Saúde

Uma nova era da medicina começará no Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco a partir deste mês. O hospital adquiriu um Da Vinci XI, o equipamento mais moderno em distribuição no mundo para realização de cirurgia robótica, e fará o primeiro procedimento até o fim deste mês. Um total de 10 médicos, dos quais cinco já certificados e outros cinco em treinamento, integrarão o corpo profissional que conduzirá essa nova experiência iniciada na unidade. Como em todo o mundo, o carro-chefe da robótica na instituição serão as cirurgias de próstata, sobretudo as de câncer de próstata, tipo de neoplasia que atingiu no ano passado 68 mil homens no Brasil.

Com a aquisição do XI, o Hospital Português terá a máquina de cirurgia robótica mais moderna do Nordeste. O robô chegou à instituição no começo deste mês e está em fase de instalação. “Essa é uma versão mais atualizada da máquina, com maior disponibilidade de tecnologia. No modelo SI, tudo precisava ser acoplado. Nessa nova versão, toda a tecnologia já vem acoplada, os detalhes são mais refinados. O calibre da cânula (tubo que é introduzido no corpo humano) é menor, então a incisão na pele termina sendo menor”, explicou o urologista e gerente da robótica do RHP, Clóvis Fraga (foto). A integração inclui imagens por fluorescência, selador de vasos e grampeador.

O novo modelo também permite ao cirurgião ao acesso a multiquadrantes, o que possibilita chegar a locais difíceis do corpo em cirurgias complexas. Com a combinação da funcionalidade de uma plataforma móvel, o carrinho cirúrgico pode ser colocado em qualquer posição ao redor do paciente. O Da Vinci XI também tem visão 3D ampliada, permitindo percepção em profundidade e gerando imagens cristalinas. “Cerca de 80% das cirurgias realizadas com o robô hoje são em urologia, com o câncer de próstata, pois é uma região com muitos vasos e que requer um alto nível de precisão”, afirmou o vice-provedor do RHP, Joaquim Amorim.

Fraga, além de manter a segurança das outras técnicas na questão da oncologia, a robótica permite resultados como a diminuição das chances de incontinência urinária e a maior possibilidade de preservação da potencial sexual, no quesito funcional. “O Da Vinci possibilita uma dissecção melhor dos tecidos. Além de tudo, traz uma recuperação mais rápida no pós-operatório, aumenta as chances de alta precoce e o retorno mais rápido às atividades habituais”, detalhou o médico.

O uso do XI não será destinado apenas à urologia. A equipe de médicos que conduzirá os procedimentos é multidisciplinar e composta por urologista, cirurgião bariátrico, cirurgião geral, coloproctologista, cirurgião torácico e ginecológico. Clóvis Fraga, que coordenará o serviço, possui fellowship no Institut de Recherche Contre le Cancer D’Appareil Digestif (Ircad), da França e três anos de experiência em cirurgia robótica em Pernambuco. Os profissionais estão realizando treinamento no Ircad América Latina, localizado no Rio de Janeiro.

Outras novidades

Também neste mês, começará a funcionar no RHP o segundo aparelho PET-Scan da unidade, um exame de tomografia capaz de realizar o mapeamento de diferentes substâncias químicas radioativas no organismo. “Quando adquirimos a primeira máquina, fazíamos entre quatro a cinco exames por dia. Hoje, são 20 a 25. A demanda é grande, por isso a necessidade de outro PET-Scan. Com ele, duplicaremos a nossa capacidade de realizar o exame”, afirmou Joaquim Amorim. Outra novidade anunciada pelo vice-provedor é relacionada a permanente expansão do hospital. Neste ano, começa a construção do décimo primeiro prédio do RHP, que será um centro dedicado a aglutinar os serviços de oncologia. Com informações do Diário de Pernambuco.

Este ano, até o dia 19 de janeiro, foram notificados 388 casos suspeitos para as três arboviroses / Foto: Pixabay

No boletim da terceira semana epidemiológica, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) confirmou nessa segunda-feira (28) a suspeita da primeira morte por arbovirose em 2019. A morte aconteceu em Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife, e a vítima foi um homem de 46 anos. O documento traz dados entre os dia 30 de dezembro de 2018 e 19 de janeiro de 2019.

Por enquanto, a suspeita não descarta nenhuma das arboviroses, zika, chikungunya e dengue. O óbito foi registrado no dia 8 de janeiro e, segundo a SES, será debatido pelo Comitê Estadual de Discussão de Óbitos por Dengue e outras Arboviroses para que todo o histórico do paciente seja analisado.

Os primeiros sintomas relatados pelo paciente foram febre alta, tosse e palidez. No início deste ano, os sintomas se agravaram. A febre voltou, acompanhada de náuseas e vômitos. Apesar de morar em Ipojuca, o primeiro atendimento do paciente foi em um hospital de Escada, Zona da Mata. De lá, ele foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento do Cabo de Santo Agostinho e em seguida para o Hospital Otávio de Freitas, no Recife.

Análises laboratoriais estão sendo feitas para confirmar a causa da morte. Segundo Juliana Serafim, diretora de Vigilância em Saúde de Ipojuca, apesar de os sintomas serem parecidos, há dúvida se realmente foi por alguma arbovirose. “Ele havia relatado que os primeiros sintomas, parecidos com os das arboviroses, começaram em outubro do ano passado. Depois, no dia 1º de janeiro deste ano, os sintomas pioraram e foi aí que ele deu entrada no hospital. Ele já vinha em processo de adoecimento desde outubro, isso é que difere de outros casos”, esclarece.

