Por Naldinho Rodrigues*

O nosso espaço de hoje será preenchido para Élcio Neves Borges, conhecido popularmente como Barrerito. Um cantor brasileiro de música sertaneja que ganhou destaque por integrar a segunda formação do Trio Parada Dura. Nascido em 22 de outubro de 1942, em São Fidélis (RJ) o mesmo faleceu em 12 de agosto de 1998, em Belo Horizonte, aos 55 anos.

Barrerito foi cantor, violonista e violeiro e iniciou sua carreira nos anos 60, fazendo dupla com Flor da Índia, Baianito, Cirolo e Cleone, este último com quem formou o conjunto sertanejo Trio Parada Dura, a partir de 1976, ao lado de Mangabinha. Em 6 de setembro de 1982, um acidente de avião na cidade de Espírito Santo de Pinha, interior do estado de São Paulo, deixou Barrerito paraplégico. Seu irmão, Parrerito, assumiu o lugar no trio durante o período em que esteve ausente e, posteriormente, foi oficializado na vaga em 1987.

Barrerito iniciou carreira solo como o “Cantor das Andorinhas”, em 1987, quando gravou seu primeiro LP, intitulado ‘Onde estão os meus passos’, com destaque para a faixa-título. Barrerito gravou 9 LPs, ganhou 19 discos de ouro e 8 de platina, sempre com a ajuda de Nilza Carvalho, com quem viveu maritalmente até 1990. Com ela teve 2 filhos, o cantor gospel Barrenito Barbosa e Carlos Eduardo que adotaria o nome artístico de Barrerito Jr.

Barrerito foi o único artista que gravava um disco (LP) em apenas 24 horas, o que causava surpresa nos técnicos da gravadora. Apesar de ser paraplégico, o cantor era muito vaidoso, usava anéis e colares de ouro, além de cortes de cabelo incomuns. Em 1991, chegou a ser preso por ter atirado para o alto, assustando um frentista, que riu de sua aparência.

No ano de 1998, Barrerito fundou o Trio Alto Astral, juntamente com Voninho e Cleone, com quem voltou a formar uma dupla sertaneja. Chegaram a lançar um CD, intitulado ‘Dor de Cotovelo’, e a fazer aparições em alguns programas de Tv, mas o trio não durou, pois Barrerito acabou falecendo neste mesmo ano, vítima de infarto, aos 55 anos.

Diz a sabedoria popular que uma andorinha só não faz verão, mas nos últimos anos, quem tenta  ser exceção a esta regra e a cantora sertaneja Eliane Barrerito, cujo sobrenome já faz alusão à história dela. Viúva do cantor e compositor Barrerito, Eliane organiza gravações inéditas de autoria do ex-integrante do popularíssimo Trio Parada Dura, que devem ser lançadas. As gravações estavam junto ao acervo que o artista deixou, acrescido com quase uma centena de letras de músicas, também inéditas. O baú ainda contém discos de ouro, prata e platina, referentes aos sucessos de venda, e figurinos. Não bastasse, há uma curiosa placa na fachada da residência do casal, na região sudoeste de BH. Quando cai a noite, é a própria Eliane quem acende a sinalização com o nome “Barrerito”, escrita com luzes coloridas e idealizada por ele mesmo.

Segundo a viúva do cantor, devido a uma lesão que sofreu no acidente de avião em 1982, nas capas dos discos do Trio Parada Dura, ele só aparece de meio corpo, ou outros  componentes do trio tinham preconceito  pela condição dele e quando Barrerito saiu do trio, fez o “Barrerito, o cantor das andorinhas”. Aí, pôde mostrar quem era. 

Para relembrar essa eterna celebridade da música sertaneja nada melhor do que curtir um dos maiores sucessos de Barrerito, “Onde estão os meus passos”.  

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.