhatsApp

Pacientes que recebem medicamentos gratuitamente do governo de Pernambuco realizaram, nesta terça-feira (21), um protesto na frente da Farmácia do Estado, na área central do Recife. Eles denunciaram o atraso na entrega de remédios.

Segundo os manifestantes, alguns doentes tiveram que passar a pagar o tratamento ou interromper o uso de remédios. Vestindo roupas pretas, eles levaram cartazes e balões para cobrar a regularidade no fornecimento de produtos.

Os integrantes do grupo apontam que faltam substâncias para tratar doenças como lúpus, glaucoma e para pacientes transplantados. Quem tem diabetes também tem reclamado da falta de insumos.

“Estou há três meses sem conseguir insulina Lantus. Estou desempregada há quatro anos e não posso parar o tratamento. Infelizmente, é o meu pai que tem que me sustentar e comprar os medicamentos para mim”, reclama a paciente Leila Janaína Veloso.

A dona de casa Michele Correia afirma que a mãe, uma idosa de 70 anos, precisa de medicamentos para tratar uma fissura na coluna, mas os remédios estão em falta há três meses. Sem dinheiro para comprar o medicamento, que, segundo ela, custa mais de um salário mínimo, a paciente decidiu interromper o tratamento.

“Eu tenho que cuidar dos meus pais, levar os dois para fazer exames. Minha mãe é aposentada e recebe um salário mínimo, mas não tem condições de comprar o neoparatida, porque é muito caro. A gente vem até a Farmácia do Estado desde 2016, mas faz três meses que não tem”, afirma Michele.

O grupo também questiona a falta de pagamentos de funcionários terceirizados que atuam na Farmácia do Estado. “Eles nos dizem que estão há três meses sem receber salário e que não têm reajuste salarial desde 2017”, diz Leila.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que “trabalha em um plano de reestruturação para facilitar a rotina dos usuários, melhorar os processos de gerenciamento e entrega de medicações”.

Sobre a insulina Lantus, a secretaria apontou que “um processo licitatório foi recentemente concluído e há uma outra entrega agendada para os próximos dias”. Além disso, o governo nega que haja atraso de três meses nos salários de funcionários terceirizados. “O pagamento deste último mês, junto às empresas, está sendo efetuado esta semana”, acrescentou.

Ministro diz que baixa adesão a vacinação pode comprometer hospitais

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que a baixa adesão à campanha nacional contra a gripe, que até agora imunizou 56% do público-alvo, pode comprometer o sistema de hospitais públicos em alguns meses. De acordo com o ministro, a gripe pode agravar outras doenças e levar a um grande número de internações.

Segundo Mandetta, um dos casos mais preocupantes é do Rio de Janeiro, que tem o menor índice de vacinação do país (38,2% de adesão). “Nós temos muita tuberculose no Rio de Janeiro, números altíssimos, e se você não vacina contra a gripe, essas pessoas são imunossuprimidas e é muito provável que a gente tenha em junho, julho e agosto quadros de pneumonia em cima de quadros de tuberculose. Vai haver uma pressão por leitos de UTI e não vai ter”, disse.

De acordo com Mandetta, o Ministério da Saúde traçou sua estratégia e identificou os estados com mais fragilidade para se fazer a campanha. O próprio Rio de Janeiro foi escolhido como local de lançamento da campanha.

“A gente tem chamado a atenção, pedido [para que as pessoas se vacinem], mas isso é a estratégia de cada cidade, de cada comunidade. As comunidades precisam se organizar. O que o governo federal faz é levar a mensagem. Agora o que precisa é as pessoas terem atitude e procurarem [os postos de vacinação] porque é um ato voluntário”, disse.

A campanha nacional de vacinação contra a gripe vai até o dia 31 de maio. O público-alvo da campanha inclui 59,5 milhões de pessoas, entre elas crianças até cinco anos e gestantes.

Vacina é melhor forma de evitar coqueluche, segundo autoridades de saúde — Foto: Marlon Tavoni/EPTV

G1PE

Um bebê morreu por causa de coqueluche em Pernambuco. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), o menino, que tinha menos de seis meses, morava em Igarassu, no Grande Recife. O boletim divulgado pelo governo aponta também o aumento de 283% no número de casos confirmados da doença.

A morte da criança ocorreu em dezembro de 2018, mas foi confirmada pela secretaria nesta quinta-feira (16). A pasta informa, ainda, que em 2019 não foi registrado nenhum óbito. Ainda de acordo com a SES, até a segunda-feira (13), tinham sido confirmados 180 casos de coqueluche no estado. No mesmo período do ano passado, o estado confirmou 47 ocorrências.

A SES também informa o aumento do número de casos notificados. Até quinta (13), foram 401 registros, contra 131 notificações, no mesmo período de 2018. Isso significa um aumento de 206% em notificações.

A secretaria aponta que, este ano, 153 casos foram confirmados em meninos e meninas menores de 5 anos. Esse público é contemplado pela vacina contra a doença. Nas seis primeiras semanas epidemiológicas de 2019, a secretaria apontou o aumento do número de casos confirmados de coqueluche. O índice chegou a 85,7%, na comparação com as seis primeiras semanas epidemiológicas de 2018. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, foram 26 casos confirmados até 9 de fevereiro. No ano passado, no mesmo período, o estado teve 14 confirmações.

