Nesta quinta-feira (26), professores da rede estadual de ensino de Pernambuco se reuniram em frente ao Palácio do Campo das Princesas, área central do Recife, para reivindicar o pagamento do piso salarial e o plano de cargos e carreiras. Esta é a segunda paralisação que a categoria realiza pedindo o ajuste salarial.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), o projeto de atualização do piso salarial foi entregue à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) com aproximadamente um ano de atraso. 

“A atualização do piso deve ser feita sempre a partir do primeiro dia de janeiro de cada ano. O governo enviou o projeto no dia 20 de novembro, quase no final do ano. Por tanto, com praticamente um ano de atraso. Além disso, ele só contempla os profissionais que estão abaixo do piso e exclui uma grande parcela da categoria quando não implementa o percentual de atualização para toda a carreira”, informou o presidente Fernando Melo.

“Pelo projeto que foi enviado pelo governo, todas as pessoas, hoje, que estão na classe inicial -profissionais que têm licenciatura plena, com curso universitário- estão recebendo o mesmo valor das pessoas que têm o antigo curso de magistério. E as pessoas que estão na faixa inicial de matriz de vencimento – profissionais que concluíram a pós-graduação- também estão recebendo o mesmo salário. Isso destrói o nosso plano de carreira, que foi uma luta de duas décadas”, acrescentou Fernando.

Com a manifestação, aulas presenciais e remotas nas escolas estaduais foram suspensas nesta quinta. Segundo a categoria, também há um receio nos casos de contaminações de funcionários nas instituições. 

Na Escola Técnica Estadual Arlindo Ferreira dos Santos, que reúne estudantes do Ensino Médio no município de Sertânia, no Sertão pernambucano, as aulas presenciais foram suspensas por tempo indeterminado após funcionários da unidade testarem positivo para a Covid-19. Até o momento, 21 casos foram confirmados.

“Nós encaminhamos ontem um ofício ao governo com 30 escolas que apresentaram casos confirmados de Covid. Nós temos escolas com até 15 casos, inclusive ontem, na escola de Sertânia recebemos a informação de confirmação de 21 casos. Estamos cobrando que, em cada local que confirme casos, seja feita uma testagem para identificar as pessoas que estiveram em contato com a pessoa que manifestou os sintomas e a partir daí, deixar essas pessoas afastadas. Onde não for possível fazer a testagem, que a escola tenha as atividades suspensas, seguindo os próprios protocolos do governo”, completou o presidente do Sintepe.

Fernando Melo também informou que haverá uma nova assembleia com a direção do Sintepe para dialogar sobre os desdobramentos da manifestação desta quinta-feira (26).

“A última negociação aconteceu no dia 6 de novembro. Nós tivemos uma reunião na quarta-feira (18), quando fomos recebidos pelo secretário do Gabinete Civil, e ficamos de receber um retorno no dia seguinte. Hoje, dia 26 de novembro, estamos completando oito dias de espera de uma possível negociação. Foram oito dias de silêncio e esperamos ter esse retorno hoje. Na próxima semana faremos uma nova assembleia com a categoria para avaliarmos a paralisação, os desdobramentos e quais são os próximos encaminhamentos”, afirmou Fernando Melo.