Saúde

Gatos também são vítimas

Uma doença em progressão no Estado. Assim tem sido o comportamento da esporotricose, enfermidade dermatológica provocada por fungos do tipo Sporothrix transmitida por gatos adoecidos e pelo contato com terra contaminada. O quadro provoca nódulos inflamatórios e ulcerações graves na pele dos humanos e pode matar os animais rapidamente.

Para se ter uma ideia da elevação da esporotricose na população, foram registrados 13 casos em 2016, antes do protocolo. Com a nova vigilância o número subiu para 133 em 2017, ou seja, dez vezes mais. No ano passado, foram 176, o que representa um aumento de 1.254% em dois anos.

Desde 2017, Pernambuco vem verificando aumento de casos e começou um monitoramento sentinela, que incluiu a notificação compulsória de quadros suspeitos e a organização de uma rede de assistência à saúde. O Recife já discute com o Ministério Público medidas de controle que incluem a eutanásia de gatos de rua que tenham um grau avançado da doença.

“Quando implantamos um programa de vigilância, a gente faz tudo para que tenhamos muitos casos notificados para conhecer o real problema. A esporotricose em Pernambuco é muito nova em termos de vigilância, então, é normal que a gente tenha esse aumento de casos. Fazemos questão que os médicos notifiquem, porque só através disso é que a gente vai saber a magnitude do problema”, justificou o gerente de Zoonoses da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Francisco Duarte.

Ele destacou que a comunidade não pode culpar os animais por uma questão que também passa pela responsabilidade do dono desses pets.

“O gato não é o vilão da história. Ele se contamina porque está na rua. Gato não é portador. Ele é vítima como o homem”, defendeu. Francisco Duarte explicou que é preciso que o tutor dos gatos tome medidas que diminuíam as chances deles adoecerem e trazerem o fungo para dentro dos lares. Algumas soluções seriam a castração dos bichos e a manutenção deles no ambiente doméstico. “Eu acho que uma campanha de castração e outra para esclarecer a população que não se deve abandonar gatos nas ruas, ajudaria muito no controle da doença”, avaliou Duarte.

Para tentar chegar a um entendimento sobre como proceder com a esporotricose em animais de rua, o Centro de Vigilância Ambiental (CVA) do Recife está em tratativas com o MPPE e outras instituições ligadas à causa animal. Segundo o coordenador do CVA, Jurandir Almeida, a doença nos gatos tem cura, mas a taxa de reincidência é alta: de 30% a 40%. E mesmo em tratamento, os bichos ainda podem passar a doença, replicando exponencialmente novos casos entre eles e os humanos.

Os dois principais serviços públicos para o tratamento de humanos no Estado são o ambulatório de esporotricose do Hospital das Clínicas (HC/UFPE) e o ambulatório de doenças infecciosas e parasitárias do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc). Em ambos os casos, suspeitos têm se avolumado nos dois últimos anos. A principal forma de se proteger da doença é utilizar luvas para manejar o solo (já que outra forma de contágio é no manuseio da terra), e também utilizar equipamentos de proteção no caso de estar em contato com um gato doente.

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A Secretaria Estadual de Saúde (SES) acendeu a luz vermelha para intensificar o combate ao mosquito Aedes aegypti no Sertão do estado. Os técnicos do Programa de Controle das Arboviroses identificaram um aumento no número das notificações em três  das 12 regionais de saúde, todas no Sertão: Salgueiro, Afogados da Ingazeira e Arcoverde. Os dados coletados pela 7ª Gerência Regional de Saúde (Geres), sediada em Salgueiro, que reúne mais sete municípios, teve o maior aumento dos casos. Os dados apontam acréscimo 1.871% dos casos suspeitos de dengue em relação ao mesmo período do ano passado. O levantamento é relativo ao dia 2 de fevereiro deste ano. na mesma data em 2018, foram notificados sete casos de dengue. Neste ano já são 138. Houve ainda o registro de 14 casos de chikungunya contra três em 2018, e dois casos de zika, contra um no ano passado. 

Também chama atenção às notificações na 10ª Geres, com sede em Afogados da Ingazeira. Em 2018, foram 8 casos suspeitos, enquanto em 2019 já são 26, um aumento de 225%. Em relação à análise da presença de larvas nos imóveis, os municípios de Cedro, Afogados da Ingazeira, Brejinho, Carnaíba e Tabira estão em risco de surto, ou seja, com alta probabilidade de adoecimento da população. 

Até 2 de fevereiro foram notificados 855 casos de dengue em Pernambuco, uma redução de 39,1% em relação ao mesmo período de 2018. De chikungunya foram 129 notificações (- 56,7%) e 45 de zika (- 25%). “No estado como um todo o número diminuiu, mas em algumas Geres do Sertão houve um aumento nas notificações e estamos intensificando o combate do mosquito nessas regiões”, apontou Claudenice Pontes, gerente do Programa de Controle das Arboviroses. Com informações do Diário de Pernambuco.

Bolsonaro está internado desde o dia 27 e se recupera da cirurgia para a reversão da colostomia Foto: Reprodução

O Globo

O presidente Jair Bolsonaro teve febre (38ºC) na noite desta quarta-feira e, após ser submetido a exames, apresentou quadro compatível com pneumonia . A informação foi confirmada através do boletim médico do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde ele está internado desde a semana passada, e também pelo porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros. A origem do quadro é bacteriana.

