Governo Lula sofre críticas nas redes por não condenar o Hamas

Uma fumaça sobe e uma bola de fogo sobre edifícios na cidade de Gaza em 7 de outubro de 2023, durante um ataque aéreo israelense - Metrópols

Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Itamaraty e o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania sofreram críticas nas redes sociais por não condenarem diretamente o grupo Hamas, que está em guerra com Israel. Em notas oficiais, o governo brasileiro, por exemplo, não cita o nome da organização extremista nem classifica as mortes de brasileiros em solo israelense como assassinatos.

O conflito entre o Hamas e Israel reacendeu no sábado (07), após massacre em uma festa de música eletrônica nas proximidades da Faixa de Gaza. Até o momento, dois brasileiros morreram no ataque extremista: Ranani Glazer e Bruna Valeanu, ambos de 24 anos. E um segue desaparecido.

“Ele (Ranani) morreu de quê, infarto?”, perguntou um usuário na rede social X, antigo Twitter, ao anúncio oficial da morte de um dos brasileiros. “Vocês confundem equilíbrio com covardia! Diplomacia com falta de posicionamento. Essa nota é uma vergonha!”, escreveu outro.

Muitos internautas também reagiram com frases como “Vamos deixar de ser omissos, né? Vamos explicar que foi assassinada por terroristas do Hamas”, “O que aconteceu com ela (Bruna)? Caiu da laje? Bateu de moto?” e “Brutalmente assassinada por terroristas”.

Diante das cobranças, o Itamaraty desabilitou os comentários na web.

O Metrópoles entrou em contato com o Itamaraty, a Secretaria de Comunicação Especial e o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, mas não recebeu posicionamentos oficiais até a publicação desta reportagem.

Cobrança além das redes

Os senadores Carlos Viana (Podemos-MG) e Alan Rick (União-AC) requereram, na segunda-feira (09), que três autoridades ligadas ao presidente Lula sejam convidadas a prestar esclarecimentos na Comissão de Relações Exteriores (CRE) sobre o posicionamento do Itamaraty em meio à guerra entre Israel e Hamas.

Os três convidados à comissão do Senado Federal são: Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores; José Múcio, ministro da Defesa; e Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores, que atuou durante governos anteriores de Lula.

Viana disse estar preocupado pelo Hamas ter cumprimentado “Lula pela última eleição”, além de o Itamaraty não ter citado o Hamas “nem condenou os atos terroristas”. O senador também deseja saber como o governo federal está contribuindo para a repatriação de brasileiros que estão em Israel.