O homem era morador da Zona Rural de Ipojuca, área de baixo risco, segundo a diretora. “O índice nessas áreas é muito baixo. Se houve contaminação com o vírus das arboviroses, imaginamos que tenha sido durante alguma visita à área urbana”. 

Dados 

Somando as três doenças transmitidas pelo Aedes, em 2018, Pernambuco registrou mais de seis mil casos confirmados. Este ano, até o dia 19 de janeiro, foram notificados 388 casos suspeitos para as três arboviroses. (Dados da Secretaria Estadual de Saúde)

Dengue: 

Casos notificados: 331 

Casos confirmados: 5

Zika:

Casos notificados: 12

Casos confirmados: 1

Chikungunya: 

Casos notificados: 45

SES registra aumento de 24% nos casos de sífilis em Pernambuco / Foto: Reprodução / Internet

Com a proximidade do carnaval, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) alerta para cuidado com as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela SES, em 2017, houve um aumento de 24% nos casos de sífilis adquirida em Pernambuco: 1.805 homens e 1.470 mulheres foram infectados.

Os números são comparados ao ano de 2016, quando 1.386 homens e 1.246 mulheres contraíram sífilis. Um aumento total de 643 casos. Os dados de 2018 ainda não foram revelados pela SES.

HIV e AIDS

Até outubro de 2018, o número de casos de HIV e Aids caiu, em relação a 2017. 1.692 pessoas contraíram o vírus HIV e 445 desenvolveram a Aids. Em 2017, foram 2.697 casos de HIV e 1.001 pessoas que desenvolveram a Aids. Os dados ainda são preliminares e podem ser revisados, portanto, estão sujeitos a alteração.

Segundo a gerente do programa estadual de IST/AIDS/HIV, Camila Dantas, durante o ano, a SES promove ações de prevenção, controle e tratamento das infecções sexualmente transmissíveis. Em época de folia, Camila Dantas alerta sobre uso da camisinha para evitar as IST’s.

ISTs

As infecções sexualmente transmissíveis são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. São transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual sem o uso de camisinha masculina ou feminina, com uma pessoa que esteja infectada.

A transmissão de uma IST pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação. O atendimento e o tratamento são gratuitos nos serviços de saúde do SUS. Com informações da TV Jornal.

Com apenas 839 habitantes, o município de Borá (SP) lidera o ranking de gastos per capita na saúde, com R$ 2.971,92 gastos em 2017 / Foto: EBC

Levantamento divulgado hoje (21) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) revela que cerca de 2.800 municípios brasileiros gastaram menos de R$ 403,37 na saúde de cada habitante durante o ano de 2017. A análise mostra que esse foi o valor médio aplicado por gestores municipais com recursos próprios em Ações e Serviços Públicos de Saúde declaradas no Sistema de Informações sobre os Orçamentos Públicos em Saúde (Siops).

De acordo com os números, municípios menores, em termos populacionais, arcam proporcionalmente com uma despesa per capita maior. Em 2017, nas cidades com menos de 5 mil habitantes, as prefeituras gastaram em média R$ 779,21 na saúde de cada cidadão – quase o dobro da média nacional identificada.

Os municípios das regiões Sul e Sudeste foram os que apresentaram maior participação no financiamento do gasto público em saúde – consequência, segundo o CFM, de sua maior capacidade de arrecadação.

Pernambuco

Em 2017, Recife, que conta com uma população de 1.633.697 gastou 340,97 em média por habitante, segundo o documento. O valor é maior do que os gastos dos anos de 2013 a 2016, mas ainda abaixo da média nacional. 

No Estado, o menor gasto foi da Prefeitura de São Lourenço da Mata, que investiu apenas 91,75, o menor valor nos últimos quatro anos e o único abaixo da faixa dos R$ 100 em Pernambuco. A população do município é de 112.009 pessoas.

Já o maior investimento em saúde no ano de 2017 entre as prefeituras de Pernambuco foi o da cidade de Ipojuca, que gastou R$ 1.399,25 por habitante. Com uma população de 94.533 pessoas, Ipojuca foi à única com gasto superior a mil reais no Estado.

Ranking nacional

Com apenas 839 habitantes, o município de Borá (SP) lidera o ranking de gastos per capita na saúde, com R$ 2.971,92 gastos em 2017. Em segundo lugar aparece Serra da Saudade (MG), cujas despesas em ações e serviços de saúde alcançaram R$ 2.764,19 por pessoa.

Na outra ponta, entre os que tiveram menor desempenho na aplicação de recursos, estão três cidades de médio e grande porte, todas situadas no estado do Pará: Cametá (R$ 67,54), Bragança (R$ 71,21) e Ananindeua (R$ 76,83).

Entre as capitais, Campo Grande assume a primeira posição, com gasto anual de R$ 686,56 por habitante. Em segundo e terceiro lugares estão São Paulo e Teresina, onde a gestão local desembolsou, respectivamente, R$ 656,91 e R$ 590,71 por habitante em 2017.

Já as capitais com menor desempenho são Macapá, com R$ 156,67; Rio Branco, com R$ 214,36; Salvador e Belém, ambas com valores próximos de R$ 245 por pessoa.

A lista completa de municípios que participaram do levantamento pode ser acessada aqui.

