Pernambuco chegou ao fim do mês de abril de 2020 com uma enorme deterioração do mercado de trabalho formal, causada pela pandemia do novo coronavírus. O Estado encerrou os primeiros quatro meses deste ano liderando o fechamento de vagas no Nordeste e se consolidou como a quarta unidade da Federação com pior saldo no acumulado do ano. Somente no mês passado 24,9 mil postos foram cortados, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quarta-feira (27), pelo Ministério da Economia. Em todo o Brasil, no ano, já foram perdidos 763 mil empregos. Se levados em conta os meses de março e abril, já sob efeito das medidas restritivas nas cidades, o número salta para 1,1 milhão. No País, em abril, foram fechadas 860,5 mil vagas, o pior saldo para o mês em 29 anos. 

Com a divulgação suspensa desde o fim do ano passado, por causa da utilização de um novo sistema e dificuldades para coleta das informações em função da covid-19, o Caged trouxe de um só vez o resultado acumulado do primeiro quadrimestre do ano. De janeiro a abril, Pernambuco registrou 105,7 mil admissões, mas teve um número maior de desempregados, contabilizando 159,3 mil baixas na carteira, levando à perda de 53,5 mil vagas nos primeiros quatro meses deste ano. 

“O impacto foi muito sério porque, primeiro, grande parte das vagas que a gente perdeu nesse processo foi no setor de comércio e no setor de serviços, importantes para a economia local. Outra questão é que, ao que parece, outras regiões aderiram ao programa de suspensão do contrato ou redução da jornada de trabalho com maior intensidade do que em Pernambuco”, explica o economista e professor Edgard Nery.

Comparando o resultado nacional, no acumulado do ano, o Estado está atrás apenas de Minas Gerais (-76,9 mil), Rio de Janeiro (-125,1 mil) e São Paulo (-227,6 mil), que lidera o fechamento de vagas formais. No caso de Pernambuco, o mês de janeiro teve um saldo negativo de 2,3 mil postos, enquanto fevereiro chegou ao fim com -1,3 mil vagas. No mês de março, houve uma piora, com -24,4 mil empregos, quase o mesmo patamar de abril: -24,9 mil. Em todo o País, no acumulado do ano, foram 4,9 milhões de admissões. As demissões somaram 5,7 milhões, gerando um saldo de -763 mil. 

“Por unidade da Federação, o Estado que sozinho tem o maior peso nesse saldo negativo é São Paulo, seguido pelo Rio de Janeiro e Minas Gerais. Pernambuco vem em quarto lugar, praticamente empatado com o Rio Grande do Sul (-53,1 mil). O nosso Estado tem uma população de 9 milhões de habitantes, não é a mesma do Rio Grande do Sul (11 milhões), mas teve o mesmo volume de perda de vagas. A quantidade de pessoas aqui se equipara a do Ceará, mas estamos à frente deles e da Bahia, que foi o sexto Estado em número de fechamento de vagas. A gente teve 40% a mais de perdas do que a Bahia”, reforça Nery. 

No ano, a Bahia perdeu 37,5 mil vagas; o Ceará, 25,5 mil. Já Pernambuco fechou 53,5 mil postos. “Pernambuco tem serviços e comércio como setores muito fortes. A indústria em geral perdeu empregos na pandemia, mas sentiu menos”, analisa o professor. 

Entre os setores econômicos, as principais perdas no mês de abril se concentram da seguinte forma: Serviços (-9.702 mil), Comércio (-7.788 mil) e Indústria (-7.524 mil). Do total das perdas no setor industrial, a construção representa -3.047 postos. 

Suzana Santos, 45 anos, é uma das trabalhadoras que sentiram na pele a rápida deterioração dos empregos no comércio por conta da pandemia. Ainda no fim do mês de março, ela foi demitida da loja na qual trabalhava num shopping em Olinda, no Grande Recife. “Fui mandada embora e quem ficou teve a promessa de ter o contrato suspenso para receber o valor do seguro-desemprego. Soube depois que a loja fechou e nem mesmo a suspensão do contrato foi dada como certa. Eu que saí ainda espero para receber algo, assim como as demais”, conta. 

A suspensão de contratos, bem como redução da jornada de trabalho, com compensação atrelada ao valor do seguro-desemprego, foi pouco usada em Pernambuco. Nesse sentido, invertendo a ordem na comparação com as demais grandes economias nordestinas, a Bahia preservou 3,4 mil empregos e o Ceará, 277 mil. Pernambuco só entra no ranking com 247 mil adesões ao programa do governo federal. Com informações do Jornal do Commercio.