
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Vamos neste dia, em homenagens às mães, falar sobre uma das obras do poeta Diomedes Mariano.
Papa – Detentor de um talento extraordinário o filho de Dona Zezinha, no poema hoje apresentado, expõe em estrofes perfeitas um dos maiores tributos às mães que li em minha vida: Reconhecimento.
Mamãe sempre na sua companhia,
Levei vida de rei, ganhei tesouro,
Toda vez que eu chorava você ia,
Perguntar o motivo do meu choro,
Chá caseiro, injeção, papa no dedo,
Fosse tarde da noite ou fosse cedo,
Você sempre trazia se eu pedisse,
Generosa, bondosa, meiga e mansa,
Até hoje eu conservo na lembrança,
As palavras de amor que você disse.
No seu colo macio eu me deitava,
No batente da porta do chalé,
Qual criança manhosa eu cochilava,
Nos impulsos das mãos no cafuné,
Dez minutos depois adormecia,
Seu cuidado era tanto que eu nem via,
Quando ia pra rede nos seus braços,
Registrava-se ali mais uma cena,
Numa rede de saco tão pequena,
Que somente a senhora achava espaços.
Aprendi a seguir todo conselho,
Atirado por sua boca mansa,
O seu gesto fraterno era um espelho,
Me mostrando perfeita segurança,
Numa noite invernosa de janeiro
Se eu estivesse brincando no terreiro,
Você ia correndo pra o oitão,
No calor dos seus braços me acolhia,
Com um trapo de saco me cobria,
Se molhava na chuva, mas eu não.
Quando muito criança me arrastei,
No cimento do lar lhe acompanhando,
As primeiras passadas que eu dei,
Foram todas você me auxiliando,
Aprendi a falar pouco depois,
Quase sempre a conversa entre nós dois,
Era em torno de mim, de meus irmãos,
De papai, da senhora e tudo enfim,
A colheita do bem que veio a mim,
Foi plantada mamãe, por vossas mãos.
Tinha quase certeza e sinto agora,
Que somente ao seu lado eu fui feliz,
Cada ruga do rosto da senhora,
Tem resquícios das raivas que lhe fiz,
Cada fio de prata do cabelo,
Contraria a imagem e o modelo,
Desta santa de carne toda minha,
Cujo tempo infeliz impôs estragos,
Sem roubar o calor dos seus afagos,
Nem lhe tomar o império de rainha.
De nós dois qual que mais se prejudica,
Quando o tempo disser que nos venceu?
Eu partindo primeiro você fica,
Você indo primeiro fico eu,
De uma forma ou de outra o quadro é triste,
Eu prefiro partir porque existe,
Quem precisa aliar-se ao seu partido,
Todo juro saudoso é alta a taxa,
Se eu me perder na ida Deus me acha,
Se eu ficar sem você estou perdido.





