Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)*

Ade maleu lapa-el – Fale-me sobre a Teoria da Burocracia e a importância de Max Weber para a Administração.

Papa – Quando mergulhamos em obras de autores consagrados da Administração, percebemos que a “mania” de emperrar processos, o foco em carimbos, papéis e assinaturas e apego exagerado às normas não tem correlação com o pensamento do sociólogo e economista alemão. Weber cunhou o termo “Burocracia” e deu vida a sua teoria como forma de explicar como as atividades são realizadas.

As características que sustentam a Teoria da Burocracia são: Caráter legal de normas e regulamentos, Caráter formal das comunicações, Caráter racional e divisão de trabalho, Impessoalidade nas relações, Hierarquia de autoridade, Rotina e procedimentos padronizados, Competência técnica e meritocracia, Especialização da administração, Profissionalização dos participantes e Completa previsibilidade do funcionamento.

Ao sugerir que a burocracia da forma por ele imaginada permitiria que a autoridade fosse exercida com precisão, continuidade, disciplina, rigor e confiança e que as características acima relacionadas dariam dinâmica aos processos Weber jamais pensou que o termo “burocracia” fosse utilizado para justiçar baixa produtividade, demora e prejuízos.

Sobre essa perversa e inadequada utilização da burocracia, tenho sempre em mente o pensamento que um Técnico de Emater do Pará gostava de expressar: “Weber criou a burocracia”, os preguiçosos criaram a “burrocracia”.

A burocracia pensada por Weber tinha ligação estreita com autoridade e ele identificava três tipos de autoridade: Autoridade tradicional – Baseada nos costumes e tradições. Como exemplos clássicos poderiam citar a autoridade dos anciões em sociedades antigas; Autoridade carismática – Sua legitimação procede de habilidades ou qualidades pessoais e Autoridade racional-legal – Baseada em normas e regras reconhecidas e acatadas pela sociedade.

Portanto, diferente do que se entende como burocracia, a teoria de Max Weber é decisiva para que os processos caminhem em tempo real como observância de variáveis como hierarquia, racionalização, impessoalidade, rotinas e, de forma adequada, centralização do poder. A centralização, neste caso, precisa ser olhada como a responsabilidade pelo poder decisório e não como retenção exagerada do poder.

Se olharmos o grau de complexidade que a administração passou a experimentar o pensamento de Max Weber trouxe e traz inúmeros benefícios para o exercício das atividades administrativas e superação dos obstáculos visando superar desafios.