Ainda segundo a Secretaria de Saúde, a cobertura vacinal em 2018 foi menor do que a meta estabelecida pelas autoridades de saúde. Entre as crianças menores de 1 ano de idade, a cobertura da vacina pentavalente, que previne coqueluche e outras doenças, ficou em 92,25%, enquanto a meta era atingir 95% desse público alvo. Para as gestantes, que são imunizadas com a dTpa, a cobertura vacinal chegou a 60,68%, em 2018. A meta para esse público alvo é também de 95%.

De acordo com os médicos, a coqueluche evolui em três etapas sucessivas. A fase catarral começa com manifestações respiratórias e sintomas leves, que podem ser confundidos com uma gripe: febre, coriza, mal-estar e tosse seca. Depois, aparecem os acessos de tosse seca contínua. Na fase aguda, os acessos de tosse são finalizados por inspiração forçada e prolongada, vômitos que provocam dificuldade de beber, comer e respirar.

Na convalescença, os acessos de tosse desaparecem e dão lugar à tosse comum. Em bebês podem ocorrer desidratação, pneumonia, convulsões, além de lesão cerebral. A doença pode ser transmitida pelo contato direto da pessoa doente com uma pessoa não vacinada, por meio de gotículas de saliva expelidas por tosse, espirro ou ao falar.

A transmissão também pode ocorrer por meio do contato com objetos contaminados com secreções do doente. A coqueluche é especialmente transmissível na fase catarral e em locais com aglomeração de pessoas.

Andrea Carla sente dores e teme perder o rim que recebeu há seis anos, por estar há três meses sem conseguir o remédio de que precisa Foto: Leo Caldas

O Globo

Moradoras da periferia do Recife, Jaqueline Vilela de Almeida, de 36 anos, e Andrea Carla da Silva, de 41, vivem todos os dias o mesmo drama: não conseguem acesso a medicamentos para tratar seus rins transplantados e temem ter que voltar, nos próximos meses, para a máquina de hemodiálise.

Ambas já sentem o órgão mais inchado e o corpo fraquejar de tanto perambular, sem sucesso, pelas unidades de saúde da cidade em busca das drogas que deveriam ser fornecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O drama das duas é compartilhado, em maior ou menor grau, por 90 mil homens e mulheres de todos os estados do país, segundo estimativas da Associação Brasileira de Transplantados.

Documentos obtidos pelo jornal O Globo, junto a secretarias estaduais da saúde revelam que, desde o início do ano, o sistema federal de distribuição de remédios vive um aguda crise de desabastecimento, afetando principalmente os transplantados.

De um total de 134 drogas que são distribuídas obrigatoriamente pelo Ministério da Saúde, 25 estão com estoques zerados, sendo que pelo menos quatro delas são para atender a transplantados, evitando que o órgão recebido seja rejeitado pelo organismo.

Uma ação do Ministério Público Federal revela que 30 mil enxertos de coração, rim e fígado estão em risco apenas no estado de São Paulo, por causa do desabastecimento.

No último ano, 141 pacientes tiveram rejeição aguda ao órgão recebido devido à falta crônica de medicamentos, apenas em São Paulo, segundo dados do Hospital do Rim. Quatro enxertos foram dispensados recentemente em um único hospital da capital paulista. De acordo com associações que atendem a transplantados, ao menos três órgãos já foram perdidos em Recife e dez em São Paulo.

A ação movida pelo MPF alerta o Ministério da Saúde sobre o “risco catastrófico de morte para milhares de pacientes transplantados”.

Em decisão tomada no dia 9 de abril de 2019, com base na ação do MPF, o juiz federal Paulo Cezar Duran determinou que o ministério solucione o problema. Por meio de nota, o ministério afirmou que “mantém todos os esforços necessários ao cumprimento da decisão judicial”.

Risco para 30 mil pacientes

Em São Paulo, os medicamentos Micofenolato de Sódio e Tracolimo, essenciais para a adaptação dos órgãos transplantados, não foram entregues pelo governo federal na quantidade demandada, segundo a Secretaria estadual de Saúde.

O ministério nega e diz que a distribuição do Micofenolato de Sódio “está regularizada”. Quanto ao Tracolimo, diz que “as empresas contratadas não cumpriram os prazos de entrega”.

Segundo o MPF, a crise de abastecimento pode acarretar na “paralisação de transplantes para mais de 30 mil pacientes que estão na fila”.

— Como incentivar a doação, se o transplantado não tem acesso a remédios e não tem como manter o órgão?, questiona Edson Arakaki, presidente da Associação Brasileira de Transplantados.

Arakaki diz que, depois de o sistema funcionar por mais de 20 anos sem grandes intempéries, a crise na distribuição vem se agravando desde 2017, durante a gestão de Ricardo Barros no Ministério da Saúde.

— Naquele momento político, de contingenciamento, o ministro resolveu mudar o sistema de compra. Com isso, começou um momento muito dramático para os transplantados. Atualmente, todo mês falta remédio para este público. As pessoas vivem uma peregrinação para conseguir. As filas nos centros de dispensação são imensas.