Nunca é tempo de baixar a guarda contra os problemas carregados pelo Aedes (Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem)

Não são só os municípios com maior concentração de pessoas com dengue, chikungunya e zika que preocupam as autoridades de saúde e pesquisadores. Em Pernambuco, as cidades que registraram um menor volume de casos também estão no radar da Secretaria Estadual de Saúde (SES), que deve lançar (já com atraso) o Plano de Enfrentamento das Arboviroses 2019 ainda este mês. O documento apresentará estratégias que serão desencadeadas e intensificadas para o controle das doenças, com um olhar especial para o Sertão, onde se percebeu uma incidência mais baixa de arboviroses nos últimos anos epidêmicos, em comparação a outras regiões de Pernambuco.

“Esse panorama nos faz deduzir que são municípios onde há um maior risco de adoecimento, pois teria uma maior parcela da população susceptível (à infecção pelo Aedes aegypti) por não estar imune aos vírus”, explica o diretor-geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES, George Dimech. Ele acrescenta que a intenção do plano de enfrentamento deste ano é fortalecer a capacidade técnica dos municípios para que gestores se sintam preparados para atuar na prevenção dos casos e lidar com possíveis novas ondas epidêmicas. “Enquanto houver pessoas a adoecer (aquelas que nunca se infectaram e, por isso, não estão imune ao vírus) e mosquito circulando, sempre haverá riscos. Portanto, não devemos esmorecer as ações de prevenção e de vigilância, mesmo diante das reduções de casos, em comparações com os anos epidêmicos de 2015 e 2016.”

A SES ainda chama a atenção para o atual cenário de circulação do zika na população. Após o ano de 2017 sem confirmação de casos, 2018 chegou ao fim com 56 registros confirmados de adoecimento pelo vírus. Todas as regiões do Estado registraram notificação de casos – e houve registro da suspeita da doença em 117 municípios. Desses, 23 tiveram confirmações de adoecimento pelo vírus. Dessa maneira, o cenário passa longe do fim do risco de ocorrência de casos de zika e consequentemente de síndrome congênita do vírus, que tem a microcefalia como o sinal mais conhecido.

Professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o clínico-geral Carlos Brito alerta para a possibilidade de um novo ataque em massa do Aedes este ano. “Com base na experiência com dengue, as epidemias geralmente ocorrer a cada três ou quatro anos. Então, agora vivemos um risco real do reaparecimento de zika e chikungunya, cujas explosões de casos aconteceram, respectivamente, em 2015 e 2016”, frisa.

Para o médico, a percepção é de que o Estado não teria condições para enfrentar um novo surto de arboviroses. “Se pensarmos em chikungunya, ainda há muita gente em acompanhamento por causa de dores após dois ou três anos da fase aguda da doença”, acrescenta Brito, sem deixar dúvidas de que nunca é tempo de baixar a guarda contra os problemas carregados pelo mosquito.

Mosquito Aedes aegypti é o transmissor de zika, dengue e chikungunya — Foto: LM Otero/Arquivo/AP Photo

Três anos após o surto de microcefalia causada pela síndrome congênita do vírus da zika em Pernambuco, o estado registrou 1.440 notificações da doença, em 2018. O aumento foi de 73,5% em relação a 2017, quando houve 830 notificações.

Os dados sobre as arboviroses, doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, em Pernambuco foram repassados, nesta quarta-feira (09), pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). O levantamento abrange o período de 31 de dezembro de 2017 a 29 de dezembro de 2018.

Com relação às confirmações de zika em Pernambuco, o número saiu de zero para 56 casos. Em 2018, foram descartadas 1.218 notificações. As demais seguem em investigação. Dos 185 municípios pernambucanos, 117 tiveram casos de arbovirose.

Quanto aos casos de dengue, foram 22.397 casos notificados em 181 cidades de Pernambuco em 2018, contra 17.807 no mesmo período de 2017, um aumento de 25,8%. Houve 5.631 confirmações em 2018 e 5.672 no ano anterior, uma diminuição de 0,72%. Foram descartadas 10.008 notificações.

Em fevereiro de 2018, uma mulher de 53 anos morreu por causa da dengue. Esse foi o único registro de morte por arbovirose do ano. Em 2017, no mesmo período, foram notificados 121 óbitos suspeitos, mas o diagnóstico laboratorial positivo dos óbitos não necessariamente confirma a doença como causa da morte.

Também em 2018, foram registradas 3.246 suspeitas de chikungunya, uma redução de 38,1% com relação a 2017, quando houve 5.242 registros.

O número de confirmações chegou a 557 casos em 2018, o que equivale a uma diminuição de 50% em comparação aos 1.116 casos confirmados do ano anterior. Houve, ainda, 2.009 notificações descartadas.

1/3 não se apresenta no Mais Médicos

Cerca de 30% dos brasileiros inscritos no programa Mais Médicos para ocupar as vagas dos cubanos não se apresentaram aos municípios de trabalho até esta sexta-feira (14), quando vencia o prazo para que os profissionais comparecessem às cidades escolhidas. A situação fez o Ministério da Saúde prorrogar para a próxima terça-feira (18), a data limite para apresentação.

De acordo com a pasta, dos 8.411 médicos inscritos no edital, 2.520 não compareceram nem iniciaram as atividades nas cidades até às 17 horas desta sexta-feira. Outras 106 vagas do edital nem chegaram a ter interessados – a maioria em distritos sanitários indígenas.

Nesta sexta-feira, o ministério também anunciou a prorrogação do prazo para que brasileiros ou estrangeiros formados no exterior se inscrevam na segunda fase do edital. O prazo para esse grupo também vencia sexta-feira, mas foi prorrogado até domingo. Esses profissionais, que não têm registro profissional no Brasil, poderão ocupar as vagas que não tiveram candidatos brasileiros com registro no País.

