Saúde

A primeira vítima de leptospirose foi um homem de 41 anos, residente de Jaboatão dos Guararapes  / Foto: Pixabay

Pernambuco registrou o primeiro caso confirmado de morte em decorrência da leptospirose em 2019. A vítima foi um homem de 41 anos, que residia no município de Jaboatão dos Guararapes, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES). O óbito ocorreu no dia 18 de janeiro, mas a confirmação só foi divulgada agora.

Até o dia 30 de março deste ano, 112 casos da doença haviam sido notificados, sendo 15 destes confirmados, 32 descartados e outros 65 permanecem em investigação. Em 2018, houve 176 notificações de leptospirose, sendo 42 confirmadas. Em todo o ano passado foram notificados 839 casos, sendo 207 confirmados e 11 mortes registradas.

Em comparação com o mesmo período do ano anterior, o primeiro trimestre de 2019 registra uma queda de aproximadamente 36,3% nas notificações e redução de 64,3% no número de casos confirmados.

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O sistema de vigilância dos municípios pernambucanos e toda a população devem redobrar os cuidados contra o Aedes aegypti, que transmite dengue, chikungunya e zika. Num cenário em que a temperatura elevada é um fator capaz de acelerar o processo de transformação do ovo no mosquito, o mapa das arboviroses (como é chamado o LIRAa, sigla para Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti) traz um dado que preocupa: 80% das 184 cidades no Estado estão em situação de risco para transmissão elevada das três doenças provocadas pelo mosquito. O mapeamento é capaz de identificar locais com focos de reprodução do Aedes e o tipo de depósito onde as larvas são encontradas.

“Este mês e no próximo, é um período em que historicamente verificamos aumento no número de casos de arboviroses. No Estado, essa elevação permanece acima do padrão na sétima Regional (sede em Salgueiro, no Sertão, que congrega mais outros seis municípios: Belém do São Francisco, Cedro, Mirandiba, Serrita, Terra Nova e Verdejante)”, destaca o diretor-geral de Controle de Doenças Transmissíveis da Secretaria Estadual de Saúde (SES), George Dimech. Na região, o volume dos casos notificados de arboviroses é expressivo. Até o momento, as sete cidades registraram 1.019 casos – um percentual de variação de 6.268%, em comparação com o mesmo período do ano passado, quando a Regional notificou apenas 16 casos.

Outro detalhe que tem chamado a atenção dos especialistas e das autoridades de saúde é a expansão da incidência, que considera a proporção de casos em relação ao número de habitantes, na faixa etária infantil. Segundo boletim epidemiológico da SES, a maior incidência de dengue está entre 5 e 9 anos; em relação à chikungunya e zika, do nascimento aos 4 anos. “Houve um desvio da faixa etária, pois as crianças que não foram infectadas anteriormente estão mais susceptíveis a infecções e começam agora a adoecer. É por isso que atualmente, nessa população, os cuidados não devem ser menosprezados”, frisa George Dimech. 

VULNERÁVEIS

O fato de o Estado só ter identificado, até o momento, a circulação do DEN1 (um dos quatro tipos de vírus da dengue) também pode explicar por que o adoecimento tem se tornado mais frequente entre crianças. “É uma faixa etária caracterizada por uma população que, na sua maioria, não teve contato anterior com o DEN1. E as crianças, que adoecem agora por dengue e já foram infectadas anteriormente por algum dos outros três tipos de vírus, têm risco de evoluir para uma forma mais grave da doença”, diz o clínico-geral Carlos Brito, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 

Apesar de o cenário, em Pernambuco, não representar epidemia, os especialistas reforçam ser preciso intensificar as ações de combate ao Aedes aegypti para que os registros de dengue, zika e chikungunya não continuem avançando no Estado. Até o último dia 16, foram notificados 4.051 casos suspeitos de dengue em 143 municípios pernambucanos, representando aumento de 6% em relação ao mesmo período de 2018, que apontou 3.829 casos. Para zika, até o momento, foram registrados 298 casos suspeitos em 53 municípios, o que corresponde a um aumento de 93,5%, comparando com o mesmo período de 201 8, quando houve 154 notificações.

O balanço da SES também revela que este ano 50 mulheres grávidas foram notificadas com suspeita de arboviroses por apresentarem manchas vermelhas na pele. Além disso, o Estado contabiliza 13 mortes suspeitas por dengue, chikungunya e zika, como no mesmo período de 2018.

“A Regional de Salgueiro continua a apresentar mais casos. Estamos trabalhando para evitar que outras áreas apresentem esse cenário fora do padrão”, diz George Dimech, da SES

“Desde a semana que passou, observamos uma frequência maior de pessoas que procuram atendimento por terem sintomas de dengue”, informa o médico Carlos Brito.