Ontem, Bolsonaro foi submetido a uma tomografia de tórax e abdome evidenciou boa evolução do quadro intestinal após a reversão da colostomia (o procedimento foi realizado no dia 27 de janeiro). Para tratar o quadro de pneumonia, os médicos ajustaram a dose de antibióticos que está sendo administrada ao presidente e mantiveram os demais tratamentos.

No sábado, Bolsonaro apresentou quadro de náusea e vômitos devido ao acúmulo de líquido no estômago e passou a utilizar uma sonda neogástrica para fazer a drenagem do conteúdo. De lá para cá, nos últimos quatro dias, os boletins médicos constataram a estabilidade da saúde dele. Há dois dias, Bolsonaro chegou a utilizar as redes sociais para criticar o que chamou de “militância maldosa” em torno da própria recuperação, que, segundo ele, estava em “evolução plena”.  No domingo, com o início do tratamento com antibióticos, ficou confirmado que a internação deveria durar pelo menos mais uma semana.

O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, explicou que a pneumonia é bacteriana e não viral e confirmou o reajuste na dose do medicamento.

— Os médicos introduziram novo antibiótico de amplo espectro para debelar essa pneumonia.

Barros não soube dizer se a pneumonia vai ampliar o período de internação. Inicialmente, a previsão era que Bolsonaro deixasse a unidade de saúde cerca de 10 dias após a cirurgia —  a alta deveria ter acontecido na quarta ou na quinta-feira desta semana.

— Não sei se esse antibiótico agregado ao pacote (de tratamento) vai aumentar o prazo de permanência do presidente aqui.

O porta-voz não quis entrar em detalhes sobre as possíveis causas da pneumonia.

 —  Eles (médicos) têm algumas possibilidades identificadas mas não gostaria de avançar por se tratar de possibilidades.

Também revelou que Bolsonaro tem apresentado dificuldade para dormir.

 —  O presidente tem tido alguma dificuldade de dormir. Desde ontem os médicos estão pensando em auxiliá-lo de alguma forma,  disse, negando que Bolsonaro esteja tomando medicamentos para adormecer.

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Até o último dia 26, foram registrados 721 casos de pessoas que adoeceram com sintomas da doença. O volume é mais do que o dobro do número notificado (331 casos) na semana anterior (até o dia 19), segundo boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES), que tem se mobilizado para frear especialmente um surto que se espalha pelo Sertão. “O aumento está localizado na região, onde há um maior número de pessoas susceptíveis ao adoecimento por arboviroses. Para se ter ideia, só na Regional de Salgueiro (congrega sete municípios), foram notificados 81 casos de dengue este ano. No mesmo período do ano passado, foram apenas 6. Isso chama a atenção, pois a curva de incidência está ascendente, caracterizando um surto”, esclarece a gerente do Programa de Vigilância das Arboviroses da SES-PE, Claudenice Pontes. 

Segundo a gestora, no Sertão, percebeu-se uma incidência mais baixa de arboviroses nos últimos anos epidêmicos (2015 e 2016), o que faz os municípios da região apresentaram agora um maior risco de epidemia, pois tem uma maior parcela da população susceptível à infecção pelo Aedes aegypti por não estar imune aos vírus. “Ontem realizamos uma reunião, em Salgueiro, com representantes de várias secretarias, pois compreendemos que a situação requer engajamento com outros setores, como obras, saneamento e educação. E no município, chikungunya também tem lançado um alerta, pois temos recebido relatos de pessoas que adoeceram com sintomas compatíveis com a doença”, diz. 

O boletim também traça essa expansão da chikungunya. No Estado, em uma semana, os casos notificados praticamente triplicaram: saíram de 45 para 121. Segundo Claudenice Pontes, no próximo balanço epidemiológico, que será divulgado até amanhã, outras áreas do Sertão devem aparecer em situação semelhante à de Salgueiro. É o caso de Custódia. “No município, as unidades de saúde fizeram o alerta. Os profissionais perceberam que estavam atendendo um número maior do que o habitual de casos suspeitos de arboviroses. Isso deve aparecer no boletim referente à quinta semana do ano.”

Para Claudenice Pontes, o panorama atual se torna ainda mais crítico por causa das chuvas de verão, o que abre portas a locais propícios para a proliferação do Aedes. Historicamente as arboviroses são mais frequentes nos meses de elevadas temperaturas com chuvas mais intensas – uma combinação que propicia a eclosão de ovos do mosquito. “É importante a população ter cuidados para evitar depósitos com a presença de larvas. Além disso, é preciso olhar se quintais, jardins e terrenos possuem criadouros”, orienta a gestora. 

O clínico-geral Carlos Brito, professor da Universidade Federal de Pernambuco, considera também que o cenário atual das arboviroses no Estado requer vigilância redobrada. “Realmente dengue é uma candidata em potencial para uma próxima epidemia, pois Pernambuco está há muito tempo sem ter uma explosão de casos. Isso significa que há uma fatia expressiva da população susceptível à infecção, principalmente as crianças que não foram expostas a surtos anteriores”. 