De acordo com o órgão federal, 8.630 profissionais formados no exterior já se inscreveram no edital. Eles precisam entregar 17 documentos para poder participar do Mais Médicos.

Finalizado o período para apresentação dos brasileiros e de inscrição dos formados no exterior, as vagas remanescentes serão ofertadas de acordo com o seguinte cronograma: nos dias 20 e 21, médicos com registro brasileiro poderão escolher municípios com postos vagos e, nos dias 27 e 28, será a vez dos profissionais brasileiros formados no exterior. Para os profissionais estrangeiros formados no exterior, a escolha de vagas será nos dias 3 e 4 de janeiro do ano que vem.

Expectativa. Na avaliação do ministro da Saúde, Gilberto Occhi, a previsão é de que, com a prorrogação do prazo para apresentação, mais médicos inscritos compareçam. “A nossa expectativa é que de 20% a 30% daqueles que não se apresentaram podem, de fato, não comparecer. Mas, de qualquer forma, fizemos essa abertura prévia de edital para formados no exterior para ganhar tempo”, disse ele ontem, após participar de evento em São Paulo.

“Considerando que, do total de vagas, só 106 não tiveram interessados, acreditamos que outros profissionais com registro no Brasil ou brasileiros e estrangeiros formados no exterior vão ocupar essas vagas dos cubanos”, completou.

Cuba anunciou a saída do programa Mais Médicos no dia 14 de novembro, determinando o retorno de 8,3 mil médicos ao país caribenho.

Ministro diz que prefeituras terão de arcar com vagas

O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, declarou ontem que a reposição dos médicos que deixaram postos de saúde de uma cidade para migrar para o programa Mais Médicos em outro município será de responsabilidade da Prefeitura que perdeu o profissional.

Como o Estado mostrou no último dia 29, pelo menos um terço dos brasileiros inscritos no Mais Médicos deixou vagas em Unidades Básicas de Saúde, criando déficit em outras localidades. “O País está apoiando os municípios assumindo o encargo de alguns médicos, mas não faz sentido para o governo suprir todos os programas e todas as Unidades Básicas de Saúde. Isso é responsabilidade dos municípios”, declarou Occhi.

Para o ministro, as cidades que possuíam médicos, mas os perderam para o programa federal, já tinham alguma atratividade para profissionais, o que indica que as prefeituras devem encontrar outros interessados. Com informações do Estado de S.Paulo.

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Em Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Bahia, mais da metade dos profissionais que preencheram as vagas dos cubanos no Mais Médicos já trabalhava em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do país e apenas migrou de um posto de saúde onde era servidor municipal para outro onde passa a ser integrante do programa federal. Assim, postos que tinham equipes completas agora enfrentam déficit de profissionais.

É o que mostra levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo junto a conselhos de secretarias municipais de saúde (Cosems) em sete estados. O salário pago pelo programa federal costuma ser maior do que o oferecido por cidades pequenas. Além disso, os profissionais dizem ter mais estabilidade no Mais Médicos e contar com auxílio para pagar aluguel, transporte e alimentação.

Dos 13 conselhos contatados, dez disseram ter registrado em seus municípios a migração de profissionais, dos quais sete levantaram o número de casos do tipo. Nesses estados, 58% das vagas preenchidas foram ocupadas por médicos que já atuavam na atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Os sete Cosems analisaram os vínculos de trabalho anteriores de 1.489 médicos que aderiram ao Mais Médicos e verificaram que 863 deles trabalhavam em postos de saúde de outras cidades ou estados.

Números completos do ministério

A situação fez o presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira, se reunir na quarta-feira (28) com membros do Ministério da Saúde para apresentar o problema. A pasta solicitou ao conselho um levantamento nacional dos números de profissionais que migraram de uma UBS para outra. O conselho pretende apresentar na sexta-feira (30) os números completos ao ministério. “Estamos muito preocupados. Talvez seja preciso fazer mudanças no edital para evitar que a chegada dos médicos desorganize todo o sistema de saúde”, declarou Diego Espindola de Ávila, diretor do Conasems.

Enquanto isso, municípios contabilizam perdas de médicos migrando para o programa federal. Em Pernambuco, de 110 novos médicos inscritos no programa, 71 já tinham vínculo com a atenção básica em outro município. “Do ponto de vista da saúde pública, estamos trocando seis por meia dúzia”, relata Orlando Jorge Pereira de Andrade Lima, presidente do Cosems-PE e secretário municipal de Saúde de Paudalho, onde os três médicos que chegaram para substituir os cubanos vieram de postos de saúde de outras cidades. “Dois vieram de municípios pernambucanos e um, do Maranhão”, conta Lima.

No Rio Grande do Norte, das 139 vagas abertas no estado após a saída dos médicos cubanos, 98 delas foram preenchidas por médicos que estavam ligados às equipes do programa ESF em outras localidades, como Mirella Medeiros. Segundo a coordenadora da Comissão do Mais Médicos no Rio Grande do Norte, Ivana Fernandes, dos 98 médicos que migraram, 82 já atuavam no Estado e os outros 16 desempenhavam a mesma função em Estados vizinhos, como a Paraíba. “Com equipes sem formação completa, não há repasse de recursos pelo Ministério da Saúde para pagamento de salários. Sem esses profissionais, as equipes correm o risco de ser extintas”, declara Ivana.