Medo da ‘máquina’

O grande temor dos pacientes transplantados é voltar ao estágio anterior ao da recepção do órgão. No caso dos que receberam rins, significa voltar para a “máquina”, como eles se referem ao aparelho de hemodiálise.

Andrea Carla conta que fez diálise durante 20 anos, até conseguir, há seis, um órgão na fila de transplantes.

— De lá para cá, vivo uma nova vida. Cuido da minha saúde, do meu órgão. Mas, há três meses, estou sem remédio. Estou com muito medo de voltar para a “máquina”, de perder meu rim novamente.

Andréa tomava o Tracolimo, que atualmente está em falta em todos os estados. Como nunca conseguia acesso ao remédio, o médico receitou outra fórmula, que também começou a faltar. Ela devia tomar outros dois remédios regularmente contra a rejeição, mas ambos também estão em falta há cinco meses.

É o mesmo drama vivido por Jaqueline. Sem tomar regularmente os remédios há cinco meses, ela conta que está com os exames de urina alterados e seu rim, recebido de um doador morto, já começou a parar de funcionar, segundo diagnóstico médico.

— Tenho muito medo de voltar para a “máquina”. É um procedimento muito difícil.

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Até a manhã desta segunda-feira (06), foram vacinadas 1.324.279 pessoas contra a influenza em Pernambuco, de acordo com dados do Sistema de Informações do Programa Nacional de Vacinação. O quantitativo representa 50% do público total, formado por mais de 2,6 milhões de pernambucanos. Funcionários do sistema prisional (82,84%), Puérperas (72,63%) e crianças (64,54%) são os grupos com a maior cobertura vacinal.

Até o momento, apenas dois municípios atingiram a meta mínima de imunização, que é de 90%: Abreu e Lima (91,76%) e Salgadinho (91,29%). Logo em seguida no ranking estão Canhotinho (79,92%), Correntes (77,68%) e Ingazeira (75,49%).

Os com menores percentuais são: Solidão (5,51%), Santa Filomena (20,19%), Machados (22,07%), São Benedito do Sul (22,47%) e Sairé (23,07%).

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) lembra que a vacinação segue até o dia 31.05, beneficiando crianças entre 6 meses e 5 anos, 11 meses e 29 dias; gestantes, idosos (60 anos ou mais), puérperas (até 45 dias após o parto), trabalhadores da saúde, professores das escolas públicas e privadas e povos indígenas. A imunização, que protege contra as influenzas A (H1N1), A (H3N2) e B, ainda contempla portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, que devem apresentar prescrição médica no ato da imunização, de acordo com recomendação do Ministério da Saúde (MS); adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade e os funcionários do sistema prisional. Além disso, o MS orienta vacinar policiais civis, militares, bombeiros e membros ativos das Forças Armadas, que devem apresentar documento comprobatório no ato da vacinação, assim como os professores e profissionais de saúde.

Público Total: 2.644.316
Público vacinado: 1.324.279 (50,07%)

Pixabay

Até esse sábado (04), 1.119.488 pessoas foram vacinadas em Pernambuco contra a Influenza, segundo dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). De acordo com a pasta, o número corresponde 42,33% do público alvo, composto por mais de 2,6 milhões de cidadãos.

A meta do Governo de Pernambuco é imunizar gratuitamente, até 31 de maio, no mínimo, 90% do público. “Até o final da campanha podem se vacinar:  crianças entre 6 meses e 5 anos, 11 meses e 29 dias; gestantes, idosos (60 anos ou mais), puérperas (até 45 dias após o parto), trabalhadores da saúde, professores das escolas públicas e privadas e povos indígenas”, alertou a Secretaria de Saúde. 

 “A imunização, que protege contra as influenzas A (H1N1), A (H3N2) e B, ainda contempla portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, que devem apresentar prescrição médica no ato da imunização, de acordo com recomendação do Ministério da Saúde (MS); adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade e os funcionários do sistema prisional. Além disso, o MS orienta vacinar policiais civis, militares, bombeiros e membros ativos das Forças Armadas, que devem apresentar documento comprobatório no ato da vacinação, assim como os professores e profissionais de saúde”, acrescentou a Secretaria.

A pasta também realizou um levantamento dos casos e óbito.

Confira a seguir as informações:

CASOS – Até o último dia 13.04, foram notificados 894 casos de síndrome respiratória aguda grave (Srag), sendo 790 (88,4%) em crianças menores de 6 anos. Do total de casos, 9 tiveram resultado laboratorial positivo para a influenza B, 1 para influenza A(H1N1) e 1 para influenza A não subtipado. 

Quando comparado com o mesmo período de 2018, com 366 casos, houve um aumento de 144,3% nas notificações de Srag. Desses 366, 37 positivaram laboratorialmente para influenza A (H1N1) e 18 para influenza A (H3N2).

A síndrome respiratória aguda grave pode ser provocada por diversos agentes (vírus, bactérias) e é caracterizado pela necessidade de internação de pacientes com febre, tosse ou dor de garganta associado à dispneia (desconforto respiratório).  

ÓBITO – Em 2019, foi confirmado 1 óbito para influenza A não subtipada (quando o exame laboratorial não detecta o subtipo). O caso envolveu um homem na faixa etária dos 50 anos e residente em Petrolina, que veio a óbito em fevereiro.