Em São Paulo, onde casos de dengue também aumentaram, autoridades se preocupam com a predominância do sorotipo 2 do vírus. Em Pernambuco, em todo o ano passado, só foi identificado o sorotipo 1, mas a SES não exclui a possibilidade dos outros três sorotipos da dengue estarem circulando.

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Médicos brasileiros vão poder realizar consultas online, telecirurgias e telediagnóstico, entre outras formas de atendimento à distância, conforme a Resolução nº 2.227/18, do Conselho Federal de Medicina (CFM). O texto estabelece a telemedicina como exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde, podendo ser realizada em tempo real ou off-line.

Por meio de nota, o conselho avaliou que as possibilidades que se abrem com a mudança normativa são “substanciais”, mas precisam ser utilizadas por médicos, pacientes e gestores “com obediência plena” às recomendações. No âmbito da saúde pública, o órgão considera a inovação “revolucionária” ao permitir a construção de linhas de cuidado remoto, por meio de plataformas digitais.

“Além de levar saúde de qualidade a cidades do interior do Brasil, que nem sempre conseguem atrair médicos, a telemedicina também beneficia grandes centros, pois reduz o estrangulamento no sistema convencional causado pela grande demanda, ocasionada pela migração de pacientes em busca de tratamento”, destacou o CFM. A resolução deve ser publicada esta semana no Diário Oficial da União.

Para assegurar o sigilo médico, o texto estabelece que todos os atendimentos deverão ser gravados e guardados, com envio de um relatório ao paciente. Outro ponto destacado é a concordância e autorização expressa do paciente ou representante legal − por meio de consentimento informado, livre e esclarecido, por escrito e assinado – sobre a transmissão ou gravação de imagens e dados.

A teleconsulta é definida pela norma como consulta médica remota, mediada por tecnologias, com médico e paciente localizados em diferentes espaços geográficos. A primeira consulta deve ser presencial, mas, no caso de comunidades geograficamente remotas, como florestas e plataformas de petróleo, pode ser virtual, desde que o paciente seja acompanhado por um profissional de saúde.

Nos atendimentos por longo tempo ou de doenças crônicas, é recomendada a realização de consulta presencial em intervalos não superiores há 120 dias. No caso de prescrição médica à distância, a resolução fixa que o documento deverá conter identificação do médico, incluindo nome, número do registro e endereço, identificação e dados do paciente, além de data, hora e assinatura digital do médico.

A emissão de laudo ou parecer de exames, por meio de gráficos, imagens e dados enviados pela internet é definida pela resolução como telediagnóstico. O procedimento deve ser realizado por médico com Registro de Qualificação de Especialista na área relacionada ao procedimento.

A teleinterconsulta ocorre quando há troca de informações e opiniões entre médicos, com ou sem a presença do paciente, para auxílio diagnóstico ou terapêutico, clínico ou cirúrgico. É muito comum, segundo o CFM, quando um médico de Família e Comunidade precisa ouvir a opinião de outro especialista sobre determinado problema do paciente.

Na telecirurgia, o procedimento é feito por um robô, manipulado por um médico que está em outro local. A resolução estabelece, no entanto, que um médico, com a mesma habilitação do cirurgião remoto, participe do procedimento no local, ao lado do paciente, para garantir que a cirurgia tenha continuidade caso haja alguma intercorrência, como uma queda de energia.

A teleconferência de ato cirúrgico, por videotransmissão síncrona, também é permitida pela norma, desde que o grupo receptor das imagens, dados e áudios seja formado por médicos. Continue reading

Uma nova era da medicina começará no Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco a partir deste mês. O hospital adquiriu um Da Vinci XI, o equipamento mais moderno em distribuição no mundo para realização de cirurgia robótica, e fará o primeiro procedimento até o fim deste mês. Um total de 10 médicos, dos quais cinco já certificados e outros cinco em treinamento, integrarão o corpo profissional que conduzirá essa nova experiência iniciada na unidade. Como em todo o mundo, o carro-chefe da robótica na instituição serão as cirurgias de próstata, sobretudo as de câncer de próstata, tipo de neoplasia que atingiu no ano passado 68 mil homens no Brasil.

Com a aquisição do XI, o Hospital Português terá a máquina de cirurgia robótica mais moderna do Nordeste. O robô chegou à instituição no começo deste mês e está em fase de instalação. “Essa é uma versão mais atualizada da máquina, com maior disponibilidade de tecnologia. No modelo SI, tudo precisava ser acoplado. Nessa nova versão, toda a tecnologia já vem acoplada, os detalhes são mais refinados. O calibre da cânula (tubo que é introduzido no corpo humano) é menor, então a incisão na pele termina sendo menor”, explicou o urologista e gerente da robótica do RHP, Clóvis Fraga (foto). A integração inclui imagens por fluorescência, selador de vasos e grampeador.

O novo modelo também permite ao cirurgião ao acesso a multiquadrantes, o que possibilita chegar a locais difíceis do corpo em cirurgias complexas. Com a combinação da funcionalidade de uma plataforma móvel, o carrinho cirúrgico pode ser colocado em qualquer posição ao redor do paciente. O Da Vinci XI também tem visão 3D ampliada, permitindo percepção em profundidade e gerando imagens cristalinas. “Cerca de 80% das cirurgias realizadas com o robô hoje são em urologia, com o câncer de próstata, pois é uma região com muitos vasos e que requer um alto nível de precisão”, afirmou o vice-provedor do RHP, Joaquim Amorim.