Emprego estável com rendimentos maiores

A possibilidade de ter um emprego estável com rendimentos superiores aos pagos no programa Estratégia Saúde da Família (ESF) fez a médica Mirella Medeiros, formada recentemente pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), migrar para o Mais Médicos. “Principalmente porque existe a instabilidade de estar numa prefeitura sem ser efetivo. Há influência política, de quem está na Secretaria de Saúde, e nem sempre sabemos se continuaremos no cargo. Além do salário, claro, que é melhor. O Mais Médicos é um emprego federal”, diz a profissional, ao explicar por quais motivos efetivou a mudança de programa.

Mirella deixou a ESF na cidade litorânea de Touros e passará a atuar, no início de dezembro, no município de Pedro Avelino, distante 139 quilômetros da capital, Natal. Por mês, em média, um médico do programa Estratégia Saúde da Família ganha R$ 8.750, enquanto no Mais Médicos o valor pago ao profissional é de R$ 11.865, com menos descontos em folha de pagamento por ser tratado como uma bolsa pelo governo federal – os profissionais são obrigados a concluir uma especialização em saúde da família.

Resolvendo um problema e criando outro

Na Paraíba, o levantamento revela que, das 128 vagas abertas com a saída dos cubanos do estado, 98 foram preenchidas por médicos que já atuavam em outro município. “A gente está resolvendo um problema, mas criou outro, mais sério”, disse a presidente do Cosems no Estado, Soraya Galdino.

Na Bahia, das 745 vagas já preenchidas, 427 serão ocupadas por médicos que pediram exoneração de outros postos. Reinaldo Braga Filho, prefeito de Xique-Xique, no norte do estado, conta que, do dia para a noite, se viu sem sete dos 12 médicos da Estratégia Saúde da Família (ESF), que optaram pelo programa federal. “Eles alegaram que as condições do Mais Médicos são mais vantajosas.”

No Ceará, dados parciais mostram que 194 vagas oferecidas pelo programa foram acompanhadas por 90 exonerações. O Amazonas informou que, dos 95 primeiros médicos alocados em seus municípios, 27 vieram de outras UBSs. O Acre tem 52 de 78 vagas preenchidas por médicos que migraram de uma Prefeitura para outra. Os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Maranhão também disseram ter registrado a situação.

Questionado, o Ministério da Saúde informou que o edital prevê regras específicas para os médicos que já atuam no programa Estratégia Saúde da Família. Uma delas é a que obriga um médico que decida migrar para o Mais Médicos a continuar em um município com perfil igual ou mais vulnerável. A pasta não respondeu se pretende mudar as regras do edital nem o que fará em relação às vagas que ficaram vazias.

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Já é cotidiano acordar e pegar o celular ou até mesmo passar horas em frente a um computador ou tablet. Esses hábitos se tornaram rotina na vida das pessoas, porém tais práticas podem causar problemas à saúde ocular dos usuários. A sociedade oftalmológica tem se preocupado com a incidência de problemas decorrentes de excessiva exposição à luz dos eletrônicos e alerta sobre os cuidados que devem ser tomados. 

A luz violeta emitida pelos eletrônicos são verdadeiros vilões, pois a falta de capacidade da córnea em filtrar esse tipo de eletromagnética faz com que os olhos fiquem em superexposição. Dessa forma, a iluminação pode danificar a retina e causar dificuldades na visão que provocam incômodos no dia-dia. 

“O uso excessivo de smartphones, computadores e outros eletrônicos é uma forma de esforçar a musculatura do olho. Todos os objetos luminosos podem favorecer o ressecamento do olho ou causar o lacrimejamento. No trabalho focado em frente ao computador, involuntariamente as pessoas piscam bem menos, o que acarreta no ressecamento do olho. O uso excessivo também pode causar a chamada Síndrome do Computador que tem como sintomas dor de cabeça, olho seco, vermelho e irritado”, explica o médico oftalmologista e vice-diretor da Sociedade de Oftalmologia de Pernambuco (SOPE), Bernardo Cavalcanti. 

Para controlar a irritação nos olhos, muito fazem uso do colírio. Sobre essa substância, o vice-diretor da SOPE diz que eles são apenas paliativos que ajudam na irritação, desconforto e reduz o vermelhão. “O colírio não está tratando da causa do paciente, mas está dando a ele uma forma de interagir melhor. O que ajuda mesmo é o uso controlado dos equipamentos”, explica o médico.  

A fim de diminuir os problemas acarretados pela luminosidade de eletrônicos nos olhos, o especialista dá dicas. “Usar os aparelhos em baixa luminosidade, trabalhar sempre com o celular na posição mais baixa que os olhos são algumas dicas. Além disso, ao usar o aparelho por muito tempo, é sempre bom fazer alguns intervalos de 15 a 20 minutos, ou olhar para algo mais distante, pois geralmente os aparelhos estão muito próximos dos olhos. Outra dica muito importante é lembrar-se de piscar os olhos continuamente”, completou o médico Bernardo Cavalcanti. Para a saúde ocular, os especialistas também recomendam ir ao oftalmologista regularmente e fazer uso de óculos com lentes originais.

O novo edital do Mais Médicos, aberto após a decisão de Cuba de se retirar do programa, já efetivou 224 profissionais. De acordo com o Ministério da Saúde, 200 já se apresentaram às Unidades Básicas de Saúde e estão trabalhando. No total, foram abertas 8.517 vagas.

A lista com a localização e a quantidade de médicos por cidade foi divulgada na segunda-feira (26) pelo Ministério da Saúde.

