
O Globo
O vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, criticou a formação de uma “chapa puro-sangue” do PT para a eleição ao Senado na Bahia. Ex-prefeito de Salvador, ele também ironizou o evento de aniversário do partido realizado na capital baiana, o qual classificou como “fracasso”, assim como o restante da agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em território baiano.
— Eu imagino que o presidente Lula não saiu muito feliz dessa sua passagem aqui no nosso Estado, porque acho que ele se deparou com um público limitado, tanto na sexta-feira, quanto no último sábado. Imagino que eles, com toda a estrutura do governo do Estado, com toda a capacidade de mobilização, não receberam o presidente Lula como ele esperava, e o PT não marcou seu aniversário aqui à toa, afirmou ACM Neto durante o evento Furdunço, no carnaval de Salvador.
‘Panelinha’
ACM Neto também comentou sobre o anúncio de que o senador Ângelo Coronel deixará o PSD. O parlamentar confirmou que sairá do partido após perder espaço na montagem da chapa majoritária de 2026.
O PT pretende lançar as candidaturas do senador Jaques Wagner e do ministro da Casa Civil, Rui Costa, ambos do partido do presidente Lula. O ex-prefeito de Salvador classificou a articulação petista como “traição” e acenou a Coronel.
— Se alguém está vivendo problemas de traição, são eles (base governista). No final de contas, praticamente colocaram para fora o senador Ângelo Coronel, que teria o legítimo direito de ser candidato à reeleição na chapa governista, depois de 10 anos, dois como presidente da Assembleia, oito como senador, prestando relevantes serviços à Bahia e, simplesmente, para prevalecer a chapa puro-sangue, a chapa da panelinha, eles tiraram o Coronel, afirmou.
Saída do PSD
Coronel disse que sairá do PSD por ter sido destituído das funções partidárias e orientado a buscar outra legenda caso queira disputar a eleição. Segundo ele, o recado foi direto.
— A mudança ainda não ocorreu, mas a tendência é ocorrer. Estou estudando qual o melhor partido. É uma decisão que não é somente me abrigar, mas não deixar. Minha saída do PSD é com o coração dilacerado. Eu fui destituído. Ontem o presidente Otto (Alencar) disse que minha permanência era insustentável. Por isso, ele deu o veredito para eu procurar partido para concorrer, afirmou.
A versão é reforçada por declaração pública de Alencar, que é presidente estadual do PSD e disse considerar “insustentável” a permanência de Coronel no partido, diante do novo desenho político.
O pano de fundo é a construção da chamada “super chapa dos vencedores”, defendida pelo PT baiano. O arranjo prevê a reeleição de Jerônimo ao governo e as duas vagas ao Senado ocupadas por petistas, o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. O desenho exclui Coronel, que buscava espaço para renovar o mandato, e vinha ampliando o atrito entre PT e PSD na base governista.
PSD vai apoiar Lula
Alencar participou do evento que comemorou os 46 anos do PT, na capital baiana, no último sábado. Na ocasião, o senador declarou apoio à pré-candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.