Fraga, além de manter a segurança das outras técnicas na questão da oncologia, a robótica permite resultados como a diminuição das chances de incontinência urinária e a maior possibilidade de preservação da potencial sexual, no quesito funcional. “O Da Vinci possibilita uma dissecção melhor dos tecidos. Além de tudo, traz uma recuperação mais rápida no pós-operatório, aumenta as chances de alta precoce e o retorno mais rápido às atividades habituais”, detalhou o médico.

O uso do XI não será destinado apenas à urologia. A equipe de médicos que conduzirá os procedimentos é multidisciplinar e composta por urologista, cirurgião bariátrico, cirurgião geral, coloproctologista, cirurgião torácico e ginecológico. Clóvis Fraga, que coordenará o serviço, possui fellowship no Institut de Recherche Contre le Cancer D’Appareil Digestif (Ircad), da França e três anos de experiência em cirurgia robótica em Pernambuco. Os profissionais estão realizando treinamento no Ircad América Latina, localizado no Rio de Janeiro.

Outras novidades

Também neste mês, começará a funcionar no RHP o segundo aparelho PET-Scan da unidade, um exame de tomografia capaz de realizar o mapeamento de diferentes substâncias químicas radioativas no organismo. “Quando adquirimos a primeira máquina, fazíamos entre quatro a cinco exames por dia. Hoje, são 20 a 25. A demanda é grande, por isso a necessidade de outro PET-Scan. Com ele, duplicaremos a nossa capacidade de realizar o exame”, afirmou Joaquim Amorim. Outra novidade anunciada pelo vice-provedor é relacionada a permanente expansão do hospital. Neste ano, começa a construção do décimo primeiro prédio do RHP, que será um centro dedicado a aglutinar os serviços de oncologia. Com informações do Diário de Pernambuco.

Este ano, até o dia 19 de janeiro, foram notificados 388 casos suspeitos para as três arboviroses / Foto: Pixabay

No boletim da terceira semana epidemiológica, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) confirmou nessa segunda-feira (28) a suspeita da primeira morte por arbovirose em 2019. A morte aconteceu em Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife, e a vítima foi um homem de 46 anos. O documento traz dados entre os dia 30 de dezembro de 2018 e 19 de janeiro de 2019.

Por enquanto, a suspeita não descarta nenhuma das arboviroses, zika, chikungunya e dengue. O óbito foi registrado no dia 8 de janeiro e, segundo a SES, será debatido pelo Comitê Estadual de Discussão de Óbitos por Dengue e outras Arboviroses para que todo o histórico do paciente seja analisado.

Os primeiros sintomas relatados pelo paciente foram febre alta, tosse e palidez. No início deste ano, os sintomas se agravaram. A febre voltou, acompanhada de náuseas e vômitos. Apesar de morar em Ipojuca, o primeiro atendimento do paciente foi em um hospital de Escada, Zona da Mata. De lá, ele foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento do Cabo de Santo Agostinho e em seguida para o Hospital Otávio de Freitas, no Recife.

Análises laboratoriais estão sendo feitas para confirmar a causa da morte. Segundo Juliana Serafim, diretora de Vigilância em Saúde de Ipojuca, apesar de os sintomas serem parecidos, há dúvida se realmente foi por alguma arbovirose. “Ele havia relatado que os primeiros sintomas, parecidos com os das arboviroses, começaram em outubro do ano passado. Depois, no dia 1º de janeiro deste ano, os sintomas pioraram e foi aí que ele deu entrada no hospital. Ele já vinha em processo de adoecimento desde outubro, isso é que difere de outros casos”, esclarece.

O homem era morador da Zona Rural de Ipojuca, área de baixo risco, segundo a diretora. “O índice nessas áreas é muito baixo. Se houve contaminação com o vírus das arboviroses, imaginamos que tenha sido durante alguma visita à área urbana”. 

Dados 

Somando as três doenças transmitidas pelo Aedes, em 2018, Pernambuco registrou mais de seis mil casos confirmados. Este ano, até o dia 19 de janeiro, foram notificados 388 casos suspeitos para as três arboviroses. (Dados da Secretaria Estadual de Saúde)

Dengue: 

Casos notificados: 331 

Casos confirmados: 5

Zika:

Casos notificados: 12

Casos confirmados: 1

Chikungunya: 

Casos notificados: 45

SES registra aumento de 24% nos casos de sífilis em Pernambuco / Foto: Reprodução / Internet

Com a proximidade do carnaval, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) alerta para cuidado com as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela SES, em 2017, houve um aumento de 24% nos casos de sífilis adquirida em Pernambuco: 1.805 homens e 1.470 mulheres foram infectados.

Os números são comparados ao ano de 2016, quando 1.386 homens e 1.246 mulheres contraíram sífilis. Um aumento total de 643 casos. Os dados de 2018 ainda não foram revelados pela SES.

HIV e AIDS

Até outubro de 2018, o número de casos de HIV e Aids caiu, em relação a 2017. 1.692 pessoas contraíram o vírus HIV e 445 desenvolveram a Aids. Em 2017, foram 2.697 casos de HIV e 1.001 pessoas que desenvolveram a Aids. Os dados ainda são preliminares e podem ser revisados, portanto, estão sujeitos a alteração.

