Projeto Catimbau articula rede nacional e aposta em turismo e inovação no Sertão de Pernambuco

Uma articulação que envolve governo federal, iniciativa privada e comunidades locais tem colocado o Vale do Catimbau, no Sertão do Moxotó, no centro de uma estratégia nacional de desenvolvimento sustentável. A proposta busca transformar o território em referência ao integrar conservação ambiental, empreendedorismo e inovação.

Coordenado pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), o chamado Projeto Catimbau aposta na valorização dos ativos naturais e culturais da região como caminho para gerar renda e ampliar oportunidades no interior pernambucano.

O Vale do Catimbau abriga o Parque Nacional do Catimbau, uma das áreas mais relevantes do bioma Caatinga e considerado o segundo maior sítio arqueológico da América Latina, com registros de ocupação humana que ultrapassam seis mil anos. Apesar desse potencial, a região ainda enfrenta entraves como limitações de infraestrutura e baixa diversificação econômica.

A iniciativa busca enfrentar esses desafios por meio de uma estratégia que conecta políticas públicas, investimentos privados e saberes tradicionais. O projeto reúne instituições como ICMBio, Sebrae, Iphan e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, além de organizações culturais e empresas de tecnologia.

Fases

A atuação está estruturada em três frentes principais. A primeira foca no fortalecimento do parque como motor de desenvolvimento, com ações voltadas à infraestrutura, turismo de base comunitária e governança integrada. A segunda prioriza a inclusão produtiva, incentivando cadeias ligadas à bioeconomia, turismo e economia criativa. Já a terceira aposta na valorização cultural aliada à tecnologia, ampliando a visibilidade do território.

Nos últimos meses, o projeto avançou com iniciativas práticas. Entre elas, a elaboração de um diagnóstico estratégico em parceria com o Sebrae Pernambuco, que deve orientar um plano de desenvolvimento voltado à geração de renda e inovação.

Também foi aprovado, em edital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, um projeto para fortalecer cadeias produtivas relacionadas ao turismo sustentável, economia criativa e bioeconomia.

Na área de inovação, uma das ações prevê o escaneamento digital do parque e a criação de experiências em realidade virtual, com o objetivo de ampliar a projeção do Catimbau para novos públicos e mercados, além de capacitar empreendedores locais no uso de ferramentas digitais.

Outra frente em andamento é a construção de um acordo de cooperação com o ICMBio, para garantir que as iniciativas estejam alinhadas às diretrizes de preservação ambiental e à gestão do parque.

Segundo o secretário-executivo do MEMP, Tadeu Alencar, a proposta representa uma nova abordagem para políticas públicas no interior. “O Projeto Catimbau demonstra como a integração entre conservação ambiental, inovação e empreendedorismo pode gerar oportunidades concretas para a população local, ao mesmo tempo em que valoriza um dos patrimônios mais importantes do país”, afirmou.

A expectativa é que, ao consolidar essa rede de atuação, o projeto contribua para posicionar o Sertão pernambucano como referência em turismo sustentável, economia da cultura e inovação no Brasil.