Caso Master: não está faltando alguém nas buscas da PF e do STF?

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Por Eliane Cantanhêde/Estadão

Dois senadores de polos políticos opostos, Jaques Wagner, do PT, e Ciro Nogueira, do PP, já sofreram operação de busca e apreensão, a pedido da PF e com autorização do relator, ministro André Mendonça, por suspeita de recebimento de altos valores e favores no caso Master. Não ficou faltando alguém? E o também senador Flávio Bolsonaro, do PL?

A PF tem provas irrefutáveis, inclusive com áudios, de que Flávio pediu a bagatela de R$ 134 milhões para Daniel Vorcaro, do Master, supostamente para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o pai, e de que foi a São Paulo para um encontro olho a olho com o banqueiro, quando ele já estava preso em casa, de tornozeleira eletrônica.

Jaques Wagner, a bola da vez, líder do governo e velho amigo do presidente Lula, não tem do que reclamar e ninguém questiona a busca e a apreensão de celulares, dólares, euros e relógios caríssimos, depois de comprovado que ele ganhou apartamento de R$ 2,5 milhões, viagens em jatinhos e entrada de shows da turma do Master. Sem contar mesadas e contratos para a família.

Ciro Nogueira, que preside o PP e foi chefe da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, nem se fala. Bife banhado a ouro em Nova York, jatinhos para lá e para cá, estações de esqui na Europa e mesadas que chegaram, no mínimo, a R$ 6 milhões… E foi ele quem assumiu como sua, e apresentou no Senado, uma emenda não apenas favorecendo o Master, mas escrita no próprio Master.

Uma explicação para as operações só contra dois dos três senadores é que a questão não é “quem pediu dinheiro”, mas qual a finalidade, quais as vantagens pessoais e se havia contrapartidas.

Enquanto os “pagamentos” de Wagner e Nogueira a Vorcaro e ao Master são estridentes, como na própria emenda que ampliava o teto do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), até agora não surgiram evidências de que Flávio “pagou”, ou como pagou, a dívida.

Sim, o argumento faz sentido e é reforçado pela versão de Flávio de que foi um “acerto privado”, mas não anula um dos motivos para busca e apreensão, que é preservar provas, quanto mais o tempo passa, mais as provas evaporam. Até por isso, não parece crível fazer operações contra dois senadores envolvidos e não contra outro, com áudio, viagem, dinheiro na conta, aliás, aqui e no exterior. E não foi pouco dinheiro…

Uma possibilidade é que a PF e/ou André Mendonça queiram amadurecer mais as investigações contra Flávio, sem deixar qualquer margem de dúvida, antes de operações com muito impacto na opinião pública, em ano eleitoral e com a percepção de que a PF é “de Lula” e Mendonça, “de Bolsonaro”.

Venha quando vier, se vier, uma operação de busca contra Flávio terá enorme repercussão. O áudio já estancou o seu crescimento nas pesquisas e, no Datafolha deste fim de semana, Lula está dez pontos à frente no primeiro turno (41% a 31%). Qualquer coisa que a PF descubra em endereços, celulares e computadores de Flávio pode fazer diferença. Se é que ainda há algo “preservado”?