Não há a informação se todos eles são brasileiros. O que se sabe é que os profissionais tem registro no Conselho Regional de Medicina ou foram aprovados no Revalida.

Eis a lista com o número de médicos contratados para os poucos municípios de Pernambuco até o presente momento e onde atendem:

Agrestina (1), Bodocó (1), Carpina (2), Moreno (1), Recife (3), e São Vicente Ferrer (1).

Na noite desta segunda-feira, uma semana após o edital ser lançado, o ministério informou que 97,2% das vagas ofertadas já haviam sido. Segundo o órgão 8.278 das 8.517 vagas já estavam alocadas para atuarem de forma imediata. As inscrições ficarão abertas até 7 de dezembro.

Para que todos os Estados e municípios brasileiros tenham suas necessidades asseguradas, o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, disse que estuda realocar médicos que já integram o programa Mais Médicos para locais que não tiverem a adesão de novos profissionais.

O relatório destaca a necessidade de controlar o mosquito Aedes aegypti de forma integrada e multissetorial, considerando que o  mesmo espalha várias doenças

Todos os municípios do país promovem, a partir deste domingo (25), diversas ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, como visitas domiciliares, mutirões de limpeza e distribuição de materiais informativos. A Semana Nacional de Combate ao Aedes será realizada até a próxima sexta-feira (30), sendo a sexta o dia D de combate ao mosquito.

No total, 210 mil unidades públicas e privadas estão sendo mobilizadas, sendo 146 mil escolas da rede básica, 11 mil centros de Assistência Social e 53 mil unidades básicas de Saúde (UBS), informou o Ministério da Saúde.

Estados e municípios já foram orientados pela Sala Nacional de Coordenação e Controle do ministério para que promovam nas comunidades atividades instrutivas sobre a importância do combate ao mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Entre as atividades planejadas para a semana estão visitas domiciliares, distribuição de materiais informativos e educativos, murais, rodas de conversa com a comunidade, oficinas, teatros e gincanas.

“A mobilização pretende mostrar que a união de todos, governo e população, é a melhor forma de derrotar o mosquito, principalmente de novembro a maio, considerado o período epidêmico para as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Nesse período, o calor e as chuvas são condições ideais para a sua proliferação”, acrescenta o ministério.

“O verão é o período que requer maior atenção e intensificação dos esforços para não deixar o mosquito nascer. No caso da população, além dos cuidados, como não deixar água parada nos vasos de plantas, é possível verificar melhor as residências, apoiando o trabalho dos agentes de endemias. Esses profissionais utilizam técnicas simples e diferenciadas para vistoriar as casas, apartamentos e espaços abertos”, explica o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, Divino Martins.

Os dados nacionais mostram redução de casos nas três doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, entre janeiro e novembro de 2018, em comparação com o mesmo período de 2017. Porém, alguns estados apresentam aumento expressivo de casos de dengue, zika ou chikungunya. Por isso, é necessário intensificar agora as ações de eliminação do foco do mosquito, para evitar surtos e epidemias das três doenças no verão.

As ações de prevenção e combate ao Aedes aegypti são permanentes e tratadas como prioridade pela pasta da Saúde. Desde a identificação do vírus zika no Brasil e sua associação com os casos de malformações neurológicas, o governo federal mobilizou todos os órgãos para atuar conjuntamente. Além disso, os governos estaduais e municipais participam da mobilização.

Dengue, chikungunya e zika

Segundo o Ministério da Saúde, até 3 de novembro foram notificados 223.914 casos de dengue em todo o país, uma pequena redução em relação ao mesmo período de 2017 (224.773). A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 107,4 casos por100 mil habitantes. Em comparação ao número de óbitos, a queda é de 23,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 172 mortes em 2017 para 132 neste ano. No total, 12 estados apresentam aumento de casos em relação ao mesmo período do ano passado.

Também foram registrados 81.597 casos de febre chikungunya, o que representa taxa de incidência de 39,1 casos por 100 mil habitantes. A redução é de 55,4% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 182.920 casos. A taxa de incidência no mesmo período de 2017 foi de 87,7 casos por 100 mil habitantes. Neste ano, foram confirmadas em laboratório 35 mortes. No mesmo período do ano passado, foram 189. No total, sete estados apresentam aumento de casos em relação ao mesmo período de 2017.

Foram registrados ainda 7.544 casos prováveis de zika em todo o país, uma redução de 54,6% em relação a 2017 (16.616). A taxa de incidência passou de 8,0 em 2017 para 3,6 neste ano. No total, sete estados apresentam aumento de casos em relação ao mesmo período de 2017. Entre eles, destaca-se o Rio Grande do Norte, com 14,9 casos por 100 mil habitantes.

A investigação desse tipo de doença exantemática (manchas vermelhas na pele) leva em consideração a hipótese de que possa ser uma forma atípica de zika, transmitida pelo Aedes aegypti / Foto: Pixabay

Após dezenas de relatos de médicos das emergências de hospitais públicos e particulares de Pernambuco, especialmente do Recife, sobre casos de pacientes com doença exantemática ou rash (manchas vermelhas em uma região específica do corpo ou por toda a pele), a Secretaria Estadual de Saúde (SES) realizou reunião com um grupo de profissionais para iniciar a investigação do quadro, que não apresenta causa definida e tem acometido as crianças com maior frequência. O plano de ação inclui o monitoramento dos registros desses casos de rash, que pode ter relação com diversos agentes. “Entre as hipóteses, há aquelas que mais prevalecem e outras nem tanto. As suspeitas que predominam são o zika, os parvovírus e os enterovírus, mas outras possibilidades de diagnóstico também são consideradas, em mesma intensidade, na investigação”, avisa o diretor-geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES, George Dimech.

