
Poder360
O governo central registrou superavit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro de 2026, porém, o acumulado em 12 meses até janeiro indica deficit de R$ 62,7 bilhões, equivalente a 0,47% do Produto Interno Bruto (PIB), o que pressiona o cumprimento da meta fiscal do ano. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Ministério da Fazenda no Resultado do Tesouro Nacional.
Eis as íntegras da apresentação e do relatório.
Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o resultado reflete um crescimento das receitas administradas e o avanço das despesas obrigatórias no início do ano.
A receita total somou R$ 322 bilhões em janeiro, com alta real de 2% ante o mesmo mês de 2025. A receita líquida, após transferências a Estados e municípios, cresceu 1,2%. Já a despesa total atingiu R$ 1,85 bilhão, com aumento real de 2,9%.
O superavit do mês decorre principalmente do desempenho do Tesouro Nacional e do Banco Central do Brasil, que juntos registraram saldo positivo expressivo. A Previdência Social teve deficit de R$ 20,6 bilhões no mês.
A previsão oficial é de deficit de 0,25% do PIB, ou R$ 22,9 bilhões. A LOA 2026 prevê ainda R$ 57,8 bilhões em despesas com precatórios excedentes ao limite que não são considerados para fins de apuração da meta.
Sem esses valores, o deficit em 12 meses seria de R$ 23,6 bilhões, próximo da meta estabelecida.
Ceron afirmou que, no acumulado de janeiro de 2023 a janeiro de 2026, o deficit primário anualizado soma R$ 87,8 bilhões, equivalente a 0,42% do PIB. “Trata-se do menor resultado negativo acumulado em ciclos recentes de governo”, disse.
As receitas administradas pela Receita Federal do cresceram 3,7% em termos reais, com destaque para o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A arrecadação previdenciária avançou quase 7%. Em sentido oposto, as receitas não administradas recuaram, influenciadas pela queda na exploração de recursos naturais.
Do lado das despesas, o gasto total corresponde a 18,8% do PIB, sendo 17,20% relativos a despesas obrigatórias e 1,61% a discricionárias. Benefícios previdenciários subiram 5,3% no mês. As despesas com pessoal cresceram 10%, impactadas por pagamentos de restos a pagar.
Rubricas como Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e Benefício de Prestação Continuada (BPC) também tendem a apresentar alta real ao longo de 2026, segundo o secretário.



