BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

JC

A Polícia Civil de Pernambuco dará um novo passo nas investigações para tentar extinguir de vez as torcidas organizadas e diminuir a violência provocada pelos integrantes desses grupos. Durante as operações deflagradas nesta terça-feira (15) para prender integrantes das torcidas, policiais apreenderam um caderno de contabilidade que estava na casa do presidente da Torcida Jovem do Sport – um dos presos nesta manhã. Nas anotações, havia nomes de políticos que atuam no Estado e valores supostamente doados à organização. O material será analisado e eles também serão investigados. 

“A gente está analisando o caderno, porque há uma movimentação financeira, supostamente de doações feitas por vereadores do Recife e deputados estaduais. A gente vai verificar se se trata de alguma contabilidade legal ou se alguém está financiando atividades ilegais. Já temos alguns nomes e sabemos que há doações recentes. Se for o caso, vamos intimar essas pessoas e elas podem vir a responder por associação criminosa”, afirmou o delegado Joel Venâncio, gestor do Comando de Operações e Recursos Especiais (Core). 

O delegado ainda destacou que, por se tratarem de torcidas organizadas extintas pela Justiça, em fevereiro deste ano, qualquer tipo e contabilidade já pode ser considerada ilegal. “Estamos investigando quem são os patrocinadores dessas torcidas”, disse, em coletiva de imprensa. 

Nas duas operações deflagradas, simultaneamente, 10 pessoas foram presas e uma ainda está foragida. Os nomes não foram divulgados oficialmente pela polícia. 

Na primeira operação, seis homens foram presos suspeitos de assaltar e espancar um torcedor do Náutico no bairro da Encruzilhada, em 19 de janeiro deste ano. A camisa da vítima também foi levada. “Eles usam essas camisas, não pelo valor econômico dela, mas como troféu. É como se desafiassem as torcidas adversárias”, explicou Joel Venâncio. Os presos têm entre 23 e 29 anos. Parte deles já com passagens pela polícia. Agora, estão sendo indiciados por associação criminosa e roubo.

A segunda operação, em que quatro pessoas foram presas, está relacionada ao ataque aos torcedores do Santa Cruz, em 03 de fevereiro deste ano. Na ocasião, um grupo comemorava o aniversário de 103 anos de fundação do time, na área central do Recife, quando foi alvo da organização criminosa. “Por meio de vídeos, conseguimos identificar algumas dessas pessoas”, disse o delegado. Os presos, com idades entre 19 e 34 anos, vão responder por associação criminosa, lesão corporal, provocação de tumulto e corrupção de menor (havia adolescentes participando dessas confusões). 

Outros suspeitos de participação nos dois ataques que resultaram nas operações ainda não foram identificados pela polícia. 

O líder

Para a Polícia Civil, a prisão do presidente da Torcida Jovem é fundamental para interromper novos ataques da organização criminosa. O suspeito de 34 anos já tem antecedentes criminais por roubo, dano e tráfico de drogas. No momento da prisão, ele tentou fugir e pulou o muro da casa do vizinho, mas foi capturado. Na residência dele, vasto material, como camisas e bandeiras, foi encontrado e apreendido. Segundo o gestor do Core, o suspeito era o mentor de todos os ataques a torcedores rivais.

“Muitas vezes ele não está na linha de frente para não ser identificado. Mas é ele quem coordena, organiza, promove todos esses ataques”, afirmou Venâncio.