Disputa política atrasa votação de reajuste salarial para professores de Pernambuco na Alepe

Disputa política atrasa votação de reajuste salarial para professores de Pernambuco na Alepe

Em encontro realizado na manhã desta segunda-feira (09) com representantes do Sintepe, o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Álvaro Porto (PSDB), atribuiu à governadora Raquel Lyra (PSD) a responsabilidade pelo impasse que impede a votação do reajuste salarial dos professores da rede estadual e afirmou que a gestora só queria “dar ordens”.

A reunião ocorreu no auditório Sérgio Guerra, como parte das mobilizações promovidas pela categoria, que decretou paralisação das atividades em todo o estado para esta segunda.

Segundo informações obtidas com exclusividade pelo Jamildo.com, Porto relatou aos presentes o teor de uma ligação feita pela governadora, que teria solicitado a imediata aprovação de projetos do Executivo, entre eles o Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 2968/2025, que trata do reajuste e da reestruturação das carreiras da educação.

“Quando ela ligou, a primeira palavra foi: ‘Eu quero que amanhã seja colocado em votação os projetos e é para aprovar’. Mas aqui não se resolve as coisas com ordem, e sim com diálogo. Quem manda nessa Casa são os deputados e o povo pernambucano”, afirmou Porto, diante dos sindicalistas e professores. Ele criticou o tom do telefonema e afirmou que “não vai receber desaforo”.

Durante a reunião, o presidente da Alepe também exibiu uma linha do tempo da tramitação do PLC 2968/2025, para afirmar que a Casa tem se empenhado em acelerar a análise da proposta desde sua chegada, no dia 28 de maio.

Previsto para às 9h, o encontro iniciou com quase duas horas de atraso. Tempo suficiente para lotar o Auditório Sérgio Guerra, da Alepe, com professores, estudantes e lideranças sindicais. Ao lado do presidente da Casa, estiveram os parlamentares: Dani Portela (PSol), João Paulo (PT), Coronel Feitosa (PL), Antônio Coelho (União), Rodrigo Farias (PSB), Rosa Amorim (PT), entre outros.

“A assembleia vem segurando o projeto. Agilidade, a gente cumpriu. Para mim, é um jogo. Mas, não um jogo político. O que está acontecendo é uma tentativa de colocar os professores, sindicato contra os deputados”, acusou Porto.

O presidente da Casa ainda disparou: “querendo transformar uma incompetência administrativa, de não entregar as coisas, de ser só promessas e agora querem usar vocês [professores] como foi usado na semana passada quando chamaram a presidente do sindicato ou a comissão para o Palácio [do Campo da Princesas]. Mas, a história que a gente sabe é essa de esvaziar a casa”.