Segundo a gerente do programa estadual de IST/AIDS/HIV, Camila Dantas, durante o ano, a SES promove ações de prevenção, controle e tratamento das infecções sexualmente transmissíveis. Em época de folia, Camila Dantas alerta sobre uso da camisinha para evitar as IST’s.

ISTs

As infecções sexualmente transmissíveis são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. São transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual sem o uso de camisinha masculina ou feminina, com uma pessoa que esteja infectada.

A transmissão de uma IST pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação. O atendimento e o tratamento são gratuitos nos serviços de saúde do SUS. Com informações da TV Jornal.

Com apenas 839 habitantes, o município de Borá (SP) lidera o ranking de gastos per capita na saúde, com R$ 2.971,92 gastos em 2017 / Foto: EBC

Levantamento divulgado hoje (21) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) revela que cerca de 2.800 municípios brasileiros gastaram menos de R$ 403,37 na saúde de cada habitante durante o ano de 2017. A análise mostra que esse foi o valor médio aplicado por gestores municipais com recursos próprios em Ações e Serviços Públicos de Saúde declaradas no Sistema de Informações sobre os Orçamentos Públicos em Saúde (Siops).

De acordo com os números, municípios menores, em termos populacionais, arcam proporcionalmente com uma despesa per capita maior. Em 2017, nas cidades com menos de 5 mil habitantes, as prefeituras gastaram em média R$ 779,21 na saúde de cada cidadão – quase o dobro da média nacional identificada.

Os municípios das regiões Sul e Sudeste foram os que apresentaram maior participação no financiamento do gasto público em saúde – consequência, segundo o CFM, de sua maior capacidade de arrecadação.

Pernambuco

Em 2017, Recife, que conta com uma população de 1.633.697 gastou 340,97 em média por habitante, segundo o documento. O valor é maior do que os gastos dos anos de 2013 a 2016, mas ainda abaixo da média nacional. 

No Estado, o menor gasto foi da Prefeitura de São Lourenço da Mata, que investiu apenas 91,75, o menor valor nos últimos quatro anos e o único abaixo da faixa dos R$ 100 em Pernambuco. A população do município é de 112.009 pessoas.

Já o maior investimento em saúde no ano de 2017 entre as prefeituras de Pernambuco foi o da cidade de Ipojuca, que gastou R$ 1.399,25 por habitante. Com uma população de 94.533 pessoas, Ipojuca foi à única com gasto superior a mil reais no Estado.

Ranking nacional

Com apenas 839 habitantes, o município de Borá (SP) lidera o ranking de gastos per capita na saúde, com R$ 2.971,92 gastos em 2017. Em segundo lugar aparece Serra da Saudade (MG), cujas despesas em ações e serviços de saúde alcançaram R$ 2.764,19 por pessoa.

Na outra ponta, entre os que tiveram menor desempenho na aplicação de recursos, estão três cidades de médio e grande porte, todas situadas no estado do Pará: Cametá (R$ 67,54), Bragança (R$ 71,21) e Ananindeua (R$ 76,83).

Entre as capitais, Campo Grande assume a primeira posição, com gasto anual de R$ 686,56 por habitante. Em segundo e terceiro lugares estão São Paulo e Teresina, onde a gestão local desembolsou, respectivamente, R$ 656,91 e R$ 590,71 por habitante em 2017.

Já as capitais com menor desempenho são Macapá, com R$ 156,67; Rio Branco, com R$ 214,36; Salvador e Belém, ambas com valores próximos de R$ 245 por pessoa.

A lista completa de municípios que participaram do levantamento pode ser acessada aqui.

Nunca é tempo de baixar a guarda contra os problemas carregados pelo Aedes (Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem)

Não são só os municípios com maior concentração de pessoas com dengue, chikungunya e zika que preocupam as autoridades de saúde e pesquisadores. Em Pernambuco, as cidades que registraram um menor volume de casos também estão no radar da Secretaria Estadual de Saúde (SES), que deve lançar (já com atraso) o Plano de Enfrentamento das Arboviroses 2019 ainda este mês. O documento apresentará estratégias que serão desencadeadas e intensificadas para o controle das doenças, com um olhar especial para o Sertão, onde se percebeu uma incidência mais baixa de arboviroses nos últimos anos epidêmicos, em comparação a outras regiões de Pernambuco.

“Esse panorama nos faz deduzir que são municípios onde há um maior risco de adoecimento, pois teria uma maior parcela da população susceptível (à infecção pelo Aedes aegypti) por não estar imune aos vírus”, explica o diretor-geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES, George Dimech. Ele acrescenta que a intenção do plano de enfrentamento deste ano é fortalecer a capacidade técnica dos municípios para que gestores se sintam preparados para atuar na prevenção dos casos e lidar com possíveis novas ondas epidêmicas. “Enquanto houver pessoas a adoecer (aquelas que nunca se infectaram e, por isso, não estão imune ao vírus) e mosquito circulando, sempre haverá riscos. Portanto, não devemos esmorecer as ações de prevenção e de vigilância, mesmo diante das reduções de casos, em comparações com os anos epidêmicos de 2015 e 2016.”

