32 – SEXTOU POÉTICO – Possidônio Gomes – Quincas Rafael

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el –  Hoje, sem nepotismo, falaremos sobre Quincas Rafael.

Papa – Com a devida vênia, hoje a figura citada será meu saudoso pai Joaquim Rafael de Freitas (Quincas Rafael). Neste domingo, dia 09 de agosto, em frente a sua morada no sítio Quixaba, no distrito de Jabitacá, município de Iguaracy (PE), novo encontro de amigos para falar de poesias e amizades perenes. O poema escolhido foi “Possidônio Gomes”, uma dedicatória do poeta ao amigo. Para mim ‘Seu Possidônio’ foi uma das pessoas mais dignas que pisou na crosta terrestre. Por coincidência nasceu na Fazenda Caiçara, muito próxima do local do evento. Seu legado será lembrado por muitos anos.

 

A morte de Possidônio

Quase ninguém ver falar.

O mundo se encarrega

De dar e depois tomar.

Ele foi honesto e nobre

Nasceu rico, morreu pobre

Sem ninguém lhe prantear.

 

Com relação a herança

Foi um dos que mais herdou.

Duas vezes foi Prefeito

E muito bem governou.

De que serviu tanta lida,

Pra no fim da sua vida

Passar o que ele passou?

 

Na Fazenda Caiçara

Seu Possidônio nasceu.

Foi da família o caçula,

Como caçula morreu.

O seu Riacho do Mel

Tornou-se rio de fel

Pelo muito que sofreu.

 

Dizem que todo caçula

É estimado e tem sorte.

Isto de fato ele teve

Com a primeira consorte

No segundo casamento

Só encontrou sofrimento

Lhe trazendo até a morte.

 

No final da sua vida

Ele não viu se viveu.

Após a morte dos filhos

Toda alegria perdeu.

Perdeu o que mais queria

Quem dessa forma vivia

Não via o viver seu.

 

Na calçada da fazenda

Sentado passava o dia.

Tristonho ali meditando

Sem nenhuma companhia.

De todo mundo esquecido

Pelo presente detido

Pagando o que não devia.

 

Ditoso foi seu passado

Tristonho foi seu presente.

O político quando cai

Acabrunhado se sente

Viveu da recordação

Só naquele casarão

Onde morou tanta gente.

 

Naquela casa museu

De grande recordação.

Viveu Manoel Lopes

Um Coronel do Sertão

Foi ela uma linda prenda

Como prova da fazenda

Tem o ferro no oitão.

 

Estes versos que aqui fiz

Sei que a ninguém feriu.

Também a família dele

Isto a mim não pediu.

Mas aquele homem honrado

Foi por mim admirado.

Enquanto aqui existiu.