O QUE É – A influenza é uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório. A transmissão ocorre por meio de secreções das vias respiratórias da pessoa contaminada ao falar, tossir, espirrar ou pelas mãos, que após contato com superfícies recém‐contaminadas por secreções respiratórias pode levar o agente infeccioso direto à boca, olhos e nariz.

A doença é caracterizada por um início súbito de febre, tosse, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, mal-estar, dor de garganta e coriza. A tosse pode durar duas ou mais semanas. A maioria das pessoas recupera-se da febre e de outros sintomas dentro de uma semana. Complicações ou morte podem ocorrer especialmente em pessoas de alto risco.

Estima-se que uma pessoa infectada seja capaz de transmitir o vírus para até dois contatos não imunes. As crianças com idade entre um e cinco anos são as principais fontes de transmissão dos vírus na família e na comunidade, sendo possível a eliminação do vírus por até três semanas. 

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Os dados atualizados sobre a circulação, o adoecimento e os óbitos relacionados à gripe comprovam que o H1N1, vírus conhecido por provocar quadros agressivos da doença (especialmente em crianças e idosos não imunizados), está em circulação este ano em Pernambuco, que confirmou ontem um caso de síndrome respiratória aguda grave (Srag) causado pelo H1N1. A paciente é uma menina de 6 anos, que mora em Caruaru, no Agreste do Estado. A informação foi divulgada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), que também registrou outros nove casos graves de gripe relacionados ao influenza B e mais um associado ao influenza A não subtipado (ou seja, não foi possível detectar se a infecção tem relação com o H1N1 ou o H3N2) que foi a óbito.

A vítima foi um homem, na faixa etária dos 50 anos, que morava em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, e faleceu em fevereiro. Além desse óbito confirmado por gripe, o Estado investiga outras quatro mortes por Srag – uma condição que pode ser provocada por diversos agentes (vírus e bactérias), exige internação e é caracterizada por febre, tosse ou dor de garganta associado a desconforto respiratório. 

O balanço da SES considera dados deste ano, até o último dia 13 de abril, quando se acumularam 894 notificações de Srag, sendo 790 (88,4%) em crianças menores de 6 anos. Quando comparado com o mesmo período de 2018, com 366 casos, houve aumento de 144,3% nos registros de Srag. “Entre o total desses casos graves atuais, devem estar registros também de coqueluche (outra doença infecciosa que compromete o trato respiratório e que tem aparecido este ano em maior circulação no Estado), que pode ser confundida com influenza no início dos sintomas, especialmente entre os adultos”, esclarece o epidemiologista George Dimech, diretor-geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES. O depoimento revela que, entre as notificações de Srag, podem estar também casos de coqueluche.

O cenário de alerta da gripe coincide com o dia D da campanha de vacinação, que acontece hoje (04), em todo o País. Até o momento, já foram imunizados 628.799 pessoas em Pernambuco, o que corresponde a 23,7% do grupo prioritário da mobilização. A meta é beneficiar, no mínimo, 90% do público total até o fim da campanha, em 31 de maio.

“Vacina é feita para se tomar. É testada e feita depois de muitas pesquisas. A pessoa que está atenta não deixa de se cuidar. Todos os anos participo da campanha”, disse a aposentada Mailde Furtado, 90 anos, que recebeu a dose contra gripe ontem na Policlínica Lessa de Andrade, na Madalena, Zona Oeste do Recife. A analista de sistemas Roberta Campelo também levou o filho Rocco, de 1 ano e meio, à unidade de saúde. “Se temos a possibilidade de receber a vacina de graça, não tem desculpa para não nos protegermos”, contou Roberta. 

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Até ontem (02), em todo o Estado de Pernambuco, 582.859 pessoas foram imunizadas contra a influenza. Isso representa apenas 22% do total de beneficiados com a campanha, que terá o seu dia D amanhã. O objetivo da ação é que cada município possa abrir os postos de saúde, além de unidades volantes, para chegar mais próximo à população e ampliar os índices vacinais. A meta mínima é proteger, no mínimo, 90% dos mais de 2,6 milhões de pernambucanos inclusos nessa vacinação.

Dos grupos prioritários, gestantes, indígenas e puérperas já ultrapassam 40% do público vacinado. Já professores e idosos estão abaixo dos 15%. “Os municípios estão mobilizados para realizar diversas ações no dia D contra a influenza. É importante que a população verifique com as secretarias de Saúde municipais os locais de imunização e que aproveitem este sábado para se vacinar. Apesar de a campanha seguir até o dia 31 de maio, quanto antes for aplicada a dose, mais rápido a pessoa ficará protegida contra os três vírus da influenza”, reforça a coordenadora do Programa Estadual de Imunização, Ana Catarina de Melo.

A vacina produzida para 2019 teve mudança em duas das três cepas que compõem a vacina e protege contra os três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no último ano no Hemisfério Sul, de acordo com determinação da Organização Mundial de Saúde: A/Michigan/45/2015 (H1N1) pdm09; A/Switzerland/8060/2017 (H3N2); B/Colorado/06/2017 (linhagem B/Victoria/2/87). 

A vacina contra gripe é segura e reduz as complicações que podem produzir casos graves da doença. Em todo o Brasil, até o final da mobilização, 31 de maio, 59,5 milhões de pessoas devem receber a dose da vacina. 

