Por Naldinho Rodrigues*

A nossa eterna saudade de hoje é para Isaura Garcia, ou simplesmente, Isaurinha Garcia com era chamada carinhosamente pelos inúmeros fãs. Isaurinha Garcia nasceu no dia 26 de fevereiro de 1923, em São Paulo e faleceu em 30 de agosto de 1993. Foi uma cantora brasileira, considerada uma das mais importantes intérprete da MPB do século XX.

Com mais de cinquenta anos de carreira, gravou mais de trezentas canções. Foi casada com Walter Wanderley, organista de muito sucesso, que renovou a Bossa Nova com seu talento e até hoje é bem executado em mais de cem países.

Filha de Manuel Garcia, português, e Amélia Pancetti, ítalo-brasileira. Isaurinha era sobrinha do célebre pintor paulista Giuseppe Pancetti. Antes da fama, costumava cantar no quintal, enquanto ajudava a mãe a lavar roupas, e no bar de seu pai, ente as mesas. Seu primeiro programa de calouros, ainda sem qualquer preparo técnico, foi na Rádio Cultura, quando cantou uma canção de Aurora Miranda. Levou uma “Gongada Bárbara, Linda de Morrer”.

Sua carreira começou de fato em 1938, depois de participar de um concurso no programa Qua-Qua-Qua-Quarenta da Rádio Record, onde ganhou o primeiro lugar cantando a canção “Camisa Listrada” e foi contratada pela emissora paulista. Neste começo de carreira, inspirava-se em Carmen Miranda e Aracy De Almeida, e vivia na Rua da Alegria no Brás, bairro onde nasceu.

Ainda sem muitos recursos, ia de bonde ou a pé para a emissora todo domingo se apresentar. Isaurinha Garcia foi campeã de vendas da gravadora RCA/Columbia. Os êxitos discográficos começaram em 1943, com músicas cujas letras retrataram sua própria desventura amorosa. Ela mesma associou o apelo sentimental do repertório e as interpretações passionais à sua vivência pessoal. Isaurinha fez sua carreira no samba. De suas dez primeiras gravações registradas oito se enquadram no gênero.

Entre o final dos anos 1940 e início da década de 1950, diversificou seu repertório com a inclusão de toadas, fados e baiões. Na época, o sucesso do ritmo propagado pelo pernambucano Luiz Gonzaga, contagiou a intérprete paulista que gravou “Festa Junina” (1952), “Pé de Manacá” (1950), “Baião da Solidão”. O destaque de sua incursão pelo gênero nordestino foi “Baião no Brás” (1950), de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Por sua ligação com o samba-choro, além de muitas composições, ela também gravou os raros choros letrados em 1949, “Sofres Porque Queres e Seresteiro” de autoria de Benedito Lacerda e Pixinguinha e Doce de Coco de  Jacob do Bandolim.

A música ‘MENSAGEM’ é uma pequena amostra do imenso talento da cantora, que começou sua carreira em 1938, após um concurso na Rádio Record.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.