
A decisão do presidente da Federação União Progressista em Pernambuco, deputado federal Eduardo da Fonte (PP), de atacar o secretário da Casa Civil do estado, Túlio Vilaça, aponta a tentativa de falar a mesma linguagem da bancada na Assembleia Legislativa.
Numa entrevista rádio, o deputado declarou que a governadora Raquel Lyra (PSD) tem falhado na articulação política e responsabilizou o secretário. “Túlio Vilaça perdeu as condições de continuar à frente dessa posição”.
Com a declaração, o parlamentar reata laços com os insatisfeitos depois de sua movimentação em direção ao adversário e pré-candidato ao governo João Campos (PSB), que resultou na perda de cargos no governo.
Não é de hoje, mas se intensificaram nos últimos meses as queixas de integrantes da bancada do PP, hoje com 10 deputados. De coisas simples a assuntos mais delicados, dizem que o secretário vem tratando a todos com indiferença.
Não responde mensagens nem retorna telefonemas; desmarca encontros agendados há muito tempo; não cumpre promessas feitas na presença de prefeitos e outros líderes.
E alega desconhecer assuntos pelos quais deveria responder, como afastamento ou remanejamento de indicados. A bancada tem questionado se vale a pena ser tão governista e aprovou a ideia de tornar-se independente.
Ao disparar contra Túlio Vilaça, Eduardo da Fonte se fortalece junto aos pares. E no Palácio das Princesas, nem de longe se cogita mexer no secretário. Mais que ponte entre Executivo e Legislativo, um escudo para a governadora.
O secretário Túlio Vilaça não quis comentar as declarações de Eduardo da Fonte. Estava preocupado em esclarecer o projeto enviado à Alepe propondo remanejamento de R$ 155 milhões para o Tribunal de Justiça. “Esse projeto é obrigatório porque a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) diz isso.” Está no parágrafo 9º, do artigo 32.
A preocupação de Túlio Vilaça se deve à reação do presidente da Alepe, Álvaro Porto. Ao receber o projeto destinando recursos ao TJPE, o deputado alegou que o governo poderia enviar outro contemplando os fornecedores de cana. Segundo o secretário, a matéria do TJPE é lei e o remanejamento travado tem impedido movimentos do governo.





