Reajuste médio de remédios foi menor que inflação em 14 anos desde 2005

O reajuste médio no preço dos remédios foi menor que a inflação em 14 dos últimos 22 anos, desde 2005. Só em cinco anos foi acima da taxa anualizada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sendo quatro anos durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

Os dados são da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2026, o reajuste médio no preço dos medicamentos será de 2,47%, abaixo da inflação anualizada, de 3,81%.

O percentual deste ano foi divulgado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) nesta terça-feira (31).

Pela legislação brasileira, a CMED deve publicar anualmente uma resolução com o índice máximo de reajuste no preço de medicamentos. A medida visa a proteger os consumidores de aumentos abusivos e, ao mesmo tempo, compensar eventuais perdas do setor farmacêutico.

Níveis de reajuste

A CMED define três níveis máximos de reajustes aplicáveis a diferentes grupos de medicamentos. Variam de 1,13% a 3,81% em 2026, conforme a competitividade de cada categoria de medicamento.

  • Nível 1: 3,81% para medicamentos com concorrência;
  • Nível 2: 2,47% para medicamentos de média concorrência;
  • Nível 3: 1,13% para medicamentos de pouca ou nenhuma concorrência.

O reajuste máximo (nível 1) será equivalente à inflação acumulada em 12 meses até fevereiro.

Os aumentos não são automáticos. Na prática, fabricantes e farmácias podem aplicar reajustes inferiores ou até manter os preços atuais, a depender das condições do setor e do nível de concorrência entre as empresas.

fitoterápicos e homeopáticos

Algumas categorias de medicamentos não seguem essa lógica de reajuste anual. É o caso dos fitoterápicos, dos medicamentos homeopáticos e de determinados medicamentos isentos de prescrição que apresentam alta concorrência no mercado. Esses produtos possuem regras específicas dentro do sistema de regulação de preços.