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O Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) afirmou que não descarta uma greve da categoria durante o Carnaval, especialmente no Galo da Madrugada, marcado para o dia 14 de fevereiro. Para chegar ao maior bloco de Carnaval do mundo, uma parcela significativa do público utiliza o metrô como meio de transporte principal.
O presidente da categoria, Luiz Soares, explicou que não admite fazer a população, cerca de 500 mil pessoas na ocasião do Galo da Madrugada, correr riscos em caso de falha no sistema metroviário. “A gente não quer nenhum composição pegando fogo. A gente não quer nenhuma população (em risco), o sistema lotado, uma composição com 1.200 pessoas e ela incendiando e o sistema de segurança não funcionar e aí ter morte, vítima fatal”, observou.
O exemplo mencionado se relaciona a um incêndio que atingiu um vagão do metrô da Linha Centro, em outubro do ano passado. Na ocasião não houve feridos, mas o serviço de transporte ficou suspenso por uma semana para finalizar os reparos, fato que desencadeou protestos e greve da categoria.
Estado de greve
Os metroviários estão em estado de greve desde o ano passado, após uma paralisação no serviço em novembro. O fim da greve aconteceu no dia 5 daquele mês, após assembleia geral, que levou em consideração o que foi falado durante audiência de conciliação com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).
Luiz Soares destacou que solicitou acesso ao Acordo de Cooperação Técnica, assinado pela governadora Raquel Lyra e o presidente Lula, no dia 16 de dezembro de 2025, há menos de um mês. O prazo para resposta da solicitação é de 20 dias. Soares informou que o pedido foi feito há cerca de 15 dias. “A gente solicitou esse acordo de cooperação técnica, porque de anúncio e fala, tem um bocado: ‘Vamos fazer isso’, ‘vamos fazer aquilo’. E na hora não acontece, e o sistema fica aí numa situação difícil, comprometendo a segurança dos trabalhadores nas suas viagens”, arrematou.
Chegada de novas composições
O anúncio de compra de trens de outros estados, como parte do ACT assinado pelos governos federal e estadual, também não agradou o representante dos metroviários. Soares afirmou que as composições “seminovas” não passam de equipamentos que estavam destinados a serem sucata. “A gente não sabe o que é que tá para vir aí”, disse.
“Nós talvez tenhamos que parar mesmo. A categoria vai parar se não tiver uma posição concreta sobre o que é isso. Que acordo de cooperação técnica é esse? O que é que tá colocado aí? Quais são essas composições que (a governadora) Raquel Lyra vem dizendo que são seminovas? De onde foi que ela tirou isso? (…) O que a gente tá sabendo é que vem para cá, são composições velhas que ia para Sucata, ia se transformar em Sucata lá em Cuiabá. Isso é o que a gente sabe“, questionou.
Nas últimas semanas, circulam imagens nas redes sociais de trens do sistema metroviário de Porto Alegre e de Minas Gerais que serão incorporados ao sistema pernambucano.
Defensor da manutenção da CBTU como uma estatal, Soares arremata, por fim, que existem alternativas viáveis para evitar a privatização do serviço. Ele afirma que os problemas enfrentados em outras capitais deveriam servir como uma lição do que não fazer. “O sindicato tem uma proposta de modelagem, uma proposta de modelo de gestão para o metrô do Recife, para a CBTU. É um modelo de empresa que permita ser construído junto com a União, Estado e Municípios. Porque a gente acha que todo mundo tem que ter a sua participação. E aí a gente constrói um modelo diferente. Não precisa entregar à iniciativa privada, porque ela não resolveu, nem resolve aqui no Brasil e não resolveu em canto nenhum do mundo”, finalizou.