A SES ainda chama a atenção para o atual cenário de circulação do zika na população. Após o ano de 2017 sem confirmação de casos, 2018 chegou ao fim com 56 registros confirmados de adoecimento pelo vírus. Todas as regiões do Estado registraram notificação de casos – e houve registro da suspeita da doença em 117 municípios. Desses, 23 tiveram confirmações de adoecimento pelo vírus. Dessa maneira, o cenário passa longe do fim do risco de ocorrência de casos de zika e consequentemente de síndrome congênita do vírus, que tem a microcefalia como o sinal mais conhecido.

Professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o clínico-geral Carlos Brito alerta para a possibilidade de um novo ataque em massa do Aedes este ano. “Com base na experiência com dengue, as epidemias geralmente ocorrer a cada três ou quatro anos. Então, agora vivemos um risco real do reaparecimento de zika e chikungunya, cujas explosões de casos aconteceram, respectivamente, em 2015 e 2016”, frisa.

Para o médico, a percepção é de que o Estado não teria condições para enfrentar um novo surto de arboviroses. “Se pensarmos em chikungunya, ainda há muita gente em acompanhamento por causa de dores após dois ou três anos da fase aguda da doença”, acrescenta Brito, sem deixar dúvidas de que nunca é tempo de baixar a guarda contra os problemas carregados pelo mosquito.

Mosquito Aedes aegypti é o transmissor de zika, dengue e chikungunya — Foto: LM Otero/Arquivo/AP Photo

Três anos após o surto de microcefalia causada pela síndrome congênita do vírus da zika em Pernambuco, o estado registrou 1.440 notificações da doença, em 2018. O aumento foi de 73,5% em relação a 2017, quando houve 830 notificações.

Os dados sobre as arboviroses, doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, em Pernambuco foram repassados, nesta quarta-feira (09), pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). O levantamento abrange o período de 31 de dezembro de 2017 a 29 de dezembro de 2018.

Com relação às confirmações de zika em Pernambuco, o número saiu de zero para 56 casos. Em 2018, foram descartadas 1.218 notificações. As demais seguem em investigação. Dos 185 municípios pernambucanos, 117 tiveram casos de arbovirose.

Quanto aos casos de dengue, foram 22.397 casos notificados em 181 cidades de Pernambuco em 2018, contra 17.807 no mesmo período de 2017, um aumento de 25,8%. Houve 5.631 confirmações em 2018 e 5.672 no ano anterior, uma diminuição de 0,72%. Foram descartadas 10.008 notificações.

Em fevereiro de 2018, uma mulher de 53 anos morreu por causa da dengue. Esse foi o único registro de morte por arbovirose do ano. Em 2017, no mesmo período, foram notificados 121 óbitos suspeitos, mas o diagnóstico laboratorial positivo dos óbitos não necessariamente confirma a doença como causa da morte.

Também em 2018, foram registradas 3.246 suspeitas de chikungunya, uma redução de 38,1% com relação a 2017, quando houve 5.242 registros.

O número de confirmações chegou a 557 casos em 2018, o que equivale a uma diminuição de 50% em comparação aos 1.116 casos confirmados do ano anterior. Houve, ainda, 2.009 notificações descartadas.

1/3 não se apresenta no Mais Médicos

Cerca de 30% dos brasileiros inscritos no programa Mais Médicos para ocupar as vagas dos cubanos não se apresentaram aos municípios de trabalho até esta sexta-feira (14), quando vencia o prazo para que os profissionais comparecessem às cidades escolhidas. A situação fez o Ministério da Saúde prorrogar para a próxima terça-feira (18), a data limite para apresentação.

De acordo com a pasta, dos 8.411 médicos inscritos no edital, 2.520 não compareceram nem iniciaram as atividades nas cidades até às 17 horas desta sexta-feira. Outras 106 vagas do edital nem chegaram a ter interessados – a maioria em distritos sanitários indígenas.

Nesta sexta-feira, o ministério também anunciou a prorrogação do prazo para que brasileiros ou estrangeiros formados no exterior se inscrevam na segunda fase do edital. O prazo para esse grupo também vencia sexta-feira, mas foi prorrogado até domingo. Esses profissionais, que não têm registro profissional no Brasil, poderão ocupar as vagas que não tiveram candidatos brasileiros com registro no País.

De acordo com o órgão federal, 8.630 profissionais formados no exterior já se inscreveram no edital. Eles precisam entregar 17 documentos para poder participar do Mais Médicos.

Finalizado o período para apresentação dos brasileiros e de inscrição dos formados no exterior, as vagas remanescentes serão ofertadas de acordo com o seguinte cronograma: nos dias 20 e 21, médicos com registro brasileiro poderão escolher municípios com postos vagos e, nos dias 27 e 28, será a vez dos profissionais brasileiros formados no exterior. Para os profissionais estrangeiros formados no exterior, a escolha de vagas será nos dias 3 e 4 de janeiro do ano que vem.

Expectativa. Na avaliação do ministro da Saúde, Gilberto Occhi, a previsão é de que, com a prorrogação do prazo para apresentação, mais médicos inscritos compareçam. “A nossa expectativa é que de 20% a 30% daqueles que não se apresentaram podem, de fato, não comparecer. Mas, de qualquer forma, fizemos essa abertura prévia de edital para formados no exterior para ganhar tempo”, disse ele ontem, após participar de evento em São Paulo.

