Diário de Pernambuco

Pouco menos de um mês após as primeiras denúncias de fraudes eleitorais durante o processo de votação para chapas da presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), novas queixas foram reportadas contra o órgão. Desta vez, imagens do fiscal do candidato Luiz Antônio de Melo verificando as atas e assinaturas dos eleitores passaram a circular na internet. A eleição para a composição da nova presidência do Crea e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) ocorreu no dia 1 de outubro, das 8h às 19h.

Diante da cena registrada, um pedido de cancelamento do evento eleitoral foi realizado pela chapa de oposição, com base no artigo 115 da resolução 1.114/2019, que determina “anulada a votação” quando há a quebra de sigilo do voto foi solicitada, mas não foi acatado.

O Diário de Pernambuco teve acesso ao arquivo de denúncia, realizada no dia 6 de outubro de 2020, que apresenta trechos de mensagens trocadas entre os fiscais do candidato Waldir Duarte Costa Filho, informando a chegada do fiscal da oposição, Bruno Henrique de Oliveira Lagos, ainda durante o horário de votação.

Confira: 

(14:00) – “Chegou o fiscal Bruno Henrique de Oliveira Lagos, do candidato Luiz Antônio”

(15:40) – “O fiscal Bruno Henrique de Oliveira olhou a lista [com uma parte] das pessoas aptas a votar e realizou ligações.”

Ainda segundo o documento, a ata final da eleição confirmou o registro de que os fiscais da chapa “Crea para todos” de Luiz Antônio folhearam os cadernos de votação da mesa 02, localizada na sede do Crea-PE e nas mesas de votação do Crea em Caruaru. Um dos pontos levantados pelo advogado de Waldir Duarte Costa Filho, Marco Freire, é a inconsistência do pedido de outro candidato à presidência, Adriano Antônio de Lucena, de que a apuração dos votos fosse realizada separadamente em cada urna, o que possibilitaria a contagem dos votos e a identificação dos  eleitores envolvidos, que teriam ‘traído’ os candidatos. A solicitação de Adriano Lucena alegou que a redução no número de fiscais, devido à pandemia do coronavírus,  dificultaria a realização da função.

Também foi divulgado, no arquivo, o pedido de que os eleitores de um dos candidatos fossem às urnas em apenas um horário.

Fake News 

A chapa à presidência do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco) Unidos pela Engenharia fez um boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Cibernéticos devido a uma mensagem que estava circulando nas redes sociais com os números adulterados dos candidatos que compõem esse grupo.

“Se você recebeu o nosso card de campanha com nossos números adulterados isto é crime e devemos combatê-lo. Tire um print mostrando quem está espalhando essa ou outras fake news e nos encaminhe, para que possamos entregar na Delegacia de Crimes Cibernéticos, que conduz a investigação. Assim chegaremos mais rapidamente aos criminosos e as devidas providências serão tomadas”, destacou a chapa Unidos pela Engenharia em nota.

Decisão do Conselho 

Após a apresentação dos fatos, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia divulgou, em documento de decisão, que a defesa do candidato Adriano Lucena confessou que o fiscal Bruno Henrique teve acesso aos cadernos de ata e conseguiu informações às quais não poderia ter acesso. Apesar da confissão, o Conselho definiu a anulação as votações ocorridas apenas na Inspetoria de Caruaru e na Urna 2 do Crea-PE.