Distribuição de água ignorou cidades vulneráveis

Agricultor José dos Santos, 47, transporta galões de água com jegue e carroça no sertão de Alagoas.

A distribuição de reservatórios e cisternas por meio de emendas parlamentares no ano eleitoral de 2022 ignorou a maioria das cidades mais vulneráveis à seca na região do semiárido brasileiro.

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostra que 201 dos 228 municípios com prioridade alta ou muito alta (88%) não receberam nenhum equipamento da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

O grau de vulnerabilidade foi calculado pela Embrapa Territorial a partir de indicadores socioeconômicos e climáticos.

Enquanto isso, algumas cidades menos afetadas pela seca chegaram a receber o equivalente a uma caixa-d’água para cada três habitantes. A reportagem encontrou casos de recipientes com a marca da estatal guardados em galpões ou sendo vendidos pela internet.

O contraste decorre do avanço das emendas parlamentares, que permitem o envio de recursos para áreas indicadas por deputados e senadores independentemente de critérios técnicos.

Um dos braços do governo responsáveis pela instalação de cisternas e reservatórios na região, a Codevasf foi entregue ao centrão pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e segue assim no governo Lula (PT).

No ano passado, 90% dos equipamentos de convivência com a seca distribuídos pela estatal foram destinados por meio das emendas parlamentares. Apenas os 10% restantes tiveram a instalação definida pelo governo.