Folha de S.Paulo

Amigo de Silas Malafaia “e de praticamente todos os pastores mais conhecidos do Brasil”, o juiz federal William Douglas, 53 anos, é um dos nomes que correm por fora quando o assunto é o próximo indicado por Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma credencial valorizada pelo presidente, afinal, ele tem: Douglas é pastor pentecostal, ordenado há 11 anos pela Igreja Batista Gethsemani.

Ele diz não achar ruim que Bolsonaro tenha prometido a vaga a alguém “terrivelmente evangélico” — hoje, entre outros, estão entre as apostas o presbiteriano André Mendonça, ministro da Advocacia-Geral da União, e o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o adventista Humberto Martins.

“Assim como já tivemos espaço para a busca de uma mulher e de um negro, vale lembrar que os evangélicos são 30% da população”, diz o magistrado. “Portanto é perfeitamente legitimo, e até meritório, que um presidente coloque ao menos um representante dessa cosmovisão [na corte]”.

Membro do Diálogo e Paz, grupo plurirreligioso liderado pelo arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, Douglas diz ver “no diálogo entre diferentes” um pilar da democracia.

O diálogo pausa quando Douglas é questionado sobre a condução de Bolsonaro na pandemia, assim como atitudes pessoais do presidente, como não usar máscara e aglomerar em público.

Diz que prefere não se pronunciar, já que um dia poderá analisar essas questões na corte. Em março, ele se juntou ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), responsável pelos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Não se furta, contudo, de dar sua opinião sobre o presidente, que apontará um novo integrante do STF quando Marco Aurélio Mello se aposentar, em julho: um “patriota que quer melhorar o país”.