Trem vindo de Belo Horizonte faz viagem com passageiros no Recife

O primeiro trem enviado de Belo Horizonte para reforçar a operação do Metrô do Recife realizou, uma viagem experimental com passageiros na Linha Sul do sistema. A composição, identificada como Trem 41, percorreu o trajeto entre a Estação Recife e a Estação Cajueiro Seco, com usuários utilizando o veículo normalmente durante o percurso.

A viagem marcou o início da operação do primeiro dos seis trens adquiridos pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) para ampliar a frota metroferroviária da Região Metropolitana do Recife. Antes de transportar passageiros, o equipamento passou por inspeções e testes técnicos.

A chegada dos novos veículos ocorre em meio a um cenário histórico de dificuldades operacionais enfrentadas pelo metrô, com redução da quantidade de trens disponíveis e registros frequentes de interrupções no serviço.

Segundo a CBTU, outras cinco composições ainda serão incorporadas à frota. O cronograma prevê a entrega de uma unidade em junho, uma em julho, uma em agosto e duas em setembro.

Entre os passageiros que participaram da viagem estava José Mendes, que utiliza o metrô diariamente e aprovou a entrada do novo trem em circulação. Para ele, a prioridade é garantir que os equipamentos tenham manutenção adequada para evitar novas paralisações.

“Não adianta ter novo e não ter manutenção. Ter o usado com manutenção, vamos colaborar e ter a sociedade apoiada e não andando de pé. O importante é ter transporte”, afirmou.

José também destacou que utiliza o metrô até três vezes por dia e defendeu que a conservação da estrutura seja tratada como prioridade.

“A manutenção é prioridade. Sem manutenção nada funciona”, disse.

Apesar da expectativa pela ampliação da frota, alguns usuários fizeram críticas durante a viagem experimental. O passageiro Sérgio Luiz da Silva Júnior afirmou que a chegada dos novos trens não resolve, sozinha, os problemas históricos do metrô.

Para ele, a principal reclamação está relacionada ao conforto térmico dos vagões, já que as composições vindas de Belo Horizonte não possuem sistema de ar-condicionado.

“Esse metrô aqui é pior. O outro podia ser velho, mas pelo menos a gente tinha um ar climatizado”, afirmou.

Sérgio também questionou a necessidade de investimentos contínuos no sistema e disse que a manutenção será fundamental para garantir o funcionamento dos novos veículos.

“Não adianta você trazer um trem de outro estado e depois dizer que vai comprar metrôs novos. Tem que ter investimento real”, declarou.

A CBTU informou que o Trem 41 faz parte de um lote de seis composições incorporadas à frota do Recife. Os demais veículos também deverão passar por etapas de preparação antes de serem colocados em operação.