Com apoio comunitário, Pernambuco investe em tecnologia para prevenir desastres em 20 territórios

Vinte favelas e comunidades urbanas de Pernambuco vão receber um conjunto de ações para mitigação das mudanças climáticas. O Governo do Estado anunciou a instalação de sensores meteorológicos comunitários, o desenvolvimento de uma plataforma digital colaborativa e o uso de drones para mapear áreas com risco de deslizamento.

O sistema permitirá monitorar, em tempo real, fatores como chuva, vento, temperatura e umidade. A plataforma vai integrar dados da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), de estações meteorológicas e dos próprios territórios.

O objetivo é emitir alertas acessíveis e direcionados para cada comunidade, de acordo com o nível de urgência e vulnerabilidade local.

O anúncio foi feito durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém. Ao todo, serão investidos R$ 2 milhões em um ano em uma parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE), com participação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Rede GERA, Justiça Climática nas Periferias. A implementação deve ser concluída até dezembro de 2026.

Confira a lista das comunidades:

  • Ponte dos Carvalhos, Cabo de Santo Agostinho;
  • Bairro dos Estados, Camaragibe;
  • Areeiro, Camaragibe;
  • Jardim Monte Verde, Jaboatão dos Guararapes;
  • Vila dos Palmares, Jaboatão dos Guararapes;
  • Alto Doutor Júlio Lira, Jaboatão dos Guararapes;
  • Condor/Xuxa, Olinda;
  • Giriquiti, Olinda;
  • Cabo Gato, Olinda;
  • Jardim Fragoso, Olinda;
  • Córrego do Abacaxi, Olinda;
  • Comunidade Rua do Cupim, Paulista;
  • Sapo Nu, Recife;
  • Detran, Recife;
  • Maria Teresa, Recife;
  • Córrego da Bica, Recife;
  • Sítio dos Pintos, Recife;
  • Caranguejo Tabaiares, Recife;
  • Sítio dos Macacos, Recife;
  • Córrego do Jenipapo, Recife.

O projeto nasce de metodologias desenvolvidas pela Rede GERA, com soluções elaboradas por moradores dos próprios territórios. Ele foi idealizado após as fortes chuvas de 2022, que deixaram 134 mortos e mais de 125 mil desabrigados ou desalojados no Estado.

“A gente começou a entender que não tinha como fazer a proteção das pessoas se essas pessoas não entendessem o que estava acontecendo. A gente começa o mapeamento comunitário do território e esse mapeamento comunitário gera um plano de contingência, gerenciamento de risco e adaptação para essa comunidade”, explica Joice Paixão, coordenadora territorial de engajamento da Rede GERA.

O plano de contingência reúne informações como rotas de fuga em casos de emergências, indicando as opções mais viáveis para cada família, itens básicos para situações de evacuação e abrigos próximos.

Para o secretário executivo de Periferias da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), Pedro Ribeiro, o investimento é uma “política de fortalecimento comunitário, para que se um dia o Estado sair desse território, o território esteja fortalecido o suficiente para sobreviver a essa realidade”.

“Não dá para pensar justiça climática sem justiça social e a gente quer levar essas políticas de estado também para os territórios”, pontua.

O secretário acrescenta, ainda, que “a ideia é que a gente tenha uma coordenação colegiada que a gente vai se encontrar uma vez no mês, envolvendo Apac, Defesa Civil, Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas), para que todo mundo possa estar integrado neste projeto, entendendo que é uma responsabilidade compartilhada e o saber que vai ser produzido vai servir a todas as secretarias para que elas possam atuar de forma mais assertiva”.

De acordo com o Panorama Climático das Favelas e Comunidades Invisibilizadas, realizado pela ONG TETO Brasil, no Nordeste 6% dos territórios afirmam ter recebido suporte do governo ou Defesa Civil após desastres. Dos entrevistados, 22% afirmaram que o apoio veio em ONGs, enquanto 20% das comunidades disseram que lidaram sozinhas.