
Os riscos do modelo da futura concessão do Metrô do Recife, já em andamento serão o foco de uma discussão técnica realizada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE). O Conselho promove, no dia 30 de junho, à tarde, um seminário técnico para debater o tema.
No evento, que será realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), em Santo Amaro, na área central do Recife, serão apresentadas e detalhadas as sete propostas prioritárias que o Conselho elaborou e que buscam garantir investimentos reais e a melhoria da prestação do serviço público sobre trilhos. Em um cenário de “sucateamento” e abandono, o Crea-PE alerta para a necessidade de tornar o modal uma opção segura e viável para os mais de 130 mil usuários diários.
A realização do debate acontece sob a sombra de uma crise operacional severa que tem assustado a população. Em um intervalo de menos de cinco dias, o sistema registrou dois descarrilamentos: um na Linha Sul, no dia 9 de junho, e outro na Linha Centro, no dia 13. Além dos incidentes com os trens, o período foi marcado pela morte trágica do metroviário Tiago Barbosa dos Santos, de 40 anos, eletrocutado por uma descarga de 3.000 volts enquanto realizava a manutenção da rede aérea na Estação Tejipió, que faz parte da Linha Centro.
Os especialistas do Comitê Tecnológico Permanente do Crea-PE comparam o atual estado do Metrô do Recife a um “paciente na UTI, respirando por aparelhos”. Um dos pontos mais críticos levantados é a situação da Linha Sul, cujos veículos datam da década de 1980 e têm vida útil projetada para se esgotar em abril de 2027. Sem a reposição imediata da frota, há um risco real de paralisia total das operações nesta linha, o que agravaria ainda mais o deficitário sistema de transporte da Região Metropolitana do Recife.
O Conselho também aponta falhas estruturais na proposta de concessão elaborada pelo BNDES e pelo governo federal. Entre os principais alertas estão a insuficiência de recursos previstos para a recuperação da infraestrutura existente e a falta de integração entre a concessão do metrô e a licitação dos lotes remanescentes do sistema de ônibus (STPP/RMR). Além disso, o Crea-PE questiona a ausência de diretrizes para o uso de energia limpa e a indefinição sobre subsídios estaduais após a retirada da União do processo.


















