O presidente nacional do MDB, Romero Jucá Foto: Jorge William / Agência O Globo

ÉPOCA

Na contramão de partidos que buscam endurecer seus códigos de ética, o MDB decidiu em reunião da Executiva Nacional nesta quarta-feira (21), não alterar seu Estatuto e nem seu Código de Ética. Ficou decidido que as mudanças devem ser conduzidas pela nova presidência, a ser escolhida na convenção de 6 de outubro.

Marcada por escândalos, como a prisão do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (RJ), a legenda tinha a intenção de incluir em seu estatuto a previsão de desligamento automático de filiados condenados em segunda instância. Em caso de prisões, a ideia era o afastamento temporário. O partido também queria dar mais espaço às mulheres e a jovens, além de manter a defesa da agenda econômica.

Agora, essas mudanças ficarão a cargo do novo presidente. A tendência é que o presidente nacional do MDB, o ex-senador Romero Jucá (MDB-RR), passe o bastão em outubro. A sua sucessão tem sido motivo de quedas de braço internas no MDB. Essas guerras passam pelas bancadas da Câmara e do Senado e também pelos governadores da sigla.

A decisão de empurrar as mudanças impõe uma derrota ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Ele tentava alterar o estatuto para permitir que governadores pudessem concorrer ao posto. Ibaneis pretendia assumir a legenda. Hoje, o texto veda membros do Executivo no comando da sigla. Além de Ibaneis, o MDB tem os governadores do Pará, Helder Barbalho, e de Alagoas, Renan Filho. Todos se colocaram à disposição para presidir a legenda.

Na Câmara, a disputa que era liderada pelo ex-deputado federal Daniel Vilela (GO) passou para as mãos do líder do MDB, Baleia Rossi (SP). Ele está entre os favoritos a assumir a legenda, devido seu perfil capaz de “unificar” a sigla. O nome do ex-ministro Carlos Marun também chegou a ser ventilado por aliados do ex-presidente Michel Temer. Historicamente, a presidência do MDB é comandada por um deputado enquanto a tesouraria da sigla fica sob os cuidados de um senador.

Quem assumir o comando do MDB em outubro vai gerir um orçamento de R$ 282,7 milhões só com o fundo eleitoral para as eleições municipais de 2020. À frente do processo, Jucá prega união e reciclagem da vida partidária.

“Estamos discutindo um novo estatuto e uma revisão programática. O partido precisa de unidade para enfrentar um grande desafio que vem pela frente: as eleições municipais. Somos grandes no país, mas precisamos sair maiores para retomar nossa força no Congresso”, disse Jucá, há duas semanas.

O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), e o senador Renan Calheiros (AL) também pregam renovação.

“As ideias precisam voltar a permear o MDB, que teve um peso fundamental na transição democrática, além da participar da Constituição, com tantos avanços sociais”, afirma Braga.