
VEJA
A queda nas intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Pernambuco, tradicional reduto petista, de acordo com o instituto Real Time Big Data, eleva as preocupações sobre a campanha à reeleição. O presidente aparece agora com 56% das intenções de voto no estado, cerca de dez pontos abaixo do desempenho registrado na eleição de 2022.
No debate conduzido por Marcela Rahal, de VEJA, o colunista Mauro Paulino analisou o movimento e destacou que a perda ocorre justamente em uma região considerada estratégica para a sustentação eleitoral de Lula.
Por que a queda em Pernambuco preocupa?
O Nordeste é a principal base eleitoral do presidente e, por isso, Paulino classificou a redução como significativa. “Perder qualquer ponto num reduto eleitoral é preocupante para qualquer campanha, especialmente a campanha de Lula”, afirmou.
O estado foi um dos locais onde Lula teve desempenho mais expressivo na última eleição, o que torna a queda ainda mais relevante no atual cenário.
A direita está avançando no Nordeste?
Sim, e de forma organizada, segundo a análise. Para Paulino, há uma articulação “muito profissional” da direita na montagem de palanques regionais, com o objetivo claro de reduzir a hegemonia do PT na região.
Há um movimento semelhante do outro lado?
O colunista destacou que o PT também tenta avançar em territórios tradicionalmente dominados pela direita, como São Paulo, com a candidatura de Fernando Haddad ao governo estadual. O movimento indica uma disputa territorial mais equilibrada entre os campos políticos.
O que isso revela sobre a eleição?
A disputa tende a ser cada vez mais acirrada e nacionalizada. Paulino apontou que a eleição deve ser decidida “voto a voto”, com crescimento do interesse do eleitorado à medida que a campanha ganha tração. Os movimentos regionais terão peso decisivo no resultado final.
O Nordeste pode deixar de ser decisivo?
Ainda não, mas o cenário indica maior competição. Mesmo com a queda, a região segue sendo central para a estratégia de Lula. No entanto, a redução da vantagem pode impactar diretamente sua competitividade nacional.
O que esperar daqui para frente?
A tendência é de intensificação da disputa nos redutos históricos de cada campo político. Com a direita avançando no Nordeste e o PT tentando crescer no Sudeste, a eleição se desenha como uma batalha territorial ampla, com impactos diretos no resultado nacional.