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Aumentou em 25,4% o número de municípios pernambucanos com risco de apresentar surto de dengue, zika e chikungunya, todas doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. A informação está no 2º Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), presente no boletim de arboviroses divulgado, ontem, pela Secretaria Estadual de Saúde. No começo do ano, o último levantamento do estado apontava 59 municípios com risco de apresentar surto. No documento desta terça, o número saltou para 74 cidades, de um total de 184. Outros 84 municípios estão em situação de alerta.

O boletim mais recente também aponta aumento de casos notificados de zika, chikungunya e dengue, quando comparados os períodos de 30 de dezembro 2017 a 20 de abril de 2018 e 30 de dezembro de 2018 a 20 de abril de 2019. O alerta é para a zika, que registrou o maior crescimento. No caso da dengue, o aumento é de 12,4%. Quanto à chikungunya, o percentual cresceu 24,3%. A zika aumentou 139,1%.

Também foram notificadas 21 mortes por arboviroses, mas não houve nenhuma confirmação até o momento. Dados de 2018, no mesmo período, apontam a notificação de 20 óbitos suspeitos. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, o diagnóstico laboratorial positivo dos óbitos para qualquer das arboviroses, não necessariamente confirma a arbovirose como causa do óbito.

“A avaliação, para descarte ou confirmação, depende de minuciosa investigação domiciliar e hospitalar do óbito e da discussão de cada caso no Comitê Estadual de Discussão de Óbitos por Dengue e outras Arboviroses”, diz nota no próprio boletim. O LIRAa tem o objetivo de indicar o risco de transmissão das arboviroses em uma população.

O Ministério da Saúde também divulgou que 994 municípios no país, ou seja, 20% do total realizado, apresentaram alto índice de infestação, com risco de surto para as arboviroses. “O resultado do LIRAa confirma o aumento da incidência de casos de dengue em todo o país que subiu 339,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Esses resultados indicam que é preciso fortalecer ainda mais as ações de combate ao mosquito transmissor, com a participação da população e de todos os gestores locais e federal”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber, em página do ministério.

O secretário afirmou, no entanto, que mesmo com o aumento no número de casos, a taxa de incidência de 2019 está dentro do esperado para o período. “Sendo assim, até o momento, o país não está em situação de epidemia, embora possa haver epidemias localizadas em alguns municípios e estados”. Segundo o ministério, Recife está entre as 16 capitais em alerta.

Arboviroses

Levantamento do LIRA

  • Índice de Infestação Predial do 2º ciclo do LIRA (Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti)
  • 74 municípios em situação de risco de surto
  • 84 municípios em situação de alerta
  • 25 municípios em situação satisfatória
  • 1 não enviou

Dados entre os dias 30 de dezembro de 2018 a 20 de abril de 2019:

Dengue (166 municípios notificadores)

  • 8.856 notificados
  • 1.563 confirmados
  • 1.799 descartados
  • 7.882 casos suspeitos no mesmo período de 2018

* Aumento dos casos (aumento de 12,4 % em 2019 quando comparado aos dados de 2018)

Chikungunya (98 municípios notificadores)

  • 1.415 notificados
  • 50 confirmados
  • 382 descartados
  • 1.138 casos foram notificados no mesmo período de 2018

* Aumento dos casos (um aumento de 24,3% em 2019)

ZIKA (78 municípios notificadores)

  • 679 notificados
  • 17 confirmados
  • 383 descartados
  • 284 casos foram notificados em 2018

* Aumento dos casos (um aumento de 139,1% em 2019 quando comparado aos dados de 2018).

Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, tem pintinhas brancas por todo o corpo. — Foto: Reprodução/EPTV

G1PE

Dos 184 municípios pernambucanos, 74 estão em risco de apresentar surto de dengue, zika e chikungunya, doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Os dados são do 2º Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) e constam no boletim de arboviroses, divulgado pela Secretaria de Saúde do estado esta terça-feira (30).

No último levantamento do estado, divulgado o começo do ano, eram 59 em risco, ou seja, um aumento de 25,42%. Os dados do primeiro LIRAa também constam no relatório divulgado nesta terça pelo Ministério das Saúde, que apontam que quase mil cidades têm risco de surto no país.

O objetivo do LIRAa é indicar o risco de transmissão das arboviroses em uma população. Outras 84 cidades estão em alerta para a doença no estado, enquanto 25 têm situação considerada satisfatória. Apenas um município não informou dados sobre infestação.

Rodrigo Said, coordenador geral dos Programas Nacionais de Controle e Prevenção da Malária e das Doenças Transmitidas pelo Aedes, aponta que é preciso combater os focos de mosquito. “Desde o final do ano passado, as condições ambientais foram propícias, regime de chuvas mais prolongados”, apontou.

Arboviroses

O boletim de arboviroses aponta para um aumento nas notificações de dengue, zika e chikungunya em Pernambuco até o dia 20 de abril, considerada a 16ª semana.

O estado já confirmou, neste ano, 1.563 casos de dengue, outros 50 de chikungunya e 17 de zika. Foram notificadas 21 mortes por arboviroses, mas não houve nenhuma confirmação até o momento.

