Escândalo Master já impacta os números de Lula, avalia diretor do Paraná Pesquisas

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A tentativa do presidente Lula de associar o escândalo do Banco Master ao governo Bolsonaro esbarra em um dado incômodo para o Planalto: na percepção do eleitor, crises desse tipo tendem a recair sobre quem está no poder. E, segundo pesquisas recentes, isso já começa a acontecer.

Em meio à troca de acusações entre governo e oposição, o caso ganha contornos eleitorais e reposiciona a corrupção como tema central da disputa de 2026.

Durante evento em São Bernardo do Campo, Lula tentou deslocar a responsabilidade pelo escândalo para a gestão anterior, afirmando que o banco seria “obra” do governo Bolsonaro.

Mas, segundo o diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, o efeito prático dessa narrativa é limitado.

“Mais um escândalo de corrupção acaba caindo… em quem está na situação”.

Na leitura do instituto, independentemente da origem do problema, o desgaste imediato recai sobre o governo atual, e, neste momento, isso tem atingido diretamente Lula.

Os dados de opinião pública indicam uma tendência clara.

“Por enquanto, quem está perdendo é o presidente Lula”, afirma Hidalgo.

A avaliação sugere que o escândalo, somado ao desgaste institucional envolvendo o STF, tem impacto mais direto sobre o governo do que sobre a oposição neste estágio inicial.

Segundo Hidalgo, há uma mudança relevante na percepção do eleitorado. Temas tradicionais como segurança e saúde continuam importantes, mas a corrupção voltou ao topo das preocupações.

Esse movimento tende a alterar o eixo da campanha eleitoral, deslocando o debate de propostas para histórico e reputação dos candidatos.

A tendência, segundo ele, é de uma campanha mais negativa e menos propositiva.

“Em vez de discutir saúde, segurança… vai se discutir o passado dos candidatos”.

Nesse cenário, o eleitor passa a comparar menos projetos de governo e mais trajetórias pessoais, o que amplia a polarização e dificulta o surgimento de alternativas.

Hidalgo aponta que denúncias envolvendo candidatos fora do eixo Lula-Bolsonaro tendem a gerar ainda mais frustração no eleitorado.

“Quando vem uma denúncia sobre esses candidatos, a decepção é muito maior”.

Isso ocorre porque esses nomes costumam se apresentar como alternativa à polarização,  e acabam sendo cobrados com mais rigor quando surgem problemas.

Se o cenário atual se mantiver, a tendência é de uma disputa marcada por desgaste generalizado.

“Vai ser muito ruim… Não só para Lula ou Bolsonaro, mas para todos”.

A combinação de escândalos, desconfiança nas instituições e ausência de debate propositivo pode levar a uma eleição dominada por rejeição, e não por entusiasmo.