DAY SANTOS/JC IMAGEM

Por Raphael Guerra/JC

O novo escândalo envolvendo supostas irregularidades na licitação dos respiradores pulmonares, adquiridos pela Prefeitura do Recife, traz à tona uma reflexão sobre o combate à corrupção em Pernambuco. Uma guerra difícil de vencer.

Nos últimos anos, investigações das polícias Civil e Federal revelaram esquemas criminosos para favorecer empresários e gestores públicos, que, em tese, desviaram milhões em dinheiro dos cofres do Estado.

A Operação Torrentes, deflagrada em novembro de 2017, é um dos principais exemplos. Para quem tem memória curta, relembro: parte do dinheiro público que seria usado para ajudar moradores das cidades da Mata Sul atingidas pela enchente de 2010 foi desviado, segundo investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Militares da cúpula da Casa Militar de Pernambuco teriam participado ativamente do esquema. Eles já se tornaram réus e podem ser condenados por crimes como lavagem de dinheiro e corrupção.

Apesar dos fortes indícios e do avanço do processo, a punição aos acusados também não chegou no administrativo. Aliás, alguns deles continuam com cargos de gestores públicos. Um ex-coordenador de Defesa Civil do Governo do Estado, réu da Torrentes, atualmente é gestor na Defesa Civil da Prefeitura do Recife.

Recentemente, outra operação da Polícia Federal prendeu dois ex-gestores do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PE), suspeitos de desvios de recursos públicos destinados à obra de requalificação da BR-101, na Região Metropolitana de Recife. Já na condição de investigados, os ex-gestores estavam exercendo cargos de chefia na Prefeitura do Recife.

É claro que cabe à Justiça analisar provas e condenar ou não os acusados. Mas o PSB, que há anos comanda o Governo do Estado e a Prefeitura do Recife, precisa fazer uma autocrítica sobre o combate à corrupção. Premiar um gestor investigado com a simples troca de um cargo estadual para municipal é, no mínimo, uma ação questionável. Ainda mais quando esses mesmos profissionais se tornam réus. Não seria o caso de afastá-los, ao menos até que sejam julgados?

HISTÓRICO

No final de 2018, Pernambuco foi surpreendido com a extinção, em caráter de urgência, da Delegacia de Crimes contra a Administração e Serviços Públicos (Decasp). A titular, a delegada Patrícia Domingos, vinha sendo alvo de críticas internas no governo após investigar e indiciar por peculato um dos principais líderes do PSB estadual. Na época, a delegada também fez uma operação para desarticular uma quadrilha que desviada dinheiro que deveria ser destinado à compra de merenda para escolas pública. Um esquema de ataque milionário aos cofres públicos e que também foi alvo de outras investigações. Após o fim da delegacia, Patrícia foi remanejada pra uma delegacia de homicídios.