A expansão da área irrigada empresarial no São Francisco, uma realidade

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Por Geraldo Eugênio*

Sempre é bom lembrar que a história da agricultura irrigada no Vale do São Francisco teve início em Cabrobó com o cultivo da cebola. O que perdurou entre os anos cinquenta e início dos anos oitenta do século passado. Com o crescimento de Petrolina e os investimentos realizados ao seu redor, o município passou a ser o polo de desenvolvimento regional consagrando-se com a participação de Juazeiro como uma das regiões agrícolas mais dinâmicas do país.

O crescimento foi se irradiando e, no que se refere à Pernambuco, as áreas irrigadas alcançaram Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista em particular com as vinícolas a começar pela Vinícola Vale do São Francisco, na Fazenda Milano e seus vinhos Boticelli. Neste primeiro estágio, se destacou o investimento público através da Codevasf na estruturação dos perímetros irrigados. Teve um início lento. A grande maioria dos colonos nem sempre tinham relação com a agricultura e muito menos com as práticas de irrigação e comércio, fundamentos básicos para o cultivo de frutas e hortaliças.

Saltando-se esta fase de ajuste inicial, mas que durou por quase vinte anos, a atividade se profissionalizou, atraiu investidores, aporte tecnológico e, atualmente, Petrolina-Juazeiro é uma referência no cultivo e mercado de frutas em todos os continentes.

A calha do Rio São Francisco se estende por 2.830 km, mas durante longo tempo apenas a região que dirigiu o foco para frutas tropicais com apelo no mercado externo conseguiu ser bem-sucedida. Atualmente o binômio manga e uva para mesa e produção de vinho ou suco é a atividade econômica de maior destaque. Aquela que melhor distribui os ganhos, mais emprega e mais desenvolvimento trouxe à região. Inclusive o fato de haver atraído milhares de técnicos, pequenos empreendedores e especialistas em todas as áreas relacionadas à irrigação e ao mercado internacional.

Os resultados são incontestáveis e não é à toa que somando-se a população de Petrolina e Juazeiro, ultrapassa 700 mil habitantes com um produto interno bruto per capita entre os mais expressivos do país.

A Codevasf passou a ser uma agência de desenvolvimento de caráter nacional, com atividades abrangendo do Vale do São Francisco ao Norte de Minas e seguindo ao norte por estados amazônicos, reduziu substancialmente seus investimentos em termos proporcionais no Vale e na agricultura irrigada. Durante algumas décadas, em Pernambuco, a área irrigada comercial se localizava entre Petrolina e Santa Maria da Boa Vista. Alguns empreendimentos surgiram além desse limite, a exemplo da Agrodan, em Belém do São Francisco, hoje a maior empresa exportadora de manga do país. Há vinte anos um outro empreendimento fez história por seu caráter empreendedor, a empresa Agrícola Famosa que resolveu expandir sua base produtiva do Rio Grande do Norte e do Ceará, instalando uma unidade no município de Ibimirim, em Pernambuco. Neste caso apostando no volume na qualidade de água do aquífero da bacia do Jatobá.

Dois empreendimentos bem-sucedidos demonstrando que a ampliação da agricultura irrigada não deve estar diretamente relacionada à espera de investimentos públicos diretos ou instituições governamentais. O fato é que houve um despertar nesta última década e as áreas ribeirinhas passando por Tacaratu, Floresta, Petrolândia e Jatobá passaram a ser aproveitadas. Inicialmente no plantio familiar de melancia, o melão, cebola e posteriormente com instalações de área comerciais de coco e manga.

*Geraldo Eugênio é Professor Titular da UFRPE-UAST.