Infecções que estavam esquecidas no tempo voltam a assolar e, com ela, a polêmica da eficácia e a relação entre riscos e benefícios da vacinação. Há quem defenda que o fato de algumas patologias estarem erradicadas se torna desnecessário a vacinação, além de expor crianças saudáveis a um vírus atenuado ou vírus morto.  Além disso, se o vírus foi erradicado, estimular o sistema imunológico para se defender de uma doença que, teoricamente, não reaparecerá é perda de tempo e a um custo que não é pequeno. Essa é uma defesa da comunidade científica que voltou a ser debatido entre os estudiosos, principalmente com o movimento antivacina, que vem ganhando adeptos no Brasil.

Mesmo com opiniões contrárias à vacinação, sua eficácia tem sido comprovada na erradicação de muitas doenças. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (OMS), a febre amarela mata um em cada três afetados, sendo considerado um número altíssimo, porém, apenas um em cada 500 mil pessoas morre por efeitos adversos da vacinação. De acordo com o ortopedista, Rui Eduardo, só esses dados deveriam ser o suficiente para calar o grupo antivacina, mas não é o que acontece.

“A vacina foi um dos maiores achados na busca da saúde e aumento da longevidade da humanidade. Juntamente com a água tratada e os avanços na conservação de alimentos e desenvolvimento da agroindústria, a vacinação é um dos pilares que tornou possível o aumento da altura da população, da longevidade, e de seus parâmetros intelectuais e de saúde”, relata.

A Europa, exemplo de medicina preventiva, vive um surto de Sarampo com 35 mortes, mais de 21 mil afetados pela doença, um número 400% maior que o ano passado, em 15 dos 53 países do continente. Ainda de acordo com o Dr. Rui, o efeito rebanho é o possível causador de eventuais surtos. Cerca de 3% das crianças não comparecem ou não recebem a vacinação durante a campanha, porém 97% não adquirem e, portanto, não prolifera a doença, os 3% são protegidos.

“O problema é que outros três por cento surgirão na próxima campanha e assim sucessivamente até que haja uma grande percentagem de não vacinados”, conclui. Outra maneira de contágio são os fluxos migratórios que no Brasil ocorreram com a entrada indiscriminada de venezuelanos por Roraima.

Aplicativo Mobcare monitora pacientes com microcefalia em Pernambuco — Foto: Izabele Brito/Divulgação

Pesquisadores desenvolveram um aplicativo para celulares para ajudar no tratamento de crianças com a síndrome congênita do vírus da zika. Chamada de Mobcare, a ferramenta pode ser utilizada por pais de crianças com microcefalia, profissionais e gestores da saúde pública em Pernambuco.

O Mobcare foi idealizado pela Fundação Altino Ventura (FAV), em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene).

De acordo com a presidente da fundação, Liana Ventura, o aplicativo pode ser utilizado como uma espécie de diário da criança, mas também contém valiosas informações para os pais lidarem com os sintomas apresentados no dia a dia.

“Ele armazena um banco de dados com vídeos, fotos, informações escritas e orientações para pais e familiares, para profissionais e para gestores. A ideia é empoderar os pais de materiais educativos sobre como estimular suas crianças, do ponto de vista das deficiências visual e global e sobre como os pais podem ajudar os filhos diante dos desafios”, afirma.

O Mobcare teve seu projeto iniciado em 2016 e, desde então, passou por três fases. A primeira foi a análise de requisitos, interfaces gráficas e realização de sondagens com cuidadores e profissionais sobre o que deveria estar no aplicativo. A segunda fase foi de testes com dez famílias e seis terapeutas. A terceira etapa envolveu cuidadores e terapeutas, que utilizaram o aplicativo na prática.

A terceira fase contou com a participação de 27 cuidadores de 16 terapeutas que, por sua vez, disponibilizavam vídeos de estimulação visual para que as atividades não mais se restringissem às consultas. Os profissionais também podiam registrar os atendimentos realizados e lembretes das próximas consultas agendadas.

Ainda segundo Liana, uma das funções mais importantes do aplicativo é a de funcionar com uma espécie de prontuário móvel de cada paciente, alimentado pelos próprios responsáveis pelas crianças.

“Os pais alimentam informações sobre como estão às crianças. Se têm convulsão, quantas crises tiveram, como é a resposta das crianças, tanto no sentido da visão quanto no globo. Do ponto de vista da gestão do cuidado, podemos ver se os pacientes estão faltando às consultas, se a criança se internou, se teve intercorrências. São três atividades monitoradas”, explica.

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O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que o programa que vai alterar as regras do Mais Médicos vai priorizar a contratação de profissionais para municípios do Norte e do Nordeste. Para definir os locais, o governo vai usar critérios como IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), dificuldade de alocação de profissionais e tempo de permanência. 

“A prioridade do governo federal será garantir a presença nos chamados vazios sanitários. Nesses locais é onde vamos ter nosso olhar mais atento”, disse o ministro, após dar uma palestra em almoço do Lide na capital paulista. O governo prometeu para o primeiro semestre deste ano o envio de um projeto ao Congresso alterando o programa. Mandetta afirmou que, após o projeto, outra discussão que a Pasta deve fazer envolverá os critérios de contratação de médicos formados no exterior sem e revalidação do diploma.

