Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade maleu lapa-el – Fale-me sobre “Reengenharia”, que são seus criadores, sua importância e as causas de receber tantas críticas.

Papa – Na década de 1990 Michael Hammer e James Champy, americanos do Instituto Tecnológico de Massachusetts – MIT, ao criarem o sistema estratégico denominado “Reengenharia” apresentaram ao mundo um modelo de reestruturação organizacional e administrativa, com o objetivo de reformular as atividades das organizações, tornando-as competitivas. A “Reengenharia” tinha como proposta básica a eliminação de práticas e costumes que tornara as empresas em unidades obsoletas, promovendo uma verdadeira “reinvenção”, mas, sua aplicação não foi no formato sugerido e sim com adaptações destoantes com a proposta original.

Entanto Hammer e Champy propuseram em linhas gerais que a metodologia fosse implantada obedecendo quatro fases, a saber: “Preparação – Listar todos os processos da organização, selecionar aqueles que serão redefinidos e viabilizar os recursos necessários para esta atividade; Planejamento: Garantir os recursos necessários: tempo, dinheiro e pessoas; estruturar as equipes de trabalho e distribuir as tarefas entre seus membros; Implementação: Analisar os processos selecionados, reinventar o processo e avaliar o impacto das mudanças e Avaliação: Medir e comunicar os resultados obtidos, controlar o processo como um todo e gerir o impacto das alterações efetuadas em outros processos”.

Estudiosos do tema afirmam que para êxito na utilização da estratégia as mudanças teriam que contaminar positivamente as organizações nos níveis: Operacional – Pessoas trabalhando em equipes multifuncionais e redução dos níveis hierárquicos; Gestão de processos – Aqui deve ocorrer as maiores mudanças, os processos após aplicação de inovações tecnológicas passam a ser integrados e informatizados e Gestão de negócios – Neste ponto também ocorrem grandes mudanças. Rompem-se as barreiras com clientes e fornecedores, e todos integrados, repensam os negócios, e até criam novos negócios e produtos.

A ferramenta apontava na direção da redução de custos, da redução de tempo das atividades e na melhoria da qualidade dos serviços prestados, muitas organizações focaram apenas no corte de “cabeças”, com utilização exagerada do que ficou conhecido como “Downsizing” mecanismo sugerido apenas em casos extremos, cuja função era reestruturação administrativa ou “diminuição de tamanho”, na tradução literal para a língua portuguesa. Com o exagero veio a perda de massa crítica e as organizações, em diversos casos, ficaram sem rumo e culparam o conteúdo (reengenharia) quando a culpa era unicamente da forma (cortes). “O mau uso ‘queimou’ uma boa abordagem”.