A discussão entre os especialistas organizada pela secretaria ocorreu na quarta-feira (07). Ontem foi divulgada, pela SES, uma nota técnica (documento que estabelece diretrizes, alerta e orienta os serviços assistenciais de saúde sobre ocorrência de eventos específicos) que propõe a realização de uma investigação epidemiológica padronizada. “A nota é importante porque norteará o que é possível ser feito para investigar os casos e esclarecerá sobre a realização de exames que darão o diagnóstico. Tudo indica que é um quadro viral, mas ainda é inespecífico”, frisa a infectopediatra Regina Coeli Ramos, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), que tem acompanhado pacientes.

Doença autolimitada

Os casos, segundo os médicos, são autolimitados (melhoram espontaneamente após alguns dias). “Os sintomas nos levam a pensar se pode ser considerada uma forma atípica de zika, o que pode ocorrer em um possível novo surto seguinte ao primeiro (de 2015)”, diz o clínico-geral Carlos Brito, integrante do Comitê Técnico de Arboviroses do Ministério da Saúde. Para o médico, o fato desse tipo de rash ser mais evidente nas crianças é explicado (levando em consideração a hipótese de ser um caso atípico de zika) por um fenômeno que ocorre no Brasil: as epidemias iniciais de arboviroses acometem mais os adultos do que a população infantil. Ou seja, num cenário de novo surto, as crianças são as que estão mais susceptíveis porque não adoeceram anteriormente – ou seja, não têm imunidade. “Isso aconteceu com dengue: primeiramente adoeceram com mais frequência os adultos e, em anos seguintes, o grupo pediátrico, abaixo dos 12 anos. Não tem uma explicação muito lógica, mas é o que tem ocorrido quando analisamos epidemiologicamente o histórico das epidemias de dengue”, acrescenta Brito.

A investigação conduzida pela SES já estruturou uma vigilância em algumas unidades de saúde. “Todos os pacientes sintomáticos (com rash que se assemelha ao quadro em investigação) desses serviços deverão ser notificados. Eles também passarão por coleta de amostra (de sangue) para realização de exames laboratoriais”, destaca George Dimech. O perfil do paciente, a duração, a intensidade dos sintomas também serão considerados. “Vamos fazer um resgate dos casos que já foram percebidos pelos clínicos, estruturar uma vigilância para as notificações serem feitas (de forma sistematizada) e para as amostras de exames serem enviadas ao laboratório.” A SES reforça que não sabe quanto tempo deve durar a análise dos casos. “Ainda é cedo para prever a conclusão da investigação”, conclui George.

Leitores hospitares

O Brasil perdeu, nos últimos dez anos, seis leitos hospitalares por dia. São 23.088 vagas a menos, conforme estudo preparado pela Confederação Nacional dos Municípios e obtido pelo Jornal Estado de S.Paulo. E mostra o descompasso entre público e privado.

No Sistema Único de Saúde (SUS), foram fechadas 41.388 vagas, 12% do número apresentado em 2008. Já a rede particular apresentou tendência inversa e ampliou a capacidade em 18.300 leitos. 

A tendência de redução geral das vagas é explicada por especialistas, em parte, pela mudança no atendimento psiquiátrico. No passado, ele era centrado no ambiente hospitalar e, graças ao movimento antimanicomial, passou a ser feito prioritariamente nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). “Dos 41 mil leitos fechados na década, 21 mil eram psiquiátricos”, afirma a consultora da CMN Carla Albert. 

Ela observa, no entanto, que em grande parte das demais especialidades, a redução do atendimento hospitalar está longe de ser um bom sinal. “Muitas vezes, representa falta de recursos e, sobretudo, dificuldade de acesso da população a um atendimento indispensável.”

Na pediatria e obstetrícia, por exemplo, a oferta de leitos minguou de forma expressiva. No caso de vagas para atendimentos de crianças, a redução de leitos SUS no período entre 2008 e 2018 foi de 26%. Na obstetrícia, a redução na capacidade de atendimento hospitalar foi de 16,87%. “Em um momento em que o número de nascimento de bebês prematuros aumenta, é difícil explicar a redução de leitos”, afirma Clóvis Constantino, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Carla lembra que, embora as vagas em Hospital Dia tenham aumentado, elas ainda são pouco expressivas. Em 2018, havia 5.347, ante 4.213 registradas em 2008. “O receio é de que a desativação de leitos tenha ocorrido sem a devida organização da rede ambulatorial. Basta ver as filas que ainda existem para alguns procedimentos.”

Para a consultora da Confederação Nacional dos Municípios, parte da desativação dos leitos ocorre não por razões técnicas, mas econômicas. “E isso desorganiza o sistema. Basta ver as ações judiciais para garantir o atendimento.”

Além da Psiquiatria, Carla cita que a redução de vagas é justificada no caso da dermatologia e da endocrinologia. “Basta ver o atendimento para pessoas com hanseníase. Hoje, é feito exclusivamente em ambiente ambulatorial.” Carla questiona, porém, a estagnação das vagas em Cardiologia. Em dez anos, apenas 23 foram abertas.

Justificativas

O Ministério da Saúde informou que a tendência mundial é de desospitalização. “É importante ressaltar que a redução no número de leitos gerais não afetou a oferta assistencial e a produção aprovada nos sistemas de informação do SUS. A quantidade de internações aprovadas no sistema em 2008 foi de 11,1 milhões e em 2017, de 11,6 milhões.”

