Mesmo com suspensão da greve dos rodoviários, passageiros e motoristas continuam insatisfeitos

Passageiros no T.I Joana Bezerra

Nem mesmo a suspensão da greve dos rodoviários da Região Metropolitana do Recife fez com que os passageiros e profissionais poupassem críticas ao sistema e às negociações feitas entre o sindicato da categoria e o Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região.

No TI Joana Bezerra, centro da capital, as filas continuam grandes. O local é atendido por 11 linhas de ônibus. A de maior demanda é a TI Joana Bezerra/Boa Viagem. Mesmo com o intervalo de 5 minutos entre os veículos, a correria para conseguir uma vaga é grande.

O motorista Robson Martins, de 37 anos, da empresa Borborema, expressou a rotina estressante dos profissionais que com ele trabalham. Ele não achou suficiente as negociações entre o sindicato e o TRT-6.

“O sindicato ainda não emitiu uma nota sobre isso para nós. Agora, nos resta trabalhar. O reajuste do ticket alimentação [de R$ 366 para R$ 400], por exemplo, não era o que a gente esperava. Foi pedido um reajuste para R$ 720. Sobre o plano de saúde, temos que esperar para janeiro. Seguimos insatisfeitos. É uma rotina estressante, tendo que dirigir e cobrar, ao mesmo tempo, ter atenção nas portas e subir cadeirantes”, detalhou o profissional.

“A movimentação está tranquila, comparando aos dias de greve. Foi um período de horror para pegar ônibus. Todos os trabalhadores têm direitos e eles estão correndo atrás de algo que é deles. Não estou aqui para julgar, mas também dificulta para a gente”, opinou a passageira Maria Francisca, de 38 anos, que veio de Camaragibe com destino a Boa Viagem.

Propostas acertadas na reunião

A audiência de conciliação aconteceu na sede do TRT-6, no bairro do Recife, centro da capital, e durou mais de cinco horas. O Tribunal intermediou as negociações entre os representantes da categoria e a Urbana-PE, que representa as empresas de ônibus.

Durante as negociações, ficou acertado o aumento de 4,2% no salário, que representa um reajuste acima da inflação de 0,5%. O piso saiu de R$ 3.061 para R$ 3.189,80.

O ticket alimentação teve um ajuste de R$ 366 para R$ 400 e o bônus por dupla função, no caso do motorista que cobra passagem, será de R$ 180, que vai ser pago como abono salarial.

A estimativa do Sindicato dos Rodoviários é de que 5 mil trabalhadores possam receber essa bonificação. Por se tratar de um sistema complexo para implementação, não foi definida qualquer negociação concreta sobre o fornecimento de plano de saúde para os funcionários.

As partes chegaram a um consenso de que o Ministério Público do Trabalho vai iniciar a mesa de debate a partir de janeiro do próximo ano.

Também ficou decidido que a jornada de trabalho será iniciada com o funcionário se conectando no sistema desde o momento em que ele começar o checklist do veículo. A jornada será encerrada quando o motorista se desconectar após a prestação de contas.