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O Ministério público de Pernambuco (MPPE) convidou órgãos ligados à agropecuária do Vale do São Francisco para chegarem a uma conclusão sobre as mortes de abelhas na região. Segundo dados da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), milhares de abelhas foram encontradas mortas em locais distintos. O caso está sendo acompanhado pela promotora de Justiça Rosane Moreira Cavalcanti. Para o encontro estão convidadas a Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa); a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); e as Agências Nacional (Anvisa) e Municipal de Vigilância Sanitária.

De acordo com o Centro de Manejo de Fauna da Caatinga da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Cemafauna – Univasf), em setembro do ano passado, criadores de abelhas da região procuraram a instituição para investigar o motivo da morte e desaparecimento dos insetos. A partir de então a situação vem sendo analisada pela pesquisadora Aline Andrade e Silva, da Univasf.

“Diversos fatores podem estar relacionados, como a redução da vegetação natural que vem dando espaço a monocultura dos tradicionais cultivos aqui da região, ao mesmo questões climáticas. No entanto, as análises iniciais feitas nas abelhas mortas e no mel, comprovam a presença de resíduo de substâncias químicas nas áreas cuticulares (pele) de abelhas e no próprio mel”, explicou a bióloga que tem pós-doutorado em genética e evolução de abelhas. O estudo está em andamento e ainda não há conclusões sobre a causa das mortes. Os materiais colhidos são analisados em parceria com a Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, e a Universidade de Cardiff, na Inglaterra. Já foram analisados 468 lotes de mel e 1003 abelhas encontradas mortas em locais distintos. Até o fim deste ano, a equipe técnica da Cemafauna divulga um relatório conclusivo sobre o caso.

Além de ter papel importante no ecossistema pela polinização, as abelhas também têm importância econômica, o Vale do São Francisco é o segundo produtor de mel do Brasil, atrás apenas do Rio Grande do Sul. Segundo a Associação dos Criadores de Abelhas do Município de Petrolina, a produção de mel cai há três anos e, agora, a morte dos insetos passa a ser colocada como hipótese para a queda. Seus 32 associados já chegaram a produzir 30 toneladas de mel e hoje esse montante é 40% menor

A causa das mortes das abelhas é tema controverso. O agrônomo e agricultor Silvio Medeiros, 57 anos, tem mil hectares de plantação de frutas no Vale e acredita que não são os defensivos que estão matando os insetos. “O gado morreu, as cabras, a vegetação. Se nem o Xique-xique deu flor, como é que as abelhas iriam sobreviver? É óbvio que essas mortes estão sendo causadas pela seca de sete anos que enfrentamos”.