Propaganda de políticos custa R$ 1 bi aos cofres públicos em 2022

mão aperta controle para ligar uma televisão

O Brasil é mesmo um país de cofres recheados, para a classe política. Enquanto a miséria só aumenta, a fome permeia nos quatro cantos da nação, os anúncios de políticos custarão R$ 992 milhões aos cofres públicos em 2022. É que o governo precisa dar desconto no pagamento de impostos para TVs e rádios de acordo com o espaço cedido para comerciais, para partidos e campanhas políticas, de acordo com estimativas da Receita.

São R$ 738 milhões separados no Orçamento de 2022 para a propaganda eleitoral “gratuita” na televisão e no rádio, que começaram nesta sexta-feira (26). O espaço, entretanto, não é de graça. As emissoras abatem, com um cálculo contábil, o dinheiro de seus impostos à União. Há ainda R$ 254 milhões da propaganda partidária, veiculada  no 1º semestre, fora da campanha eleitoral.

Comerciais o ano inteiro

A propaganda partidária havia sido extinta em 2017, quando o Congresso criou o Fundo Eleitoral. Congressistas tentaram voltar com a propaganda partidária em 2019, mas o presidente Jair Bolsonaro (PL) vetou. À época, a Câmara dos Deputados derrubou o veto, mas o Senado Federal o manteve.

Em 2021, 4 anos depois de a propaganda partidária ser extinta, o instrumento foi ressuscitado. Deputados e senadores ficaram com tudo: o Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões e as propagandas partidárias, pagas com o imposto que deixa de ser recolhido pelas emissoras.

Bolsonaro vetou inicialmente a compensação às emissoras. O veto, porém, foi derrubado pelo Congresso em fevereiro de 2022. Todos os partidos que elegeram deputados federais e superaram a cláusula de desempenho eleitoral têm acesso à propaganda partidária.

R$ 10 bi desde 2010

Em valores corrigidos pela inflação, as propagandas eleitorais e partidárias custaram R$ 10 bilhões desde 2010. É mais do que gastou o Ministério da Infraestrutura em 2021.

Ao todo, serão 65h50min de anúncios. A maior parte será em inserções diárias de 30 a 60 segundos, que inundarão a programação. Para os ouvintes resta a opção de aturar, porque as TVs e rádios passarão 2.450 minutos delas, o equivalente a 41 horas.