Em abaixo-assinado, servidores pedem apoio da sociedade à autonomia do IBGE e à mudança na escolha de presidente

https://s2-oglobo.glbimg.com/ITyoRcCAMok9SOQ0CRlOsoVJYoI=/540x304/top/smart/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/z/E/DnEiVoQgel8NZj94juGg/925808-greve-ibge060814-1.jpg

O Globo

Os servidores do IBGE divulgaram nesta segunda-feira (23), uma carta aberta em que denunciam o que chamam de um processo de “caça às bruxas” no instituto, enumerando e nomeando uma série de exonerações de servidores de carreira. O texto é acompanhado de um abaixo-assinado em que pedem à sociedade apoio à independência do instituto e mudanças na forma de escolha do presidente da instituição.

A crise entre os servidores e a gestão de Marcio Pochmann não é nova, mas vem escalando desde o início deste ano. O que levou a retomada do debate para que a presidência do IBGE deixe de ser de indicação exclusiva do presidente da República e passe a seguir uma lista tríplice, eleita pelos servidores da instituição, a exemplo do que já ocorre na Fiocruz e nas universidades federais. Segundo os servidores, o atual modelo de nomeação representa uma grande fragilidade institucional.

No texto que abre o abaixo-assinado, pontua que, entre 2023 e 2024, mais de 20 servidores foram “retirados dos cargos de forma mandatória ou por solicitação, devido a discordâncias técnicas e de compliance com a gestão atual”. A carta lembra ainda outras exonerações e entregas de cargos em 2025, mas ressalta que, “em janeiro de 2026, a ruptura alcançou o núcleo mais sensível da produção estatística brasileira”, com a retirada da fundação da coordenadora de Contas Nacionais (Conac), Rebeca Palis, referência técnica reconhecida nacionalmente, durante o processo de construção da nova base do Produto Interno Bruto (PIB).

Na carta aberta, os servidores afirmam que o acúmulo desses episódios resulta na “fragilização da estabilidade técnica e da memória institucional que sempre distinguiram o IBGE”. E ressaltam que “o IBGE calcula o PIB, mede a inflação, realiza os censos demográfico e agropecuário, subsidia o Fundo de Participação dos Municípios, estrutura a repartição de royalties e fornece a base territorial do planejamento nacional”. “Se a credibilidade do IBGE é tensionada”, destacam, “fragilizam-se políticas públicas, decisões orçamentárias, relações federativas e a própria segurança jurídica do Estado brasileiro”. “A confiança pública nas estatísticas oficiais é um bem coletivo”, afirma o texto assinado pelos servidores.

O documento menciona também que a Proposta de Emenda à Constituição nº 27/2021 visa transformar importantes instituições federais de pesquisa e avaliação, como IBGE, Inep, Ipea, Capes e CNPq, em instituições permanentes de Estado. A PEC tem como objetivo garantir autonomia, estabilidade técnica e orçamentária, blindando-as de interferências governamentais. Segundo os servidores, o texto “reflete a compreensão de que a autonomia técnica do IBGE precisa de salvaguarda estrutural”.