Heudes Regis/SEI

Por Igor Maciel/JC

A informação passada pelo governo do Estado de que não vai mais comprar nada nessa pandemia através do Consórcio Nordeste é boa, apesar de tardia. O grande prejuízo já aconteceu e foi à quebra da imagem de “boa oportunidade” com a qual o ajuntamento de governadores foi anunciado.

A história de aproveitar o volume populacional para ganhar força em negociações era um argumento para rebater os que diziam que o consórcio nada era além de uma reunião de gestores de oposição ao governo Federal. No fim das contas, nem serviu pra uma coisa e nem pra outra.

As irregularidades e as trapalhadas, que terminaram até em operação policial, na compra de respiradores, deram um fim à narrativa comercial. É inseguro, faz com que um Estado pague pelo erro de um agente público do outro Estado e, no fim das contas, tem economia que não vale a pena. Esse é um caso.

A narrativa política de pouco serviu durante a pandemia. Porque na hora de enfrentar Bolsonaro com algo mais do que o bastão ideológico de esquerda, quem realmente liderou o processo foi João Doria (PSDB), governador de São Paulo. Sem falar na falta de transparência do órgão que ninguém sabe explicar como o dinheiro entra e como sai.

Alguns podem alegar que o consórcio foi importante, por exemplo, para contratar o neurocientista Miguel Nicolelis que comanda o comitê científico contra o coronavírus. Seria verdade, se os Estados tivessem seguido as orientações. No fim das contas, cada governador fez o que quis, de acordo com seus “calos” locais. Então, até isso poderia ter sido feito em outro formato.

O Consórcio é um ajuntamento que começou político, tentou ser comercial e termina sendo ineficaz de nascedouro.

Afinal, tudo que é resolvido lá, com toda aquela pompa e cartas finais anunciando “nós governadores do Nordeste reunidos”, pode ser feito pelo WhatsApp, sem custo e mais rápido