A vida de luxo de Antonio Rueda, novo presidente do União Brasil

https://ricardoantunes.com.br/wp-content/uploads/2024/04/antonio-rueda-750x375.jpg

Uol

Nos últimos dois anos, foram vendidas 42 McLarens zero km no Brasil. Uma delas foi comprada pelo novo presidente do União Brasil, Antônio Rueda, de 49 anos. O advogado também adquiriu, em quatro anos, dois Porsches, duas Mercedes, uma Land Rover além de uma casa e dois terrenos em bairro nobre de Brasília. Esses bens somam cerca de R$ 23,5 milhões, segundo levantamento do Uol.

A maioria das aquisições aconteceu a partir de 2021, quando começou a ascensão de Rueda no União Brasil. Foi também nessa época que ele estreitou laços com pessoas influentes como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o desembargador Eduardo Martins, filho do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Henrique Martins.

Rueda e Martins admitem que atuaram juntos em causas judiciais quando o filho do ministro ainda era advogado, mas dizem não se lembrar para quais clientes. Sobre as relações com o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), silêncio de ambos os lados.

O União Brasil receberá neste ano R$ 865 milhões em recursos públicos, o terceiro maior volume em fundos eleitoral e partidário, atrás apenas de PL e PT.

É Rueda quem decidirá o que fazer com o dinheiro e quanto cada candidato receberá para a campanha eleitoral deste ano. Tal protagonismo ajuda a explicar o tamanho do poder que Rueda tem hoje em suas mãos, e isso sem jamais ter disputado uma eleição.

‘Superunião’

Esse poder vai além de verbas para a eleição. O União Brasil tem os dois candidatos mais fortes para substituir Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG) nas presidências da Câmara e do Senado, respectivamente.

O deputado Elmar Nascimento (BA) e o senador Davi Alcolumbre (AP) podem comandar o Congresso no próximo biênio em um movimento político poucas vezes registrado na História brasileira.

Desde a redemocratização, em 1985, um mesmo partido comandou as duas Casas Legislativas simultaneamente apenas oito vezes, segundo levantamento do analista político Antonio Augusto de Queiroz para o Uol.

O União também é o único partido que já tem candidato à sucessão de Lula (PT) em 2026: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. A última pesquisa Genial/Quaest diz que ele tem aprovação de 86% dos eleitores no estado, é o mais bem avaliado entre os nomes de direita pesquisados.

No último mês, o Uol ouviu mais de uma dezena de pessoas e levantou informações em cartórios e órgãos oficiais para traçar o perfil do homem que controla esse arsenal.

Rompimento e traição

Rueda assumiu neste mês a presidência interina do União Brasil (fusão do PSL com o DEM) em uma disputa que virou caso de polícia. Um dos fundadores do partido e afastado da presidência da sigla por decisão judicial, o deputado federal Luciano Bivar (PE) se diz traído por Rueda, a quem considerava como um filho. O “afilhado”, por sua vez, acusa o “padrinho” de malfeitos.

Rueda e Bivar começaram a se estranhar em 2019, quando Jair Bolsonaro (PL) deixou o PSL acusando Bivar de decidir sozinho sobre a distribuição de verbas e diretórios estaduais. Rueda ficou ao lado de Bolsonaro, de quem se aproximou há seis anos quando o ex-presidente entrou no PSL.

O distanciamento de Bivar e Rueda aumentou após a fusão com o DEM em 2021. Bivar novamente se recusou a compartilhar, desta vez com os novos parceiros, as decisões sobre recursos e diretórios. O conflito levou Rueda a apoiar os caciques oriundos do DEM.

O rompimento ocorreu quando os novos aliados de Rueda propuseram a ele que disputasse a presidência da sigla contra Bivar. Ele aceitou, numa decisão que surpreendeu o grupo, dada a relação de pai e filho que Bivar e Rueda já tiveram.

A eleição para o comando do União seria em maio deste ano, mas, diante da resistência de Bivar em deixar o cargo, Rueda operou para afastá-lo antes disso. Para Bivar, foi uma traição.

Mesmo antes de assumir como presidente interino, Rueda já dava as cartas. Ele colocou a irmã e o cunhado como tesoureiros e possuía uma procuração de Bivar para movimentar o dinheiro da sigla. A família Rueda administrou quase R$ 1 bilhão (a soma dos fundos partidário e eleitoral) nas últimas eleições.

Foi uma casa de veraneio dessa irmã que pegou fogo em março, enquanto um imóvel de Rueda também era consumida pelas chamas. Ambas as propriedades ficavam em um condomínio de luxo na praia de Toquinho (PE).

O chefão do partido acusou Bivar de ser responsável pelo incêndio. O caso está sendo investigado pela polícia de Pernambuco. Desde que rompeu com Bivar, Rueda tem seguranças cercando sua casa em Brasília. Quem para em frente ao seu escritório na cidade tem a placa anotada e recebe uma ligação da polícia para explicar as razões. Isso ocorreu com a reportagem do Uol.