49 – MULHERES VENCEDORAS – ALMERINDA FARIAS

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Falaremos hoje sobre a alagoana Almerinda Farias.

Papa – Almerinda Farias Gama, advogada, sindicalista, jornalista, pianista, poetisa, compositora, política e ativista social que nasceu em Maceió (AL), em 16.05.1899, e tem lugar reservado entre as pioneiras na militância em defesa das mulheres e dos afrodescendentes de forma geral. Com menos de dez anos mudou-se para Belém (PA), cidade em que após a formatura como datilógrafa passou a escrever crônicas para o jornal “A Província”.

Esta MULHER VENCEDORA carrega em sua biografia além de outros destaques a importância de ter atuado ativamente no movimento sufragista brasileiro de 1932 e ser efetivamente uma das pioneiras nas atividades políticas em nosso país. Registrar a importância deste movimento em favor do voto feminino torna-se obrigatório uma vez que se trata de uma luta de décadas e que se tornou realidade com a edição do Decreto nº 21.076, de 24.02.1932, que no Artigo Segundo diz: “É eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, alistado na forma deste Código”.

Na Capital Federal formou-se como Advogada, entrou com força total nas lutas em favor de políticas públicas destinadas às conquistas femininas, foi escrevente juramentada e tradutora, presidiu o Sindicato dos Datilógrafos e Taquígrafos assim como na Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Sua ação no universo político e sindical serviu de credencial para ser indicada no ano de 1933 como delegada na votação que escolheu os integrantes da Assembleia Nacional encarregada de elaborar uma nova Constituição para o Brasil. Em 1934 lançou sua candidatura à deputada federal não sendo eleita, integrou a direção do Partido Socialista Proletário do Brasil (PSPB), onde permaneceu até 1937 quando o partido foi extinto pelas restrições impostas com o advento do famigerado Estado Novo.

A autora da frase: “Eu sempre, por instinto, me revoltei contra a desigualdade de direitos entre homem e mulher”, deu-nos como poetisa e escritora entre outros as seguintes obras: “A Nossa História, 1930”; “Da Tristeza que Mora nos Meus Olhos, 1931”; “Aspiração, 1936″; “Zumbi, 1942” e “O Dedo de Luciano – Noções de Higiene, 1964…”, como compositora podemos citar “Quem chora comigo”, letra musicada por Hilda Matos.

Uma mulher que merece todas homenagens que recebeu em livros, filmes e nome em espaços públicos, afinal por onde passou emprestou a sua sensibilidade artística e a coragem em favor de causas justas e bem coletivo. A terra dos “Marechais” nos deu também uma guerreira do bem.