44 – DANÇAS BRASILEIRAS – SERAFINA

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Fale-nos sobre Serafina, é uma dança raiz ou é uma variável de outra dança?

Papa – Esta dança folclórica do Amazonas, segundo boas e confiáveis publicações, é uma variável das quadrilhas tradicionais com características regionais. É bastante praticada durante as festas juninas da região.

Nas apresentações, como nas quadrilhas tradicionais, existe a figura do marcador. Os pares que formam os grupos seguem os comando deste figurante e em movimentos circulares ou enfileirados apresentam lindas coreografias. Na literatura sobre essa dança encontramos vários nomes destes movimentos, destacamos os seguintes: puçá, lance alto, mala, cacuri, arrodeio baixo e arrastão.

Os dançarinos utilizam calçados e outras indumentárias que carregam simbólicos como remos e arpões. Usam também grandes lenços em volta do pescoço, fitas coloridas presas à cintura e chapéus de palha. Estes adereços harmonizam perfeitamente às coreografias.

Na execução das músicas são utilizados os seguintes instrumentos: cavaquinho, reco-reco, violão e tambor de gambá. Este último é feito artesanalmente com troncos de árvores da região.

Da obra de Verônica Ferriani transcrevemos “Dança a Menina”: “Num minuto o encanto se faz/ Dança a menina/ Dessa vida espera demais/ Roda e se domina/ Brasa em gasolina – Vê na brisa um sopro de paz/ Cola na retina/ Tem da vida o que ela lhe traz/ Profana e divina/ Pende na surdina – Fala manso, fala forte, corre devagar/ Vai na sorte, compra o risco, tanto amor pra dar/ Tá no choro, tá no riso, não pode parar/ Num reverso repentino, volta a perguntar – Só lhe saem coisas banais/ Será, Serafina?/ Perde a pista, aposta em sinais/ A que se destina?/ Onde isso termina? – Tanta coisa aconteceu/ Um beijo, a febre e a sombra do adeus/ Mas, num minuto o encanto se faz/ Dança a menina/ Dessa vida espera demais/ Roda e se domina/ Dá a volta por cima”.