Queda

16.359 leitos foram fechados na Pediatria clínica, uma das especialidades mais afetadas.

Gabriel de Paiva

Um estudo inédito das universidades americanas Harvard e Yale, em parceria com o Centro de Direitos Reprodutivos de Nova York, revela que a busca por abortos no Nordeste subiu de 36% para 106%, desde o alerta da Zika como emergência de saúde pública, entre novembro de 2015 e março de 2016.

O estudo, que será publicado nesta quarta-feira (17), pela FGV, também mostra a dificuldade das mulheres em conseguir fazer o aborto legalizado. Em muitos dos casos, os médicos se recusaram a realizar a prática por convicção religiosa e também houve relatos de ameaças às mulheres que buscaram atendimento clandestino.

Os pesquisadores também consideram que é alta a possibilidade de haver outra epidemia de Zika no próximo verão, por causa do El Niño, que terá as mesmas características do da época que causou o alerta em 2016.

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O mais recente “mapa das arboviroses” em Pernambuco revela uma ascensão na incidência de dengue, chikungunya e zika nos nove primeiros anos de vida. Com quase 22 mil notificações das arboviroses ao longo de dez meses este ano, o Estado tem taxa de 196 registros (considerando a soma dos casos prováveis das três doenças) por 100 mil habitantes entre 0 e 4 anos. Na faixa etária seguinte, de 5 a 9 anos, esse índice chega a ser maior: 204,7. Os dados estão no boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES), que considera os dados até o último dia 6. Em meses anteriores, a curva de adoecimento já dava indícios de aumento na população infantil: no fim de maio, a incidência atingiu a taxa de 107,3 (0 a 4 anos) e 113 (5 a 9 anos). O índice subiu ainda mais em agosto, alcançando 177 para cada uma desses dois grupos. 

“Mais importante do que considerar o número total de casos de arboviroses é observar onde e em que faixa etária os registros têm sido mais expressivos. Atualmente chama a nossa atenção a incidência aumentada nas crianças até os nove anos”, destaca a gerente do Programa de Vigilância das Arboviroses da SES, Claudenice Pontes. Em números absolutos, o retrato atual (dados até o último dia 6) do adoecimento provocado possivelmente pelo Aedes aegypti é mais significativo em idade produtiva (dos 20 aos 39 anos), cuja incidência é menor do que na população infantil. Entre os adultos desse grupo etário, são 112 novos casos a cada 100 mil habitantes.

“A maior circulação dos vírus entre as crianças pode levar a um risco aumentado de casos graves nessa faixa etária. Como a dengue, por exemplo, já circula há muito tempo, existem várias pessoas imunes (aos sorotipos da doença). Mas há mais pessoas compondo a população (aquelas nascidas após as epidemias, por exemplo), que nunca foram expostas ao vírus e permanecem suscetíveis ao adoecimento”, esclarece a médica pediatra Cynthia Braga, pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública do Instituto Aggeu Magalhães, unidade da Fiocruz em Pernambuco. Ela é coordenadora do Inquérito de Arboviroses do Recife, pesquisa em andamento cujo objetivo é traçar um panorama inédito dos casos novos e antigos, em diferentes níveis socioeconômicos e faixas etárias, das três doenças transmitidas pelo Aedes.

Para Cynthia, apesar de os números oficiais mostrarem que existem uma cocirculação dos vírus das arboviroses no Recife, os pesquisadores ainda não sabem com precisão como está o status imunológico (especialmente em relação à zika) da população que vive na capital. Neste ano, até o dia 22 de setembro, o município notificou 2.308 casos de arboviroses (1.815 de dengue, 426 de chikungunya e 67 de zika). Entre esses casos suspeitos, foram confirmados 736 casos de dengue, 231 de chikungunya e 6 de zika. Os bairros que despontam com maior incidência (por 100 mil habitantes) são: Ilha do Leite (187), Bairro do Recife (159), Morro da Conceição (101) e Mangabeira (98).

PREVENÇÃO

A incidência geral das três arboviroses, na população pernambucana, é de 116 – menor do que a taxa usada como parâmetro pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para sinalizar uma situação de epidemia (ao menos 300 casos a cada 100 mil habitantes). “Não estamos num surto (das três doenças), mas precisamos cuidar antes dos casos atingirem essa proporção, especialmente pelo fato de assistirmos agora a um cenário de aumento dos casos fora do padrão esperado para este período, considerado mais tranquilo, se levarmos em consideração a série histórica (da dengue) dos últimos dez anos”, alerta Claudenice. 

Ela ressalta que a ascensão tem sido observada especialmente nos municípios do Sertão, onde foi detectado alto índice de infestação do Aedes. “Os municípios das Regionais de Saúde 7 e 10 (cujas sedes ficam, respectivamente, em Salgueiro e em Afogados da Ingazeira) são os que mais têm registrado aumento no número de casos, em comparação com o mesmo período do ano passado .” Até o último dia 6, por exemplo, a Regional 7 (Belém do São Francisco, Cedro, Mirandiba, Salgueiro, Serrita, Terra Nova, Verdejante) teve 321 notificações de dengue e 136 de chikungunya. No mesmo período de 2017, considerando, respectivamente, as mesmas doenças, o número de casos foi de 99 e 41. Ou seja, houve aumento de 224% (dengue) e de 231% (chikungunya) nessa regional.