Preparando um novo programa que altera o Mais Médicos, o ministro declarou que o próximo formato irá atender as cidades necessitadas e distantes dos grandes centros. A pasta pretende encaminhar no primeiro semestre deste ano um projeto ao Congresso com novas regras para contratação temporária de médicos. 

“O programa vai voltar para atender o Brasil profundo que precisa, é lá que temos que atender. É reconhecer a dificuldade da cidadezinha do interior do Agreste de Pernambuco, do interior do Acre, é lá que temos que atuar e é lá que vamos atuar”, disse Mandetta. O ministro criticou o modelo do programa criado pelo governo do PT e disse que o Mais Médicos começou a servir politicamente para colocar médicos em cidades que não têm indicadores frágeis na saúde. 

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Com a diminuição dos riscos de transmissão de algumas doenças (algumas até já erradicadas no Brasil, como a poliomielite), a população passa a se preocupar mais com mensagens equivocadas sobre a imunização do que com a importância de se proteger. Esse é um dos fatores que levam à criação dos movimentos antivacina, que lamentavelmente crescem em todo o mundo e trazem prejuízos irreversíveis à saúde pública. O fenômeno não tem base científica e compartilha reflexões capazes de aniquilar os ganhos que o Brasil alcançou com a vacinação. 

“Nunca devemos baixar a guarda. Os patógenos (organismos, como vírus e bactérias, capazes de levar a enfermidades) estão ao nosso redor. Se a cobertura não for boa, corremos o risco de ver casos de doenças que já foram responsáveis por milhares de complicações e mortes”, frisa a infectopediatra Ângela Rocha, chefe do Setor de Infectologia Pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), em Santo Amaro, área central do Recife. “Estou no serviço desde 1973 e já acompanhei doenças que eram muitos comuns, como difteria. Houve uma época em que o setor atendia anualmente mais de 200 casos da doença, hoje controlada graças à imunização”, diz a médica. 

Em Pernambuco, o último caso de difteria aconteceu no ano passado: um jovem de 18 anos, residente em Salgueiro, no Sertão, teve a infecção. Em 2017, não houve casos e, em 2016, uma bebê menor de 1 ano, moradora de São Lourenço da Mata, no Grande Recife, teve a doença. Como o Brasil apresentou redução na incidência da enfermidade por causa da ampliação das coberturas vacinais, a difteria se tornou rara. 

A taxa atual para difteria, no entanto, requer cautela em Pernambuco. Em 2018, a cobertura vacinal, que deveria ser de 95%, ficou em 89,5% entre os menores de 1 ano. Um detalhe é que a vacina também protege contra coqueluche e tétano. Assim, quem não está imunizado fica susceptível às três doenças.

“As vacinas são mesmo vítimas do seu próprio sucesso. Com as aplicações rotineiras nos anos 1990 e 2000, tivemos praticamente controle das doenças que eram vistas com muita frequência, como sarampo e pólio. A imunização também diminuiu bastante a incidência das doenças meningocócicas. Não temos mais epidemias dessa enfermidade como há anos. Então, isso passa uma falsa segurança para as famílias, que deixam de se proteger porque não veem mais casos”, salienta o pediatra Eduardo Jorge da Fonseca Lima, que não se cansa de lutar contra o antivacinismo.

“Não duvido da segurança e da eficácia das vacinas. Minha filha Luana fez 5 meses e já trouxe ao posto para tomar a segunda dose da meningocócica C”, conta a psicóloga Sylvia Luna, 28 anos

“Tenho a caderneta da infância, que registra todas as vacinas que já tomei. Vim ao posto tomar tríplice viral e hepatite B”, diz a estudante do curso técnico de enfermagem Olga Barros, 21 anos.

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Parte do sertão pernambucano está em surto epidêmico de dengue. Apesar de os casos da doença e da chikungunya terem diminuído em relação ao ano passado, em todo o estado, quando consideradas as estatísticas da área mais seca, a situação é diferente. Somente na região da sétima gerência regional de Saúde (Geres), que engloba sete municípios, dentre eles Salgueiro, foram notificados 480 casos suspeitos de dengue em 2019. O número significa um aumento de 53 vezes ou 5,200% em relação ao mesmo período de 2018. Em relação à chikungunya, o aumento foi de 800% de um ano para o outro.

A cidade de Salgueiro está em surto epidêmico, enquanto outras três – Angelim, Custódia e Verdejante – estão em situação de alerta para as arboviroses. De acordo com o Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), o salto nas notificações pode ter relação com o padrão das epidemias em anos anteriores, que não chegaram com força ao Sertão. Por isso, nessa região há mais pessoas suscetíveis à infecção. “O Sertão, tanto no período de 2012 quanto no de 2015 e 2016, as epidemias anteriores, foi uma localidade que registrou um menor número de casos. No Agreste e na Região Metropolitana do Recife (RMR), teoricamente há mais pessoas imunizadas”, explica a gerente do Programa de Controle das Arboviroses da SES, Claudenice Pontes.