“Considerando que, do total de vagas, só 106 não tiveram interessados, acreditamos que outros profissionais com registro no Brasil ou brasileiros e estrangeiros formados no exterior vão ocupar essas vagas dos cubanos”, completou.

Cuba anunciou a saída do programa Mais Médicos no dia 14 de novembro, determinando o retorno de 8,3 mil médicos ao país caribenho.

Ministro diz que prefeituras terão de arcar com vagas

O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, declarou ontem que a reposição dos médicos que deixaram postos de saúde de uma cidade para migrar para o programa Mais Médicos em outro município será de responsabilidade da Prefeitura que perdeu o profissional.

Como o Estado mostrou no último dia 29, pelo menos um terço dos brasileiros inscritos no Mais Médicos deixou vagas em Unidades Básicas de Saúde, criando déficit em outras localidades. “O País está apoiando os municípios assumindo o encargo de alguns médicos, mas não faz sentido para o governo suprir todos os programas e todas as Unidades Básicas de Saúde. Isso é responsabilidade dos municípios”, declarou Occhi.

Para o ministro, as cidades que possuíam médicos, mas os perderam para o programa federal, já tinham alguma atratividade para profissionais, o que indica que as prefeituras devem encontrar outros interessados. Com informações do Estado de S.Paulo.

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Em Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Bahia, mais da metade dos profissionais que preencheram as vagas dos cubanos no Mais Médicos já trabalhava em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do país e apenas migrou de um posto de saúde onde era servidor municipal para outro onde passa a ser integrante do programa federal. Assim, postos que tinham equipes completas agora enfrentam déficit de profissionais.

É o que mostra levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo junto a conselhos de secretarias municipais de saúde (Cosems) em sete estados. O salário pago pelo programa federal costuma ser maior do que o oferecido por cidades pequenas. Além disso, os profissionais dizem ter mais estabilidade no Mais Médicos e contar com auxílio para pagar aluguel, transporte e alimentação.

Dos 13 conselhos contatados, dez disseram ter registrado em seus municípios a migração de profissionais, dos quais sete levantaram o número de casos do tipo. Nesses estados, 58% das vagas preenchidas foram ocupadas por médicos que já atuavam na atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Os sete Cosems analisaram os vínculos de trabalho anteriores de 1.489 médicos que aderiram ao Mais Médicos e verificaram que 863 deles trabalhavam em postos de saúde de outras cidades ou estados.

Números completos do ministério

A situação fez o presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira, se reunir na quarta-feira (28) com membros do Ministério da Saúde para apresentar o problema. A pasta solicitou ao conselho um levantamento nacional dos números de profissionais que migraram de uma UBS para outra. O conselho pretende apresentar na sexta-feira (30) os números completos ao ministério. “Estamos muito preocupados. Talvez seja preciso fazer mudanças no edital para evitar que a chegada dos médicos desorganize todo o sistema de saúde”, declarou Diego Espindola de Ávila, diretor do Conasems.

Enquanto isso, municípios contabilizam perdas de médicos migrando para o programa federal. Em Pernambuco, de 110 novos médicos inscritos no programa, 71 já tinham vínculo com a atenção básica em outro município. “Do ponto de vista da saúde pública, estamos trocando seis por meia dúzia”, relata Orlando Jorge Pereira de Andrade Lima, presidente do Cosems-PE e secretário municipal de Saúde de Paudalho, onde os três médicos que chegaram para substituir os cubanos vieram de postos de saúde de outras cidades. “Dois vieram de municípios pernambucanos e um, do Maranhão”, conta Lima.

No Rio Grande do Norte, das 139 vagas abertas no estado após a saída dos médicos cubanos, 98 delas foram preenchidas por médicos que estavam ligados às equipes do programa ESF em outras localidades, como Mirella Medeiros. Segundo a coordenadora da Comissão do Mais Médicos no Rio Grande do Norte, Ivana Fernandes, dos 98 médicos que migraram, 82 já atuavam no Estado e os outros 16 desempenhavam a mesma função em Estados vizinhos, como a Paraíba. “Com equipes sem formação completa, não há repasse de recursos pelo Ministério da Saúde para pagamento de salários. Sem esses profissionais, as equipes correm o risco de ser extintas”, declara Ivana.

Emprego estável com rendimentos maiores

A possibilidade de ter um emprego estável com rendimentos superiores aos pagos no programa Estratégia Saúde da Família (ESF) fez a médica Mirella Medeiros, formada recentemente pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), migrar para o Mais Médicos. “Principalmente porque existe a instabilidade de estar numa prefeitura sem ser efetivo. Há influência política, de quem está na Secretaria de Saúde, e nem sempre sabemos se continuaremos no cargo. Além do salário, claro, que é melhor. O Mais Médicos é um emprego federal”, diz a profissional, ao explicar por quais motivos efetivou a mudança de programa.

Mirella deixou a ESF na cidade litorânea de Touros e passará a atuar, no início de dezembro, no município de Pedro Avelino, distante 139 quilômetros da capital, Natal. Por mês, em média, um médico do programa Estratégia Saúde da Família ganha R$ 8.750, enquanto no Mais Médicos o valor pago ao profissional é de R$ 11.865, com menos descontos em folha de pagamento por ser tratado como uma bolsa pelo governo federal – os profissionais são obrigados a concluir uma especialização em saúde da família.

