
PlatôBR
Uma ofensiva digital contra o Congresso tem sido registrada desde que Câmara e Senado se uniram para derrubar um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que aumentava alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), um esforço do Palácio do Planalto para cumprir as metas fiscais.
Nas redes sociais, petistas associaram a derrubada ao que seria uma agenda contrária aos mais pobres por parte do Parlamento, tática resumida pela alcunha “Congresso inimigo do povo”. Vídeos com inteligência artificial em ataque ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ganharam tração, em movimento que o PlatôBR reportou ser atrelado ao Executivo pelo deputado.
Lideranças governistas dobraram a aposta e passaram a militar pela taxação de bilionários. Em agenda na Bahia, Lula chegou a segurar um cartaz pedindo a tributação das grandes fortunas. “Mais justiça tributária e menos desigualdade”, escreveu o presidente nas redes sociais, em legenda que acompanhou a fotografia.
No campo político, articuladores petistas, como a historicamente combativa ministra Gleisi Hoffmann, e o líder do governo na Câmara, José Guimarães, têm atuado para preservar pontes com o Legislativo.
Com poder limitado nas Casas, no entanto, o governo recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para “derrubar a derrubada” do decreto do IOF, sob o argumento de que a votação violou o princípio da separação entre Poderes. A estratégia virou lugar comum neste mandato de Lula, como a IstoÉ explicou em vídeo.
Com aliados em ofensiva, Lula quis acalmar os ânimos. “O governo pensa uma coisa, o Congresso está pensando outra. A gente vai resolver isso em uma mesa de negociação. Eu não quero nervosismo”, disse. A mesa tem data para ser posta: 15 de julho, para quando o ministro do Supremo Alexandre de Moraes marcou uma audiência de conciliação entre representantes do Executivo e do Legislativo.