Dados federais

O governo federal trabalha com casos prováveis, que são os suspeitos menos os que já foram descartados. De acordo com o Ministério da Saúde, de janeiro até o dia 15 de abril, foram registrados, no estado, 6.334 casos de dengue. Isso representa um aumento de 79,1% em relação ao mesmo período de 2018, quando houve 3.537 ocorrências da doença.

Com relação aos casos de chikungunya, houve aumento de 194,7% no número de casos, subindo de 300 para 884 ocorrências entre os dois períodos nos dois anos. Os casos de zika tiveram o aumento mais expressivo, subindo de 12 para 119, com uma variação de 891,7%.

Apesar do aumento, o coordenador geral dos Programas Nacionais de Controle e Prevenção da Malária e das Doenças Transmitidas pelo Aedes, Rodrigo Said, afirma que a situação é considerada satisfatória em Pernambuco.

“O estado ainda não apresenta uma incidência significativa, mas alguns municípios na região do Sertão apresentam mais casos [de arboviroses]. Quanto ao zika, a gente sempre permaneceu com circulação do vírus. Por enquanto, apesar do aumento, a gente classifica a situação como satisfatória em relação ao tamanho da população”, diz.

 Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe — Foto: Honório Moreira/Divulgação

Pessoas idosas, profissionais de saúde e professores de escolas públicas e privadas devem tomar a vacina contra gripe a partir desta segunda-feira (22), início da 2ª fase da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Influenza. No Recife, a vacina é oferecida em 170 unidades de saúde da família, unidades básicas tradicionais e policlínicas da rede municipal, até o dia 31 de maio.

Na primeira etapa, o Ministério da Saúde (MS) recomendou que a vacinação começasse pelas grávidas e crianças de 6 meses a menores de 6 anos, que também podem ser imunizados na segunda fase.

Segundo a Secretaria de Saúde do Recife, a meta do Ministério da Saúde é vacinar pelo menos 90% do público-alvo.

Nesse grupo estão mulheres que tiveram bebê (até 45 dias após o parto), povos indígenas, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos, em cumprimento de medidas socioeducativas; detentos e funcionários do sistema prisional; pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, como diabéticos.

A partir deste ano, a faixa etária das crianças que devem se vacinar foi ampliada para os menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias). O período de campanha também serve para atualizar a caderneta de vacinação da população, reforçando as vacinas contra coqueluche nas grávidas e crianças, por exemplo.

Documentos

Além de levar a carteira de vacinação e um documento de identificação, parte do público-alvo precisa apresentar documentos que provem a necessidade da imunização. Profissionais das redes públicas e privadas de educação e de saúde devem levar comprovantes laborais, como crachás ou carteira de trabalho, por exemplo.

Mulheres que tiveram bebê necessitam de comprovação de que deram à luz nos últimos 45 dias. Pessoas com comorbidade (duas ou mais doenças simultâneas) têm de apresentar encaminhamentos médicos justificando a aplicação da vacina.

De acordo com o ministério, 41,8 mil postos de vacinação estão à disposição da população / Foto: Sérgio Bernardo/Arquivo JC Imagem

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe entra em uma nova etapa na próxima segunda-feira (22) em todo o país. A primeira fase, que teve início em 10 de abril, vacinou crianças, gestantes e puérperas. A partir da próxima segunda, o Ministério da Saúde abrirá ao restante do público-alvo.

Dessa forma, poderão receber a vacina trabalhadores da saúde, indígenas, idosos, professores de escolas públicas e privadas, pessoas com comorbidades e outras condições clínicas especiais, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas, funcionários do sistema prisional e pessoas privadas de liberdade.

De acordo com o ministério, 41,8 mil postos de vacinação estão à disposição da população. Além disso, 196,5 mil profissionais estão envolvidos, bem como a utilização de 21,5 mil veículos terrestres, marítimos e fluviais.

Recife

Aproximadamente 350 mil recifenses podem procurar uma das 170 unidades de saúde da família (incluindo as Upinhas), unidades básicas tradicionais e policlínicas da Prefeitura do Recife para se imunizar até o dia 31 de maio.

A coordenadora do Programa de Imunização do Recife, Elizabeth Azoubel, considerou baixa a procura das gestantes e crianças nesse primeiros dias de campanha. “As equipes dos distritos foram aplicar as vacinas nas creches e em algumas casas. Precisamos que os grupos prioritários procurem os postos de saúde o quanto antes, ao invés de deixarem para se vacinar de última hora”, convoca a coordenadora do PNI Recife.

Além de levar a carteira de vacinação e um documento de identificação, parte do público-alvo precisa apresentar documentos que provem a necessidade da vacinação. Profissionais das redes públicas e privadas de educação e de saúde devem levar comprovantes laborais, como crachás ou carteira de trabalho, por exemplo. Mulheres puérperas necessitam de comprovação de que passaram por parto nos últimos 45 dias. Já as pessoas com comorbidade têm de apresentar encaminhamentos médicos justificando a aplicação da vacina.

A doença

A influenza é uma doença sazonal, mais comum no inverno, que causa epidemias anuais, sendo que há anos com maior ou menor intensidade de circulação desse tipo de vírus e, consequentemente, maior ou menor número de casos e mortes.