Na região de Salgueiro, para se ter uma ideia, a quantidade de casos de dengue registrados em 2018 foi nove até a semana epidemiológica sete, ou seja, até o dia 16 de fevereiro. “A situação epidêmica ocorre quando os números estão acima do limite máximo que se esperava para aquela localidade. A de alerta, como está a cidade de Custódia, é quando a quantidade de casos está na média, mas próximos desse limite. Desde a semana epidemiológica, final de janeiro, que identificamos esse aumento de casos e essa fuga do padrão”, acrescentou Claudenice Pontes. Também chama atenção o aumento nas notificações de dengue na 10ª Geres, com sede em Afogados da Ingazeira e que compreende mais 11 municípios (foram 10 notificações de dengue em 2018 e 36 em 2019, um aumento de 260%).

Segundo a gerente, foram realizadas buscas ativas na região para potencializar a identificação de casos suspeitos. Além disso, foi ativado o Comitê de Mobilização Social para toda a região do Sertão, realizadas reuniões para intensificar o controle vetorial, enviados pulverizadores para bloqueio e o carro fumacê para as áreas de maior risco. Também foi disponibilizado transporte para que as coletas sejam enviadas com maior velocidade para análise laboratorial e confirmação dos quadros no Recife.

A ação mais recente aconteceu ontem, com a capacitação de 300 profissionais para identificação de sinais de alarme das arboviroses e manejo clínico dos pacientes suspeitos. A atual situação epidemiológica do Estado foi apresentada aos profissionais de todas as regionais de saúde, via web conferência. A ideia é que os capacitados se transformem em multiplicadores das informações nos respectivos serviços. Os dados da situação do Sertão foram apresentados aos profissionais, sobretudo para que seja feita a identificação rápida dos casos, evitando assim o agravamento e um possível óbito.

“Fizemos um alerta para a questão da faixa etária e formas de identificar os sinais em uma criança. Os últimos surtos epidêmicos ocorreram em faixa etária adulta, essa é uma faixa que teoricamente está imunizada. As crianças, sobretudo aquelas que nasceram pós-período epidêmico de 2012, são faixas mais suscetíveis a infecções por arboviroses”, lembrou Claudenice Pontes. “Os pais ou responsáveis precisam ficar atentos para mudança no comportamento das crianças, que podem ficar molinhas, apresentar quadro febril, vômito, diarreia. Nessas situações, é preciso relembrar de manter a hidratação, indispensável para evitar o agravamento, e seguir imediatamente para um serviço de saúde”, avisa a infectologista pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) Regina Coeli.

O último surto epidêmico em Pernambuco ocorreu entre 2015 e 2016, quando houve a entrada em circulação local de novos dois vírus, zika e chikungunya, e o boom de casos que culminou com a síndrome congênita do zika. De acordo com Claudenice Pontes, o Estado estuda a realização de uma nova capacitação com os profissionais direcionada para a macrorregional do Sertão.

As suspeitas não descartam nenhuma das arboviroses, zika, chikungunya e dengue / Foto ilustrativa: Pixabay

Do JC Online

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) está investigando seis mortes por suspeita de arboviroses em 2019. Os casos foram notificados em Ipojuca, Custódia, Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes, Arcoverde e São Benedito do Sul.

Os casos são investigados para serem confirmados ou descartados pelo Comitê Estadual de Discussão de Óbitos por Dengue e outras Arboviroses de Pernambuco. Conforme protocolo, é feita investigação domiciliar e hospitalar da morte e das informações complementares do quadro clínico do paciente.

Segundo o boletim da pasta, divulgado nesta quarta-feira (20), os casos envolvem duas crianças, um adolescente e três adultos. Por enquanto, as suspeitas não descartam nenhuma das arboviroses, zika, chikungunya e dengue.

Em janeiro, a SES confirmou a suspeita da primeira morte por arbovirose do ano. A morte aconteceu em Ipojuca, no Grande Recife, e a vítima foi um homem de 46 anos. O óbito foi registrado no dia 8 de janeiro.

Na segunda-feira (18), a segunda morte por suspeita de arboviroses deste ano foi confirmada pela Secretaria. O caso foi registrado em Custódia, município do Sertão de Pernambuco.

Dados

Somando as três doenças transmitidas pelo Aedes, em 2018, Pernambuco registrou mais de seis mil casos confirmados. Este ano, até o dia 19 de janeiro, foram notificados 388 casos suspeitos para as três arboviroses, segundo dados da SES.

