Reeleição – necessidade ou privilégio

Por Danizete Siqueira de Lima

Faltando dois meses para o processo eleitoral que ocorre em todo o País, vem à tona a discussão sobre a reeleição, notadamente pelos “fichas sujas”, que estavam inelegíveis até o dia 5 de outubro e ganharam o direito de se recandidatarem no próximo pleito, por força do adiamento em função da pandemia. Mais uma vez o nosso Supremo deu uma mãozinha a esses larápios que estão rindo à toa, mesmo em tempos bicudos como os que estamos vivendo.

Particularmente somos contrários às reeleições já que não existe qualquer critério na regulamentação. Tudo acontece a toque de caixa e, de forma abusiva, os políticos passam a titulares dos cargos eletivos como se fosse uma profissão. E não é. O político é escolhido através do voto para exercer um mandato de 4 anos e dali não quer mais se afastar em nenhuma hipótese. Deve ser uma coisa muito boa.

E não é pelos salários nem por amor à causa. Vejam o que eles gastam para chegar a esses postos. Exemplos não faltam de candidatos que ficaram vereador ou deputado por 5, 6, 7 mandatos e de prefeitos de pequenas cidades por 3, 4 legislaturas.

Nada contra a pessoa ou o político que usou simplesmente uma prerrogativa facultada por lei mas, para quem não sabe, o deputado Felipe Coelho, natural de Ouricuri (PE), ficou na Assembleia Legislativa de Pernambuco entre 1950 e 1994, ou seja 44 anos que correspondem a 11 mandatos. É ou não é um absurdo? Não vemos isso em nenhum lugar do mundo. Marco Maciel, ex-governador de Pernambuco, entrou para a política quando estava no berçário e só saiu por motivos de saúde. Hoje conta com 80 anos de idade.

Caso os nossos legisladores tivessem um mínimo de decência, poderiam pegar a nossa frágil Constituição, com mais remendo que “pano de toureiro”, e dar uma reformulada na matéria abortando essa imoralidade e dando um novo rosto ao meio político. Seria uma excelente contribuição à Nação Brasileira, com certeza.

Como exemplo, poderíamos começar pelo Presidente da República. O ideal seria um mandato de 6 anos, sem direito à reeleição. Para os cargos de Governador e prefeito, no máximo dois mandatos, desde que não sejam seguidos. No caso dos deputados e vereadores, também dois mandatos, podendo esses serem simultâneos, isto é, sem necessidade de interrupção. E para o cargo de senador, que já é eleito para um mandato de 8 anos, não seria permitida a reeleição.

Outro detalhe importante seria a extinção do fundo partidário. Isso mesmo, quem quiser que banque a sua vaidade com recursos seus e dos familiares, assim como fazemos para formar os nossos filhos. Tiramos da goela para vê-los realizados com um curso superior de medicina, direito, engenharia, etc. e por que diabos temos que bancar eleição dos outros que, na maioria das vezes, viram as costas para os seus eleitores e sequer os conhecem após a eleição?

Extinguir o fundo partidário e moralizar o processo de reeleição seria um bom começo para melhorias na política brasileira. Vencida essa primeira etapa, passaríamos para o quesito número dois: diminuir o número de cadeiras, começando pela Câmara Federal e Senado; depois veríamos as câmaras estaduais e municipais. Tudo com base em estudos técnicos, força de vontade e moralidade. A propósito: o que fazem em Brasília 81 senadores (3 por estado), e os 513 deputados federais, além de mentir, roubar, rir da nossa idiotice e legislar em causa própria?

Temos certeza que esse apetite político tenderia a diminuir e o eleitorado consciente daria uma faxinada nessa sujeira de maus políticos que infestam a nossa nação. A roubalheira não iria desaparecer totalmente mas, convenhamos, daria uma trégua nesses escândalos escabrosos. É muito dinheiro saindo pelo ralo que tentam fazer a reposição jogando o fardo nas costas do nosso sofrido trabalhador que já gasta mais de 5 meses do seu salário para arcar com uma carga tributária que está entre as maiores do mundo.

Em resumo diríamos: o País tem jeito, sim. O problema maior é que tem mais forças querendo derrubá-lo que erguê-lo. E, infelizmente, tudo começa pela corja de políticos “fora da lei”, que legislam em causa própria sob o vergonhoso manto da impunidade. A mudança tem que começar pelo eleitorado e 15 de novembro está bem próximo, vamos à luta.