No Brasil, devido a diferenças climáticas e geográficas, podem ocorrer diferentes intensidades de sazonalidade da influenza e em diferentes períodos nas unidades federadas. No caso específico do Amazonas, a circulação, de acordo com o ministério, segue o período sazonal da doença potencializado pelas chuvas e enchentes e consequente aglomeração de pessoas.

Até o final de março, antes do lançamento da campanha, foram registrados 255 casos de influenza em todo o país, com 55 óbitos. Até o momento, o subtipo predominante no país é influenza A H1N1, com 162 casos e 41 óbitos. O Amazonas foi o estado com mais casos registrados, com 118 casos e 33 mortes. Por isso, a campanha foi antecipada no estado.

Mais Médicos

A cidade de Rio dos Bois, no Tocantins, revive uma situação que parecia ter superado há cinco anos: a falta de um médico fixo e o atendimento diário. Localizada a 123 quilômetros da capital Palmas, o município ganhou seu primeiro médico na atenção primária ao aderir ao Mais Médicos e, com o programa federal, passou a ofertar atendimento nos cinco dias úteis da semana para seus 2.800 habitantes no único posto de saúde da cidade. Foi uma conquista, embora o município seguisse distante de atingir o parâmetro de atenção considerado ideal pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de um profissional para cada mil habitantes.

Quando Cuba decidiu encerrar a cooperação com o Brasil, em novembro passado, a cidade perdeu o médico cubano que atendia no posto, mas chegou a ter a vaga substituída por uma profissional brasileira. Três meses depois de começar a trabalhar, a médica renunciou ao programa, segundo funcionários da saúde do município, porque passou em um concurso em Goiânia — abriu-se, assim, uma das 1.052 vagas ociosas por desistências no Brasil que foram anunciadas pelo Ministério da Saúde. A vaga ainda não foi reposta, e já faz dois meses que Rio dos Bois oferece atendimento médico apenas dois dias na semana. Isso porque o município, que já financiava um plantonista para atender no único dia útil em que o profissional “titular” era liberado para atividades de formação previstas no programa, dobrou a carga horária dele.

“Como tem dia que não tem médico aqui, quando a gente tem uma dor mais forte vai mais é pra Miracema [a cidade vizinha, que fica a 47 quilômetros de Rio dos Bois]. Lá é mais certo ter médico, e eles passam um remédio pra passar a dor”, diz o morador Milton Medeiros de Morais, 27 anos, que trabalha na limpeza de um posto de gasolina do município. Ele conta que os profissionais do posto de saúde atendem bem aos pacientes, mas lamenta que só tenha médico nas quartas e quintas. “O atendimento um pouco apertado depois que a médica saiu, mas pelo menos o município de referência fica perto”, afirma uma funcionária da saúde municipal, que não quis ser identificada, ao explicar que Rio dos Bois disponibiliza ambulâncias e carros pequenos para levar até Miracema os pacientes cujos casos não podem ser resolvidos ali. “Graças a Deus pelo menos ambulância a gente tem e basta ligar que a gente consegue ir [para Miracema]. Por que médico aqui não é todo dia”, declara Milton.

Ainda assim, ele conta que só se submete a esta viagem — que dura em média 45 minutos — em casos mais graves e que se acostumou a usar plantas medicinais e chás para cuidar da própria saúde.  “Eu tomo mais é remédio do mato. Todo dia eu faço uma garrafadinha [com mel e plantas] e tomo um pouquinho. Tem uns pezinhos de planta na minha casa, pense como é bom”, diz. O morador tem uma doença nos rins, mas diz que reduz as idas ao médico porque pode comprar os remédios que toma regularmente na farmácia com o salário que ganha na limpeza do posto de gasolina. Algo que nem todos da cidade podem fazer, já que quase metade da população (46%) vive com menos de meio salário mínimo — 499 reais — por mês, segundo dados do IBGE.

Os indicadores de saúde de Rio dos Bois também não são animadores. A taxa de mortalidade infantil média na cidade — de 22,73 óbitos para 1.000 nascidos vivos — é bem maior que a média nacional — de 14. Além disso, as condições urbanas não ajudam: apenas 2,5% dos domicílios têm esgotamento sanitário adequado, uma estrutura importante para evitar doenças como diarreia, hepatite A e verminoses, que são enfermidades geralmente tratadas e prevenidas justamente com a ajuda dos profissionais da atenção básica.

O jornal El País entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Rio dos Bois para saber os impactos da ausência de médico fixo na cidade, mas a secretária Maria Vitalina não quis dar entrevista, afirmando que havia outros municípios na mesma situação. Ela se limitou a explicar que seria mais adequado conseguir as informações com a coordenação do Mais Médicos no Tocantins. Esta, por sua vez, afirmou que havia previsão de a vaga de médico ser ocupada na próxima semana por um profissional remanejado de outra cidade, mas não especificou qual era. O Ministério da Saúde também não confirmou essa reposição.

Pelo menos outras 18 cidades, localizadas em nove Estados diferentes, estão sem médicos na atenção básica por conta da desistência dos brasileiros que substituíram os cubanos no programa federal. Os dados são de um levantamento feito pelo EL PAÍS ao cruzar a lista de municípios com desistência disponibilizada pelo Ministério da Saúde com a lista de cidades que dependem exclusivamente do programa feita pelo Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems). A estimativa do Conselho considera municípios que têm apenas uma Equipe de Saúde da Família (ESF) participante do programa cujo médico responsável por ela até novembro era cubano.