Dengue:

Casos notificados: 331

Casos confirmados: 5

Zika:

Casos notificados: 12

Casos confirmados: 1

Chikungunya:

Casos notificados: 45

Casos confirmados: –

Plano de combate às arboviroses

No final de janeiro, o Governo de Pernambuco lançou, em Serra Talhada, no Sertão do Estado, o Plano Estadual de Enfrentamento às Arboviroses 2019. Segundo o Governo, serão investidos R$ 7,9 milhões na compra de equipamentos, infraestrutura e educação para o combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Este ano, uma das estratégias adotadas pela SES será direcionada ao público infanto-juvenil, com a distribuição de 300 mil gibis da Turma da Mônica em escolas da Rede Estadual de Ensino.

O intuito é que os quadrinhos, produzidos pela editora Maurício de Souza, sejam utilizados como material didático, ensinando de forma lúdica a combater o mosquito e identificar sintomas das arboviroses transmitidas por ele. “Essa é uma campanha de prevenção, feita principalmente nas escolas a partir desse material, que vai ser distribuído e será uma fonte de informação muito importante para a conscientização da população”, pontuou o governador Paulo Câmara, no evento de lançamento. Os gibis devem ser entregues no início do ano letivo.

A prevenção  de doenças passa pela alimentação saudável

O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, comemorado hoje, 18 de fevereiro, é uma data que chama atenção para um dos principais problemas de saúde pública no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No País, estima-se que 15% da população tem problemas diretos com o álcool, então considerado um agressor direto do fígado, a partir das condições de embriaguez constante reforçadas por outros hábitos nada saudáveis.

Na prática, o fígado metaboliza cer­ca de uma dose de bebida alcoólica por hora, seja cerveja, vinho ou qualquer destilado. Assim, quem passa dos limites em tão pouco tempo sobrecarrega o órgão que, em longo prazo, sofrerá com lesões nas células hepáticas. Para piorar, raramente elas vão se recuperar, já que a tendência de um alcoólatra é ingerir por dias seguidos uma quantidade extrema de bebida. E se nada vai bem com este órgão, uma simples caipirinha, por exemplo, passa a ser absorvido pelo sistema gastrointestinal, irritando uma série de outras células.

“O fígado é responsável pelo metabolismo, principalmente o digestivo. Então, em geral, é ele quem elimina todas as substâncias tóxicas do corpo, a exemplo do álcool. Por isso que, em geral, a pessoa com ressaca sente náusea e vontade de vomitar, um sinal que o órgão responsável pela limpeza foi comprometido com carga alcoólica alta”, resume a nutricionista Helen Lima. Também não pense que escolher uma “bebida mais leve” fará diferença, ainda segundo especialistas. Algumas cervejas têm 6% de álcool, enquanto o vinho tem 12% e a cachaça 30%, em média. O que vai contar é a quantidade. Afinal, na prática, quanto “mais leve”, maior é a ingestão deste mesmo líquido, não?

Intoxicação

Por ser um purificador, o fígado está sujeito a todo tipo de intoxicação possível. Não apenas através da bebida alcoólica. O consumo de comidas gordurosas, pouca hidratação e sedentarismo formam o combo perfeito para distúrbios como a esteatose hepática, que é o acúmulo indevido de gordura, numa quantidade superior a 5%.

Se essa quantidade evoluir, entram em cena doenças graves como hepatite, cirrose e até câncer – exigindo, em muitos casos, o transplante de órgão. Mas tudo isso pode ser evitado, com mudanças que começam no próprio prato. “Importante consumir vitamina C, através de frutas cítricas, e legumes que desintoxicam, como brócolis, couve e repolho. Neste caso, seria interessante um suco verde. Não para ser consumido diariamente, mas três vezes por semana. Já os legumes, melhor cozidos a vapor, além de aumentar o consumo de água, sucos de fruta e água de coco”, sugere a nutricionista Iane Lira.

O certificado de erradicação é retirado quando se registra a transmissão da doença durante um ano / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil corre o risco de perder o certificado de erradicação do sarampo, obtido há três anos. Sem conseguir controlar a transmissão da doença e com baixa cobertura vacinal, o País tem no momento três Estados com surto: Amazonas, Roraima e, mais recentemente, o Pará. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, admitiu nesta quinta-feira (14) haver ainda risco de casos na Bahia, por causa do fluxo de transporte nesse período do ano.

Apesar do número expressivo de registros no País, é ainda baixo o porcentual da população imunizada. Dados preliminares do ministério indicam que metade das cidades não atingiu a meta de cobertura vacinal – igual ou superior a 95%.

No Pará, por exemplo, 83,3% dos municípios não atingiram a meta. Em Roraima, foram 73,3%; no Amazonas, 50%. “Estamos no precipício”, disse o ministro, ao se referir à cobertura de vacinas em geral no País. Numa reunião com secretários estaduais e municipais de saúde, observou que a situação é reflexo de uma sucessão de fatores.

O certificado de erradicação é retirado quando se registra a transmissão da doença durante um ano. A data-limite é a próxima segunda-feira, dia 18. A definição do status brasileiro, contudo, será conhecida só dias depois, com a confirmação da doença. Isso geralmente ocorre em um intervalo de até dez dias. Dentro do ministério, porém, o desfecho é dado como certo.

