Por Naldinho Rodrigues*

Meu caro leitor(a), ainda consternado com a partida do meu amigo, irmão e parceiro do programa “Tocando o Passado” apresentado aos domingos pela manhã, na Rádio Afogados FM, sinto-me na obrigação hoje, de passar através do Blog PE Notícias, que tenho a honra de colaborar com crônicas musicais todas as quintas-feiras, um pouco do que foi José Tenório Cavalcante, o Tenorinho, como era chamado carinhosamente pelos amigos mais íntimos, e que deixou seu respeitado nome por onde passou.

No rádio, começou a brilhar nos anos 60 e 70. Convidado pelo então radialista já consagrado, na época, Waldecy Xavier de Meneses, o mestre Tenorinho se encaixou como uma luva na radiofusão sertaneja. Brilhou tanto que chegou a ser comparado com o próprio Waldecy, o maior sucesso do rádio naquele momento.

José Tenório fazia sucesso no programa “Paradas de Sucesso” e às vezes dividia seu talento apresentando o seu show ao lado de Waldecy na apresentação do programa “Alma Sertaneja”. Também apresentou, e com bastante brilho, programas como: Parabéns pra Você, No Terreiro da Fazenda e Sertões do Fazendeiro.

No palco, também brilhou ao apresentar com bastante categoria o programa Domingo Alegre. No auge do rádio, Tenorinho resolveu mostrar seu talento mais adiante. Foi tentar sua sorte em São Paulo, de início, tentou rádio, mas em um dos testes realizados, se destacou e foi elogiado pela cantora Aracy de Almeida, no dia fazendo parte da comissão julgadora. Ficou em segundo lugar e só existia uma vaga para ser preenchida.

Aracy de Almeida, porém, fez severas críticas à escolha e em tom grosseiro falou de sua decepção em não terem escolhido por merecimento o José Tenório. Chateado pelo arrumadinho, Tenorinho foi tentar sua sorte em outro setor e se deu bem. Trabalhou no Clube Monte Líbano Paulista por um bom tempo. Mas o seu destino estava marcado para se destacar por aqui mesmo em nossa região.

Voltou ao Rádio Pajeú para novamente sacudir o coração do ouvinte com o badalado programa “Comunica Show”, das 13 às 15 horas de segunda a sábado. O sucesso foi tão grande que surpreendeu até mesmo o próprio apresentador que passara quase 8 anos fora dos microfones. Acontece que naquela época (hoje é um pouquinho melhor), radialista não recebia uma boa remuneração, e Tenorinho teve que deixar aquilo que ele mais amou: fazer rádio, ser locutor, passar emoção para o ouvinte, dividir bons momentos com a galera.

Foi quando surgiu o concurso da Companhia de Eletricidade de Pernambuco (Celpe – na época). Não deu outra, com poucos meses o homem da voz mais educada do rádio interiorano deixava aquilo que mais gostava para tentar oferecer uma vida melhor à sua família, e conseguiu. Tanto que terminou se aposentando na Celpe.

Aposentado, ainda tentou continuar trabalhando no comercio em Nova Petrolândia, também no Sertão de Pernambuco. Mas ele próprio sentia que sua história teria que terminar aqui mesmo, em Afogados da Ingazeira, fazendo o que mais teve prazer, rádio. Foi quando voltou para nossa cidade, tentou retornar ao Rádio Pajeú, e apresentar um programa nas noites. Porém, o seu passado, tudo aquilo que ele construíra naquela emissora não foi reconhecido e alguém negou como se tirasse uma balinha da boca de uma criança.

E ele, triste, decepcionado, disse-me: acabou o sonho de voltar a fazer rádio. Sentindo como se fosse na pele a decepção do amigo companheiro, tentei lhe convencer a ingressar na Rádio Transertaneja FM, o que não aceito pelo Tenorinho.

Passaram-se alguns meses, e eu não perdia as esperanças de vê-lo ao meu lado, cara a cara, apresentando um programa. Foi quando me veio à ideia de fazer um programa diferente, uma coisa que despertasse o ouvinte. Criei a ideia de lançar o programa “Tocando o Passado”. Conversei com a direção da emissora, falei do meu projeto e foi aceito no ato (agradecimento a Wellington Rocha – Diretor da Rádio Afogados FM).

Inicialmente o programa foi apresentado por mim durante 4 domingos. Pensei, agora é só questão de tempo. E foi justamente o que aconteceu, domei a fera e ela veio ao meu encontro. Ficamos mais de três anos juntos, e Tenorinho ainda de quebra teve a genial ideia de convidar outro mestre da música, o meu amigo Hiltinho que chegou para reforçar o time e aumentar a audiência. Tanto que o programa aumentou de duas para três horas, das 5 às 8 da manhã.

O sucesso foi e está sendo tão enorme que Hiltinho e eu resolvemos continuar com o programa. Confesso aos amigos, de coração, que o Tocando o Passado jamais será o mesmo sem Tenório. Mas vamos tocar o barco pra frente.

Para o sucesso continuar precisaremos do apoio dos ouvintes, com elogios, críticas e sugestões.

José Tenório Cavalcante nasceu em 29 de julho de 1946 e nos deixou no dia 1º de abril de 2021. Descanse em paz, Tenorinho. E as perguntas que eu te fiz e que você não respondeu, é só uma: Questão de Tempo. Música na voz de Moacyr Franco.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.