O presidente do Conasems, Mauro Junqueira, diz que o provimento das vagas está garantido por lei e que o ministro Luiz Henrique Mandetta teria prometido a reposição nas cidades vulneráveis ainda no mês de abril. “A ideia é que seja já dentro do [novo programa] Mais Saúde, mas ainda não conhecemos a proposta como um todo”, afirma. Mandetta anunciou que enviaria ao Congresso uma nova proposta para substituir o Mais Médicos ainda neste mês.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que lançará o Mais Saúde “em algumas semanas”, mas ressaltou ter publicado uma portaria estendendo para seis meses o prazo de pagamento da verba para custeio de outros profissionais das unidades básicas de saúde para que os municípios não perdessem verba após dois meses sem médico, como determinava a portaria anterior. O Ministério paga 11.800 reais de salário dos médicos pelo programa e repassa 4.000 para ajudar no custeio das equipes que contam com esses profissionais. “Essas localidades que perderam profissionais do Mais Médicos poderão utilizar os recursos também para contratar seus próprios médicos”, sugere a pasta.

Uma conta difícil de fechar

Mas a desistência dos brasileiros não é o único buraco no programa. Antes de o Governo cubano retirar os médicos do país, descontente com as condições impostas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), já havia vagas ociosas. Além disso, a finalização de contratos anteriores também abriu novas vagas, já que o Governo federal renovou os contratos apenas dos profissionais das cidades mais vulneráveis — uma política que pretende seguir na reposição daqui em diante. Os cerca de 1.400 brasileiros formados no exterior que escolheram as vagas do último edital deveriam ser homologados a última sexta.

O Conasems estima que, considerando apenas os cenários das desistências dos brasileiros e das vagas que já estavam ociosas antes da saída dos médicos cubanos, há mais de 2.000 vagas desassistidas em todo o país. “É natural isso de o profissional assumir o compromisso e mudar de ideia. Faz parte, mas o Ministério está discutindo um novo formato de chamamento público, em que seja possível ter tipo um cadastro reserva, para chamar outro profissional mais rápido, sem a necessidade de um novo edital. Isso vai nos dar mais tranquilidade”, explica Junqueira.

Há um impasse no debate entre os municípios e o ministro sobre a reposição: Mandetta já afirmou que só vai chamar médicos para as cidades que se enquadrarem nos níveis de maior vulnerabilidade porque entende que capitais e cidades da região metropolitana não necessitariam do programa. Os dirigentes municipais não concordam. “O direcionamento do Mandetta está correto dentro dos parâmetros desenvolvidos por lei, de repor em áreas mais vulneráveis. Mas as capitais têm sim áreas de muita vulnerabilidade. Estamos tentando convencê-lo de que devem ser observadas os bolsões de pobreza desses locais”, afirma Junqueira. Com informações do jornal El País.

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De acordo com o estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS): uma análise das condições de vida da população brasileira 2016, do IBGE, entre 2005 e 2015, no Recife, o quantitativo de pessoas a partir dos 60 anos de idade aumentou de 9,8% para 14,3%. De forma que a Veneza Brasileira é a terceira capital com maior taxa de idosos do país, ficando apenas atrás de Rio de Janeiro e Porto Alegre. De acordo com o censo de 2010, um total de 252.620 representantes. É para esta população que haverá, em breve, um amplo empreendimento na área de saúde: o Hospital do Idoso, promessa de campanha do prefeito Geraldo Júlio para o seu segundo mandato. O processo de licitação para contratação da obra foi aberto em fevereiro deste ano e está em fase final. Não havendo nenhum pedido de recurso por parte das empresas participantes, a obra deverá ser iniciada no final de junho e concluída no primeiro semestre de 2020.

A ser construído no bairro de Areias, o Hospital do Idoso terá  foco no tratamento e controle de doenças como a hipertensão, diabetes, Acidente Vascular Cerebral (AVC), dentre outras. A estrutura será de 15 enfermarias, com 60 leitos cada; 10 leitos Unidades de Terapia Intensiva (UTI), sendo um de isolamento; além de seis salas de recuperação pós-cirúrgica; 10 consultórios; 18 salas de exames; recepção e área administrativa. O valor da obra está orçado em cerca de R$ 27 milhões, sendo o Gabinete de Projetos Especiais responsável pelo acompanhamento da mesma.

Em setembro de 2016, o então prefeito do Recife e candidato à reeleição, Geraldo Julio, apresentou, em seu programa eleitoral da TV, a construção do hospital como uma das suas principais propostas no setor, caso eleito. Na época, destacou que a unidade atenderia uma demanda de serviços que existe em relação ao idoso assim como aconteceu com os serviços destinados à população feminina, a partir da entrega do Hospital da Mulher, neste mesmo ano.  Ele salientou ainda o crescimento da população idosa no Brasil o que, conforme observou, já preocupava o Sistema Único de Saúde (SUS). “A gente tem cerca de 200 mil idosos na nossa cidade precisando de atendimento. Por isso temos a proposta de construir o este equipamento. Teremos vários profissionais de saúde para atender a demanda que existe para os idosos da cidade”, comentou a época.