Com chuvas de volta ao RS, demissões no Inmet deixam o órgão com apenas dois meteorologistas para o estado

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O Globo

Findo o prazo, nesta sexta-feira (14), dos avisos prévios entregues aos terceirizados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a maioria destes profissionais, que prestam importantes serviços técnicos ao órgão federal, tiveram, no início da noite, a confirmação de que terão seus contratos descontinuados. Houve baixa, inclusive, no Rio Grande do Sul, que viveu recentemente a maior catástrofe climática de sua história, e onde há previsão de mais chuva forte neste fim de semana. Agora, são apenas dois profissionais no estado.

Depois de Porto Alegre chegar a bater até recorde histórico de calor para o mês de junho, com 32,4 graus, uma frente fria volta a trazer chuva ao estado, a partir deste sábado, e seguirá sobre o território gaúcho por alguns dias, segundo informa o portal MetSul. A previsão é de que o dia até comece abafado, com sol entre nuvens, mas com baixos volumes de chuva desde cedo. No domingo, deve chover forte, sobretudo entre o Centro e o Norte gaúchos, com acumulados de 50mm a 100mm.

Terceirizados relatam crise no Inmet

Em um comunicado enviado aos profissionais, a Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (Fundecc), responsável por esses terceirizados, confirmou que os avisos prévios emitidos seriam mantidos e justificou que os recursos repassados à instituição eram insuficientes para manter toda a equipe até o fim do convênio.

Fontes do Inmet afirmam que 13 meteorologistas tiveram os serviços dispensados, o que representa cerca de 50% da equipe que cuida das previsões pelo órgão no país.

— Está difícil, estamos passando por uma situação muito difícil. Estou muito triste pelos meus colegas, desabafou um dos profissionais, que pede para não ser identificado.

O aviso prévio teria sido cancelado apenas para três meteorologistas terceirizados, todos da sede, em Brasília. Ainda assim, estes devem trabalhar até julho e, depois, devem cumprir aviso prévio em agosto. “A maioria que eles mantiveram foi de analistas de TI”, disse um dos funcionários.

No Rio Grande do Sul, que acabou de enfrentar a maior tragédia climática de sua história, com 175 mortos, e onde esses episódios têm sido recorrentes, houve uma baixa. Há agora dois servidores em Porto Alegre que tomam conta das previsões. Ainda assim, quem trabalha no Inmet prevê que o serviço, reduzido a partir de agora, deverá ser impactado. No Rio de Janeiro, estado que encara constantes problemas nas regiões Serrana e Metropolitana, sequer há meteorologista em campo. Os profissionais garantem: “com certeza todo o sistema será prejudicado” com as saídas.

Segundo os trabalhadores, foram demitidos meteorologistas em Belo Horizonte, Recife, Salvador, Porto Alegre, Rio de Janeiro e oito em Brasília. A distribuição de meteorologistas agora ficaria da seguinte maneira:

  • Brasília: três terceirizados, que foram mantidos;
  • Rio de Janeiro: sem pessoal
  • Belém: três servidores;
  • Recife: uma servidora;
  • Belo Horizonte: uma servidora;
  • São Paulo: dois servidores e um profissional cedido da Unesp;
  • Rio Grande do Sul: dois servidores.