Primeiro caso

O primeiro caso de sarampo entre brasileiros ocorreu no dia 19 de fevereiro de 2018. Antes dessa data, o País já identificava alguns pacientes doentes – eram imigrantes da Venezuela. Mandetta observou que, se a cobertura vacinal fosse adequada, os casos seriam isolados. Houve, no entanto, surto da doença.

Ele ressaltou que a baixa cobertura vacinal não se resume ao sarampo – e lembrou de difteria e pólio. O ministério planeja uma grande campanha nacional pela vacinação. A ideia é aproveitar a mobilização contra a gripe e atualizar cadernetas. A ideia é de que esse anúncio seja feito para marcar cem dias do governo Jair Bolsonaro.

Gatos também são vítimas

Uma doença em progressão no Estado. Assim tem sido o comportamento da esporotricose, enfermidade dermatológica provocada por fungos do tipo Sporothrix transmitida por gatos adoecidos e pelo contato com terra contaminada. O quadro provoca nódulos inflamatórios e ulcerações graves na pele dos humanos e pode matar os animais rapidamente.

Para se ter uma ideia da elevação da esporotricose na população, foram registrados 13 casos em 2016, antes do protocolo. Com a nova vigilância o número subiu para 133 em 2017, ou seja, dez vezes mais. No ano passado, foram 176, o que representa um aumento de 1.254% em dois anos.

Desde 2017, Pernambuco vem verificando aumento de casos e começou um monitoramento sentinela, que incluiu a notificação compulsória de quadros suspeitos e a organização de uma rede de assistência à saúde. O Recife já discute com o Ministério Público medidas de controle que incluem a eutanásia de gatos de rua que tenham um grau avançado da doença.

“Quando implantamos um programa de vigilância, a gente faz tudo para que tenhamos muitos casos notificados para conhecer o real problema. A esporotricose em Pernambuco é muito nova em termos de vigilância, então, é normal que a gente tenha esse aumento de casos. Fazemos questão que os médicos notifiquem, porque só através disso é que a gente vai saber a magnitude do problema”, justificou o gerente de Zoonoses da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Francisco Duarte.

Ele destacou que a comunidade não pode culpar os animais por uma questão que também passa pela responsabilidade do dono desses pets.

“O gato não é o vilão da história. Ele se contamina porque está na rua. Gato não é portador. Ele é vítima como o homem”, defendeu. Francisco Duarte explicou que é preciso que o tutor dos gatos tome medidas que diminuíam as chances deles adoecerem e trazerem o fungo para dentro dos lares. Algumas soluções seriam a castração dos bichos e a manutenção deles no ambiente doméstico. “Eu acho que uma campanha de castração e outra para esclarecer a população que não se deve abandonar gatos nas ruas, ajudaria muito no controle da doença”, avaliou Duarte.

Para tentar chegar a um entendimento sobre como proceder com a esporotricose em animais de rua, o Centro de Vigilância Ambiental (CVA) do Recife está em tratativas com o MPPE e outras instituições ligadas à causa animal. Segundo o coordenador do CVA, Jurandir Almeida, a doença nos gatos tem cura, mas a taxa de reincidência é alta: de 30% a 40%. E mesmo em tratamento, os bichos ainda podem passar a doença, replicando exponencialmente novos casos entre eles e os humanos.

Os dois principais serviços públicos para o tratamento de humanos no Estado são o ambulatório de esporotricose do Hospital das Clínicas (HC/UFPE) e o ambulatório de doenças infecciosas e parasitárias do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc). Em ambos os casos, suspeitos têm se avolumado nos dois últimos anos. A principal forma de se proteger da doença é utilizar luvas para manejar o solo (já que outra forma de contágio é no manuseio da terra), e também utilizar equipamentos de proteção no caso de estar em contato com um gato doente.

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A Secretaria Estadual de Saúde (SES) acendeu a luz vermelha para intensificar o combate ao mosquito Aedes aegypti no Sertão do estado. Os técnicos do Programa de Controle das Arboviroses identificaram um aumento no número das notificações em três  das 12 regionais de saúde, todas no Sertão: Salgueiro, Afogados da Ingazeira e Arcoverde. Os dados coletados pela 7ª Gerência Regional de Saúde (Geres), sediada em Salgueiro, que reúne mais sete municípios, teve o maior aumento dos casos. Os dados apontam acréscimo 1.871% dos casos suspeitos de dengue em relação ao mesmo período do ano passado. O levantamento é relativo ao dia 2 de fevereiro deste ano. na mesma data em 2018, foram notificados sete casos de dengue. Neste ano já são 138. Houve ainda o registro de 14 casos de chikungunya contra três em 2018, e dois casos de zika, contra um no ano passado. 