Resolvendo um problema e criando outro

Na Paraíba, o levantamento revela que, das 128 vagas abertas com a saída dos cubanos do estado, 98 foram preenchidas por médicos que já atuavam em outro município. “A gente está resolvendo um problema, mas criou outro, mais sério”, disse a presidente do Cosems no Estado, Soraya Galdino.

Na Bahia, das 745 vagas já preenchidas, 427 serão ocupadas por médicos que pediram exoneração de outros postos. Reinaldo Braga Filho, prefeito de Xique-Xique, no norte do estado, conta que, do dia para a noite, se viu sem sete dos 12 médicos da Estratégia Saúde da Família (ESF), que optaram pelo programa federal. “Eles alegaram que as condições do Mais Médicos são mais vantajosas.”

No Ceará, dados parciais mostram que 194 vagas oferecidas pelo programa foram acompanhadas por 90 exonerações. O Amazonas informou que, dos 95 primeiros médicos alocados em seus municípios, 27 vieram de outras UBSs. O Acre tem 52 de 78 vagas preenchidas por médicos que migraram de uma Prefeitura para outra. Os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Maranhão também disseram ter registrado a situação.

Questionado, o Ministério da Saúde informou que o edital prevê regras específicas para os médicos que já atuam no programa Estratégia Saúde da Família. Uma delas é a que obriga um médico que decida migrar para o Mais Médicos a continuar em um município com perfil igual ou mais vulnerável. A pasta não respondeu se pretende mudar as regras do edital nem o que fará em relação às vagas que ficaram vazias.

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Já é cotidiano acordar e pegar o celular ou até mesmo passar horas em frente a um computador ou tablet. Esses hábitos se tornaram rotina na vida das pessoas, porém tais práticas podem causar problemas à saúde ocular dos usuários. A sociedade oftalmológica tem se preocupado com a incidência de problemas decorrentes de excessiva exposição à luz dos eletrônicos e alerta sobre os cuidados que devem ser tomados. 

A luz violeta emitida pelos eletrônicos são verdadeiros vilões, pois a falta de capacidade da córnea em filtrar esse tipo de eletromagnética faz com que os olhos fiquem em superexposição. Dessa forma, a iluminação pode danificar a retina e causar dificuldades na visão que provocam incômodos no dia-dia. 

“O uso excessivo de smartphones, computadores e outros eletrônicos é uma forma de esforçar a musculatura do olho. Todos os objetos luminosos podem favorecer o ressecamento do olho ou causar o lacrimejamento. No trabalho focado em frente ao computador, involuntariamente as pessoas piscam bem menos, o que acarreta no ressecamento do olho. O uso excessivo também pode causar a chamada Síndrome do Computador que tem como sintomas dor de cabeça, olho seco, vermelho e irritado”, explica o médico oftalmologista e vice-diretor da Sociedade de Oftalmologia de Pernambuco (SOPE), Bernardo Cavalcanti. 

Para controlar a irritação nos olhos, muito fazem uso do colírio. Sobre essa substância, o vice-diretor da SOPE diz que eles são apenas paliativos que ajudam na irritação, desconforto e reduz o vermelhão. “O colírio não está tratando da causa do paciente, mas está dando a ele uma forma de interagir melhor. O que ajuda mesmo é o uso controlado dos equipamentos”, explica o médico.  

A fim de diminuir os problemas acarretados pela luminosidade de eletrônicos nos olhos, o especialista dá dicas. “Usar os aparelhos em baixa luminosidade, trabalhar sempre com o celular na posição mais baixa que os olhos são algumas dicas. Além disso, ao usar o aparelho por muito tempo, é sempre bom fazer alguns intervalos de 15 a 20 minutos, ou olhar para algo mais distante, pois geralmente os aparelhos estão muito próximos dos olhos. Outra dica muito importante é lembrar-se de piscar os olhos continuamente”, completou o médico Bernardo Cavalcanti. Para a saúde ocular, os especialistas também recomendam ir ao oftalmologista regularmente e fazer uso de óculos com lentes originais.

O novo edital do Mais Médicos, aberto após a decisão de Cuba de se retirar do programa, já efetivou 224 profissionais. De acordo com o Ministério da Saúde, 200 já se apresentaram às Unidades Básicas de Saúde e estão trabalhando. No total, foram abertas 8.517 vagas.

A lista com a localização e a quantidade de médicos por cidade foi divulgada na segunda-feira (26) pelo Ministério da Saúde.

Não há a informação se todos eles são brasileiros. O que se sabe é que os profissionais tem registro no Conselho Regional de Medicina ou foram aprovados no Revalida.

Eis a lista com o número de médicos contratados para os poucos municípios de Pernambuco até o presente momento e onde atendem:

Agrestina (1), Bodocó (1), Carpina (2), Moreno (1), Recife (3), e São Vicente Ferrer (1).

Na noite desta segunda-feira, uma semana após o edital ser lançado, o ministério informou que 97,2% das vagas ofertadas já haviam sido. Segundo o órgão 8.278 das 8.517 vagas já estavam alocadas para atuarem de forma imediata. As inscrições ficarão abertas até 7 de dezembro.

Para que todos os Estados e municípios brasileiros tenham suas necessidades asseguradas, o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, disse que estuda realocar médicos que já integram o programa Mais Médicos para locais que não tiverem a adesão de novos profissionais.