Também chama atenção às notificações na 10ª Geres, com sede em Afogados da Ingazeira. Em 2018, foram 8 casos suspeitos, enquanto em 2019 já são 26, um aumento de 225%. Em relação à análise da presença de larvas nos imóveis, os municípios de Cedro, Afogados da Ingazeira, Brejinho, Carnaíba e Tabira estão em risco de surto, ou seja, com alta probabilidade de adoecimento da população. 

Até 2 de fevereiro foram notificados 855 casos de dengue em Pernambuco, uma redução de 39,1% em relação ao mesmo período de 2018. De chikungunya foram 129 notificações (- 56,7%) e 45 de zika (- 25%). “No estado como um todo o número diminuiu, mas em algumas Geres do Sertão houve um aumento nas notificações e estamos intensificando o combate do mosquito nessas regiões”, apontou Claudenice Pontes, gerente do Programa de Controle das Arboviroses. Com informações do Diário de Pernambuco.

Bolsonaro está internado desde o dia 27 e se recupera da cirurgia para a reversão da colostomia Foto: Reprodução

O Globo

O presidente Jair Bolsonaro teve febre (38ºC) na noite desta quarta-feira e, após ser submetido a exames, apresentou quadro compatível com pneumonia . A informação foi confirmada através do boletim médico do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde ele está internado desde a semana passada, e também pelo porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros. A origem do quadro é bacteriana.

Ontem, Bolsonaro foi submetido a uma tomografia de tórax e abdome evidenciou boa evolução do quadro intestinal após a reversão da colostomia (o procedimento foi realizado no dia 27 de janeiro). Para tratar o quadro de pneumonia, os médicos ajustaram a dose de antibióticos que está sendo administrada ao presidente e mantiveram os demais tratamentos.

No sábado, Bolsonaro apresentou quadro de náusea e vômitos devido ao acúmulo de líquido no estômago e passou a utilizar uma sonda neogástrica para fazer a drenagem do conteúdo. De lá para cá, nos últimos quatro dias, os boletins médicos constataram a estabilidade da saúde dele. Há dois dias, Bolsonaro chegou a utilizar as redes sociais para criticar o que chamou de “militância maldosa” em torno da própria recuperação, que, segundo ele, estava em “evolução plena”.  No domingo, com o início do tratamento com antibióticos, ficou confirmado que a internação deveria durar pelo menos mais uma semana.

O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, explicou que a pneumonia é bacteriana e não viral e confirmou o reajuste na dose do medicamento.

— Os médicos introduziram novo antibiótico de amplo espectro para debelar essa pneumonia.

Barros não soube dizer se a pneumonia vai ampliar o período de internação. Inicialmente, a previsão era que Bolsonaro deixasse a unidade de saúde cerca de 10 dias após a cirurgia —  a alta deveria ter acontecido na quarta ou na quinta-feira desta semana.

— Não sei se esse antibiótico agregado ao pacote (de tratamento) vai aumentar o prazo de permanência do presidente aqui.

O porta-voz não quis entrar em detalhes sobre as possíveis causas da pneumonia.

 —  Eles (médicos) têm algumas possibilidades identificadas mas não gostaria de avançar por se tratar de possibilidades.

Também revelou que Bolsonaro tem apresentado dificuldade para dormir.

 —  O presidente tem tido alguma dificuldade de dormir. Desde ontem os médicos estão pensando em auxiliá-lo de alguma forma,  disse, negando que Bolsonaro esteja tomando medicamentos para adormecer.

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Até o último dia 26, foram registrados 721 casos de pessoas que adoeceram com sintomas da doença. O volume é mais do que o dobro do número notificado (331 casos) na semana anterior (até o dia 19), segundo boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES), que tem se mobilizado para frear especialmente um surto que se espalha pelo Sertão. “O aumento está localizado na região, onde há um maior número de pessoas susceptíveis ao adoecimento por arboviroses. Para se ter ideia, só na Regional de Salgueiro (congrega sete municípios), foram notificados 81 casos de dengue este ano. No mesmo período do ano passado, foram apenas 6. Isso chama a atenção, pois a curva de incidência está ascendente, caracterizando um surto”, esclarece a gerente do Programa de Vigilância das Arboviroses da SES-PE, Claudenice Pontes. 

Segundo a gestora, no Sertão, percebeu-se uma incidência mais baixa de arboviroses nos últimos anos epidêmicos (2015 e 2016), o que faz os municípios da região apresentaram agora um maior risco de epidemia, pois tem uma maior parcela da população susceptível à infecção pelo Aedes aegypti por não estar imune aos vírus. “Ontem realizamos uma reunião, em Salgueiro, com representantes de várias secretarias, pois compreendemos que a situação requer engajamento com outros setores, como obras, saneamento e educação. E no município, chikungunya também tem lançado um alerta, pois temos recebido relatos de pessoas que adoeceram com sintomas compatíveis com a doença”, diz. 

O boletim também traça essa expansão da chikungunya. No Estado, em uma semana, os casos notificados praticamente triplicaram: saíram de 45 para 121. Segundo Claudenice Pontes, no próximo balanço epidemiológico, que será divulgado até amanhã, outras áreas do Sertão devem aparecer em situação semelhante à de Salgueiro. É o caso de Custódia. “No município, as unidades de saúde fizeram o alerta. Os profissionais perceberam que estavam atendendo um número maior do que o habitual de casos suspeitos de arboviroses. Isso deve aparecer no boletim referente à quinta semana do ano.”

Para Claudenice Pontes, o panorama atual se torna ainda mais crítico por causa das chuvas de verão, o que abre portas a locais propícios para a proliferação do Aedes. Historicamente as arboviroses são mais frequentes nos meses de elevadas temperaturas com chuvas mais intensas – uma combinação que propicia a eclosão de ovos do mosquito. “É importante a população ter cuidados para evitar depósitos com a presença de larvas. Além disso, é preciso olhar se quintais, jardins e terrenos possuem criadouros”, orienta a gestora. 

O clínico-geral Carlos Brito, professor da Universidade Federal de Pernambuco, considera também que o cenário atual das arboviroses no Estado requer vigilância redobrada. “Realmente dengue é uma candidata em potencial para uma próxima epidemia, pois Pernambuco está há muito tempo sem ter uma explosão de casos. Isso significa que há uma fatia expressiva da população susceptível à infecção, principalmente as crianças que não foram expostas a surtos anteriores”. 

Em São Paulo, onde casos de dengue também aumentaram, autoridades se preocupam com a predominância do sorotipo 2 do vírus. Em Pernambuco, em todo o ano passado, só foi identificado o sorotipo 1, mas a SES não exclui a possibilidade dos outros três sorotipos da dengue estarem circulando.

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Médicos brasileiros vão poder realizar consultas online, telecirurgias e telediagnóstico, entre outras formas de atendimento à distância, conforme a Resolução nº 2.227/18, do Conselho Federal de Medicina (CFM). O texto estabelece a telemedicina como exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde, podendo ser realizada em tempo real ou off-line.

Por meio de nota, o conselho avaliou que as possibilidades que se abrem com a mudança normativa são “substanciais”, mas precisam ser utilizadas por médicos, pacientes e gestores “com obediência plena” às recomendações. No âmbito da saúde pública, o órgão considera a inovação “revolucionária” ao permitir a construção de linhas de cuidado remoto, por meio de plataformas digitais.

“Além de levar saúde de qualidade a cidades do interior do Brasil, que nem sempre conseguem atrair médicos, a telemedicina também beneficia grandes centros, pois reduz o estrangulamento no sistema convencional causado pela grande demanda, ocasionada pela migração de pacientes em busca de tratamento”, destacou o CFM. A resolução deve ser publicada esta semana no Diário Oficial da União.

Para assegurar o sigilo médico, o texto estabelece que todos os atendimentos deverão ser gravados e guardados, com envio de um relatório ao paciente. Outro ponto destacado é a concordância e autorização expressa do paciente ou representante legal − por meio de consentimento informado, livre e esclarecido, por escrito e assinado – sobre a transmissão ou gravação de imagens e dados.

A teleconsulta é definida pela norma como consulta médica remota, mediada por tecnologias, com médico e paciente localizados em diferentes espaços geográficos. A primeira consulta deve ser presencial, mas, no caso de comunidades geograficamente remotas, como florestas e plataformas de petróleo, pode ser virtual, desde que o paciente seja acompanhado por um profissional de saúde.

Nos atendimentos por longo tempo ou de doenças crônicas, é recomendada a realização de consulta presencial em intervalos não superiores há 120 dias. No caso de prescrição médica à distância, a resolução fixa que o documento deverá conter identificação do médico, incluindo nome, número do registro e endereço, identificação e dados do paciente, além de data, hora e assinatura digital do médico.

A emissão de laudo ou parecer de exames, por meio de gráficos, imagens e dados enviados pela internet é definida pela resolução como telediagnóstico. O procedimento deve ser realizado por médico com Registro de Qualificação de Especialista na área relacionada ao procedimento.

A teleinterconsulta ocorre quando há troca de informações e opiniões entre médicos, com ou sem a presença do paciente, para auxílio diagnóstico ou terapêutico, clínico ou cirúrgico. É muito comum, segundo o CFM, quando um médico de Família e Comunidade precisa ouvir a opinião de outro especialista sobre determinado problema do paciente.

Na telecirurgia, o procedimento é feito por um robô, manipulado por um médico que está em outro local. A resolução estabelece, no entanto, que um médico, com a mesma habilitação do cirurgião remoto, participe do procedimento no local, ao lado do paciente, para garantir que a cirurgia tenha continuidade caso haja alguma intercorrência, como uma queda de energia.

A teleconferência de ato cirúrgico, por videotransmissão síncrona, também é permitida pela norma, desde que o grupo receptor das imagens, dados e áudios seja formado por médicos. Continue reading